Mercado Imobiliário 27/01/2016


Governo quer usar bancos públicos para injetar R$ 50 bi na economia

Fonte: Folha, 27 jan. 2015

 

Na busca de tentar fazer a economia voltar a crescer ainda no final deste ano, o governo Dilma planeja lançar linhas de crédito em torno de R$ 50 bilhões por meio de bancos públicos para setores como construção civil, exportador, bens de capital e micro e pequenas empresas.

O valor, que será anunciado pela presidente nesta quinta-feira (28) na reunião do Conselhão, ainda não está totalmente fechado e depende de ajustes finais.

Não está definido, por exemplo, se o governo vai mesmo lançar nesta semana o uso de parte da multa do FGTS como garantia para crédito consignado de trabalhadores do setor privado.

Entre as linhas de crédito que serão anunciadas na quinta, o governo vai destinar cerca de R$ 10 bilhões para a construção civil com recursos do FGTS, que garante taxas de juros mais baixas do que as de mercado.

Parte desses recursos virá do pagamento no final do ano passado dos passivos das pedaladas fiscais. Esse acerto reforçou o caixa do fundo em R$ 22,5 bilhões no fim de 2015.

O Planalto definiu o setor de construção civil como uma das prioridades nas medidas de estímulo à economia como forma de tentar reduzir o aumento do desemprego.

O principal foco das linhas de crédito para construção civil é a área de habitação, com liberação de recursos do FGTS para construtoras que tocam obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

O governo também anunciará reforço de linhas de crédito para o setor agrícola, na casa de R$ 10 bilhões, por intermédio do Banco do Brasil.

Outros setores que serão contemplados com oferta de crédito, a taxas mais baixas do que as de mercado, são: micro e pequena empresa, exportadores e fabricantes de máquinas e equipamentos.

Estes setores serão beneficiados por meio de linhas de crédito do BNDES, que podem ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. Estes empréstimos terão correção pela TJLP (Taxas de Juros de Longo Prazo), hoje de 7,5%, mais um “spread” –a taxa final deve ficar entre 15% e 18%.

Outras linhas também estão em estudo pela equipe econômica e serão fechadas na volta da presidente Dilma do Equador.

 

REFORMAS

O governo deve anunciar que vai buscar aprovar três reformas (Previdência, Fiscal e administrativa) para garantir um equilíbrio das contas públicas de forma sustentável no médio e longo prazos.

O ministro Nelson Barbosa (Fazenda) dirá que pretende também criar um sistema de meta para os gastos públicos, com a adoção de limites para as despesas do governo federal.

 

Regras de liberação do FI­FGTS vão mudar para facilitar acesso a R$ 22 bi

Fonte: Valor, 27 jan. 2015

 

As regras de liberação de recursos do FI­FGTS serão alteradas para agilizar o uso de mais de R$ 22 bilhões que estão parados no fundo. A Caixa Econômica Federal deve anunciar, em até um mês, um novo modelo que permita que empresas, mesmo antes de vencerem leilões ou concessões, possam pleitear recursos do FI­FGTS, o que hoje não é possível. A expectativa é que as novas regras ajudem no financiamento das concessões em infraestrutura. O presidente do comitê de investimento do FI­FGTS, Carlos Abijaodi, que também é diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que, ao acompanhar a empresa desde o procedimento de manifestação de interesse, o FI­FGTS ganha tempo na análise do projeto. Isso possibilita uma liberação mais rápida do dinheiro, no caso de a empresa sair vencedora do processo de concessão “É mais uma alternativa para o investidor”, afirmou. Atualmente, segundo Abijaodi, a análise de um processo varia de dois a três anos e com a mudança da regra esse prazo pode cair para um ano.

 

Hoje, existem R$ 22 bilhões disponíveis do FI­FGTS, que não são liberados por falta de demanda. Pelas regras do FI­FGTS, é necessário que a empresa contemplada use os recursos em um projeto concreto de investimento. Por causa das investigações da Operação Lava­Jato e da desaceleração da economia, os planos de novos empreendimentos, ou de expansão de negócios, estão paralisados. O foco das empresas atualmente é preservar a liquidez e buscar recursos para financiar o capital de giro.

