Mercado Imobiliário 05/11/2015


Apartamento com 14 m² será construído no centro de SP

Fonte: Folha

 

O tamanho é semelhante ao de duas Kombis: 14 m². Mas ele não tem motor nem sai do lugar. Não se trata de um carro novo, mas sim de um apartamento que será construído no Bom Retiro, centro de São Paulo.

Vendido como o menor do Brasil, o imóvel, da incorporadora Vitacon, tem cozinha, quarto e banheiro. Tudo a partir de R$ 89 mil. O empreendimento, localizado a dois quilômetros da estação da Luz, terá 270 unidades –14 delas com 14 m².

O microapartamento é um ponto fora da curva, mas nem tanto. Pesquisa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio aponta que o número de prédios com imóveis menores de 40 m² construídos na Grande São Paulo saltou de dez em 2005 para cem no ano passado.

No mesmo período, a área média desses imóveis passou de 35,9 m² para 32,7 m². Muitos deles, no entanto, não chegam sequer aos 20 m². É o caso do Downtown São Luís, também no centro da capital, da construtora Setin. Ainda em obras, o prédio terá unidades de 18 m².

“Pensamos sempre em como oferecer às pessoas uma maneira mais moderna de viver, economizando tempo, espaço e dinheiro”, diz Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon. Segundo ele, a taxa de condomínio mensal do edifício deve ser R$ 190.

 

ECONOMIA

 

Se pagar pode ser fácil, morar já é outra história, na opinião do arquiteto Marco Donini. “É difícil ter qualidade de vida em um apartamento tão pequeno. Mesmo em favelas as áreas mínimas são maiores que 14 m².”

 

Frankel discorda. “Acabei de voltar de Tóquio e há gente por lá que vive feliz da vida em 6 m².”

 

Ele defende que soluções para a otimização do espaço interno aliadas a uma oferta de áreas comuns no próprio edifício, como lavanderias coletivas, satisfazem pessoas afeitas a esse estilo de vida.

 

Para o arquiteto Alexandre Skaff, esses empreendimentos respondem a uma demanda crescente por moradia mais bem localizada. “Muitas pessoas estão abdicando de espaço para estarem próximas do trabalho e passarem menos tempo no trânsito.”

 

Mas não é qualquer um que se adapta. “Morar em uma área tão reduzida exige esforço. Alguém que pretenda se mudar para um apartamento como esse deve ter consciência disso”, afirma Skaff.

 

Microapartamento é tendência mundial

Fonte: Folha de São Paulo, 01 out. 2015

 

A oferta crescente de micro-apartamentos não é por acaso. Em 1980, 5,8% dos domicílios brasileiros eram ocupados por apenas uma pessoa. Trinta anos depois, homens e mulheres vivendo sozinhos já totalizavam 12,7% das residências do país, de acordo com o IBGE.

 

No futuro, a tendência é que esses arranjos familiares fiquem ainda mais comuns, segundo o demógrafo e professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, José Eustáquio Alves.

Os motivos são diversos: “A proporção de idosos está crescendo e, portanto, o número de viúvos; melhores índices de educação fazem com que jovens tenham mais condições de viver sozinho; e as pessoas se separam com mais frequência e se casam cada vez mais tarde”, enumera.

Para Ricardo Martucci, professor aposentado do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, esses dados se contrapõem a uma cultura brasileira de supervalorização do espaço.

Em Buenos Aires, segundo ele, é muito difícil, mesmo em regiões nobres, encontrar apartamentos com mais de 150 m². “Há imóveis de 700 m² sendo lançados na Vila Olímpia. Isso é sinônimo de bem-estar?”, questiona.

Para ele, a arquitetura evoluiu de tal forma que áreas pequenas podem oferecer conforto. “A metragem não tem valor em si. Tudo depende de como você a utiliza.”

O fenômeno recente dos compactos está ligado também a uma ideia de que é possível viver com pouco.

A fotógrafa Aline Oliveira, 39, diz estar satisfeita com os 20 m² do seu apartamento, no centro de São Paulo. “Tudo o que uso está aqui, não preciso de mais nada.”

Ficar pouco em casa ajuda. “Eu pedalo muito, vou a exposições, teatros, cinemas e bares. Estou sempre na rua.”

O casal Adriane, 41, e Percival Deimann, 57, também entrou na onda dos compactos. Eles trocaram a casa de 600 m², três carros e vários empregados no Alto de Pinheiros por um apartamento de 40 m² na zona sul.

 

“Revi meus hábitos de consumo, e hoje tenho controle sobre a minha casa, é muito mais prático”, diz Adriane.

 

14 M² É MUITO

 

Microapartamentos já são realidade em cidades como Tóquio, Paris e Nova York, onde é possível encontrar imóveis de até 6 m².

Clara Irazabal Zurita, professora da escola de Arquitetura, Urbanismo e Preservação da Universidade Columbia, em Nova York, diz que pequenos apartamentos, se bem projetados, podem oferecer bem-estar por um preço acessível, algo difícil em mercados superaquecidos.

Neste ano, a cidade americana recebeu o primeiro complexo de compactos, o My Micro NY (minha pequena Nova York), que com unidades prefabricadas de 24 m² a 33 m² promete democratizar o acesso à moradia.

 

O lado ruim, segundo Zurita, é que, se forem muito pequenos ou mal projetados, os micro-apartamentos podem ser “psicologicamente opressores se não houver estrutura urbana adequada e se os moradores não tiverem condições de aproveitar o espaço público”, afirma.

 

Curtas da construção

 

A hora certa para investir – Em tempos de crise, uma das tarefas mais difíceis é não sucumbir ao curto prazo. Diante de indicadores de vendas em queda, muitos empresários e executivos pisam no freio dos investimentos. Milton Bigucci, presidente da construtora e incorporadora MBigucci, não faz parte deste time. Após vivenciar o auge da construção civil, o empresário viu o setor começar a deteriorar em 2014. O enfraquecimento do setor, no entanto, não o assustou. “Quando vi o quadro piorar, mudei a estratégia: diminuí o número de lançamentos e passei a comprar terrenos”, diz o presidente.”Hoje tenho certeza de que tomei a decisão certa.” A estratégia fez da MBigucci a vencedora do ranking setorial de AS MELHORES DO MIDDLE MARKET. Fundada em 1983, a companhia liderada por Bigucci tem como foco de mercado não apenas sua cidade sede, São Bernardo do Campo, mas toda a região metropolitana de São Paulo. Embora o mercado tenha começado a desacelerar em 2014, derrubando pela metade os lançamentos da incorporadora, o empresário decidiu apostar no investimento a longo prazo e focar em projetos pontuais. Seguindo essa estratégia, fez nove aquisições na região metropolitana de São Paulo, incluindo o grande ABC. “Fizemos um plano para, quando a crise econômica passar, termos novos prédios para o mercado”, diz Bigucci. A tática deu tão certo que, em 2015, o empresário resolveu repetir a dose, com uma pitada de ousadia. O número de terrenos comprados saltou de nove para 15. Com cautela, lançou gradualmente o empreendimento residencial Mundi, em São Bernardo do Campo. Porém, a procura pelos apartamentos superou as expectativas, esgotando as unidades da primeira torre em apenas um dia. “Nossos passos são muito bem pensados, entregamos antes dos prazos contratuais, sempre pensamos no bem do consumidor”, diz Bigucci. “A credibilidade da companhia tem nos ajudado a passar pela crise sem grandes sequelas.” (IstoÉ Dinheiro, 04 nov. 2015)

 

BR Properties tem prejuízo de R$447,6 mi no 3º trimestre – A empresa de gestão de ativos imobiliários BR Properties teve prejuízo líquido de 447,6 milhões de reais no terceiro trimestre, revertendo lucro de 107,9 milhões obtido um ano antes. O resultado foi pressionado por despesas não caixa como provisão de bônus e plano de opções, informou a companhia. Pesou ainda efeito de alta de juros e volatilidade do câmbio. Excluindo estes efeitos, o lucro líquido foi de 32,1 milhões de reais entre julho e setembro, queda anual de 49 por cento. A queda ocorreu com perda de receita de aluguel por causa de vendas de ativos ocorridas nos últimos 12 meses, além da maior despesa financeira líquida, disse a BR Properties. No período, as despesas financeiras saltaram 94 por cento, para 398,6 milhões de reais, com impacto de juros maiores e do câmbio. A vacância de escritórios da BR Properties foi de 14,2 por cento (física) no terceiro trimestre, ante 9,9 por cento um ano antes. No segmento industrial, foi de 2,5 por cento, em relação a 0,2 por cento no mesmo período em 2014. A BR Properties teve receita líquida de 187 milhões de reais, recuo anual de 2 por cento. Considerando as mesmas propriedades, a receita líquida no terceiro trimestre de 2014 foi de 180,8 milhões de reais, aumento de 3 por cento no período. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativo em 301,7 milhões de reais. No mesmo trimestre de 2014, o Ebitda havia sido positivo em 226,2 milhões de reais. Em termos ajustados, o Ebitda foi positivo, mas caiu 3 por cento, para 164,9 milhões de reais. (Reuters, 03 nov. 2015)

 

Prédio viabilizado por financiamento coletivo é autorizado –  A CVM (Comissão de Valores Imobiliários) revogou a suspensão da oferta de financiamento coletivo do empreendimento VN Cardoso de Melo, da incorporadora Vitacon, na Vila Olímpia. A oferta, lançada no mês passado, havia sido suspensa por 30 dias devido a erros no material de divulgação. A CVM anunciou que as irregularidades detectadas por sua área técnica foram sanadas. Agora, a oferta volta a valer.  Com previsão de entrega para setembro de 2018, o empreendimento terá imóveis de dois dormitórios, voltado para “famílias modernas”, e terá facilidades como compartilhamento de ferramentas, espaço guarda-entregas e fechadura que pode ser controlada pelo celular. O VN Cardoso de Melo está recebendo investimentos a partir de R$ 1.000, por meio do site Urbe.me. O retorno do investimento irá variar conforme o valor de venda dos apartamentos, mas foi assegurada a rentabilidade mínima da poupança no período de vigência do título, que é de cinco anos. A previsão da construtora é que os investidores tenham rendimentos entre 13,1% e 17,2% a.a., acrescido da variação do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção). O valor mínimo de captação do projeto é de R$ 1 milhão, e não irá ultrapassar R$ 2,4 milhões, cerca de 8% do valor total de investimento para o empreendimento. O restante virá da própria construtora. Até o momento 29 pessoas aderiram ao crowdfunding, que chegou a 12% da meta de arrecadação. (Folha de S. Paulo, 03 nov. 2015)

 

Vendas de consórcios de imóveis crescem 47% no ano – As vendas de novas cotas de consórcios de imóveis cresceram 47% no acumulado de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período de 2014. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (3) pela Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), houve 179,6 mil ingressos em consórcios para compra de imóveis nos primeiros nove meses de 2015, em comparação a 122,2 mil nos mesmos meses do ano passado. Levando-se em conta outras modalidades de consórcios (motocicletas, veículos novos, veículos usados, além de imóveis), o crescimento no período foi 4,4%, com a venda de 1,74 milhão de cotas de janeiro a setembro. No período equivalente de 2014, houve 1,67 milhão de novos ingressos. No total, o número de participantes de consórcios chegou a 7,15 milhões em setembro de 2015. No mesmo mês do ano passado, 6,98 milhões pessoas participavam de alguma modalidade de consórcio. A associação atribui a expansão do setor ao cenário econômico atual, com alta de inflação e taxas de juros, além de mudanças nas regras para financiamento de imóveis. (UOL, 03 nov. 2015)

 

Empréstimo com imóvel de garantia ganha espaço –  Com o crescimento da inadimplência, executivos de bancos esperam aumentar o volume de empréstimos para pessoas físicas que dão um imóvel como garantia de pagamento, mesmo que seja a casa onde moram. Essa modalidade de crédito é pouco conhecida e muita gente acha que não se pode dar o único imóvel que tem como garantia, mas é possível, diz João Carlos Gomes da Silva, diretor do Bradesco. “A modalidade é recente. Conforme os tomadores de crédito forem ganhando experiência, a tendência é que se expanda”, acrescenta. Os clientes mais comuns são pessoas que querem abrir um negócio próprio, afirma. Para deixar a casa como garantia, no entanto, não é simples, segundo Maria Teresa Fornea, diretora da financeira Barigui. “A documentação imobiliária necessária é muito burocrática.” O que impulsiona o crescimento da linha é a recessão. “Em momentos como o atual, o crescimento do crédito desacelera e os bancos buscam uma carteira com menos risco”, diz Jeyson Leyser, superintendente da área na Caixa. O banco é o que mais faz transações dessa modalidade, conhecida no mercado como “home equity”. “De 2012 para cá, a nossa carteira [desses empréstimos] saiu de R$ 3,5 bilhões para 7,2 bilhões.” A inadimplência da linha é equivalente à do crédito consignado, “na faixa de 3%, uma das mais baixas”. (Folha de S. Paulo, 03 nov. 2015)

