Mercado Imobiliário 28/01/2016


FGTS terá parcela maior no subsídio para o Minha Casa

Sem caixa para bancar o programa, governo vai reduzir repasses do Orçamento e jogar uma fatia maior do subsídio para o Fundo

Fonte: Estadão, 28 jan. 2016

 

Por causa da frustração de recursos, o governo vai jogar para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) uma parcela ainda maior da conta dos subsídios dos financiamentos do Minha Casa Minha Vida. O Estado apurou que, para deslanchar a fase 3 do programa de habitação popular, haverá redução dos recursos do Orçamento para subsidiar a aquisição das unidades habitacionais.

 

A parcela de recursos públicos como contrapartida aos subsídios é atualmente de 17,5% e deve cair para 11%. Para compensar a queda, a parcela do FGTS deve subir de 82,5% para 89%.

 

Não é a primeira vez que o governo recorre à estratégia de aumentar o subsídio do FGTS para financiar as casas do programa, usado como vitrine eleitoral da gestão PT. Quando foi criado, em 2009, o Tesouro Nacional cobria 25% dos subsídios e o FGTS, os outros 75%. Trata­se da única saída encontrada pelo governo para manter a média anual de contratar em torno de 400 mil unidades nas faixas intermediárias do programa, pelas quais os beneficiários financiam as casas com juros mais baixos e desconto.

 

Isso porque o orçamento para cobrir a contrapartida do Tesouro nessas faixas foi cortado de R$ 1,9 bilhão para R$ 918 milhões em 2016. Com esse dinheiro, só seria possível contratar a metade das unidades da média dos últimos anos. Os 11% da nova contrapartida do Tesouro foram calculados para manter a média das contratações de 400 mil unidades.

 

A falta de recursos públicos para o governo compensar sua parcela nos subsídios dos financiamentos do Minha Casa não é recente, mas agora o governo está impossibilitado de usar o subterfúgio dos últimos anos.

 

O FGTS desembolsava 100% dos subsídios para que o Tesouro pagasse a sua parte depois. No entanto, essa prática foi condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ser considerada também uma “pedalada fiscal”. No fim de 2015, o Ministério da Fazenda transferiu R$ 9 bilhões para quitar essa dívida.

 

Nova faixa. Com a medida, o governo vai conseguir tirar do papel a faixa 1,5, a grande novidade da terceira etapa do MCMV. Segundo as regras do programa, essa faixa contempla famílias com renda mensal de até R$ 2.350. Esse público terá um desconto de até R$ 45 mil por moradia, de acordo com a localidade e a renda. Além disso, pagará 5% ao ano no financiamento pelas modalidades SAC (Sistema de Amortização Crescente) ou Tabela Price, num prazo de até 360 messes.

 

Membros do conselho curador do FGTS criticam o fato de que, como constatou o Estado no fim de 2015, cada vez mais o Minha Casa passa a ser um programa bancado com o FGTS, fundo privado formado com o dinheiro que é descontado mensalmente do salário de todo trabalhador brasileiro. “É fazer bondade com o chapéu alheio”, afirmou um integrante.

Vizinha ao Morumbi, Vila Andrade ganha novos prédios em ruas recém-abertas

Fonte: Folha, 24 jan. 2016

A crise parece passar longe dos limites da Vila Andrade, bairro da zona sul de São Paulo, vizinho ao Morumbi, que abriga lado a lado os condomínios de luxo do Panamby e a favela Paraisópolis.

Só nos últimos 12 meses foram lançados 11 empreendimentos na região, de acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio). No mesmo período, o Brooklin, também na zona sul, recebeu dois.

O “boom” imobiliário não é de hoje. Nos últimos cinco anos, 43 residenciais verticais foram erguidos no local, de acordo com um levantamento feito pela consultoria Geoimovel a pedido da Folha. A maior parte dos imóveis tem perfil econômico (até R$ 399 mil) e dois dormitórios.

“É um bairro pouco adensado, com ruas mais largas do que em outras regiões”, diz Vitor Marques, diretor da Marques Construtora, que lançou 17 empreendimentos na região desde 2009. Em um deles, as 176 unidades foram vendidas em seis horas.

Para Marques, o grande atrativo é o valor do metro quadrado (R$ 7.580 para imóveis novos, em média, segundo a Geoimovel). “Isso é praticamente metade do valor encontrado na Chácara Santo Antônio ou no Brooklin.”

O baixo custo se soma ao perfil dos imóveis: apartamentos compactos, com grande oferta de lazer para atrair o público-alvo –famílias jovens em busca de um primeiro apartamento.

É o caso do consultor de seguros Victor Neves Pereira, 27, que comprou um imóvel no local. A previsão dele é se mudar para o apartamento de 66 m² no começo de 2017, após seu casamento.

“Queremos ficar lá um bom tempo, criar os filhos até a adolescência”, diz. Na escolha, pesaram boa localização, infraestrutura do prédio e a oferta de restaurantes do local. “É uma região com potencial de desenvolvimento.”

 

URBANIZAÇÃO

 

Para construir no miolo do bairro, em muitos casos as incorporadoras investiram em infraestrutura, como iluminação pública e tubulação de água. A Marques chegou a abrir uma rua – a Celso Ramos – para dar acesso a pelo menos cinco edifícios novos.

Atualmente, a via, larga e com fios subterrâneos, é restrita a moradores. A separação é informal, feita com correntes de um lado e tubos de concreto do outro, mais próximo a Paraisópolis.

De acordo com a prefeitura, muitas dessas melhorias são contrapartidas exigidas para reduzir o impacto das construções.

Em boa parte das vias sinuosas que abrigam os novos empreendimentos não há linhas de ônibus. Os terrenos são tomados por máquinas de construção e placas anunciando mais prédios.

A principal via da região, a avenida Giovanni Gronchi, costuma travar nos horários de pico. A rua, que já abriga o Shopping Jardim Sul, em breve vai receber o Shopping Morumbi Town, com inauguração prevista para o primeiro trimestre deste ano.

 

CRESCIMENTO

 

O comerciante Antonio Insuellos, proprietário de uma loja de pisos e cortinas no local, diz que o trânsito “não tem solução”. Há 19 anos no mesmo ponto, viu “matagais” virarem prédios. “A população cresceu muito, mas as vias públicas e o transporte não acompanharam”, diz.

Para o urbanista Valter Caldana, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o crescimento vai causar impacto na infraestrutura do local, mas a tendência é o bairro chegar a um ponto de equilíbrio entre oferta de imóveis e obras de infraestrutura.