 

Dilma pode condicionar crédito a emprego

Fonte: Valor, 27 jan. 2015

 

O governo estuda exigir a geração de novos empregos como contrapartida às novas linhas de crédito destinadas a assegurar capital de giro às micro e pequenas empresas. As linhas de crédito devem somar R$ 50 bilhões e a forma como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atuará ainda está sendo delineada. As medidas podem ser anunciadas amanhã na reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.

Além de linhas voltadas às pequenas e médias empresas, à infraestrutura e às exportações, o BNDES também poderá oferecer linhas de financiamento de bens de capital. O governo ainda discute se liberará o uso da multa do FGTS como garantia ao crédito consignado.

Ontem Dilma conduziu uma ampla reunião preparatória da retomada do Conselhão, da qual participaram oito ministros ­ inclusive Nelson Barbosa, da Fazenda, Alexandre Tombini, do Banco Central, e Jaques Wagner, da Casa Civil ­, além do ex­presidente do PCdoB Renato Rabelo, que assumirá a Secretaria Executiva do colegiado. Rabelo é um dos aliados mais próximos a Dilma e fiéis ao governo.

 

O grupo ainda está dividido quanto ao efetivo anúncio das medidas, que buscam impulsionar o crescimento econômico e dar ânimo aos investidores. Como não existe nenhuma medida de fôlego em gestação, há dúvidas se vale a pena adiantar as novas ações, ou apenas divulgar novas diretrizes econômicas. “O Conselhão é espaço de diálogo, não de anúncios”, diz um ministro.

A contrapartida da criação de novas vagas de trabalho decorre do temor do governo de que o índice de desemprego alcance os dois dígitos até o fim do semestre, com o agravamento da recessão. O modelo em estudo por Nelson Barbosa contempla a oferta de crédito para empresas de médio porte junto ao BNDES, com juros corrigidos pela TJLP, de 7,5% ao ano, mais o acréscimo de uma taxa que pode ser de 1,5%, se a beneficiária comprovar a abertura de novas vagas. Se não houver geração de empregos, a taxa pode subir para 3% ao ano.

Esta proposta já foi apresentada a Dilma e aos ministros do núcleo político, mas o martelo ainda não foi batido. No início do mês, em um café da manhã com jornalistas, Dilma admitiu que o governo estudava ampliar o crédito para este segmento. “Nós achamos, inclusive, que o BNDES tem de fazer uma linha de capital de giro para aquelas empresas que são as mais frágeis, as médias, as pequenas, as micro”, afirmou. Há 10 milhões de micro e pequenas empresas cadastradas no Simples Nacional, que respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB).

O receio de que o índice de desemprego alcance 12%, como preveem alguns economistas, atemoriza o Planalto, com a perspectiva de que agrave ainda mais a baixa popularidade de Dilma. Em novembro, a taxa de desemprego foi de 7,5%, inferior à de outubro ­ de 7,9% ­, mas superior ao registrado em novembro de 2014, que foi de 4,8%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se a crise não refluir, economistas afirmam que o índice pode atingir os dois dígitos.

O governo não vai anunciar um “pacote” de medidas econômicas na reunião do Conselhão, avisam auxiliares presidenciais. Dilma e o ministro Jaques Wagner mostraram sintonia ao afirmarem que o governo não vai tirar “coelho da cartola”. Mas além dos empréstimos para pequenas e médias empresas, haverá ainda medidas de fomento à exportação, ao agronegócio e incremento do crédito para o setor habitacional.

Também se reuniram ontem com Dilma os ministros Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Valdir Simão (Planejamento), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), Aloizio Mercadante (Educação) e Kátia Abreu (Agricultura). Wagner, Barbosa, Monteiro Neto e Dilma vão discursar na abertura da reunião do Conselho. Serão realizadas quatro reuniões neste ano e a próxima será em maio.

 

Governo deve anunciar injeção de R$ 50 bi no crédito via bancos públicos

Medidas para tentar estimular o crescimento serão anunciadas amanhã, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social; apesar do ceticismo do mercado, avaliação da equipe econômica é de que há demanda por empréstimos

Fonte: Estadão, 27 jan. 2015

 

O governo deve liberar cerca de R$ 50 bilhões em linhas de crédito do Banco do Brasil, BNDES e Caixa (incluindo recursos do FGTS) no esforço para a retomada dos investimentos e do crescimento da economia, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. O anúncio será feito pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na reunião de reabertura do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, marcada para quinta­feira, 28.