 

Medidas ecológicas reduzem gastos em prédios – Se a escassez de água e o aumento na conta de luz não eram motivos suficientes para adotar medidas econômicas em casa, os paulistanos podem ganhar novo incentivo: a prefeitura da capital acaba de encaminhar à Câmara um projeto de lei que propõe descontos de até 12% no IPTU de condomínios “verdes”, que incorporem ações em prol do ambiente, como o reúso da água. O desconto valeria para edifícios novos ou já existentes que apresentem certificação ambiental -um selo emitido por uma organização do setor garantindo que a construção é ecológica. Entre os selos mais conhecidos estão o Leed, da ONG Green Building Council, e o Aqua, da Fundação Vanzolini. A proposta ainda não tem previsão para ser votada, mas, se aprovada, vai beneficiar um número crescente de condomínios. O edifício Park One Ibirapuera, no Paraíso, zona sul de SP, segue o figurino ecológico completo: a água da chuva e dos chuveiros é reutilizada, o lixo é reciclado, e o aquecimento da água vem de 20 painéis solares. Os benefícios são sentidos no bolso. O aquecimento da piscina, estimado em R$ 7.000, cai para R$ 3.000 com o sistema solar, afirma a subsíndica Amélia Caetano, 42.  Mesmo com a promessa de economia, o grande entrave para adotar as soluções ecológicas é convencer os condôminos a abrir o bolso. “Se dependesse de mim, mudaria tudo, mas muitas coisas são barradas na assembleia”, diz a síndica Vanessa Munis, 35, que, há três anos, adota práticas ecológicas em seu prédio, na Mooca, zona leste de SP. Os preços, de fato, podem assustar. A adoção do reúso de água, por exemplo, custa entre R$ 20 mil e R$ 80 mil. Um dos fatores que aumenta o valor é a necessidade de uma nova tubulação para levar a água de reúso, vinda da chuva ou dos chuveiros, e de um reservatório adequado para fazer o tratamento. Já a construção de tetos “verdes” ou jardins verticais -que reduzem a carga térmica e a necessidade de usar ar-condicionado- gira entre entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. (Folha de S. Paulo, 01 nov. 2015)

 

Mercado Imobiliário 04/11/2015


BR Properties espera nova alta de escritórios em 2018

Fonte: Valor, 04 nov. 2015

 

O novo ciclo de alta do mercado de locação de escritórios de alto padrão deve começar em 2018, na avaliação do presidente da BR Properties, Claudio Bruni. A companhia tem reajustado contratos com perda real, ou seja, em percentuais abaixo da inflação, mas o executivo espera que, nas revisionais que ocorreram daqui a três anos, seja possível elevar valores.

 

A expectativa é que, em 2018, a demanda de empresas por espaços corporativos tenha voltado a se expandir, ao mesmo tempo em que a oferta estará restrita, pois há poucos projetos em desenvolvimento com entrega prevista para 2017 e o ano seguinte.

 

A projeção é que os preços voltarão a subir principalmente na região situada entre a avenida Paulista, a Marginal Pinheiros, e as avenidas Rebouças e Bandeirantes. “Neste quadrilátero, está toda a infraestrutura de negócios de São Paulo”, diz Bruni. Em algumas áreas, como na zona Sul a partir da Ponte do Morumbi, continuará a haver excesso de oferta, segundo o executivo.

 

O presidente da BR Properties pondera que a retomada do ciclo de alta de escritórios corporativos em 2018 depende de que haja mais clareza em relação à política e que as medidas para a retomada do crescimento econômico sejam implementadas. Anteriormente, Bruni esperava o início de novo ciclo de alta de escritórios em São Paulo para 2017.

 

No terceiro trimestre, houve perda real nos reajustes de locação, o que deve se repetir no quarto trimestre, de acordo com o presidente da BR Properties. “Nas propriedades novas, há um esforço tremendo para encontrar ocupantes, e é preciso ser flexível com os valores. Nas ocupadas, é necessário ceder, ainda que não no mesmo nível”, diz Bruni.

 

No mercado de compra e venda de ativos, não há liquidez, segundo o presidente da BR Properties, e os preços “estão estagnados”. A ponta vendedora considera os preços “baixos”, e potenciais compradores postergam a decisão pela falta de clareza do que irá ocorrer. Essa postura de compradores mais cautelosos do que no primeiro semestre inclui investidores internacionais, segundo Bruni. “Em momentos de incerteza, a tomada de decisão é adiada”, afirma o executivo.

 

Em agosto, a BR Properties fechou duas grandes operações de vendas de ativos ­ uma para a Blackstone Real Estate Advisor e outra para a Brookfield ­, pelas quais deve receber o total de R$ 3,144 bilhões. No total, foram comercializados 15 ativos. Segundo o presidente da BR Properties, as operações foram fechadas “no momento certo” e foram “ótimas oportunidades” para a companhia e para quem comprou. “Os compradores adquiriram ativos com preço de desconto em relação ao pico do mercado”, diz o executivo.

 

A comercialização de ativos contribui para a redução do endividamento da companhia. Os recursos das duas operações de venda ­ que serão concluídas até o fim deste ano ­ também irão “muito provavelmente para a distribuição extraordinária de dividendos”, de acordo com o presidente da BR Properties. A companhia avalia ainda a recompra de ações. “Acreditamos que as ações valem R$ 20”, diz Bruni.

 

Ontem, as ações da BR Properties fecharam o pregão da BM&FBovespa cotadas a R$ 12,34, com elevação de 4,57%.

 

Bruni ressalta que a BR Properties está “muito satisfeita” com seu desempenho operacional. A área bruta locável (ABL) comercializada em novas locações somou 7.900 metros quadrados. No fim de setembro, a companhia tinha 56 imóveis comerciais no seu portfólio, com valor de mercado de R$ 10,22 bilhões. As taxas de vacância financeira e física eram de 10% e 9,7%, respectivamente.

 

No terceiro trimestre, a receita líquida da companhia teve queda de 2%, para R$ 187,05 milhões, em decorrência da venda de propriedades nos últimos 12 meses. Se consideradas somente as mesmas propriedades, houve elevação de 3% na receita líquida.

 

Na última linha do balanço, porém, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 477,57 milhões, ante o lucro líquido de R$ 107,93 milhões de um ano antes.

 

Houve impactos negativos, no resultado líquido, da variação cambial sobre uma parcela da dívida da companhia, o bônus perpétuo, e do desconto do preço de venda de propriedades em relação à marcação a mercado.

 

A geração de caixa medida pelo Ebitda da empresa caiu 161%, para R$ 301,75 milhões. A BR Properties informou também Ebitda ajustado, excluídas despesas não caixa como provisão de bônus e plano de opções, de R$ 164,9 mil, com queda de 3% na comparação anual.

 

Preço pedido para locação cai

Fonte: Valor, 04 nov. 2015

 

O preço médio mensal de locação de escritórios corporativos de padrões A e A+ pedido nas regiões de São Paulo pesquisadas pela consultoria Newmark Grubb Brasil caiu 4% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre, para R$ 104,2 por metro quadrado. O levantamento inclui a capital paulista e Alphaville.

 

Com a queda na demanda por espaços corporativos, as negociações de locação continuam favoráveis aos inquilinos.

 

No terceiro trimestre, as locações resultaram de busca de áreas de mais qualidade e eficiência pelas empresas, segundo a presidente da Newmark Grubb Brasil, Marina Cury. Houve também ocupantes que reduziram os espaços já locados.

 

Na comparação com o segundo trimestre, foi registrada absorção líquida negativa de 184,9 mil metros quadrados, ou seja, as áreas devolvidas superaram os novos espaços locados.

 

O levantamento da Newmark Grubb Brasil apontou que houve absorção bruta de 165,8 mil metros quadrados, com destaque para as regiões da Faria Lima, da Berrini e da Avenida Paulista.

 

No segundo trimestre, a vacância ficou em 19,5%, abaixo dos 21,4% do segundo trimestre. A redução resultou da migração de ocupantes da classe B para prédios de padrão A.

 

Há expectativa que as entregas de prédios corporativos do quarto trimestre somem 200 mil metros quadrados, mas a projeção pode não ser cumprida em caso de atrasos na obtenção do habite­se.

 

BRMalls e CCP devem vender ativos

Fonte: Valor, 04 nov. 2015

 

Negociações envolvendo fusões e aquisições de shopping centers no país podem se acelerar com os problemas de caixa das empresas e mudanças de estratégia das companhias. O Valor apurou que a área de shoppings da Cyrela Commercial Properties (CCP) sondou empresas do setor para negociar a venda de ativos da carteira ou a busca de sócios, em conversas que ocorrem desde o ano passado.

 

Outra empresa, a BRMalls, maior empresa do segmento, está em negociações para vender shoppings que integram a carteira da holding da empresa.

 

Executivos do setor dizem que existe hoje um volume considerável de negócios sendo oferecido para empresas nacionais e estrangeiras, especialmente pelo aumento na alavancagem dos grupos, mas há consideráveis divergências de preços entre compradores e vendedores. “Quem quer vender está com a cabeça do valor do ativo lá do passado e quem quer comprar joga esse preço para baixo. Ainda não se encontrou equilíbrio em muitas negociações”, diz um gestor de fundo de private equity.

 

No caso da CCP, os controladores estiveram em contato com o comando da Ancar Ivanhoe e da Aliansce meses atrás, sondando a respeito de uma união dos negócios ou interesse na compra de ativos ­ a Ancar tem 23 shoppings, a Aliansce, 19 e a CCP, oito. Segundo fonte, teria interferido nas negociações o alto valor pedido pela CCP, com uma carteira com bons empreendimentos considerados rentáveis e em fase de maturação. “O problema é que eles querem conversar considerando múltiplos que não existe mais”, conta uma fonte a par do assunto.

 

Já para uma fusão com a CCP, algo que também chegou a ser colocado na mesa pelos controladores, a Ancar, de capital fechado, teria que abrir seus números ao mercado, algo que não agrada aos donos ­ a CCP é de capital aberto. Procurada, a CCP nega a informação.

 

Alto nível de endividamento da CCP, reflexo em parte dos recentes investimentos elevados em shoppings, e vendas mais fracas têm pressionado mais os índices de alavancagem da empresa.

 

Em relação à BRMalls, são esperadas novas transações nos próximos meses, que podem envolver também ativos em que a empresa tem mais de 50% da operação, apurou o Valor. Ao mercado, a companhia tem ressaltado que está aberta a negociar posições minoritárias em empreendimentos. Em 13 dos 46 shopping cuja empresa é sócia, sua participação é inferior a 50%. “Temos conversas em andamento e vamos vender participação em ativos da BRMalls Participações, onde temos vantagem fiscal na venda”, disse ontem o presidente Carlos Medeiros.

 

Na prática, ainda há um volume pequeno de negócios fechados. Os R$ 740 milhões anunciados em transações de vendas de shoppings nos últimos 12 meses envolvem apenas duas companhias, Aliansce e BRMalls. Na Aliansce, desde meados de 2014 foram três negociações para reforçar o caixa, após aumento do endividamento, e isso reduziu um pouco a pressão sobre os números.

 

Já na BRMalls, desde novembro a empresa se desfez de quatro shoppings pela soma de quase R$ 500 milhões com intuito de “reforçar a estratégia de reciclagem de portfólio, otimizar estrutura de capital e destinar recursos para investimentos com maior rentabilidade”, segundo nota. Ontem, a BRMalls comentou o seu balanço do terceiro trimestre, e ressaltou que por causa da crise atual, não há “pressa” em abrir novos empreendimentos, disse Medeiros. O prejuízo foi multiplicado em mais de dez vezes, para R$ 219 milhões de julho a setembro, e a receita líquida subiu 5%, para R$ 335 milhões.

 

Microapartamento é tendência mundial

 

Fonte: Folha de São Paulo, 01 out. 2015

 

A oferta crescente de micro-apartamentos não é por acaso. Em 1980, 5,8% dos domicílios brasileiros eram ocupados por apenas uma pessoa. Trinta anos depois, homens e mulheres vivendo sozinhos já totalizavam 12,7% das residências do país, de acordo com o IBGE.