“Vai depender de investimentos viários e de transporte urbano. É natural que o mercado imobiliário fosse nessa direção”, afirma.

Segundo a prefeitura, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) está implantando corredores de ônibus na Giovanni Gronchi, que devem ficar prontos a partir de 1º de fevereiro e por onde vão passar seis linhas. Nas ruas do miolo do bairro, pelo menos três linhas já atendem à população.

 

Parque Burle Marx, na Vila Andrade, surgiu de um romance malsucedido

Fonte: Folha, 24 jan. 2016

 

A maior área verde da Vila Andrade surgiu de uma história de amor. O parque Burle Marx, hoje com 138 mil metros quadrados e habitat de cerca de 90 espécies de animais, a maioria aves, foi projetado nos anos 1950 para ser os jardins da mansão do empresário Francisco “Baby” Pignatari em homenagem à namorada, a princesa austríaca Ira von Fürstenberg.

O terreno, parte da chamada Chácara Tangará, compreendia mais de 480 mil metros quadrados de mata às margens do rio Pinheiros.

O jardim, planejado pelo paisagista Roberto Burle Marx, seria o adorno da mansão. “Baby Pignatari queria fazer a maior casa do Morumbi, com 3.000 metros quadrados”, diz Thiago Santos, gestor ambiental do parque.

Mas o casamento acabou antes da obra e apenas o jardim ficou pronto. “A princesa chegou aqui, viu e não gostou, achou que tinha muito pernilongo”, conta Santos.

Com o fim do romance, a área ficou abandonada até que foi à leilão no final dos anos 1980. No início da década seguinte, o próprio Burle Marx reformulou o jardim.

Na época, o bairro já começava a viver uma expansão imobiliária. A ideia do parque –hoje tombado pelo patrimônio histórico– surgiu como uma contrapartida dos construtores para o impacto ambiental dos prédios de luxo do Panamby. Em 1995, a área foi inaugurada como uma parceria público-privada entre a Fundação Aron Birmann e a prefeitura.

Em média, são 15 mil visitantes por mês. “Recebemos muitos praticantes de ‘birdwatching’ (observação de pássaros)”, diz Santos.

O local também abriga um casarão projetado para ser um hotel de luxo, construído no lugar da antiga casa de Pignatari. Segundo Santos, o prédio está sendo restaurado. O parque abre todos os dias das 7h às 19h e fica na avenida Dona Helena Pereira de Moraes, 200.

 

Apto de 2 dormitórios e 2 vagas e 2 banheiros


Apto de 2 dormitórios 2 Vagas e 2 banheiros

Apto de 2 dormitórios Com 2 vagas cobertas e demarcadas Com 2 banheiros com chuveiro

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Mercado Imobiliário 27/01/2016


Governo quer usar bancos públicos para injetar R$ 50 bi na economia

Fonte: Folha, 27 jan. 2015

 

Na busca de tentar fazer a economia voltar a crescer ainda no final deste ano, o governo Dilma planeja lançar linhas de crédito em torno de R$ 50 bilhões por meio de bancos públicos para setores como construção civil, exportador, bens de capital e micro e pequenas empresas.

O valor, que será anunciado pela presidente nesta quinta-feira (28) na reunião do Conselhão, ainda não está totalmente fechado e depende de ajustes finais.

Não está definido, por exemplo, se o governo vai mesmo lançar nesta semana o uso de parte da multa do FGTS como garantia para crédito consignado de trabalhadores do setor privado.

Entre as linhas de crédito que serão anunciadas na quinta, o governo vai destinar cerca de R$ 10 bilhões para a construção civil com recursos do FGTS, que garante taxas de juros mais baixas do que as de mercado.

Parte desses recursos virá do pagamento no final do ano passado dos passivos das pedaladas fiscais. Esse acerto reforçou o caixa do fundo em R$ 22,5 bilhões no fim de 2015.

O Planalto definiu o setor de construção civil como uma das prioridades nas medidas de estímulo à economia como forma de tentar reduzir o aumento do desemprego.

O principal foco das linhas de crédito para construção civil é a área de habitação, com liberação de recursos do FGTS para construtoras que tocam obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

O governo também anunciará reforço de linhas de crédito para o setor agrícola, na casa de R$ 10 bilhões, por intermédio do Banco do Brasil.

Outros setores que serão contemplados com oferta de crédito, a taxas mais baixas do que as de mercado, são: micro e pequena empresa, exportadores e fabricantes de máquinas e equipamentos.

Estes setores serão beneficiados por meio de linhas de crédito do BNDES, que podem ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. Estes empréstimos terão correção pela TJLP (Taxas de Juros de Longo Prazo), hoje de 7,5%, mais um “spread” –a taxa final deve ficar entre 15% e 18%.

Outras linhas também estão em estudo pela equipe econômica e serão fechadas na volta da presidente Dilma do Equador.

 

REFORMAS

O governo deve anunciar que vai buscar aprovar três reformas (Previdência, Fiscal e administrativa) para garantir um equilíbrio das contas públicas de forma sustentável no médio e longo prazos.

O ministro Nelson Barbosa (Fazenda) dirá que pretende também criar um sistema de meta para os gastos públicos, com a adoção de limites para as despesas do governo federal.

 

Regras de liberação do FI­FGTS vão mudar para facilitar acesso a R$ 22 bi

Fonte: Valor, 27 jan. 2015

 

As regras de liberação de recursos do FI­FGTS serão alteradas para agilizar o uso de mais de R$ 22 bilhões que estão parados no fundo. A Caixa Econômica Federal deve anunciar, em até um mês, um novo modelo que permita que empresas, mesmo antes de vencerem leilões ou concessões, possam pleitear recursos do FI­FGTS, o que hoje não é possível. A expectativa é que as novas regras ajudem no financiamento das concessões em infraestrutura. O presidente do comitê de investimento do FI­FGTS, Carlos Abijaodi, que também é diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que, ao acompanhar a empresa desde o procedimento de manifestação de interesse, o FI­FGTS ganha tempo na análise do projeto. Isso possibilita uma liberação mais rápida do dinheiro, no caso de a empresa sair vencedora do processo de concessão “É mais uma alternativa para o investidor”, afirmou. Atualmente, segundo Abijaodi, a análise de um processo varia de dois a três anos e com a mudança da regra esse prazo pode cair para um ano.