O governo anunciará também a ampliação de linhas do BNDES para financiar o “pré­embarque” dos exportadores, que são linhas que apoiam a produção de bens e serviços destinados à exportação. A presidente Dilma Rousseff quer que o comércio exterior seja um dos caminhos apontados para reativar a economia.

Embora a intenção da equipe econômica não seja anunciar um pacote de medidas, o reforço no crédito será o principal resultado prático da reunião, que é vista como um marco importante para sinalizar os principais compromissos do governo e a estratégia de recuperação econômica. O crédito é peça fundamental na política que será adotada. A equipe econômica avalia que há demanda para os empréstimos, apesar do ceticismo de economistas do mercado financeiro.

O volume e o detalhamento das linhas de financiamento, que terão taxas mais baixas que as de mercado, ainda estão sendo fechados pelo Ministério da Fazenda. Esse incremento no caixa dos bancos públicos e do FGTS tem como origem o pagamento, pelo governo, de R$ 72,4 bilhões das pedaladas no fim de 2015. As pedaladas eram dívidas com os bancos públicos e com o FGTS represadas pelo Tesouro para melhorar artificialmente as contas do governo, que o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou quitar. O pagamento foi feito no fim do ano passado, permitindo que os bancos e o fundo tivessem reforço no caixa, o que abrirá espaço para a oferta das novas linhas.

Subsídio. Não estão previstos, porém, subsídios adicionais a serem pagos pelo Tesouro Nacional nas linhas que serão abertas. “Não terá impacto fiscal”, assegurou uma fonte da área econômica. Os desembolsos do FGTS devem servir para impulsionar o setor da construção civil, que tem respostas rápidas. O fundo deve “socorrer” mais uma vez o Minha Casa Minha Vida, em especial nas faixas 1 e 1,5, para famílias de baixa renda.

 

Também estão sendo estudadas formas de fazer com que esses recursos substituam, em parte, o peso da poupança como principal fonte dos financiamentos imobiliários. Ainda não está decidido se será permitido o uso de parte da multa do FGTS como garantia para os empréstimos consignados.

 

No discurso na reunião do Conselhão, o ministro da Fazenda vai reforçar que o principal problema da economia é o fiscal e que é preciso fazer a reforma da Previdência. Barbosa, porém, não vai apresentar as linhas gerais do modelo de reforma que o governo estuda. O discurso do ministro deve apontar também para a expectativa do governo de que uma reversão do quadro de recessão ocorrerá a partir do quarto trimestre. Além de Barbosa, os ministros Armando Monteiro (Desenvolvimento), Kátia Abreu (Agricultura), Valdir Simão (Planejamento) e Alexandre Tombini (BC) também devem falar.

 

Mãos à obra!

Fonte: IstoÉ Dinheiro, 27 jan. 2016

 

A construtora mineira MRV Engenharia, a maior do País, com faturamento de R$ 5,5 bilhões no ano passado, está acelerando seus lançamentos para evitar que a crise contamine seus resultados. No último trimestre de 2015, a empresa colocou no mercado R$ 1,6 bilhão em 11 mil novos apartamentos, o segundo maior volume de lançamentos em seus 36 anos de vida. O presidente da companhia, Eduardo Fischer, explica a estratégia:

 

Não é arriscado fazer tantos lançamentos durante a crise?

Se olhar para as nossas vendas e cruzar os dados, é possível perceber que isso faz todo o sentido do mundo. Já que vendemos mais de R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre, por que não lançar R$ 1,6 bilhão? Precisávamos lançar tudo isso. Ou então não iríamos capturar a demanda. O mercado absorve esses lançamentos. Os números da MRV mostram uma linearidade de vendas muito grande. Mantemos o mesmo patamar de negócios por muitos trimestres seguidos.

 

Mas não houve uma queda de 7,1% nas vendas em comparação com o quarto trimestre de 2014?