 

No futuro, a tendência é que esses arranjos familiares fiquem ainda mais comuns, segundo o demógrafo e professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, José Eustáquio Alves.

 

Os motivos são diversos: “A proporção de idosos está crescendo e, portanto, o número de viúvos; melhores índices de educação fazem com que jovens tenham mais condições de viver sozinho; e as pessoas se separam com mais frequência e se casam cada vez mais tarde”, enumera.

 

Para Ricardo Martucci, professor aposentado do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, esses dados se contrapõem a uma cultura brasileira de supervalorização do espaço.

 

Em Buenos Aires, segundo ele, é muito difícil, mesmo em regiões nobres, encontrar apartamentos com mais de 150 m². “Há imóveis de 700 m² sendo lançados na Vila Olímpia. Isso é sinônimo de bem-estar?”, questiona.

 

Para ele, a arquitetura evoluiu de tal forma que áreas pequenas podem oferecer conforto. “A metragem não tem valor em si. Tudo depende de como você a utiliza.”

 

O fenômeno recente dos compactos está ligado também a uma ideia de que é possível viver com pouco.

 

A fotógrafa Aline Oliveira, 39, diz estar satisfeita com os 20 m² do seu apartamento, no centro de São Paulo. “Tudo o que uso está aqui, não preciso de mais nada.”

Ficar pouco em casa ajuda. “Eu pedalo muito, vou a exposições, teatros, cinemas e bares. Estou sempre na rua.”

 

O casal Adriane, 41, e Percival Deimann, 57, também entrou na onda dos compactos. Eles trocaram a casa de 600 m², três carros e vários empregados no Alto de Pinheiros por um apartamento de 40 m² na zona sul.

 

“Revi meus hábitos de consumo, e hoje tenho controle sobre a minha casa, é muito mais prático”, diz Adriane.

 

14 M² É MUITO

 

Microapartamentos já são realidade em cidades como Tóquio, Paris e Nova York, onde é possível encontrar imóveis de até 6 m².

 

Clara Irazabal Zurita, professora da escola de Arquitetura, Urbanismo e Preservação da Universidade Columbia, em Nova York, diz que pequenos apartamentos, se bem projetados, podem oferecer bem-estar por um preço acessível, algo difícil em mercados superaquecidos.

 

Neste ano, a cidade americana recebeu o primeiro complexo de compactos, o My Micro NY (minha pequena Nova York), que com unidades prefabricadas de 24 m² a 33 m² promete democratizar o acesso à moradia.

 

O lado ruim, segundo Zurita, é que, se forem muito pequenos ou mal projetados, os micro-apartamentos podem ser “psicologicamente opressores se não houver estrutura urbana adequada e se os moradores não tiverem condições de aproveitar o espaço público”, afirma.

Mercado Imobiliário 03/11/2015


Plano Diretor ameaça Vila Madalena; 90 casas dão espaço a prédios

Nova lei, elaborada pela gestão Haddad, incentiva adensamento e tem levado à demolição de sobrados para construção de espigões

 

Fonte: Estadão, 31 out. 2015

 

SÃO PAULO ­ O perfil da Vila Madalena, do Sumarezinho e da Vila Anglo, na zona oeste da capital, está em transformação desde que o novo Plano Diretor de São Paulo, elaborado pela gestão Fernando Haddad (PT), entrou em vigor. Apesar da crise econômica ter desacelerado o mercado imobiliário, pelo menos 90 casas foram derrubadas por construtoras no entorno da Estação Vila Madalena do Metrô para 15 lançamentos residenciais. Com o declive característico desses bairros, demolições já provocam danos estruturais em imóveis vizinhos das futuras torres.

 

Há dez dias, um deslizamento de terra em obra da Even interditou um hostel na Rua Girassol depois de a parede de um dos quartos ir ao chão. Nenhum dos três hóspedes que dormiam no local se feriu. Na casa de cima, com frente para a Rua Senador César Lacerda Vergueiro, parte do quintal também ficou fechada para a realização de reparos. A construtora informou que já concluiu a contenção na área e não há mais riscos.

Na hora do incidente, porém, a movimentação de terra provocou pânico. “Tomamos um susto enorme, o estrondo estremeceu minha casa. Agora a tensão é constante, porque não sabemos o que mais pode acontecer. Os terrenos aqui são muito íngremes, não deveriam receber torres enormes de apartamentos”, diz a administradora de empresas Yara Sanchez, uma das poucas moradoras que resistiram à pressão do mercado imobiliário. Na região, alguns sobrados chegaram a ser vendidos por mais de R$ 2 milhões.

 

Os trabalhos de demolição começaram no início deste ano, cerca de seis meses após a aprovação do Plano Diretor. A consequência direta da medida foi a procura por áreas vagas. Como elas são raras, as construtoras passaram a comprar e demolir casas. No local em que houve o deslizamento de terra, por exemplo, eram 13 lotes, todos já derrubados para a construção de uma torre de 22 andares e 166 apartamentos.

 

“É um cenário de destruição. Parece que caiu uma bomba atômica ali”, diz a produtora Beatriz Torres, que faz parte do conselho participativo da Subprefeitura de Pinheiros.

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Os moradores reivindicam que a Prefeitura reveja a liberação dos espigões e a marcação do perímetro a ser adensado ­ a proposta é que ele seja reduzido de 700 mil metros quadrados para 260 mil m². “Nossa luta é pela preservação das casas e dos sobrados que caracterizam a Vila Madalena. Em 2012, o prefeito Haddad, durante a campanha eleitoral, chegou a participar de um abaixo­assinado exatamente com essa finalidade. Não pode agora agir de forma tão contrária”, afirma Beatriz, que guarda os documentos. A Prefeitura não se manifestou.

 

Sossego. Os futuros prédios tomarão conta de ruas tranquilas, até então formadas por sobrados de médio e alto padrão ­ alguns com piscina. É o caso da Rua Senador César Lacerda Vergueiro. A via tem três empreendimentos residenciais em projeto e com demolições em andamento.

 

“Trabalho aqui há 17 anos e nunca vi tanta mudança ao mesmo tempo. Além das casas derrubadas, há outras vazias”, diz o vigia José Gonzaga.

 

Outro exemplo fica no cruzamento das Ruas Luminárias e Paulistânia, onde a Camargo Corrêa abriu um terreno para uma torre de 23 andares. Durante a demolição, o muro de uma casa vizinha foi danificado. A empresa lamentou o incidente e afirmou que vai providenciar o reparo, mas os moradores da região temem mais problemas em função da declividade dessa parte do bairro.

 

Segundo o urbanista Francisco Luiz Scagliusi, que mapeou em outubro todas as 15 áreas abertas no bairro para verticalização, há casos em que a declividade dos lotes passa de 65°. “Nessas condições é impensável liberar prédios. Além disso, as vias ainda são muito sinuosas e com calçadas estreitas.”

 

Com base no estudo feito por Scagliusi, cinco associações de bairro da Vila Madalena esperam convencer os vereadores da capital a promover as alterações pedidas a tempo de evitar mais lançamentos imobiliários com altas torres na região. “O próprio Plano Diretor abre brecha para a revisão do perímetro a ser adensado. Nosso mapeamento apresenta dados técnicos que justificam a necessidade dessa mudança”, afirma Scagliusi

 

Zoneamento deverá impor limite de 8 andares em declives

Reivindicações de moradores da Vila Madalena devem ser parcialmente atendidas na revisão do PL, em discussão na Câmara

 

Fonte: Estadão, 31 out. 2015

 

Segundo o relator da lei, vereador Paulo Frange (PTB), a nova minuta do projeto barra a construção de espigões em parte do perímetro delimitado pelo Plano Diretor para verticalização.

 

“Vamos propor dois mecanismos de proteção. Eles vetam torres com mais de 28 metros ou oito andares em terrenos com declividade acima de 30° e também em vias com largura inferior a 12 metros”, afirma Frange. A solução encontrada vai ajudar a preservar não só a Vila Madalena, mas outros bairros também, como o Ipiranga e a Vila Mariana, na zona sul, o Butantã, na zona oeste, e Santana, na zona norte.

 

De acordo com o diretor do Departamento do Uso do Solo (Deuso) da Prefeitura de São Paulo, Daniel Montandon, o governo aprova a proposta apresentada por Frange. “E ainda defendemos mais uma: que o limite de oito andares passe a valer também no entorno de vilas localizadas em eixos de transporte, em uma faixa envoltória de 15 metros.” Para Montandon, os três mecanismos neutralizam o impacto de prédios altos em ruas só com casas.

 

No entanto, ainda que as alterações sejam aprovadas, os moradores não conseguirão evitar que áreas já abertas pelo mercado sejam verticalizadas. Isso porque projetos com pedidos protocolados na Prefeitura seguem a lei em vigor, ou seja, o Plano Diretor. Alguns deles já têm até estande de vendas.

 

Mais regras. Para os “casos perdidos”, a recomendação do engenheiro Ivan Carlos Maglio é impor regras rígidas para a construção. “Não é porque o novo zoneamento não poderá impedir a construção de parte dos espigões que a Prefeitura não deve exigir estudos de impacto de vizinhança e medidas de contenção e drenagem. Essas regras estão previstas no Estatuto das Cidades e devem funcionar para empreendimentos em áreas de risco, seja qual for o tamanho do empreendimento”, diz.

Mercado Imobiliário 30/10/2015


Câmara de SP aprova trocar imóvel ocioso por moradia popular

Fonte: G1, São Paulo, 27 out. 2015

 

A Câmara Municipal aprovou nesta terça-feira (27) em primeira votação, o projeto de lei 456/2010, que regulamenta o consórcio imobiliário de interesse social. Para virar lei, o projeto dos vereadores Police Neto (PSD) e Nabil Bonduki (PT) ainda precisa passar por uma segunda votação e depois ir à sanção do prefeito Fernando Haddad (PT).

Previsto na lei federal 10.257, o Estatuto da Cidade, e no plano diretor estratégico de São Paulo, o consórcio permite que a prefeitura faça parceria com os donos de imóveis ou terrenos ociosos para construir nesses endereços moradias populares.

A cidade de São Paulo já tem uma lei do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)  progressivo, aprovada em 2010,  também de autoria de Police Neto, que permite à Prefeitura cobrar mais imposto e até se apropriar de imóveis comprovadamente ociosos.

Segundo Police Neto, já existem mais de 500 imóveis ociosos notificados pela Prefeitura e, portanto, passíveis de serem alvos dessa troca por unidades habitacionais.

Por  meio desse novo mecanismo, caso tenha seu imóvel apropriado, o proprietário pode entregar a propriedade para que a Prefeitura construa no local unidades habitacionais.

A administração municipal poderá chamar empreendedores para participar do processo. Police Neto quer que esse processo ocorra em ambiente que permita decisões rápidas.

O dono do imóvel ocioso receberá o valor equivalente ao valor de seu imóvel  em unidades habitacionais. Os outros imóveis poderão ser utilizados pela Prefeitura em programas habitacionais.

Se o projeto for aprovado, os proprietários dos imóveis ociosos passam a contar com uma forma mais rápida de pagamento e a Prefeitura pode dispor de mais áreas para construir moradia popular, sem precisar investir dinheiro vivo, eliminando dois dramas vividos pela administração paulistana: a falta de terrenos e a falta de dinheiro.

Nesse caso, sai de cena também a figura da desapropriação, que pode ser muito mais custosa para a Prefeitura e demorar mais tempo.

Police Neto diz que a ideia do projeto é  aproveitar melhor as áreas da região central de São Paulo, que são dotadas de mais infra-estrutura. Segundo ele, mais de 80% dos imóveis ociosos na mira da Prefeitura estão dentro do centro expandido.

 

Publicado decreto para o cumprimento da cota de solidariedade do Plano Diretor paulistano

Fonte: Sinaenco, 29 out. 2015

 

A Prefeitura de São Paulo regulamentou por meio de decreto a “cota de solidariedade”, que deverá ser cumprida por construtoras que executarem obras de grande porte na cidade – mais de 20 mil metros quadrados construídos. A norma, porém, foi criticada por especialistas. Para eles, a regulamentação onera ainda mais as empresas.

A cota de solidariedade corresponde a 10% da área construída computável, que serão destinados a habitações de interesse social para famílias com renda até seis salários mínimos. É uma espécie de contrapartida pelo licenciamento de grandes empreendimentos imobiliários.