 

Hoje, existem R$ 22 bilhões disponíveis do FI­FGTS, que não são liberados por falta de demanda. Pelas regras do FI­FGTS, é necessário que a empresa contemplada use os recursos em um projeto concreto de investimento. Por causa das investigações da Operação Lava­Jato e da desaceleração da economia, os planos de novos empreendimentos, ou de expansão de negócios, estão paralisados. O foco das empresas atualmente é preservar a liquidez e buscar recursos para financiar o capital de giro.

 

Dilma pode condicionar crédito a emprego

Fonte: Valor, 27 jan. 2015

 

O governo estuda exigir a geração de novos empregos como contrapartida às novas linhas de crédito destinadas a assegurar capital de giro às micro e pequenas empresas. As linhas de crédito devem somar R$ 50 bilhões e a forma como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atuará ainda está sendo delineada. As medidas podem ser anunciadas amanhã na reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.

Além de linhas voltadas às pequenas e médias empresas, à infraestrutura e às exportações, o BNDES também poderá oferecer linhas de financiamento de bens de capital. O governo ainda discute se liberará o uso da multa do FGTS como garantia ao crédito consignado.

Ontem Dilma conduziu uma ampla reunião preparatória da retomada do Conselhão, da qual participaram oito ministros ­ inclusive Nelson Barbosa, da Fazenda, Alexandre Tombini, do Banco Central, e Jaques Wagner, da Casa Civil ­, além do ex­presidente do PCdoB Renato Rabelo, que assumirá a Secretaria Executiva do colegiado. Rabelo é um dos aliados mais próximos a Dilma e fiéis ao governo.

 

O grupo ainda está dividido quanto ao efetivo anúncio das medidas, que buscam impulsionar o crescimento econômico e dar ânimo aos investidores. Como não existe nenhuma medida de fôlego em gestação, há dúvidas se vale a pena adiantar as novas ações, ou apenas divulgar novas diretrizes econômicas. “O Conselhão é espaço de diálogo, não de anúncios”, diz um ministro.

A contrapartida da criação de novas vagas de trabalho decorre do temor do governo de que o índice de desemprego alcance os dois dígitos até o fim do semestre, com o agravamento da recessão. O modelo em estudo por Nelson Barbosa contempla a oferta de crédito para empresas de médio porte junto ao BNDES, com juros corrigidos pela TJLP, de 7,5% ao ano, mais o acréscimo de uma taxa que pode ser de 1,5%, se a beneficiária comprovar a abertura de novas vagas. Se não houver geração de empregos, a taxa pode subir para 3% ao ano.

Esta proposta já foi apresentada a Dilma e aos ministros do núcleo político, mas o martelo ainda não foi batido. No início do mês, em um café da manhã com jornalistas, Dilma admitiu que o governo estudava ampliar o crédito para este segmento. “Nós achamos, inclusive, que o BNDES tem de fazer uma linha de capital de giro para aquelas empresas que são as mais frágeis, as médias, as pequenas, as micro”, afirmou. Há 10 milhões de micro e pequenas empresas cadastradas no Simples Nacional, que respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB).

O receio de que o índice de desemprego alcance 12%, como preveem alguns economistas, atemoriza o Planalto, com a perspectiva de que agrave ainda mais a baixa popularidade de Dilma. Em novembro, a taxa de desemprego foi de 7,5%, inferior à de outubro ­ de 7,9% ­, mas superior ao registrado em novembro de 2014, que foi de 4,8%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se a crise não refluir, economistas afirmam que o índice pode atingir os dois dígitos.

O governo não vai anunciar um “pacote” de medidas econômicas na reunião do Conselhão, avisam auxiliares presidenciais. Dilma e o ministro Jaques Wagner mostraram sintonia ao afirmarem que o governo não vai tirar “coelho da cartola”. Mas além dos empréstimos para pequenas e médias empresas, haverá ainda medidas de fomento à exportação, ao agronegócio e incremento do crédito para o setor habitacional.

Também se reuniram ontem com Dilma os ministros Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Valdir Simão (Planejamento), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), Aloizio Mercadante (Educação) e Kátia Abreu (Agricultura). Wagner, Barbosa, Monteiro Neto e Dilma vão discursar na abertura da reunião do Conselho. Serão realizadas quatro reuniões neste ano e a próxima será em maio.

 

Governo deve anunciar injeção de R$ 50 bi no crédito via bancos públicos

Medidas para tentar estimular o crescimento serão anunciadas amanhã, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social; apesar do ceticismo do mercado, avaliação da equipe econômica é de que há demanda por empréstimos

Fonte: Estadão, 27 jan. 2015

 

O governo deve liberar cerca de R$ 50 bilhões em linhas de crédito do Banco do Brasil, BNDES e Caixa (incluindo recursos do FGTS) no esforço para a retomada dos investimentos e do crescimento da economia, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. O anúncio será feito pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na reunião de reabertura do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, marcada para quinta­feira, 28.

O governo anunciará também a ampliação de linhas do BNDES para financiar o “pré­embarque” dos exportadores, que são linhas que apoiam a produção de bens e serviços destinados à exportação. A presidente Dilma Rousseff quer que o comércio exterior seja um dos caminhos apontados para reativar a economia.

Embora a intenção da equipe econômica não seja anunciar um pacote de medidas, o reforço no crédito será o principal resultado prático da reunião, que é vista como um marco importante para sinalizar os principais compromissos do governo e a estratégia de recuperação econômica. O crédito é peça fundamental na política que será adotada. A equipe econômica avalia que há demanda para os empréstimos, apesar do ceticismo de economistas do mercado financeiro.

O volume e o detalhamento das linhas de financiamento, que terão taxas mais baixas que as de mercado, ainda estão sendo fechados pelo Ministério da Fazenda. Esse incremento no caixa dos bancos públicos e do FGTS tem como origem o pagamento, pelo governo, de R$ 72,4 bilhões das pedaladas no fim de 2015. As pedaladas eram dívidas com os bancos públicos e com o FGTS represadas pelo Tesouro para melhorar artificialmente as contas do governo, que o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou quitar. O pagamento foi feito no fim do ano passado, permitindo que os bancos e o fundo tivessem reforço no caixa, o que abrirá espaço para a oferta das novas linhas.

Subsídio. Não estão previstos, porém, subsídios adicionais a serem pagos pelo Tesouro Nacional nas linhas que serão abertas. “Não terá impacto fiscal”, assegurou uma fonte da área econômica. Os desembolsos do FGTS devem servir para impulsionar o setor da construção civil, que tem respostas rápidas. O fundo deve “socorrer” mais uma vez o Minha Casa Minha Vida, em especial nas faixas 1 e 1,5, para famílias de baixa renda.