Esse número deve ser visto com cuidado. Criamos o projeto Vendas Simultâneas, no qual fazemos a venda só depois que o cliente entrega toda a documentação exigida pelo banco e que o crédito é aprovado. Em 2014, as vendas dentro desse projeto representaram 35% do total. Já em 2015, o índice foi para 90%. Isso evita o cancelamento. Tiramos do balanço o cliente para quem venderíamos, mas que depois não faria os pagamentos. Então, na verdade, o número de vendas subiu.

 

A empresa também está comprando mais terrenos. Por quê?

Quando a venda está acontecendo, precisamos ir renovando as ofertas. Hoje, o mercado está favorável para quem está comprando, seja terrenos ou insumos. A demografia nos ajuda muito. O Brasil tem uma população jovem, que precisa se casar e mudar para o seu primeiro imóvel. Além disso, o acesso ao crédito pelo fundo de garantia é muito barato.

 

Governo abre inscrições para sorteio de casas

Fonte: O Estado de São Paulo, 27 jan. 2016

 

O governo do Estado abriu ontem as inscrições para interessados em concorrer a uma das 2.260 unidades habitacionais de interesse social no centro de São Paulo, fruto de Parceria Público Privada (PPP). As primeiras unidades começaram a ser erguidas em setembro de 2015, dois anos e meio depois do anúncio feito pelo governo. A obra deve se estender por seis anos. A Secretaria de Habitação informou que ainda em 2016 será lançada a concorrência para a construção do segundo lote de casas.

Mercado Imobiliário 19/01/2016


Fundos que vão à caça de empresas do Brasil têm US$ 25 bilhões

Fonte: Folha de S. Paulo, 17 jan. 2016

 

Os fundos de investimento que andam à caça de empresas para comprar no Brasil têm US$ 25 bilhões (R$ 100 bilhões) na agulha para aplicar em países emergentes, segundo levantamento do Bradesco BBI, um dos principais bancos de negócios do país.

Seus principais alvos são empresas de energia, concessões na área de estradas, aeroportos e saneamento pertencentes a grupos envolvidos na Operação Lava Jato, e também negócios de ocasião nas áreas de educação, saúde e imobiliária.

No ano passado, fundos como o brasileiro GP, a canadense Brookfield ou o GIC (fundo soberano de Cingapura) desembolsaram cerca de R$ 23 bilhões apenas nas 12 maiores aquisições de empresas brasileiras.

O levantamento do BBI, feito para consumo interno, ressalta que em oito dessas operações os fundos compraram o controle da companhia, e não apenas uma fatia.

“É uma mudança marcante”, afirma Leandro Miranda, diretor-gerente do Bradesco BBI. “Até pouco tempo atrás, esse tipo de investidor preferia comprar participações minoritárias. Agora, busca o controle e aceita pagar bem mais por isso.”

Envolvida na Lava Jato, no ano passado a Camargo Corrêa colocou no mercado duas de suas empresas mais cobiçadas. Num piscar de olhos, vendeu a Alpargatas inteira por R$ 1 bilhão, quase o dobro do que a empresa valia na Bolsa. Já a InterCement, segunda maior cimenteira do país, encalhou porque o grupo queria vender no máximo 18% da companhia.

Os investidores, especialmente os estrangeiros, perseguem a posição de controle porque estão com mais poder de fogo por causa da desvalorização do real. Ao mesmo tempo, as empresas brasileiras valem menos em reais porque seu desempenho foi afetado pela recessão.

“Hoje é possível comprar uma empresa de R$ 1 bilhão com US$ 250 milhões. Não dava para fazer isso no primeiro semestre do ano passado”, afirma Marco Gonçalves, sócio responsável pela área de fusões e aquisições do banco BTG Pactual.

 

ESTRANGEIROS

Os fundos de investimentos são farejadores de oportunidades, que aceitam correr riscos em troca de retorno alto. Mas a crise brasileira também trouxe para o jogo grandes grupos empresariais que acham que a crise vai passar e querem se estabelecer no país.

Os chineses da China Three Gorges pagaram R$ 13,8 bilhões por duas hidrelétricas do governo. O grupo italiano Gavio comprou a maior parte da EcoRodovias, da CR Almeida, por R$ 2,2 bilhões.