Publicado no Diário Oficial do Município, o Decreto nº 56.538, traz regras para o cumprimento da cota – criada pela Lei nº 16.050, de 2014, a Lei do Plano Diretor paulistano. Pelo decreto, parte do terreno do empreendimento deverá servir a habitação social.

As alternativas são construir a mesma área exigida em outro local, doar terreno de valor equivalente a 10% do total do empreendimento ou depositar 10% do valor da área total do terreno no Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb).

“O decreto exige que para a obtenção do habite-se de parte do empreendimento (uma de quatro torres residenciais, por exemplo), a cota de solidariedade referente a 100% da obra já tenha sido compensada”, diz o advogado Pedro Bicudo, do Lobo & Ibeas.

Além disso, se a empresa optar pelo depósito para cumprir a cota, deverá depositar 50% do total antes de pedir o alvará de execução. “Isso traz um ônus excessivo ao empreendedor porque a incorporadora só pode comercializar o imóvel após o projeto ser registrado”, afirma Bicudo.

Para o advogado, ambos os dispositivos são ilegais porque decreto não pode inovar lei. “Nenhuma dessas exigências consta do Plano Diretor”, diz Bicudo. Segundo o advogado, com tais exigências, o mecanismo pode virar letra morta. “Na elaboração de novos projetos, as incorporadoras estão tentando fugir dos critérios que obrigam o cumprimento da cota.”

A advogada Fernanda Rosa, do escritório Stocche Forbes, afirma que, embora conste na Constituição Federal que a moradia é um direito social, a competência para a melhoria das condições habitacionais, também de acordo com a Constituição, é do município. “A cota onera o empreendedor, que deverá repassar o custo extra ao consumidor”, diz.

 

Reajuste no valor de imóveis viabilizará MCMV 3, avaliam empresários

Fonte: Piniweb, 28 out. 2015

A elevação dos valores limites dos imóveis enquadrados nas faixas 2 e 3 da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida foram consideradas positivas por líderes empresariais. Embora os ajustes não atendam todas as reivindicações de construtores e incorporadores, serão capazes de garantir a realização de novos projetos de habitações para a população de baixa renda.

O vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ronaldo Cury, reconhece o esforço do Governo Federal em viabilizar o Minha Casa Minha Vida. “Acredito que o programa pode ser uma mola precursora para a retomada do crescimento”, afirma.

Para Cury, os novos valores (R$ 225 mil em São Paulo) podem atender a demanda da população e garantir novos empreendimentos do setor produtivo. “Outros projetos que não se viabilizavam a R$ 190 mil (valor antigo para São Paulo), agora poderão ser viabilizados”, comenta.

O vice-presidente de Habitação Econômica do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flávio Prando, lembra que o pedido do setor era para que o teto dos imóveis em São Paulo fosse de R$ 235 mil, o mesmo defendido também para a região metropolitana, o que ficou aquém das necessidades.

“Isso significa que menos empreendimentos vão poder participar do programa. Mas, apesar disso, é melhor tê-los para poder trabalhar durante um período, e torcer para que daqui um ano possamos voltar a conversar sobre esses números”, justifica. Para ele, será possível viabilizar projetos sob o novo teto, mas não no número de empreendimentos que o setor gostaria.

Segundo o diretor de Região Metropolitana da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Eurico dos Reis, a falta de terrenos com preços acessíveis para moradias populares deverá manter os novos projetos do Minha Casa Minha Vida concentrados na região metropolitana das grandes capitais, como é o caso de Curitiba. “Noventa por cento da oferta (de terrenos) hoje está lá (na região metropolitana). Por isso, o aumento dos limites já é suficiente e é um motivo para outros construtores fazerem novos empreendimentos”, defende.

Novos valores – O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou no início da noite de terça-feira (27) a elevação dos valores limites dos imóveis enquadrados na terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) nas faixas 2 e 3. A atualização era bastante aguardada por empresários do setor, pois a última correção nos tetos ocorreu em 2012. Além disso, o conselho aprovou ainda um ajuste no valor máximo do subsídio.

De acordo com informações do Ministério das Cidades, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, o teto subiu de R$ 190 mil para R$ 225 mil. Nas grandes cidades das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o valor máximo passou a ser de R$ 180 mil, enquanto nas regiões metropolitanas da Região Sul, e dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, passou para R$ 200 mil. Já para os municípios abaixo de 20 mil habitantes, o teto foi a R$ 90 mil.

O limite de subsídio concedido para as faixas 2 e 3 foi elevado de R$ 25 mil para R$ 27,5 mil.

O Conselho também aprovou os valores limites para imóveis que podem ser enquadrados na faixa 1,5, que é uma novidade na terceira etapa. Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, o preço do imóvel será de até R$ 135 mil. Para as cidades da Região Sul, Espírito Santo e Minas Gerais esse valor está fixado em R$ 125 mil. Na Região Centro-Oeste (com exceção do Distrito Federal), Norte e Nordeste, o teto será de R$ 120 mil. Nessa modalidade, o subsídio máximo será de R$ 45 mil e a taxa de juros de 5% ao ano.

Em setembro, o Governo apresentou propostas para a terceira fase do Minha Casa Minha Vida. As principais mudanças foram a criação da faixa 1,5, para famílias com renda mensal entre R$ 1.800 e R$ 2.350, e a ampliação do limite de renda das faixas 2 e 3 para R$ 3.600 e R$ 6.500, respectivamente. Também foi proposta a elevação das taxas de juros do financiamento imobiliário nas faixas 2 e 3.

 

Locação de imóveis residenciais cresce 17,62% em SP em setembro

Fonte: Monitor Mercantil, 27 out. 2015

 

A locação de casas e apartamentos cresceu 17,62% em setembro na cidade de São Paulo em relação a agosto, a segunda maior alta deste ano, puxando o crescimento acumulado desde janeiro para 56,55%. A expansão desse mercado contrasta com o de venda de imóveis usados, que em setembro teve queda de 33,57% na comparação com agosto e registra queda de 1,67% no ano.

Os números foram apurados em pesquisa feita com 321 imobiliárias da capital pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), que mostrou, pela primeira vez, o “sentimento de crise” chegando a estes dois mercados. Esta impressão dos corretores de imóveis está expressa na percepção de 45,48% deles de que o desempenho geral do mercado em setembro foi pior do que em agosto. Outros 42,37% disseram ter a percepção de que setembro foi “igual” a agosto enquanto que 12,15% acharam ter sido “melhor”.

– Embora a soma de “melhor” e “igual” supere a percepção de “pior”, esse resultado acende uma luz amarela quando se lembra que o número dos que julgavam o mercado pior era de apenas 29,04% em Janeiro – afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.

Ele também lembra que “o aluguel é a trincheira que sobra para quem não consegue financiamento e precisa dar um jeito de arrumar moradia, daí o crescimento na crise”.

Viana Neto menciona “luz amarela” em vez de vermelha porque a soma de opiniões que qualifica o comportamento do mercado em setembro como “igual” ou “melhor” ainda supera o percentual de “pior”.

– Negociações de compra pendentes ou em andamento podem alterar esses números até o final do ano, mas tanto a locação quanto a venda estarão sujeitas às oscilações no emprego, na renda e na capacidade de pagamento das famílias – ressalva Viana Neto.

A percepção dos corretores, que é fundamentada pelos negócios do dia-a-dia, “está em linha também com os dados econômicos que mostram piora de vários indicadores em setembro, um mês para esquecer”, destaca o presidente do Creci-SP. Foram fechadas mais de 95 mil vagas com carteira assinada em setembro e o acumulado de vagas perdidas de trabalho com carteira assinada somou 1.238.628, segundo o cadastro do Ministério do Trabalho.

Os outros números ruins de setembro lembrados por Viana Neto são a queda de 4,12% na arrecadação federal de impostos em comparação com o mesmo mês do ano passado, o aumento do rombo nas contas externas de 23,5% em relação a agosto e, para o mercado imobiliário especificamente, o terceiro aumento este ano nas taxas de juros dos financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF).

 

Financiamentos em queda – O presidente do Creci-SP destaca que o mercado de imóveis usados, especialmente, chega ao sétimo mês do ano disparando alarmes para o desempenho nos próximos meses.

– A participação dos financiamentos nas vendas teve o segundo pior resultado do ano, e esse é outro sinal de alerta sobre a instabilidade que ronda o mercado de imóveis usados – enfatiza.

Em setembro, foram financiados pela Caixa e demais bancos com operação de crédito imobiliário 42% das unidades vendidas nas imobiliárias que o Creci-SP consultou. As vendas à vista somaram 50% do total de vendas. O pior mês em número de financiamento foi junho, com 40,27% de unidades financiadas e 59,72% vendidas à vista. O mês com maior número de unidades financiadas por bancos foi janeiro, com 74,75%.

– Esse conjunto de fatores econômicos e setoriais, como as dificuldades crescentes para financiar um imóvel, explica o porquê de as vendas estarem acumulando queda mesmo quando se tem, como em setembro, uma queda relativa de preços – afirma Viana Neto.

Em setembro, por exemplo, os preços do metro quadrado dos imóveis usados vendidos pelas imobiliárias consultadas pelo Creci-SP baixaram em média 2,73% na comparação com agosto.

A pesquisa do Creci-SP também mostrou influência direta dos descontos concedidos pelos proprietários sobre as vendas em setembro. Os imóveis usados situados nas Zona A e B, que têm os maiores preços médios por concentrarem bairros de classe alta e média, concentraram quase metade das vendas, com 47,21%.

desconto médio sobre o preço original de venda aumentou 35,75% na Zona A (de 11,33% em agosto para 15,38% em setembro) e 77,78% na Zona B (de 4,5% para 8%). Nas demais zonas os descontos baixaram em setembro: de 10,25% em agosto para 9,15% (- 10,73%) na Zona C; de 12,69% para 10% na Zona D (-21,2%); e de 8,57% para 5,33% (-37,81%) na Zona E.

As 312 imobiliárias consultadas pelo Creci-SP venderam em setembro na capital 64,86% do total em apartamentos e 35,14% em casas. Assim como em agosto, os imóveis mais vendidos em setembro foram os de valor final até R$ 400 mil, com 54,05% dos contratos. Na distribuição das vendas por faixa de valor, 63,93%% se concentraram na faixa de até R$ 6 mil o metro quadrado.

O preço de imóvel usado que mais aumento em setembro na capital foi o de apartamentos de padrão médio com mais de 15 anos de construção situados em bairros da Zona A, como Alto da Boa Vista, Itaim Bibi e Campo Belo. O preço médio do metro quadrado subiu 22,98%, de R$ 6.250 em agosto para R$ 7.686,46 em setembro.

O imóvel que ficou mais barato entre todos os registrados na pesquisa do Creci-SP foi a casa de padrão médio com até sete anos de construção localizada em bairros da Zona E, como Brasilândia, Campo Limpo, Cangaíba, entre outros. O preço do metro quadrado baixou 20,89% em média, de R$ 3.202,27 em agosto para R$ 2.533,33 em setembro.

Os aluguéis residenciais baixaram em média 2,77% em setembro em relação a agosto na capital, o que ajudou a inflar o número de novas locações na cidade, que cresceu 17,62% em setembro na comparação com o mês anterior. As 321 imobiliárias que o Creci-SP consultou em setembro alugaram 50,72% do total em apartamentos e 49,28% em casas.

A preferência dos novos inquilinos recaiu sobre casas e apartamentos com aluguel mensal de até R$ 1.200, que somaram 52,67% dos novos contratos. Os descontos concedidos pelos proprietários em setembro foram maiores que os de agosto em três das cinco Zonas de Valor que compõem a pesquisa: na E (+ 23,91%, de 9,20% para 11,40%); na C (+ 28,61%, de 7,48% para 9,62%); e na Zona A (+ 22,87%, de 9,88% para 12,14%).

Os descontos baixaram em setembro na comparação com agosto na Zona B (- 36,64%, de 11,68% para 7,4%) e na Zona D (- 37,71%, de 15,22% para 9,48%).

A pesquisa do Creci-SP constatou que o aluguel que mais subiu em setembro foi o de apartamentos de três dormitórios localizados em bairros da Zona B, como Paraíso, Pinheiros, Planalto Paulista. O aumento foi de 35,5%, com o aluguel médio passando de R$ 2.200 para R$ 2.981,08. O aluguel que mais baixou foi o de casas de três dormitórios localizadas em bairros da Zona A, como os Jardins – o valor passou de R$ 3.571,43 em agosto para R$ 2.400 em setembro, uma redução de 32,8%.