 

Também estão sendo estudadas formas de fazer com que esses recursos substituam, em parte, o peso da poupança como principal fonte dos financiamentos imobiliários. Ainda não está decidido se será permitido o uso de parte da multa do FGTS como garantia para os empréstimos consignados.

 

No discurso na reunião do Conselhão, o ministro da Fazenda vai reforçar que o principal problema da economia é o fiscal e que é preciso fazer a reforma da Previdência. Barbosa, porém, não vai apresentar as linhas gerais do modelo de reforma que o governo estuda. O discurso do ministro deve apontar também para a expectativa do governo de que uma reversão do quadro de recessão ocorrerá a partir do quarto trimestre. Além de Barbosa, os ministros Armando Monteiro (Desenvolvimento), Kátia Abreu (Agricultura), Valdir Simão (Planejamento) e Alexandre Tombini (BC) também devem falar.

 

Mãos à obra!

Fonte: IstoÉ Dinheiro, 27 jan. 2016

 

A construtora mineira MRV Engenharia, a maior do País, com faturamento de R$ 5,5 bilhões no ano passado, está acelerando seus lançamentos para evitar que a crise contamine seus resultados. No último trimestre de 2015, a empresa colocou no mercado R$ 1,6 bilhão em 11 mil novos apartamentos, o segundo maior volume de lançamentos em seus 36 anos de vida. O presidente da companhia, Eduardo Fischer, explica a estratégia:

 

Não é arriscado fazer tantos lançamentos durante a crise?

Se olhar para as nossas vendas e cruzar os dados, é possível perceber que isso faz todo o sentido do mundo. Já que vendemos mais de R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre, por que não lançar R$ 1,6 bilhão? Precisávamos lançar tudo isso. Ou então não iríamos capturar a demanda. O mercado absorve esses lançamentos. Os números da MRV mostram uma linearidade de vendas muito grande. Mantemos o mesmo patamar de negócios por muitos trimestres seguidos.

 

Mas não houve uma queda de 7,1% nas vendas em comparação com o quarto trimestre de 2014?

Esse número deve ser visto com cuidado. Criamos o projeto Vendas Simultâneas, no qual fazemos a venda só depois que o cliente entrega toda a documentação exigida pelo banco e que o crédito é aprovado. Em 2014, as vendas dentro desse projeto representaram 35% do total. Já em 2015, o índice foi para 90%. Isso evita o cancelamento. Tiramos do balanço o cliente para quem venderíamos, mas que depois não faria os pagamentos. Então, na verdade, o número de vendas subiu.

 

A empresa também está comprando mais terrenos. Por quê?

Quando a venda está acontecendo, precisamos ir renovando as ofertas. Hoje, o mercado está favorável para quem está comprando, seja terrenos ou insumos. A demografia nos ajuda muito. O Brasil tem uma população jovem, que precisa se casar e mudar para o seu primeiro imóvel. Além disso, o acesso ao crédito pelo fundo de garantia é muito barato.

 

Governo abre inscrições para sorteio de casas

Fonte: O Estado de São Paulo, 27 jan. 2016

 

O governo do Estado abriu ontem as inscrições para interessados em concorrer a uma das 2.260 unidades habitacionais de interesse social no centro de São Paulo, fruto de Parceria Público Privada (PPP). As primeiras unidades começaram a ser erguidas em setembro de 2015, dois anos e meio depois do anúncio feito pelo governo. A obra deve se estender por seis anos. A Secretaria de Habitação informou que ainda em 2016 será lançada a concorrência para a construção do segundo lote de casas.

Mercado Imobiliário 19/01/2016


Fundos que vão à caça de empresas do Brasil têm US$ 25 bilhões

Fonte: Folha de S. Paulo, 17 jan. 2016

 

Os fundos de investimento que andam à caça de empresas para comprar no Brasil têm US$ 25 bilhões (R$ 100 bilhões) na agulha para aplicar em países emergentes, segundo levantamento do Bradesco BBI, um dos principais bancos de negócios do país.

Seus principais alvos são empresas de energia, concessões na área de estradas, aeroportos e saneamento pertencentes a grupos envolvidos na Operação Lava Jato, e também negócios de ocasião nas áreas de educação, saúde e imobiliária.

No ano passado, fundos como o brasileiro GP, a canadense Brookfield ou o GIC (fundo soberano de Cingapura) desembolsaram cerca de R$ 23 bilhões apenas nas 12 maiores aquisições de empresas brasileiras.

O levantamento do BBI, feito para consumo interno, ressalta que em oito dessas operações os fundos compraram o controle da companhia, e não apenas uma fatia.

“É uma mudança marcante”, afirma Leandro Miranda, diretor-gerente do Bradesco BBI. “Até pouco tempo atrás, esse tipo de investidor preferia comprar participações minoritárias. Agora, busca o controle e aceita pagar bem mais por isso.”

Envolvida na Lava Jato, no ano passado a Camargo Corrêa colocou no mercado duas de suas empresas mais cobiçadas. Num piscar de olhos, vendeu a Alpargatas inteira por R$ 1 bilhão, quase o dobro do que a empresa valia na Bolsa. Já a InterCement, segunda maior cimenteira do país, encalhou porque o grupo queria vender no máximo 18% da companhia.

Os investidores, especialmente os estrangeiros, perseguem a posição de controle porque estão com mais poder de fogo por causa da desvalorização do real. Ao mesmo tempo, as empresas brasileiras valem menos em reais porque seu desempenho foi afetado pela recessão.

“Hoje é possível comprar uma empresa de R$ 1 bilhão com US$ 250 milhões. Não dava para fazer isso no primeiro semestre do ano passado”, afirma Marco Gonçalves, sócio responsável pela área de fusões e aquisições do banco BTG Pactual.

 

ESTRANGEIROS

Os fundos de investimentos são farejadores de oportunidades, que aceitam correr riscos em troca de retorno alto. Mas a crise brasileira também trouxe para o jogo grandes grupos empresariais que acham que a crise vai passar e querem se estabelecer no país.

Os chineses da China Three Gorges pagaram R$ 13,8 bilhões por duas hidrelétricas do governo. O grupo italiano Gavio comprou a maior parte da EcoRodovias, da CR Almeida, por R$ 2,2 bilhões.

“O Brasil tem boas empresas, o mercado interno é grande, e está barato”, diz Flávio Valadão, diretor da área de fusões e aquisições do Santander. “Os estrangeiros devem manter o interesse aqui, especialmente os asiáticos.”