“O Brasil tem boas empresas, o mercado interno é grande, e está barato”, diz Flávio Valadão, diretor da área de fusões e aquisições do Santander. “Os estrangeiros devem manter o interesse aqui, especialmente os asiáticos.”

Para aumentar a tentação, na semana passada a Petrobras decidiu colocar à venda seus 36% na Braskem, maior petroquímica da América Latina, que a estatal controla com a Odebrecht.

A queda no preço do petróleo levou junto o da nafta, principal matéria-prima da petroquímica, enquanto a valorização do dólar multiplicou as receitas de exportação.

Segundo os analistas, hoje a Braskem “imprime dinheiro” e só foi colocada à venda porque a Petrobras precisa reduzir sua dívida.

“Este parece ser um momento único na história, pela quantidade de bons ativos de empresas brasileiras que podem ser colocados à venda”, afirma Alessandro Zema, diretor gerente do banco do Morgan Stanley, um dos mais conectados com investidores estrangeiros.

 

Gigante de gestão de recursos quer colocar ‘bilhões de dólares’ no Brasil

Fonte: Radar Online

 

Toda grande empresa de infraestrutura que busca um investidor ou quer vender ativos no Brasil, cedo ou tarde, bate na porta da Brookfield. É assim com a Braskem, foi assim com as hidrelétricas que o governo colocou à venda no ano passado. Não é à toa.

Mesmo em meio a todo pessimismo com o país, a gigante global de gestão de recursos, que tem mais de 225 bilhões de dólares sob administração, pretende colocar “muitos mais bilhões de dólares” por aqui nos próximos anos, disse o presidente global Bruce Flatt, em entrevista à rede estrangeira “Bloomberg” (veja o vídeo aqui http://www.bloomberg.com/news/videos/2016-01-13/brookfield-s-flatt-on-brazil-a-mess-now-will-come-around)

A intenção é voltar entre 10% e 15% dos investimentos para o país.

Tudo é uma questão de oportunidade. Segundo ele, os ativos estão sendo vendidos abaixo do valor de custo, o que dá “uma incrível margem de segurança”. “Estamos tendo chances [de investimento] às quais nunca tivemos acesso antes”, ponderou.

A Brookfield encerrou 2015 com um portfólio de cerca de 40 bilhões de reais no Brasil, contra 34 bilhões de reais um ano antes.

 

Na contramão

Fonte: Exame, 17 jan. 2016

 

A incorporadora You – fundada em 2010 por Abrão Muszkat, ex-sócio da Even – está indo na contramão do mercado. Enquanto a maioria das empresas do setor está encolhendo, a You captou recursos para crescer. Em dezembro, recebeu 350 milhões de reais do fundo americano Paladin e do fundo brasileiro Vista. O objetivo é lançar entre 700 milhões e 900 milhões de reais neste ano. Em 2015, a empresa, especializada em imóveis de até 90 metros quadrados em São Paulo, lançou 600 milhões de reais e, no ano anterior, 380 milhões.

 

Consórcios de imóveis crescem até 41% em apenas 11 meses

Fonte: Extra, 18 jan. 2016

 

Ao contrário da maioria dos setores da economia, o segmento de consórcios não tem do que reclamar. Com a crise, a alta dos juros, a inflação elevada e a restrição ao crédito, o número de adesões a essa modalidade de financiamento, somente de janeiro a novembro de 2015, cresceu 41,5%, no caso de imóveis, e 9,3%, no que diz respeito a veículos leves, graças aos custos bem menores, se comparados aos de outras linhas. Paulo Roberto Rossi, presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), interpreta os números do setor como uma mudança de comportamento: “Temos uma crise econômica com altas taxas de juros e inflação crescente. Tudo isso está motivando o consumidor, com o orçamento bastante apertado, a fazer contas. A ansiedade pelo consumo está sendo substituída pelo planejamento financeiro.” A análise se deve à principal diferença entre o consórcio e o financiamento: um exige espera para ter o bem, que pode ser longa, enquanto o outro permite o consumo imediato, mas com juros elevados. Sandra Batista, conselheira do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), destaca, porém, que a entrada num consórcio precisa ser muito bem avaliada: “Se a pessoa não tem um imóvel, por exemplo, terá que pagar o aluguel, por um período, e também a prestação do consórcio. Outros fatores a considerar são a renda e se a pessoa tem estabilidade no emprego, como um servidor público.”