As novas locações na capital distribuíram-se entre as Zonas C (38,72% do total), D (21,0%), E (18,64%), B (15,38%) e A (6,25%).

Quase metade (48,37%) dos imóveis alugados em setembro na capital têm o fiador como garantia de pagamento em caso de inadimplência dos novos inquilinos. O depósito de três meses do valor do aluguel ficou com 27,9% dos contratos, o seguro de fiança com 17,21%; a caução de imóveis com 5,74%; a cessão fiduciária com 0,65%; e a locação sem garantia com os restantes 0,13%).

 

Segundo a pesquisa Creci-SP, a inadimplência nas imobiliárias consultadas ficou estável em setembro. Houve um crescimento de apenas 0,18% – os inadimplentes passaram de 5,6% em agosto para 5,61% em setembro. Já a devolução de imóveis aumentou 7,13%, o equivalente a 97,65% dos imóveis alugados em setembro. Em agosto esse percentual ficou em 91,15% das novas locações.

 

O levantamento que Creci-SP fez nos Fóruns da capital apurou que houve um aumento de 0,79% no número de ações judiciais envolvendo inquilinos e proprietários, de 2.547 em agosto para 2.567 em setembro.

 

O número de ações de rito ordinário – 136 no total – foi 22,52% maior que as 111 ações de agosto. As ações de rito sumário cresceram 4,13% (de 1.017 para 1.059). Os demais tipos de ações encolheram em setembro: consignatórias (- 20%, de 10 para 8); renovatórias (- 17,5%, de 80 para 66); e as propostas por falta de pagamento (- 2,33%, de 1.329 para 1.298).

Empresa confirma crescimento em vendas no terceiro quadrimestre

 

Análise da RealtON Empreendimentos Imobiliários confirma a pesquisa do Creci-SP, segundo a qual aumentou, nos últimos dois meses, as vendas de imóveis usados no Estado de São Paulo.

 

– As pessoas estão perdendo o preconceito com o imóvel de estoque – explica Rogério Santos, CEO da RealtON.

 

Já para Bruno Brunard, diretor comercial da empresa, “apesar da crise apregoada, o que vemos este ano é a confirmação de um aumento de vendas sempre esperado – historicamente, o terceiro quadrimestre representa, em média, 40% do faturamento de todo o ano.”

 

Para Rogério, especialista com mais de 27 anos de mercado imobiliário, vários fatores contribuíram, nos últimos dois anos, para que o interesse do consumidor se voltasse para os imóveis prontos. Entre eles, a diminuição de lançamentos, imóveis cada vez menores nas regiões centrais da cidade e as oscilações econômicas.

– Estamos vivendo um momento único para o estoque. Antes, o foco dos maiores investimentos ficava nos lançamentos e os imóveis que sobravam exigiam enormes esforços para venda – explica Rogério.

Hoje, ele enfatiza que a mudança provocou uma reação positiva do mercado: “o que todos viram como bolha nada mais era do que uma readequação de oferta e demanda e hoje isso está se comprovando”.

Segundo Rogério, o que aconteceu foi uma mudança de comportamento que deve se perpetuar: “as pessoas estão pensando cada vez mais em morar melhor, e isso inclui tamanho do imóvel, oferta de serviços no entorno, mobilidade urbana, entre outros”. Hoje, segundo ele, a escolha de um investimento se dá muito mais pelo conjunto de elementos do que pelo empreendimento apenas, em si.

O especialista preconiza que a mudança deve gerar uma adaptação do mercado também nos próximos anos.

– Com a estabilização, que deve acontecer até 2017, os novos empreendimentos, que, no caso de São Paulo, já deverão seguir o novo Plano Diretor da cidade, terão que se adaptar tanto às exigências de legislação, quanto aos novos modelos propostos pelo próprio mercado.

 

Deve ficar no centro da cidade quem privilegia transporte público e proximidade com o trabalho em detrimento do tamanho do imóvel e número de vagas na garagem, por exemplo, e devem buscar imóveis em bairros mais afastados ou em cidades da grande São Paulo quem quer áreas mais amplas e mais perto do verde.

Mercado Imobiliário 29/10/2015


Cyrela aposta no luxo e lança residencial de R$ 26 mil o m²

Fonte: Valor, 29 out. 2015

 

A Cyrela lançou, ontem, empreendimento residencial de luxo, na região da Faria Lima, na zona Sul da cidade de São Paulo, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 440 milhões, cujo preço médio por metro quadrado é de R$ 26 mil. O projeto, denominado One Sixty devido à frente de 160 metros do terreno, foi desenvolvido em parceria pela Cyrela com o escritório britânico Yoo, criado por Phillippe Starck e John Hitchcox.

Nos últimos quatro meses, o preço médio dos lançamentos na região do entorno do novo projeto da Cyrela foi de R$ 17,850 mil, segundo o presidente do Zap Imóveis, Eduardo Schaeffer.

“Hoje, só existe espaço para grifes, não mais para commodities”, diz o co­presidente da Cyrela, Efraim Horn. Na avaliação do executivo ­ responsável pelas áreas de terrenos e projetos na empresa ­, é preciso que os empreendimentos tenham diferenciais independe do padrão de renda.

No início de setembro do ano passado, a incorporadora lançou outro empreendimento de luxo, o Cyrela by Pininfarina, cujo preço médio também era de R$ 26 mil por metro quadrado. Até o momento, 70% do projeto foi vendido, patamar muito acima das atuais velocidades de comercialização. O Pininfarina destina ­se a casais, como uma “Ferrari esportiva”, segundo o co­ presidente da Cyrela, enquanto o One Sixty é direcionado para famílias maiores.

As duas coberturas do novo projeto, que têm metro quadrado superior a R$ 30 mil, já foram vendidas, e havia nove reservas em processo de fechamento até o começo da tarde de ontem. A comercialização das unidades do One Sixty pode contribuir para acelerar as vendas da Cyrela neste fim de ano. De janeiro a setembro, as vendas da companhia caíram 38% ante o mesmo período de 2014, para R$ 1,987 bilhão, considerando­ se somente a parte própria.

No evento de apresentação do projeto, Horn citou o ditado judeu: “uma vista bonita e uma casa bonita expandem a mente do ser humano”. Os apartamentos do One Sixty têm área de 270 metros quadrados e 340 metros quadrados, e cada um tem de quatro a sete vagas. Trata­ se de projeto com 56 apartamentos com pé direito de 6,2 metros, concentrados em uma única torre erguida em terreno de 5.600 metros quadrados. “É uma quebra de limites verticais e horizontais”, diz. Horn ressalta que o mercado de alto padrão no Brasil é “muito exigente” e que o empreendimento se compara a um hotel de seis estrelas.

Questionado sobre como seu pai ­ Elie Horn, fundador da Cyrela e presidente do conselho de administração ­ recebeu o projeto, o co ­presidente afirmou que “o doutor Elie ficou muito entusiasmado”. “Em 53 anos, a Cyrela não tinha conseguido um terreno assim, neste local. O doutor Elie vê o terreno como uma oportunidade rara, da qual temos de cuidar para além do que o cliente pode esperar”, diz o filho. A única regra, no projeto, foi “quebrar todas as regras”, de acordo com o co ­presidente.

Horn não divulga o valor do terreno, mas conta que a área foi montada durante quatro anos e meio, a partir de 30 propriedades residenciais e um empreendimento comercial. A montagem terminou há dois anos. “Faríamos a compra de novo. Há escassez de oferta de alto padrão”, diz Horn. Perguntado se os projetos de luxo ganharão participação no VGV lançado anualmente pela Cyrela, Horn disse que desenvolver projetos com esse perfil depende de conseguir terrenos e que há muita concorrência para isso.

A Yoo será parceira exclusiva da Cyrela para desenvolvimento de empreendimentos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Dois projetos estão previstos para cada uma das cidades, e os respectivos terrenos já foram comprados. Até o fim do ano, a incorporadora lançará um empreendimento de médio padrão e pode apresentar também, se obtiver as licenças, um projeto de alto padrão.

 

Mudança no teto do ‘Minha Casa’ agradou ao setor

Fonte: Valor, 29 out. 2015

 

Os aumentos dos preços máximos dos imóveis enquadrados nas faixas 2 e 3 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para famílias com renda mensal entre R$ 2,35 mil e R$ 6,5 mil agradou à maior parte das incorporadoras que atuam no segmento, embora haja críticas a outras mudanças anunciadas, como a alta taxa de juros. A elevação do preço pode ser a “mola propulsora para o crescimento do setor”, segundo o vice­presidente de habitação popular do Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon­SP), Ronaldo Cury.

 

“Temos mais é de agradecer ao governo de conseguir soltar o Minha Casa, Minha Vida 3 em um momento como este”, disse o representante do Sinduscon­SP. O impacto será sentido, principalmente, a partir de 2016.

 

“Será uma injeção de adrenalina no setor”, afirma o co­presidente da MRV Engenharia, Rafael Menin. O executivo ressalta que as alterações vão resultar em aumento da velocidade de vendas em alguns mercados e em melhora de margens em outros. Menin conta que em Macaé (RJ), por exemplo, o preço das unidades não estava enquadrado no teto antigo do financiamento com recursos do FGTS, o que prejudicava a velocidade de vendas. Já em Brasília, a MRV reduziu o valor para encaixar os imóveis no que estava previsto, o que significou perda de margem. Menin espera que o ritmo de vendas em praças como Macaé aumente e que a margem melhore em mercados como Brasília.

 

A Cury Construtora vai lançar, ainda neste ano, na cidade de São Paulo, empreendimento incluído no novo teto. Havia dúvidas se o projeto seria lançado, mas, com a regulamentação dos novos valores, o martelo foi batido. O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado pela Cury vai somar R$ 700 milhões em 2015, segundo o presidente da incorporadora, Fabio Cury, incluindo esse projeto. A Cury ­ joint venture na qual a Cyrela tem 50% de participação ­ vai reavaliar alguns terrenos dos quais tinha opção de compra para desenvolver projetos para a faixa 1 em relação à possibilidade de destinação para a faixa 1,5.

 

Já o diretor financeiro e de relações com investidores da Tenda, Felipe Cohen, avalia que a fase 3 do Minha Casa é pior do que as anteriores. “Não é o preço que limitava a demanda. O grande gargalo sempre foi a capacidade de financiamento do cliente”, diz. Cohen ressalta que o aumento da taxa de juros para a faixa 2 do programa de 5% para 5,5% limita a capacidade de financiamento. “Parte da renda será usada para subsidiar aumento da taxa de juros”, afirma. Cohen cita que, no Rio de Janeiro, o limite anterior para a faixa 2 era R$ 190 mil, mas o valor que torna a venda viável é de R$ 170 mil e que, na prática, não será possível elevar o preço para o novo teto de R$ 225 mil.

 

A Tenda, cujos lançamentos se concentram na faixa 2, considera a possibilidade de atuar também na faixa 1,5. “É um novo potencial que se abre”, diz Cohen, ponderando que o limite de preços da faixa que está sendo criada é “muito rígido”. Ainda falta clareza, segundo ele, dos parâmetros para a faixa 1,5, como, por exemplo, se serão necessários acabamento de piso e azulejos de determinada especificação. “Assim que o governo divulgar as especificações, vamos testar a atratividade [da faixa 1,5], fazendo pilotos”, diz. Cohen ressalta que, no segmento, as margens são apertadas, e é preciso ter escala.

 

Os preços da faixa 1,5 ­ destinada a famílias com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 2,35 mil ­, variam de R$ 120 mil a R$ 135 mil, dependendo do local. Conforme o representante do Sinduscon­SP, o detalhamento da faixa 1,5 ocorrerá a partir de janeiro. “A faixa já está na previsão orçamentária do fundo para 2016”, diz Ronaldo Cury.

 

O vice­presidente do Sinduscon­SP pondera que quem atua em praças fora das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e do Distrito Federal está “descontente” com os novos preços, pois o teto do preço do imóvel em cidades com menos de 100 mil habitantes que façam parte de regiões metropolitanas enquadrado no programa foi reduzido. Segundo Cury, o governo sinalizou que haverá um período de transição para que os valores antigos sejam considerados nesses mercados, que deve ir até outubro de 2016.

 

Após lobby, bairros residenciais de SP conseguem blindagem contra prédios

Fonte: Folha, 29 out. 2015

 

Após forte lobby de moradores, a lei de zoneamento que deve ser votada em novembro na Câmara prevê blindar um novo grupo de áreas residenciais de São Paulo para impedir a construção de grandes edifícios.