Para aumentar a tentação, na semana passada a Petrobras decidiu colocar à venda seus 36% na Braskem, maior petroquímica da América Latina, que a estatal controla com a Odebrecht.

A queda no preço do petróleo levou junto o da nafta, principal matéria-prima da petroquímica, enquanto a valorização do dólar multiplicou as receitas de exportação.

Segundo os analistas, hoje a Braskem “imprime dinheiro” e só foi colocada à venda porque a Petrobras precisa reduzir sua dívida.

“Este parece ser um momento único na história, pela quantidade de bons ativos de empresas brasileiras que podem ser colocados à venda”, afirma Alessandro Zema, diretor gerente do banco do Morgan Stanley, um dos mais conectados com investidores estrangeiros.

 

Gigante de gestão de recursos quer colocar ‘bilhões de dólares’ no Brasil

Fonte: Radar Online

 

Toda grande empresa de infraestrutura que busca um investidor ou quer vender ativos no Brasil, cedo ou tarde, bate na porta da Brookfield. É assim com a Braskem, foi assim com as hidrelétricas que o governo colocou à venda no ano passado. Não é à toa.

Mesmo em meio a todo pessimismo com o país, a gigante global de gestão de recursos, que tem mais de 225 bilhões de dólares sob administração, pretende colocar “muitos mais bilhões de dólares” por aqui nos próximos anos, disse o presidente global Bruce Flatt, em entrevista à rede estrangeira “Bloomberg” (veja o vídeo aqui http://www.bloomberg.com/news/videos/2016-01-13/brookfield-s-flatt-on-brazil-a-mess-now-will-come-around)

A intenção é voltar entre 10% e 15% dos investimentos para o país.

Tudo é uma questão de oportunidade. Segundo ele, os ativos estão sendo vendidos abaixo do valor de custo, o que dá “uma incrível margem de segurança”. “Estamos tendo chances [de investimento] às quais nunca tivemos acesso antes”, ponderou.

A Brookfield encerrou 2015 com um portfólio de cerca de 40 bilhões de reais no Brasil, contra 34 bilhões de reais um ano antes.

 

Na contramão

Fonte: Exame, 17 jan. 2016

 

A incorporadora You – fundada em 2010 por Abrão Muszkat, ex-sócio da Even – está indo na contramão do mercado. Enquanto a maioria das empresas do setor está encolhendo, a You captou recursos para crescer. Em dezembro, recebeu 350 milhões de reais do fundo americano Paladin e do fundo brasileiro Vista. O objetivo é lançar entre 700 milhões e 900 milhões de reais neste ano. Em 2015, a empresa, especializada em imóveis de até 90 metros quadrados em São Paulo, lançou 600 milhões de reais e, no ano anterior, 380 milhões.

 

Consórcios de imóveis crescem até 41% em apenas 11 meses

Fonte: Extra, 18 jan. 2016

 

Ao contrário da maioria dos setores da economia, o segmento de consórcios não tem do que reclamar. Com a crise, a alta dos juros, a inflação elevada e a restrição ao crédito, o número de adesões a essa modalidade de financiamento, somente de janeiro a novembro de 2015, cresceu 41,5%, no caso de imóveis, e 9,3%, no que diz respeito a veículos leves, graças aos custos bem menores, se comparados aos de outras linhas. Paulo Roberto Rossi, presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), interpreta os números do setor como uma mudança de comportamento: “Temos uma crise econômica com altas taxas de juros e inflação crescente. Tudo isso está motivando o consumidor, com o orçamento bastante apertado, a fazer contas. A ansiedade pelo consumo está sendo substituída pelo planejamento financeiro.” A análise se deve à principal diferença entre o consórcio e o financiamento: um exige espera para ter o bem, que pode ser longa, enquanto o outro permite o consumo imediato, mas com juros elevados. Sandra Batista, conselheira do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), destaca, porém, que a entrada num consórcio precisa ser muito bem avaliada: “Se a pessoa não tem um imóvel, por exemplo, terá que pagar o aluguel, por um período, e também a prestação do consórcio. Outros fatores a considerar são a renda e se a pessoa tem estabilidade no emprego, como um servidor público.”

 

Mercado Imobiliário 15/01/2016


Governo negocia reajuste menor na prestação do Minha Casa Minha Vida

Fonte: O Globo, Economia, 14 jan. 2016

 

A presidente da Caixa, Miriam Belchior, informou ontem que o governo vai manter o plano de reajustar a prestação mínima cobrada na primeira faixa do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas o aumento pode ser menor do que havia sido previsto no ano passado. A nova regra, que vale para quem ganha até R$ 800, será usada na terceira fase do programa. Depois de se encontrar com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, Miriam explicou que a prestação vai mudar porque não é reajustada desde 2009, e o salário-mínimo e os imóveis subiram no mesmo período.

– Esse aumento da prestação está em linha com o crescimento da renda e do preço dos imóveis – disse a presidente da Caixa.

Quando anunciou a terceira etapa do programa, em setembro do ano passado, o governo informou que mudaria as regras e que a prestação mínima da primeira faixa subiria. Pela nova sistemática, a primeira faixa (que tem juros subsidiados) inclui pessoas que ganham até R$ 1.800 por mês.

 

AJUDA PARA A ECONOMIA

 

Para quem recebe até R$ 800, o valor da parcela passaria de R$ 25 para R$ 80. Já quem recebe entre R$ 800 e R$ 1,2 mil, pagará o equivalente a 10% da renda na prestação. As famílias com renda mensal entre R$ 1,2 mil e R$ 1,6 mil pagarão 15%, e, aquelas com renda entre R$ 1,6 mil e R$ 1,8 mil, 20%.

O que o governo discute agora é se a prestação mínima poderia ser menor do que R$ 80. Miriam não quis adiantar qual será o novo valor, mas afirmou que o subsídio dado pelo governo não mudará.

Ela e Barbosa têm discutido o papel da Caixa na estratégia que está sendo montada pelo governo para recuperar a economia. Uma das linhas de ação é os bancos públicos usarem os recursos recebidos do Tesouro pelo pagamento das pedaladas fiscais para reforçar linhas de crédito para setores como a construção civil. A Caixa, por exemplo, recebeu R$ 1,5 bilhão das pedaladas, e esses recursos ajudarão a financiar o Minha Casa Minha Vida. O BNDES, por sua vez, recebeu R$ 30,04 bilhões, o FGTS, R$ 22,6 bilhões, o Banco do Brasil, R$ 18,2 bilhões.