 

Mercado Imobiliário 15/01/2016


Governo negocia reajuste menor na prestação do Minha Casa Minha Vida

Fonte: O Globo, Economia, 14 jan. 2016

 

A presidente da Caixa, Miriam Belchior, informou ontem que o governo vai manter o plano de reajustar a prestação mínima cobrada na primeira faixa do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas o aumento pode ser menor do que havia sido previsto no ano passado. A nova regra, que vale para quem ganha até R$ 800, será usada na terceira fase do programa. Depois de se encontrar com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, Miriam explicou que a prestação vai mudar porque não é reajustada desde 2009, e o salário-mínimo e os imóveis subiram no mesmo período.

– Esse aumento da prestação está em linha com o crescimento da renda e do preço dos imóveis – disse a presidente da Caixa.

Quando anunciou a terceira etapa do programa, em setembro do ano passado, o governo informou que mudaria as regras e que a prestação mínima da primeira faixa subiria. Pela nova sistemática, a primeira faixa (que tem juros subsidiados) inclui pessoas que ganham até R$ 1.800 por mês.

 

AJUDA PARA A ECONOMIA

 

Para quem recebe até R$ 800, o valor da parcela passaria de R$ 25 para R$ 80. Já quem recebe entre R$ 800 e R$ 1,2 mil, pagará o equivalente a 10% da renda na prestação. As famílias com renda mensal entre R$ 1,2 mil e R$ 1,6 mil pagarão 15%, e, aquelas com renda entre R$ 1,6 mil e R$ 1,8 mil, 20%.

O que o governo discute agora é se a prestação mínima poderia ser menor do que R$ 80. Miriam não quis adiantar qual será o novo valor, mas afirmou que o subsídio dado pelo governo não mudará.

Ela e Barbosa têm discutido o papel da Caixa na estratégia que está sendo montada pelo governo para recuperar a economia. Uma das linhas de ação é os bancos públicos usarem os recursos recebidos do Tesouro pelo pagamento das pedaladas fiscais para reforçar linhas de crédito para setores como a construção civil. A Caixa, por exemplo, recebeu R$ 1,5 bilhão das pedaladas, e esses recursos ajudarão a financiar o Minha Casa Minha Vida. O BNDES, por sua vez, recebeu R$ 30,04 bilhões, o FGTS, R$ 22,6 bilhões, o Banco do Brasil, R$ 18,2 bilhões.

– A Caixa é um banco público que dá crédito, e queremos atender a necessidade de diversos setores para alavancar a economia – disse a presidente do banco, na saída do encontro com o ministro da Fazenda.

Miriam também afirmou que o governo deve realizar a abertura de capital (IPO) da Caixa Seguradora no meio deste ano. Ela lembrou que a operação, que deveria ter sido realizada ano passado, acabou sendo adiada por causa das turbulências na economia e na política.

 

IPO ESTÁ ‘APENAS SUSPENSO’

Segundo ela, a primeira janela de oportunidade para o IPO será em abril, mas é pouco provável que a operação ocorra nesse período.

– O IPO está apenas suspenso devido à situação do mercado. Assim que o quadro desanuviar, ele vai ser feito. Eu acho que está mais para meio do ano, começo do segundo semestre, mas vamos avaliar a situação do mercado, como já fizemos no ano passado.

 

Even lançou cinco projetos no quarto trimestre de 2015

Fonte: UOL, 13 jan. 2016

 

A Even informou nesta quarta-feira que lançou cinco projetos com valor geral de vendas (VGV) de R$ 541,3 milhões no quarto trimestre de 2015 – a participação da empresa é equivalente a R$ 457 milhões, o que representa uma queda de 55% em relação ao mesmo período de 2014. As vendas líquidas contratadas somaram R$ 465 milhões no quarto trimestre, queda de 8,5% em relação ao mesmo período de 2014. Desse total, R$ 190 milhões referem-se a vendas de lançamentos do trimestre e R$ 276 milhões a vendas de estoques. A velocidade de vendas foi 16%. A empresa informou também que entregou sete projetos com VGV de R$ 651 milhões e com 1.456 unidades no quarto trimestre.