Pelo menos três regiões, nas zonas oeste e sul, já conseguiram reverter a ideia original da gestão Fernando Haddad (PT), pela qual elas passariam a receber novos prédios.

O texto que será apresentado na próxima semana pelo vereador e relator Paulo Frange (PTB) barra os espigões na Vila Moinho Velho (zona sul), no entorno do Colégio Anglo-Morumbi e em parte da rua Estados Unidos (zona oeste), segundo a Folha apurou.

Outras regiões ainda poderão ser incluídas na proposta para que sejam blindadas de prédios –hoje, as zonas estritamente residenciais representam 4% da capital.

O entorno da Vila Moinho Velho e do Colégio Anglo-Morumbi é atualmente dominado por casas de classe média.

Na rua Estados Unidos, a proteção vai impedir edifícios nos dois lados da via –hoje liberados não na própria rua, mas um quarteirão acima, na área de Cerqueira César.

PONTUAIS

A nova lei de zoneamento foi apresentada neste ano por Haddad à Câmara, onde ganhará sua versão final. Ela define como pode ser ocupado cada quarteirão, obedecendo as diretrizes do Plano Diretor, aprovado em 2014.

A maioria das mudanças no texto já foi comunicada ao Executivo. Para Fernando de Mello Franco, secretário de Desenvolvimento Urbano, as que ele teve ciência são pontuais. “E não altera os grandes propósitos da lei.”

Moradores de áreas nobres que se mobilizaram contra a alteração de redutos residenciais alegavam temer a descaracterização dos bairros. Fizeram protestos, percorreram gabinetes de vereadores e contrataram estudos técnicos para defender essa tese.

“Procuramos fazer um debate técnico, de alto nível”, afirma Marcelo Kneese, um dos responsáveis pela mobilização na rua Estados Unidos, onde a associação de moradores contratou uma empresa com cientistas políticos especializados em mapear a tendência dos vereadores.

Na região, a resistência vem até de quem já mora em prédio –e não quer espigões vizinhos, devido ao impacto no trânsito e na paisagem, pois o outro lado da Estados Unidos é ocupado só por casas.

Os moradores ainda pressionam por mais mudanças no texto original –para barrar não só edifícios, mas restaurantes e comércios na rua.

Em parte da Vila Moinho Velho, moradores participaram de audiência pública e fizeram abaixo-assinado.

“O nosso pedido está assinado por todos”, afirma Selma de Freitas.

 

GRITO E CAFÉ

 

Rotulado de elitista em diferentes audiências públicas e reuniões de debate da lei de zoneamento, um grupo de moradores da região da rua Estados Unidos, no Jardim América, zona oeste, se organizou, foi recebido pela prefeitura, acabou atendido pelos vereadores e virou referência para associações de outros bairros.

Marcelo Kneese, 50, um dos coordenadores do Movimento Mais Bairros Verdes e integrante da associação de moradores de Cerqueira César, mostra o que pode ser um dos segredos do grupo: discurso inflamado na Câmara e um bate-papo mais técnico quando sentado para um café.

Consultor financeiro, ele nega qualquer tipo de ligação política e afirma que todos os recursos para financiar o movimento vêm de colaboração dos próprios participantes.

O condomínio em que ele mora, inclusive, aprovou a cobrança de uma mensalidade exclusiva para esse lobby.

“Fizemos o trabalho técnico. Contratamos engenheiros para estudar o impacto do trânsito. Urbanistas para mapear os usos da [rua] Estados Unidos e escritórios de advocacia e de políticas públicas para nos assessorar”, diz.

O robusto dossiê chegou aos vereadores. “Fazemos tudo a pé. A questão é que não precisamos mais de prédios e comércios com muito impacto na rua Estados Unidos.”

O caso da Vila Moinho Velho, no Ipiranga (zona sul), é oposto ao da rua Estados Unidos, mas mostra também como um grupo de moradores pode fazer a diferença.

“Fomos à audiência pública aqui do bairro e, só então, começamos a entender o que era a lei de zoneamento”, afirma Selma de Freitas, em nome de moradores da região.

A agitação começou quando descobriram que as ruas de casas de classe média, erguidas décadas atrás, poderiam receber prédios altíssimos. Eles recolheram assinaturas e apresentaram o pleito em outra audiência no bairro, na qual chamaram a atenção de assessores dos vereadores.

 

Mas, como o projeto depende de duas votações na Câmara, tudo pode mudar até chegar para a sanção do prefeito.

Mercado Imobiliário 28/10/2015


EZTec vai desovar estoques e só volta a lançar em 2016

Fonte: Valor, 28 out. 2015

 

A EZTec vai adotar, a partir de novembro, uma postura mais agressiva na concessão de descontos de preços. A mesma postura terá na renegociação de vendas de imóveis que tiverem risco de serem canceladas devido às restrições do crédito bancário ou a maior cautela dos consumidores. Depois de não lançar nada no terceiro trimestre e de suspender uma fase de um projeto apresentado em maio, a EZTec só anunciará novos produtos ao mercado a partir do primeiro semestre de 2016. No momento, as atenções se concentram, estritamente, na comercialização de estoques.

“Não vislumbro qualidade de mercado [para fazer novos lançamentos]. Se o lançamento vender, vai vender mal, e existe a possibilidade de não vender”, disse ao Valor o fundador e presidente do conselho de administração da EZTec, Ernesto Zarzur. A companhia tomou a decisão de não lançar empreendimentos no segundo semestre para “tomar fôlego” e cumprir os compromissos já assumidos, conforme “seu” Ernesto. “Se há mercado, a empresa se atira. Se não tem, se recolhe”, diz.

O lucro líquido da companhia cairá para o patamar de R$ 400 milhões neste ano, de acordo com o fundador da EZTec. Em 2014, o ganho foi de R$ 474 milhões e, em 2013, de R$ 586 milhões.

De janeiro a setembro, os lançamentos da incorporadora caíram 68% ante o mesmo período de 2014, para R$ 197 milhões, e as vendas líquidas encolheram 38%, para R$ 331 milhões. No terceiro trimestre, as vendas tiveram queda de 81%, para R$ 38 milhões. A velocidade de comercialização medida pelo indicador VSO (vendas sobre oferta) ficou em 3%, ante 23,5% um ano antes.

“Vou fazer o que for preciso, mas não deixarei as vendas caírem”, disse “seu” Ernesto. Aos 81 anos, o empresário continua indo à EZTec todos os dias, e visitando obras e plantões de vendas.

Na missão de incrementar a comercialização de imóveis e de reduzir distratos, a companhia vai levar a área de renegociação com clientes para o prédio de sua sede, na avenida República do Líbano, na zona Sul de São Paulo. A EZTec negociará abatimentos de preços caso a caso e não oferecerá descontos massificados. “Se preciso dar descontos, vou dançar conforme a música, mas no meu ritmo, não no dos outros”, ressalta o empresário.

O diretor financeiro e de relações com investidores, Emilio Fugazza, admite que os descontos vão pressionar as margens da incorporadora, resultando em “alguma queda”, mas ressalta que o impacto será atenuado pelo efeito positivo da redução dos custos de obras. A EZTec é conhecida por apresentar as margens mais elevadas entre as incorporadoras de capital aberto ­ no primeiro semestre, a companhia teve margem bruta ficou de 54,4% ­, mas a prioridade, no momento, é vender as unidades em estoque.

Com a piora das condições de crédito bancário, a tendência é que os cancelamentos de vendas das incorporadoras cresçam, mas Fugazza diz não esperar “explosão dos distratos” da empresa. De acordo com o executivo, no terceiro trimestre, a queda da velocidade de comercialização resultou da redução das vendas brutas e não de distratos.

O diretor de relações com investidores conta que tem havido esforço dos bancos parceiros da EZTec ­ Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander ­ para reter clientes, e que a companhia vem se empenhando para que “a conta feche” para os compradores.

Na prática, além dos descontos que começará a conceder, a EZTec oferece financiamento direto da unidade ou complementar ao crédito bancário. A incorporadora tem linha de R$ 100 milhões destinada a crédito direto, da qual R$ 40 milhões já foram desembolsados. A EZTec financia os clientes com taxa de 9,99% ao ano mais Índice de Preços ao Consumidor Amplio (IPCA). Se necessário, a companhia deixará mais recursos disponíveis para financiamento direto.

Quando voltar a apresentar projetos ao mercado em 2016, a EZTec vai concentrar seus lançamentos na cidade de São Paulo. Os lançamentos serão retomados no primeiro semestre, e o ritmo dependerá das condições de mercado. A intenção é incorporar prédios de médio­alto e alto padrão em bairros como Moema, Brooklin e Aclimação, com menos unidades do que os empreendimentos lançados nos últimos anos, mas apartamentos de metragem maior. A EZTec vinha concentrando seus lançamentos em cidades vizinhas da capital, como Osasco e Guarulhos. A  retomada de novos empreendimentos no entorno de São Paulo ocorrerá depois da entrega das unidades já lançadas nessas praças. A capital paulista responde por 71% do banco de terrenos da incorporadora. O banco tem

terrenos, que tem Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 6 bilhões, está pago.

A EZTec possui caixa líquido e não tem dívidas corporativas. Como a companhia não está fazendo lançamentos na segunda metade do ano, o volume do caixa tende a engrossar. Segundo “seu Ernesto”, por ter capital disponível, a incorporadora poderá comprar participações de sócios em projetos ou adquirir de terceiros empreendimentos ainda não lançados ou em construção, desde que surjam oportunidades.

 

No fim de setembro, a EZTec aprovou programa de recompra de ações, uma das destinações do caixa. Por enquanto, não há previsão de distribuição extraordinária de dividendos. “O plano é que o caixa sustente a operação em um momento de guerra. Depois que a situação política e econômica clarear, vamos fazer um planejamento [para o caixa]”, diz o diretor de relações com investidores.

 

A geração de caixa da empresa pode ganhar mais impulso quando a torre B do EZTowers, empreendimento na zona Sul da cidade de São Paulo, for vendida. A partir de novembro, a CBRE dará início à locação dessa torre. Em janeiro de 2013, a torre A foi vendida à São Carlos Empreendimentos e Participações.

 

Santander revisa preço da ação, mas recomenda compra

Fonte: Valor, 28 out. 2015

 

O banco Santander revisou, recentemente, o preço­alvo das ações da EZTec para baixo, mas manteve a recomendação de compra. A instituição estima preço­alvo de R$ 18,4 para 2016, ante a projeção anterior de R$ 27 neste ano. Em relatório assinado pelos analistas Bruno Mendonça e Renan Manda, o banco recomenda a EZTec como oportunidade “potencialmente boa no médio prazo” em relação a dividendos. Afirma ver espaço para a companhia distribuir 91% do seu valor de mercado em dividendos e recompra de ações até 2021 e continuar a ter caixa líquido.

A mudança considera corte significativo nos lançamentos da incorporadora ­ a projeção do banco para este ano foi reduzida de R$ 1,075 bilhão para R$ 197 milhões ­, os resultados do primeiro semestre e as revisões do Santander para as estimativas macroeconômicas. Os analistas cortaram o volume de lançamentos para 2016 de R$ 1,197 bilhão para R$ 150 milhões. Para 2017, reduziram de R$ 1,366 bilhão para R$ 555 milhões.

O Santander espera geração de caixa saudável para a EZTec e vê espaço para distribuição de quantidade significativa de dividendos extraordinários, supondo que não haja lançamento de lance projetos nos próximos 12 meses e que a demanda limitada por compra de terrenos seja limitada. O estoque de terrenos da EZTec, com VGV potencial de R$ 6 bilhões, é suficiente para lançamentos de quatro a seis anos.

Ainda que a EZTec não tenha política oficial de dividendos ou meta para potencial pagamento extraordinário, o banco considera possível distribuição mais expressiva ­ cerca de R$ 350 milhões por ano, próxima a 100% do lucro ­ no prazo de quatro a seis anos. O banco cita a potencial valorização das estimativas de geração de caixa se considerada eventual venda da torre B do EZ Towers.

A estimativa oficial do banco é que a primeira parcela de dividendos extraodinários será paga pela companhia, potencialmente, no início de 2017, referente à geração de caixa de 2016, e será positivo se ocorrer antes.

Na sua visão, a desvalorização de preço das ações da EZTec, neste ano, tem como principal razão os retornos sobre patrimônio (ROEs) potencialmente menores no prazo de três a quatro anos, que o banco considera como um período de transição. Mas, na avaliação dos analistas, a posição de caixa da EZTec limita a queda das ações.