– A Caixa é um banco público que dá crédito, e queremos atender a necessidade de diversos setores para alavancar a economia – disse a presidente do banco, na saída do encontro com o ministro da Fazenda.

Miriam também afirmou que o governo deve realizar a abertura de capital (IPO) da Caixa Seguradora no meio deste ano. Ela lembrou que a operação, que deveria ter sido realizada ano passado, acabou sendo adiada por causa das turbulências na economia e na política.

 

IPO ESTÁ ‘APENAS SUSPENSO’

Segundo ela, a primeira janela de oportunidade para o IPO será em abril, mas é pouco provável que a operação ocorra nesse período.

– O IPO está apenas suspenso devido à situação do mercado. Assim que o quadro desanuviar, ele vai ser feito. Eu acho que está mais para meio do ano, começo do segundo semestre, mas vamos avaliar a situação do mercado, como já fizemos no ano passado.

 

Even lançou cinco projetos no quarto trimestre de 2015

Fonte: UOL, 13 jan. 2016

 

A Even informou nesta quarta-feira que lançou cinco projetos com valor geral de vendas (VGV) de R$ 541,3 milhões no quarto trimestre de 2015 – a participação da empresa é equivalente a R$ 457 milhões, o que representa uma queda de 55% em relação ao mesmo período de 2014. As vendas líquidas contratadas somaram R$ 465 milhões no quarto trimestre, queda de 8,5% em relação ao mesmo período de 2014. Desse total, R$ 190 milhões referem-se a vendas de lançamentos do trimestre e R$ 276 milhões a vendas de estoques. A velocidade de vendas foi 16%. A empresa informou também que entregou sete projetos com VGV de R$ 651 milhões e com 1.456 unidades no quarto trimestre.

 

Habitação social de chileno leva ‘Nobel da Arquitetura’

Fonte: Folha de S. Paulo, 14 jan. 2016

 

Um dos arquitetos mais jovens a vencer o Pritzker, maior prêmio da arquitetura mundial, o chileno Alejandro Aravena, 48, despontou na última década como um dos maiores inovadores da área, consagrado com projetos de habitação social e obras para a recuperação de cidades atingidas por desastres naturais.

Sua escolha, anunciada nesta quarta (13), também representa um deslocamento geográfico nas decisões do prêmio, entregue pela última vez a um nome da América do Sul quando o brasileiro Paulo Mendes da Rocha foi reconhecido há dez anos.

Na história do prêmio, Aravena é o quarto latino-americano a receber a distinção, depois do mexicano Luís Barragán, em 1980, do brasileiro Oscar Niemeyer, em 1988, e Mendes da Rocha, em 2006.

Em plena ascensão e agora consagrado pelo maior prêmio de sua área, Aravena está também à frente da próxima Bienal de Arquitetura de Veneza, que começa em maio na cidade italiana.

Seu projeto mais notório, conduzido pelo Elemental, escritório que fundou em 2001, são as mais de 7.500 casas construídas para a população de baixa renda no norte do Chile. São estruturas entregues ao morador como esqueletos que podem ser complementados mais tarde de formas distintas, dando autonomia aos proprietários.

De acordo com o júri do prêmio, entre os quais está o britânico Richard Rogers, um dos autores do Centro Pompidou, em Paris, Aravena “pratica a arquitetura como um esforço artístico em projetos para as esferas privada e pública e resume o ressurgimento de um arquiteto mais socialmente engajado”.

Entre outros projetos marcantes do autor, estão seus prédios da Universidade Católica do Chile, em Santiago.

O UC Innovation Center, por exemplo, é uma estrutura de concreto com aberturas que parecem aleatórias, buscando uma porosidade adequada ao clima frio da capital chilena, enquanto as Siamese Towers, no mesmo campus, são torres brutalistas revestidas com uma pele de vidro, uma estratégia para aperfeiçoar a circulação de ar e evitar gastos excessivos de energia.

Em construção em Xangai, a nova sede da Novartis, empresa do setor de saúde, também tem como principal meta do projeto o consumo consciente de recursos, combinando uma série de ambientes distintos no mesmo espaço.

Entre projetos corporativos e outros em âmbito social, Aravena se firmou como um arquiteto ao mesmo tempo autoral e ancorado na solução de desafios da forma mais eficiente, como quando ajudou a reconstruir a cidade chilena de Constitución, arrasada por um terremoto.

 

Pritzer olha pro social

Fonte: O Globo, 14 jan. 2016

 

O Aravena costuma se aventurar em campos que desconhece. Foi o caso da reconstrução da cidade chilena de Constituición, que resistiu a um terremoto de 8,8 graus na escala Richter e a uma posterior tsunami. O escritório Elemental ouviu os cidadãos e se propôs a recuperar o espaço e blindar a zona urbana para futuros terremotos. Em lugar de resistir com muros, eles idealizaram um espaço público capaz de dissipar a energia sísmica.

Com Aravena, o Pritzker manda uma mensagem quase oposta àquela que enviara no passado: é mais urgente aprender bem a gramática do que escrever um grande romance. De seu estúdio em Santiago, o próprio arquiteto explica que a profissão deve recuperar o peso social e afastar-se da irrelevância.

Sempre houve aqueles que, longe dos prêmios e da atenção da mídia, têm feito uma arquitetura de viés social. O prêmio concedido a você é uma adaptação à crise? Uma resposta à era dos ícones?

A arquitetura tem sido rotulada como uma profissão que tenta apenas responder às questões que interessam aos arquitetos. Fomos pouco treinados para entender que nosso ponto de partida está fora da arquitetura. Talvez, com a intenção de garantir sempre um resultado puro e escultural, pensemos que, se a solução não está na origem, ela não possa ser alcançada. O preço que pagamos por essa forma de trabalhar é a irrelevância. Não nos chamam para cuidar de qualquer problema difícil. Quando há uma pedra no sapato, o arquiteto nunca é chamado. Não é o caso de economistas, advogados e engenheiros, que são mais usados conforme o problema cresce.

 

Arquitetos são socialmente irrelevantes?

No âmago da nossa profissão, existe uma ferramenta poderosa para dar conta de temas complexos. É isso que precisamos resgatar: a oportunidade de contribuir para resolver problemas fundamentais.

 

Uma crise econômica é uma experiência de humildade para arquitetos?

A escassez traz a necessidade de justificar as operações que você faz. A escassez de recursos torna obrigatória a abundância de sentidos.

 

O Pritzker sempre prestou atenção às tendências. Você teme que a arquitetura humanitária seja, como o desconstrutivismo, mais uma moda?