 

Habitação social de chileno leva ‘Nobel da Arquitetura’

Fonte: Folha de S. Paulo, 14 jan. 2016

 

Um dos arquitetos mais jovens a vencer o Pritzker, maior prêmio da arquitetura mundial, o chileno Alejandro Aravena, 48, despontou na última década como um dos maiores inovadores da área, consagrado com projetos de habitação social e obras para a recuperação de cidades atingidas por desastres naturais.

Sua escolha, anunciada nesta quarta (13), também representa um deslocamento geográfico nas decisões do prêmio, entregue pela última vez a um nome da América do Sul quando o brasileiro Paulo Mendes da Rocha foi reconhecido há dez anos.

Na história do prêmio, Aravena é o quarto latino-americano a receber a distinção, depois do mexicano Luís Barragán, em 1980, do brasileiro Oscar Niemeyer, em 1988, e Mendes da Rocha, em 2006.

Em plena ascensão e agora consagrado pelo maior prêmio de sua área, Aravena está também à frente da próxima Bienal de Arquitetura de Veneza, que começa em maio na cidade italiana.

Seu projeto mais notório, conduzido pelo Elemental, escritório que fundou em 2001, são as mais de 7.500 casas construídas para a população de baixa renda no norte do Chile. São estruturas entregues ao morador como esqueletos que podem ser complementados mais tarde de formas distintas, dando autonomia aos proprietários.

De acordo com o júri do prêmio, entre os quais está o britânico Richard Rogers, um dos autores do Centro Pompidou, em Paris, Aravena “pratica a arquitetura como um esforço artístico em projetos para as esferas privada e pública e resume o ressurgimento de um arquiteto mais socialmente engajado”.

Entre outros projetos marcantes do autor, estão seus prédios da Universidade Católica do Chile, em Santiago.

O UC Innovation Center, por exemplo, é uma estrutura de concreto com aberturas que parecem aleatórias, buscando uma porosidade adequada ao clima frio da capital chilena, enquanto as Siamese Towers, no mesmo campus, são torres brutalistas revestidas com uma pele de vidro, uma estratégia para aperfeiçoar a circulação de ar e evitar gastos excessivos de energia.

Em construção em Xangai, a nova sede da Novartis, empresa do setor de saúde, também tem como principal meta do projeto o consumo consciente de recursos, combinando uma série de ambientes distintos no mesmo espaço.

Entre projetos corporativos e outros em âmbito social, Aravena se firmou como um arquiteto ao mesmo tempo autoral e ancorado na solução de desafios da forma mais eficiente, como quando ajudou a reconstruir a cidade chilena de Constitución, arrasada por um terremoto.

 

Pritzer olha pro social

Fonte: O Globo, 14 jan. 2016

 

O Aravena costuma se aventurar em campos que desconhece. Foi o caso da reconstrução da cidade chilena de Constituición, que resistiu a um terremoto de 8,8 graus na escala Richter e a uma posterior tsunami. O escritório Elemental ouviu os cidadãos e se propôs a recuperar o espaço e blindar a zona urbana para futuros terremotos. Em lugar de resistir com muros, eles idealizaram um espaço público capaz de dissipar a energia sísmica.

Com Aravena, o Pritzker manda uma mensagem quase oposta àquela que enviara no passado: é mais urgente aprender bem a gramática do que escrever um grande romance. De seu estúdio em Santiago, o próprio arquiteto explica que a profissão deve recuperar o peso social e afastar-se da irrelevância.

Sempre houve aqueles que, longe dos prêmios e da atenção da mídia, têm feito uma arquitetura de viés social. O prêmio concedido a você é uma adaptação à crise? Uma resposta à era dos ícones?

A arquitetura tem sido rotulada como uma profissão que tenta apenas responder às questões que interessam aos arquitetos. Fomos pouco treinados para entender que nosso ponto de partida está fora da arquitetura. Talvez, com a intenção de garantir sempre um resultado puro e escultural, pensemos que, se a solução não está na origem, ela não possa ser alcançada. O preço que pagamos por essa forma de trabalhar é a irrelevância. Não nos chamam para cuidar de qualquer problema difícil. Quando há uma pedra no sapato, o arquiteto nunca é chamado. Não é o caso de economistas, advogados e engenheiros, que são mais usados conforme o problema cresce.