Na avaliação do banco, a redução de tamanho da EZTec será, provavelmente, menor do que a do restante do setor devido ao caixa líquido e aos projetos bem vendidos. Para o setor, a instituição espera deterioração adicional da comercialização no trimestre passado e, potencialmente, de outubro a dezembro, com distratos pressionando as vendas líquidas. Não será surpresa, de acordo com os analistas, se algumas incorporadoras apresentarem vendas líquidas perto de zero nos dois trimestres.

O risco de aumento nas rescisões de vendas em 2016 não é insignificante, segundo o banco, mas o impacto na geração de caixa da EZTec é limitado, quando se considera o potencial total.

 

FGTS eleva teto para o ‘Minha Casa’

Fonte: Valor, 28 out. 2015

 

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) elevou o teto do imóvel que pode ser comprado por famílias com renda mensal entre R$ 2,35 mil e R$ 6,5 mil (faixas 2 e 3) no âmbito da terceira etapa do programa Minha Casa, Minha Vida. Esses preços não eram atualizados desde 2012. Com isso, o valor máximo de subsídios subiu de R$ 25 mil para R$ 27,5 mil.

Para as regiões metropolitanas do DF, Rio e São Paulo, o preço máximo do imóvel saiu de R$ 190 mil para R$ 225 mil. Na região Sul, Espírito Santo e Minas Gerais, o teto foi para R$ 200 mil, e no Centro­Oeste, Norte e Nordeste para R$ 180 mil. Nas cidades com menos de 20 mil habitantes, o teto do imóvel é de R$ 90 mil.

A expectativa do secretário­executivo do Ministério das Cidades, Elton Santa Fé Zacarias, Zacarias é que as contratações com os novos tetos comecem a ser feitas até o fim do ano. Segundo ele, não é necessária a aprovação de uma medida provisória ou projeto de lei, como ocorreu em anos anteriores, para que a terceira etapa do programa seja executada.

Para Zacarias, a meta de contratação de 3 milhões de moradias até o fim de 2018, como prometeu a presidente Dilma Rousseff, é possível, mas depende de disponibilidade orçamentária.

O conselho do FGTS também aprovou o limite do valor do imóvel que pode ser enquadrado na faixa 1,5 (famílias com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 2,35 mil). Ele pode variar entre R$ 120 mil e R$ 135 mil, dependendo da localidade.

 

Teto de financiamento de imóvel pelo Minha Casa Minha Vida sobe para R$ 225 mil

Mudança foi aprovada pelo conselho curador do FGTS; teto varia de acordo com a região do Brasil, com mínimo de R$ 90 mil

Fonte: Estadão, 28 out. 2015

 

O conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta terça­feira, 27, a elevação do valor máximo dos imóveis que serão financiados com recursos do fundo na terceira etapa do Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Em regiões metropolitanas de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, o teto dos imóveis financiados subirá de R$ 190 mil para R$ 225 mil. Nas regiões metropolitanas do Sul, Espírito Santo e de Minas Gerais, o teto será de R$ 200 mil. No Centro­Oeste (exceto Distrito Federal), Norte e Nordeste, R$ 180 mil. O menor valor financiado pelo FGTS no MCMV é de R$ 90 mil em municípios com população abaixo de 20 mil habitantes.

O último reajuste no valor do preço dos imóveis foi dado em 2012. O conselho curador ­ formado por representantes do governo ­ também ampliou o valor do subsídio (uma espécie de desconto) pago para essas duas faixas, de R$ 25 mil para R$ 27,5 mil por imóvel. Na terceira etapa do MCMV, são classificadas como faixa 2 famílias com renda mensal de R$ 2.350 a R$ 3.600 e como faixa 3, as famílias que ganham de R$ 3.600 mil a R$ 6.500. O governo aumentou os juros nos financiamentos dessas duas faixas na terceira etapa do programa, para até 8% ao ano.

O conselho curador do FGTS também definiu as condições para os imóveis da nova faixa 1,5, destinada a famílias com renda mensal de R$ 1.800 a R$ 2.350. O valor máximo dos imóveis financiados para essas famílias será de R$ 135 mil para as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Nas metrópoles do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais, R$ 125 mil. Nas capitais do Norte, Nordeste e Centro­Oeste (com exceção do DF), R$ 120 mil.

O subsídio máximo dado na faixa 1,5, uma espécie de desconto, é de R$ 45 mil. Os mutuários dessa faixa pagarão juros de 5% ao ano. Em relação à faixa 1 (famílias com renda de até R$ 1,8 mil mensais), o conselho curador aprovou a injeção de R$ 4,8 bilhões a fundo perdido em 2016, um pedido feito pelo governo para “economizar” nas contas do ano que vem. Nesse caso, o FGTS vai bancar até 60% do imóvel, com limite de R$ 45 mil.

O secretário­executivo do Ministério das Cidades, Elton Santa Fé Zacarias, afirmou que os bancos se comprometeram a adequar os sistemas às novas regras até o fim de 2015, quando começarão a contratar imóveis pela nova tabela. O conselho curador trabalha em um calendário de transição porque foi adotada uma nova classificação do porte dos municípios. Com a decisão, algumas cidades terão o valor do teto financiado menor do que o atual. É o caso de Santa Catarina, onde quase todas as cidades tinham a classificação de região metropolitana e agora vão ser reclassificadas.

 

Zacarias afirmou que o governo trabalha para que as novas condições da terceira etapa do MCMV sejam colocadas em prática sem a necessidade de enviar uma nova Lei ao Congresso. Ele disse que a meta anunciada pela presidente Dilma Rousseff, na campanha à reeleição, de contratar 3 milhões de moradias do programa na segundo etapa vai depender do desempenho das receitas nos próximos

quatro anos. “A meta depende muito mais de questões orçamentárias do que de questões operacionais”, afirmou.

 

Mercado Imobiliário 27/10/2015


Rossi foca na negociação de dívidas de curto prazo

Fonte: Valor, 27 out. 2015

 

O foco da Rossi Residencial, neste momento, é a renegociação de dívidas. Segundo o Valor apurou, a companhia busca carência para começar a pagar as dívidas, que vencem no próximo ano, até o fim de 2017 e início de 2018, além da redução do custo do endividamento. Os vencimentos de 2015 estão praticamente equacionados. Falta a rolagem de cerca de R$ 80 milhões com vencimento até dezembro.

Procurada pelo Valor, a Rossi limitou­ se a informar, por meio de sua assessoria de imprensa, que, conforme divulgado nos resultados do segundo trimestre, “já iniciou as tratativas com os bancos para adequar o perfil da dívida em 2016 e, até o momento, nada foi concluído”.

Com o Bradesco, o maior credor da Rossi, o passivo é de R$ 800 milhões incluindo dívidas corporativas e de projetos, de acordo com fonte. Desse total, R$ 600 milhões são dívidas corporativas, metade delas com vencimento em 2016 e, o restante, até 2018. A Rossi pretende renegociar, até dezembro, o pagamento desses R$ 600 milhões.

Segundo a fonte, o Bradesco estaria disposto a negociar, mas tem questionado as garantias a serem oferecidas pela incorporadora. A Rossi propõe imóveis em estoque e terrenos como garantia, dos quais continuaria como responsável pela gestão e pela venda. Procurado, o Bradesco não comentou o assunto.

Incluindo o passivo com outros bancos credores, a dívida corporativa que vence no próximo ano chega a R$ 580 milhões. Os bancos estariam “bem dispostos a conversar” com a Rossi, de acordo com a fonte.

Em 30 de junho, a dívida bruta da Rossi era de R$ 2 bilhões, com R$ 1,12 bilhão de curto prazo.

A Rossi não tem intenção de fazer lançamentos até o primeiro semestre de 2016 e, até lá, continuará focada na venda de estoques. Não se sabe ainda qual será o novo tamanho da companhia, mas não se espera que os lançamentos anuais voltem ao patamar de R$ 1 bilhão. Quando voltar a apresentar projetos, a companhia deve concentrar sua atuação na Grande São Paulo, Campinas e no Rio Grande do Sul.

No primeiro semestre, a companhia não lançou empreendimentos e registrou queda de 24,7% nas vendas líquidas. Segundo fonte, entre janeiro e agosto, a estrutura administrativa da Rossi foi reduzida em cerca de um terço, para 200 pessoas.

Para fazer caixa, a Rossi tem vendido terrenos e pretende comercializar também outros ativos, como a loteadora EntreVerdes Campinas, considerada “joia da coroa”, devido ao valor que pode render à incorporadora.

Desde a saída de Leonardo Diniz do cargo de presidente executivo da Rossi, a função tem sido exercida, interinamente, por Rodrigo Moraes Martins e Renato Gamba Rocha Diniz. O Valor ouviu que a renegociação de dívidas é prioridade, no momento, em relação à escolha de quem ficará à frente da companhia.

No fim de setembro, o conselho de administração da Rossi aprovou o nome de José Paim de Andrade Júnior como presidente do colegiado. João Rossi Cuppoloni, que presidia o conselho, passou a ser vice­presidente.

 

Movimento na zona oeste busca preservar perfil residencial

Quase no fim das audiências públicas promovidas pela Câmara para discutir zoneamento, grupo tenta impedir ruas com comércio

 

Fonte: O Estado de S. Paulo, 27 out. 2015

 

Com o objetivo de “defender” os bairros exclusivamente residenciais, um grupo de moradores da zona oeste da capital paulista lançou o movimento Ame seu Bairro, que visa a impedir a instalação de comércio nesses locais. Eles estão reunindo assinaturas contra o projeto de Lei de Zoneamento, atualmente em discussão na Câmara Municipal, que prevê que vias como a Rua Estados Unidos e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins, sejam transformadas em Zonas Corredor (ZCor), ou seja, locais com comércio e serviços.

“Ao estimular criação de novas atividades em Pinheiros, por exemplo, você tira oportunidade de emprego em áreas mais distantes e mais carentes da cidade e, com isso, cria um dano que justamente a Lei de Zoneamento quer evitar, de o trabalhador viajar para trabalhar”, afirma o advogado Joca Levy, morador dos Jardins, um dos integrantes do movimento.

Segundo Levy, existe um “confronto” entre donos de imóveis, que seriam favor dos corredores, e moradores, que gostariam de manter o atual zoneamento. “Uns querem vender e alugar seu imóveis e outros querem paz”, diz.

Para levar adiante sua proposta, o Ame seu Bairro promoveu um encontro no domingo, 25, na Praça Gastão Vidigal, no Jardim Paulistano, para colher assinaturas de moradores favoráveis à manutenção dos atuais usos nos corredores que cortam as ZERs. Segundo Levy, 500 pessoas assinaram a petição.

O movimento tem representantes dos Jardins, Pinheiros, Jardim das Bandeiras e Planalto Paulista. Nomes estrelados como o do publicitário Nizan Guanaes fazem parte da equipe. O grupo solicitou reunião com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e com o vereador Paulo Frange (PTB), relator da Lei de Zoneamento na Câmara. O maior desafio do grupo será conseguir tempo hábil para mobilizar pessoal e conversar com autoridades, já que na semana que vem um novo texto da lei deve ser apresentado.

Alto de Pinheiros. Na quinta ­feira, 22, uma reunião entre os moradores do bairro Alto de Pinheiros para discutir mudanças na lei de zoneamento terminou em bate­ boca. Um grupo de moradores contrário à posição da Associação dos Amigos de Alto de Pinheiros (Saap), que defende a implantação de zona corredor na Avenida Diógenes Ribeiro de Lima, pediu a reunião para reivindicar que a via continue como é hoje, ou seja, zona estritamente residencial. Cerca de 100 pessoas compareceram e debateram por duas horas e meia. “Estamos bastante preocupados com o impacto que a lei pode causar no caráter residencial do bairro”, afirmou o engenheiro Fernando Kenworth. “O corredor pode causar um dano irreversível para os moradores. Estamos na iminência de um caos.”

A presidente do Conselho consultivo da Saap, Maria Ignez Marcondes, rebateu as afirmações de Kenworth. “Acho que vocês estão atrasados em um ano e meio com essas reivindicações”, disse ela. “A Saap vem estudando e debatendo o projeto de lei desde a publicação do plano diretor, em 2014, visando a garantir que a lei incorporasse mecanismos de preservação das Zonas Estritamente Residenciais.”