Relacionar sucesso e culpa é algo a ser evitado em um país ultracatólico como o Chile. Quando nos deram o prêmio, sentimos liberdade. Já não temos que provar nada a ninguém.

 

A arquitetura pode fazer algo para reduzir a desigualdade na América Latina?

Totalmente. Parte da adrenalina que sentimos em ser arquitetos é que a cidade é um mecanismo muito poderoso para corrigir as desigualdades. Se há um consenso na América Latina, é que temos um problema pendente: a desigualdade. E tudo que você ouve é sobre a redistribuição de desigualdade de renda, como se fosse apenas um problema econômico. Não é. É também um problema racial e cultural. Ele tem muitos componentes, a redistribuição de renda exige uma educação que permita o acesso a um trabalho melhor e a uma melhor qualidade de vida. E isso leva pelo menos um par de gerações. Isso não acontece do dia para a noite. Mas, na cidade, existem fatores que melhoram a qualidade de vida sem ter que esperar.

 

Quais?

 

Um sistema de transporte público é, por definição, redistributivo. As cidades podem ser medidas pelo que se pode fazer nelas sem gastar nada. Eu tenho que me associar a um clube para desfrutar da natureza ou posso ir a um parque? Transporte, espaço público e habitação são atalhos muito poderosos para corrigir a desigualdade.

 

Corrigir o problema depende do ativismo dos cidadãos, da ideologia dos governantes…

E do senso de oportunidade dos arquitetos. Temos a oportunidade de aumentar a visão política e de canalizar a demanda pública em direção a uma melhor qualidade de vida. Então eu nego o poder. Os cidadãos podem estar no poder. Finalmente, há políticos que têm uma visão assim. Eles são aqueles em que você pode votar.

 

Você defende a autoria coletiva. Por que não pediu para compartilhar o prêmio com seus quatro sócios?

Os times de futebol ganham certos títulos, como campeonatos e ligas. Os jogadores disputam outros, como a Bola de Ouro. Claro que ninguém pode ganhar a Bola de Ouro sem uma equipe por trás, mas este prêmio se refere a uma dimensão individual do processo criativo. Na arquitetura, nada é feito individualmente. Não vejo qualquer conflito em premiar uma pessoa ao mesmo tempo em que se entende que a natureza do trabalho é coletiva.

 

É uma contradição receber o prêmio tendo sido jurado no ano passado?

Na verdade, eu não esperava. Justamente porque estava no júri e sei que existem debates do tipo. A emoção foi tão grande que chorei.trabalho do chileno Alejandro Aravena, de 48 anos, foi descrito pelo barão Peter Palumbo, presidente do júri do prêmio Pritzker, como uma “revelação”. Mais revelador do que o nome do arquiteto vencedor, anunciado ontem em Chicago, é o seu jeito de trabalhar. Ele é autor de numerosos projetos de “habitações incrementais” – pelos quais, em vez de receber o imóvel pronto, o cliente recebe um apartamento que pode crescer de acordo com as suas possibilidades financeiras. Com seus desenhos, Aravena e seus quatro sócios no escritório Elemental (Gonzalo Arteaga, Víctor Oddó, Juan Cerda e Diego Torres) têm demonstrado uma preocupação com as cidades e a humanidade que descortina uma nova dimensão da profissão.

Mercado Imobiliário 14/01/2016


Caixa prevê alta de 30% no crédito para imóvel até R$ 225 mil em 2016

Fonte: Folha de S. Paulo, 13 jan. 2016

 

Apesar da crise no setor imobiliário, a Caixa prevê que os financiamentos para imóveis de até R$ 225 mil devem crescer 30% em 2016. A expansão é a mesma registrada em 2015 nesse segmento, classificado pelo banco como habitação social. De acordo com o diretor-executivo de Habitação da Caixa, Teotonio Rezende, não houve restrição na oferta de recursos para esses imóveis, que estão dentro das faixas 2 e 3 do programa Minha Casa, Minha Vida e, por isso, contam com recursos do FGTS. A projeção da Caixa inclui a expectativa de demanda com a terceira fase do programa habitacional do governo, que ainda não está fechado e terá subsídios menores que as fases anteriores. Segundo Rezende, o aumento no limite de renda do programa de R$ 5.000 para R$ 6.500 e no valor máximo dos imóveis devem impulsionar as vendas nesse segmento. Os imóveis tiveram o teto reajustado para valores entre R$ 90 mil a R$ 225 mil, dependendo da região do país.

 

Governo confirma parcela mínima de R$ 80 no ‘Minha Casa 3’

Valor é superior à prestação mínima de R$ 25 que os beneficiários pagam na segunda etapa do programa de habitação do governo federal

Fonte: Estadão, 14 jan. 2015

O governo confirmou nesta quarta­feira que a parcela mínima da prestação da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida será de R$ 80. Na segunda etapa, o valor mínimo que os beneficiários pagam nas prestações é de R$ 25.

O anúncio desse valor foi feito em setembro de 2015, quando o governo divulgou as condições da terceira etapa do programa de habitação popular. Hoje, o Ministério das Cidades informou que não houve alteração no valor mínimo que será pago pelas famílias que ganham até R$ 800 por mês.

Famílias com renda entre R$ 800 e R$ 1.2 mil pagarão o correspondente a 10% da renda e as que ganham entre R$ 1.2 mil e R$ 1.8 mil, 15%. Na divulgação em setembro, o governo tinha anunciado que famílias com renda mensal entre R$ 1.6 mil e R$ 1.8, pagariam 20%. Nesta quarta, porém, voltou atrás ao informar que a parcela máxima do faixa 1 será de 15% da renda.

Como mostrou a edição do Estado desta quarta­feira, a terceira etapa do Minha Casa Minha Vida saiu do papel neste mês, um ano depois do início do segundo mandato da petista, mas deixou de fora a população que mais precisa do programa de habitação popular.

As contratações com as novas regras da terceira fase só começaram para as chamadas faixas 2 e 3 do MCMV, famílias com renda mensal de até R$ 3,6 mil e R$ 6,5 mil, respectivamente.

Por causa da frustração de recursos, não há previsão oficial de quando começarão as contratações para as famílias que ganham até R$ 1,8 mil por mês, pertencentes à chamada faixa 1 do programa. Para esse público, o subsídio ­ com recursos do Orçamento Geral da União (OGU) ­ pode chegar até 95% do valor do imóvel. Também está emperrada a faixa 1,5, grande novidade desta terceira etapa, que contempla famílias com renda mensal de até R$ 2.350.

 

A presidente da Caixa, Miriam Belchior, disse, nesta quarta, que as contratações dessas duas faixas sairão “logo, logo”, mas não quis estabelecer um prazo.

Reformas e exportações deverão puxar a demanda por materiais

Fonte: Valor, 14 jan. 2015

 

A demanda por materiais de construção será puxada, neste ano, principalmente, por reformas e pela exportação, consequência da retração do ritmo de novas obras nos últimos anos e o volume de entregas de imóveis será menor do que o de 2015. Considerando­se apenas vendas internas, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) estima queda de 4,5% neste ano, ante retração de 12,6% em 2015. Há expectativa de alta das vendas externas e de redução das importações, em função do câmbio.

Em 2015, as vendas internas de materiais de acabamento caíram 14,9%, em patamar superior à queda dos itens de base, que foi de 11,2%. Nos últimos anos, o desempenho de produtos de acabamento tinha superado o de base devido ao volume acentuado de unidades em fase de conclusão, mas a relação se inverteu em meados de 2015. Para este ano, a expectativa da Abramat é que os dois tenham retração semelhante, de 4,5%.

O presidente da Abramat, Walter Cover, diz esperar que haja melhora da percepção dos indicadores de emprego e renda em relação a 2015 e incremento nas concessões. Segundo Cover, as reformas vão contribuir para que a retração das vendas da indústria para o varejo seja de 2%, patamar menor do que os 8% de encolhimento no ano passado. Na avaliação de fabricantes de materiais, parte de quem tinha a intenção de comprar um imóvel, mas postergou a aquisição por não obter crédito bancário ou por medo de perder o emprego, vai investir em reforma. O presidente da Mexichem Brasil ­ detentora das marcas Amanco, Bidim e Plastubos ­, Maurício Harger, avalia que o mercado de autoconstrução será o “grande motor” da demanda por materiais. “O melhor desempenho virá por parte das reformas”, diz, acrescentando que parte dos consumidores vai esperar que o país volte a crescer para comprar um imóvel. Segundo Harger, a construção formal “ainda vai andar de lado, salvo se houver grandes alterações no gerenciamento da política econômica nos próximos meses”.

A comercialização de materiais da indústria para as construtoras terá queda de 6% em 2016, ante redução de 15% no ano passado, de acordo com a Abramat.

Parte das indústrias do setor aposta no ganho de participação de mercado de itens tradicionais. “Em momentos de crise, há necessidade de o consumidor buscar itens mais práticos e produtivos. Continuaremos a desenvolver produtos para compensar a queda da demanda”, diz o executivo da Mexichem. Segundo ele, existe espaço para elevar vendas em alguns itens, principalmente de acabamento. A Mexichem tem, em curso, plano de investimento de US$ 100 milhões, que abrange entrada em novos segmentos. “Há investimentos não maturados que permitirão crescimento além do orgânico”, afirma Harger.

A fabricante de revestimentos cerâmicos Cecrisa projeta elevar sua receita de 10% a 12% neste ano, com expansão nos mercados interno e externo. A exportação terá alta maior, de 30% a 40%. A Cecrisa embarca seus produtos para mais de 50 países, incluindo os Estados Unidos, a Europa, o Oriente Médio e a América Latina. “No ano passado, a venda total ficou no mesmo nível de 2014. As exportações cresceram muito, e as vendas internas caíram um pouco”, conta o presidente da Cecrisa, José Luis Pano.

No mercado interno, a Cecrisa espera elevar a comercialização para as revendas e tem a expectativa que a demanda das construtoras, aumente no segundo semestre. “Isso dependerá do que o governo fizer. Esperamos que, se o financiamento melhorar, haja mais demanda por imóveis novos”, diz o presidente. Em março, a Cecrisa concluirá plano de investimentos de quase R$ 130 milhões, “muito atrelado à melhoria da produtividade”, segundo Pano.

A fabricante de telhas ecológicas Onduline buscará manter, neste ano, o faturamento de 2015. No ano passado, mesmo com a melhora na prestação de serviços pela empresa, houve queda de 5% no faturamento ante 2014, segundo o diretor­executivo da Onduline para a América Latina, Ricardo Bressiani. “As lojas de varejo diminuíram as vendas e os estoques”, diz. Neste ano, as vendas dos produtos da Onduline serão direcionadas para reformas, segundo Bressiani. A empresa está definindo canais de venda e estados de atuação.

A Assa Abloy Brasil elevou seu faturamento em 12%, em 2015, principalmente com as sinergias das aquisições dos anos anteriores. Em 2014, a empresa comprou a fabricante de fechaduras, dobradiças e ferragens para portas Silvana e a fabricante de portas corta­fogo Metalika. A Assa Abloy já produzia e comercializava fechaduras de alto padrão com a marca La Fonte.

No fim do ano, a Assa Abloy adquiriu a Papaiz ­ fabricante de cadeados, fechaduras residenciais e móveis, dobradiças e acessórios ­ e a Udinese, que produz componentes para esquadrias de alumínio. Essas aquisições agregam R$ 200 milhões ao faturamento da Assa Abloy, que ficou próximo a esse valor no ano passado. Considerando o faturamento combinado, haverá crescimento de pelo menos 10% em 2016, de acordo com o presidente da Assa Abloy Brasil, Luís Augusto Barbosa.

As vendas das portas corta­fogo da Metalika e das esquadrias da Udinese destinam ­se, principalmente, a unidades novas. “Os dois negócios vão sofrer, mas os demais têm grande participação no varejo”, afirma Barbosa. O executivo ressalta que a venda de cadeados não depende somente do setor de construção. A multinacional busca aumento das exportações, por meio de equipes da Assa Abloy em países como México e Colômbia. “Papaiz e Udinese exportam de forma mais relevante do que outras empresas do grupo”, diz.

A fabricante de produtos de PVC Rehau pretende crescer 10% neste ano, mesmo patamar de expansão de 2015. A Rehau projetava aumentar seu faturamento em 15% no ano passado, mas a melhora da economia brasileira esperada pela empresa para o segundo semestre não ocorreu. No segmento moveleiro, as vendas de fitas de borda da Rehau para acabamento de chapas de madeira cresceram 8%. Já a comercialização de perfis de PVC para fabricantes de janelas teve elevação de 40%. Para 2016, a Rehau estima de 5% a 6% de alta nas vendas de fitas de bordas, puxadas pelas exportações, e 15% em perfis, segundo o diretor­geral da Rehau no Brasil, Alexandre Novoselecki.