 

Mercado investe em empreendimentos para estudantes

 

Fonte: O Estado de S. Paulo, Imóveis, 25 out. 2015

 

Jovens que saem de suas cidades para estudar fora enfrentam muitas dificuldades. Uma das mais marcantes é conseguir moradia: os aluguéis são altos e a barreira do fiador é muitas vezes quase intransponível. Empresas do setor imobiliário viram nessa situação um novo nicho de atuação e investem em empreendimentos no estilo “dorms” americanos, no qual o aluno paga para ter um quarto privativo e desfruta de áreas comuns para estudo e lazer em um prédio voltado exclusivamente para esse fim.

Criada no final de 2011 pelos sócios Juliano Antunes e Celso Martinelli, a ULiving tem como preocupação central proporcionar a alunos um local de hospedagem e interação em que eles se sintam em casa. Como não encontraram projetos desse tipo no País, buscaram ideias no exterior. “O modelo brasileiro é um mix de tudo que vimos fora e também de como o mercado brasileiro foi se adaptando”, diz Antunes, CEO da empresa.

Os anos de 2012 e de 2013 foram voltados às pesquisas. Em fevereiro último, a empresa lançou seu primeiro empreendimento, em Sorocaba (SP). No mês seguinte, todas as 106 vagas do edifício de quatro andares estavam ocupadas. Neste segundo semestre, o ULiving Bela Vista, em São Paulo, abriu as portas com capacidade para acomodar 70 alunos em seus sete andar e hoje, hospeda mais de 50 moradores.

Os dois prédios, que pertencem a investidores que se associaram ao projeto, passaram por retrofit. Os dois já tinham uso habitacional, mas precisarem ser adaptados, ao custo aproximado de R$ 1,5 milhão. “Depois que começamos a operar, houve interesse do mercado para desenvolver empreendimento conosco”, diz o CEO. Em 2017, a ULiving pretende oferecer mais 500 camas, com mais um projeto em Sorocaba e outro em Campina do Monte Alegre (SP).

Em 2018, pretende abrir mais 800 vagas e sair do Estado, com uma unidade em Recife (PE). Esses novos empreendimentos serão em prédios construídos pela empresa em parceria com investidores. Há também planos para um novo retrofit, na zona sul de São Paulo. O investimento previsto para esses novos projetos é de aproximadamente R$ 30 milhões.

Atualmente, os valores cobrados pela ULiving variam: o quarto para duas pessoas custa R$ 850 em Sorocaba e R$ 1.250 em São Paulo; o simples, R$ 1.350 e R$ 1.900, respectivamente. Os valores incluem contas de água, luz, internet e IPTU. Não é cobrado condomínio. A unidade Bela Vista tem também ar condicionado sem custo adicional. A limpeza é cobrada separadamente.

Os valores se referem a hospedagem e não a aluguel – uma maneira de contornar as dificuldades para, por exemplo, encontrar fiador. Ao mesmo tempo, facilita a retomada do imóvel no caso de inadimplência. E diferentemente dos condo-hotéis, as unidades não são oferecidas ao mercado. No caso da ULiving, os proprietários dos edifícios entraram no projeto com Antunes e Martinelli.

É também nessa linha que a Vitacon Incorporadora e Construtora está planejando seu primeiro “dorm”- ou seja, as unidades não serão vendidas para investidores. A empresa prevê começar a construir ainda em 2015 um prédio com 325 apartamentos mobiliados, individuais ou duplos, variando entre 15m² e 32 m², para atender alunos da ESPM. “É uma parceria estratégica com a faculdade. Para estudantes que vêm de fora, é algo bastante desejável”, diz Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, que investirá cerca de R$ 120 milhões no projeto.

Frankel conta que conversou com alunos para entender o que gostariam de ter nos apartamentos. “Descobrimos que, mesmo em um dormitório, ou em um apartamento de estudante compacto, querem ter uma geladeira grande, porque eles trazem comida congelada da mamãe.”

Os valores estimados pela Vitacon serão entre R$ 1.000 e R$ 2.500 por apartamento, também com a opção de morar sozinho ou de dividir com mais uma pessoa. Nesses valores, estão inclusos IPTU, água, condomínio, internet e acesso à lavanderia coletiva do prédio. Os moradores terão direito a três limpezas semanais nos quartos. No piso térreo do prédio, haverá restaurante, lanchonete, lavanderia e serviços de xerox operados por terceiros. O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes, diz que o modelo de repúblicas não está mais satisfazendo as necessidades do público de hoje, que prefere algo mais organizado, melhor estruturado. “A tendência é as repúblicas acabarem e serem substituídas por esse tipo de produto.”

 

Privacidade e liberdade pesam na decisão

Em julho deste ano, Vanessa Botero, de 19 anos, chegou da Colômbia para fazer intercâmbio e estudar comunicação na Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP). Depois de morar com outras três jovens, ela optou pela moradia estudantil.

“Eu gostava do apartamento, mas não tinha privacidade e não podia receber visita. Na faculdade, me indicaram a ULiving e eu conhecia a Claudia de Lorenzo (aluna), que já morava lá. Conheci o local e gostei de poder ter meu espaço reservado e áreas comuns”, diz.

 

Vanessa, valoriza o fato de poder receber visitas (ela hospedará a mãe nos próximos dias) e estar com outras pessoas que estão vivendo a mesma fase, com objetivos comuns parecidos. “Eu pago um pouco mais, mas tenho mais comodidade e moro muito melhor”, afirma.

 

Companheira de prédio da Vanessa, a espanhola Claudia, de 20 anos, também veio para o Brasil para estudar comunicação na Faap e mora do ULiving desde agosto. “Eu morava na casa de amigos, mas queria ter mais sossego para estudar e também poder estar com outras pessoas. Encontrei no ULinving tranquilidade, bom preço e localização”, diz.

 

Para Gustavo Anacleto, de 21 anos, que veio de São Carlos para estudar administração no Insper, este estilo de moradia estudantil foi uma novidade. Ele também mora no ULiving Bela Vista e embora, não seja tão perto da instituição, o acesso via transporte público foi levado em conta na hora da decisão. “Fui conhecer e achei interessante o estilo de moradia”, diz.

 

Sites de imóveis crescem com uma mãozinha da crise

Fonte: Exame. Mercado Imobiliário, 17 out. 2015

 

Tem sido duro ganhar dinheiro com imóveis no Brasil. O preço dos apartamentos caiu, em média, 5% em 2015. Só em São Paulo 28.000 unidades estão encalhadas. A dívida das principais incorporadoras chegou ao recorde de 14 bilhões de reais. Mas os sites de anúncios imobiliários, uma versão 2.0 dos velhos classificados dos jornais, são vencedores improváveis.

Segundo os cálculos de especialistas no setor, nos últimos dois anos seu faturamento cresceu 50% e alcançou 400 milhões de reais. Apenas os três principais — VivaReal, Zap e Imovelweb — receberam 225 milhões de reais de investimento. Eles se beneficiam de um efeito da crise.

As incorporadoras pararam de lançar, mas não reduziram o marketing na mesma proporção. Precisam, afinal de contas, desovar um enorme estoque de imóveis já prontos — e os portais são um dos destinos de divulgação preferidos nessa hora, enquanto a mídia impressa é o destino predileto de quem lança novos empreendimentos. Construtoras como a paulistana Tecnisa dobraram seus investimentos em anúncios online desde 2013.

Nesse mercado, ninguém cresce tanto nem recebeu tanto investimento quanto o VivaReal, criado em 2009 pelo americano Brian Requarth, de 34 anos. Durante a faculdade de estudos latino-americanos na Universidade de San Diego, Requarth conheceu sua futura mulher (uma estudante colombiana) e, logo depois, mudou-se para Bogotá.

Lá, viu que não existiam sites de classificados online como nos Estados Unidos — e, mesmo sem nenhum conhecimento de programação ou do mercado imobiliário local, criou o próprio site. Dois anos depois, mudou-se para o Brasil de olho num mercado muito maior.

Desde então, o VivaReal recebeu 74 milhões de dólares de fundos como o brasileiro Monashees Capital e o americano Spark, que já investiu em empresas como Twitter, Tumblr e Foursquare. Na sede da empresa, em São Paulo, Requarth construiu uma réplica do pequeno escritório de 10 metros quadrados em que trabalhou sozinho no início da companhia. “É para que os novos funcionários saibam de onde vim”, diz.

Sua maior inspiração é o empresário australiano Simon Baker, fundador do REA Group, empresa dona de 11 sites de classificados online em oito países. Em 2011, Requarth organizou um evento imobiliário em São Paulo e usou o dinheiro das entradas para bancar a vinda de Baker.

Assim como seus concorrentes, o VivaReal fatura vendendo espaço em seu site para imobiliárias e incorporadoras anunciarem o aluguel ou a venda de um imóvel. O desafio é fazer isso de forma atraente — a empresa usa até drones para filmar os imóveis — e conseguir fazer mais barulho do que as concorrentes.

Seguindo as instruções de Baker, o VivaReal tem 50 engenheiros e programadores que passam o dia revisando os algoritmos do site para ganhar destaque nas pesquisas do Google e nas redes sociais. Também adotou uma estratégia de expansão regional para se diferenciar do Zap Imóveis e do Imovelweb, que chegaram ao mercado antes. O VivaReal inaugurou 15 escritórios em capitais e em cidades do interior de São Paulo, como Campinas e Ribeirão Preto. E ofereceu meses grátis de anúncios nos primeiros meses.

A concorrência contra-atacou. O Zap Imóveis, do grupo de comunicações Globo, começou a patrocinar a Fórmula 1 e comprou dois sites em 2014 — o Pense Imóveis, de Santa Catarina, e o Sub100, do Paraná. O grupo argentino de mídia Navent, dono do Imovelweb, comprou três sites regionais nos últimos três anos.

Todos tentam repetir no Brasil o sucesso dos sites de classificados nos Estados Unidos. Lá, a crise de 2008 derrubou pela metade o investimento em anúncios de imóveis e impulsionou os sites. O REA Group, que chegou aos Estados Unidos em 2006, dobrou de tamanho desde 2010 e fatura 450 milhões de dólares. O Zillow cresceu dez vezes, para 326 milhões. Como é típico no mundo das startups, ninguém espera que tantos sites de imóveis sobrevivam. Alguma consolidação certamente virá.

Para manter o ritmo, o VivaReal lançou neste ano dois sites, um de decoração e outro de financiamento imobiliário. Não se sabe se será suficiente para continuar crescendo num mercado em depressão — mas que ele está sorrindo até agora, está.

Por Fabrício Bernardes

 

Em endereços cobiçados de SP, descontos em locação de escritórios passam de 22%

Fonte: InfoMoney, Imóveis, 23 out. 2015

 

Em São Paulo, regiões da Marginal Pinheiros, Faria Lima e Berrini apresentam boas ofertas. A oferta de novos empreendimentos corporativos é grande e, em meio à instabilidade econômica, representa um bom momento para empresas e pessoas que buscam um novo escritório. O atual cenário levou as grandes empresas a iniciar uma fase de grandes descontos.

De acordo com dados da empresa Buildings, especializada em pesquisa imobiliária corporativa, este cenário de ofertas pode ser observado na região da Marginal Pinheiros, que enfrenta um período de baixa movimentação e tenta atrair ocupantes com descontos entre 14% e 20% nos preços de locação. Um dos pontos mais cobiçados da cidade, a Avenida Brigadeiro Faria Lima, oferece para as empresas empreendimentos que chegam a ter entre 14% e 25% de redução nos preços de locação em contratos de imóveis de grandes metragens.

Contudo, é na Avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, uma das regiões corporativas mais importantes de São Paulo, que o maior número de negócios voltados a locação de escritórios tem acontecido neste ano. A região registrou o maior volume de metros quadrados adquiridos desde o começo do ano, aproximadamente 45 mil m² de um estoque total de 525 mil m². Os descontos variam de 10% a 20% entre o preço pedido e o valor fechado em contrato.

 

Agora, se o objetivo for se instalar na Vila Olímpia, a margem de desconto varia de 8% a 20%, isto porque muitos prédios foram entregues a partir do final de 2014, sendo que grande parte deste volume, cerca de 40 mil m², de um estoque total de 370 mil m², já foi absorvido no primeiro semestre de 2015. Na região há cerca de 100 mil m² locáveis disponíveis, alta vacância e muita opção para os ocupantes e consultores negociarem o preço pedido.

 

Histórico da média de descontos praticados na cidade de São Paulo para locação de escritórios:

 

Ano                       Descontos

2010                     13,94%

2011                     11,58%

2012                     14,96%

2013                     11,32%

2014                     13,90%

2015*                    22,30%

 

*Dados avaliados até 31/08/2015