 

Arquitetos são socialmente irrelevantes?

No âmago da nossa profissão, existe uma ferramenta poderosa para dar conta de temas complexos. É isso que precisamos resgatar: a oportunidade de contribuir para resolver problemas fundamentais.

 

Uma crise econômica é uma experiência de humildade para arquitetos?

A escassez traz a necessidade de justificar as operações que você faz. A escassez de recursos torna obrigatória a abundância de sentidos.

 

O Pritzker sempre prestou atenção às tendências. Você teme que a arquitetura humanitária seja, como o desconstrutivismo, mais uma moda?

Relacionar sucesso e culpa é algo a ser evitado em um país ultracatólico como o Chile. Quando nos deram o prêmio, sentimos liberdade. Já não temos que provar nada a ninguém.

 

A arquitetura pode fazer algo para reduzir a desigualdade na América Latina?

Totalmente. Parte da adrenalina que sentimos em ser arquitetos é que a cidade é um mecanismo muito poderoso para corrigir as desigualdades. Se há um consenso na América Latina, é que temos um problema pendente: a desigualdade. E tudo que você ouve é sobre a redistribuição de desigualdade de renda, como se fosse apenas um problema econômico. Não é. É também um problema racial e cultural. Ele tem muitos componentes, a redistribuição de renda exige uma educação que permita o acesso a um trabalho melhor e a uma melhor qualidade de vida. E isso leva pelo menos um par de gerações. Isso não acontece do dia para a noite. Mas, na cidade, existem fatores que melhoram a qualidade de vida sem ter que esperar.

 

Quais?

 

Um sistema de transporte público é, por definição, redistributivo. As cidades podem ser medidas pelo que se pode fazer nelas sem gastar nada. Eu tenho que me associar a um clube para desfrutar da natureza ou posso ir a um parque? Transporte, espaço público e habitação são atalhos muito poderosos para corrigir a desigualdade.

 

Corrigir o problema depende do ativismo dos cidadãos, da ideologia dos governantes…

E do senso de oportunidade dos arquitetos. Temos a oportunidade de aumentar a visão política e de canalizar a demanda pública em direção a uma melhor qualidade de vida. Então eu nego o poder. Os cidadãos podem estar no poder. Finalmente, há políticos que têm uma visão assim. Eles são aqueles em que você pode votar.

 

Você defende a autoria coletiva. Por que não pediu para compartilhar o prêmio com seus quatro sócios?

Os times de futebol ganham certos títulos, como campeonatos e ligas. Os jogadores disputam outros, como a Bola de Ouro. Claro que ninguém pode ganhar a Bola de Ouro sem uma equipe por trás, mas este prêmio se refere a uma dimensão individual do processo criativo. Na arquitetura, nada é feito individualmente. Não vejo qualquer conflito em premiar uma pessoa ao mesmo tempo em que se entende que a natureza do trabalho é coletiva.

 

É uma contradição receber o prêmio tendo sido jurado no ano passado?

Na verdade, eu não esperava. Justamente porque estava no júri e sei que existem debates do tipo. A emoção foi tão grande que chorei.trabalho do chileno Alejandro Aravena, de 48 anos, foi descrito pelo barão Peter Palumbo, presidente do júri do prêmio Pritzker, como uma “revelação”. Mais revelador do que o nome do arquiteto vencedor, anunciado ontem em Chicago, é o seu jeito de trabalhar. Ele é autor de numerosos projetos de “habitações incrementais” – pelos quais, em vez de receber o imóvel pronto, o cliente recebe um apartamento que pode crescer de acordo com as suas possibilidades financeiras. Com seus desenhos, Aravena e seus quatro sócios no escritório Elemental (Gonzalo Arteaga, Víctor Oddó, Juan Cerda e Diego Torres) têm demonstrado uma preocupação com as cidades e a humanidade que descortina uma nova dimensão da profissão.

Mercado Imobiliário 14/01/2016


Caixa prevê alta de 30% no crédito para imóvel até R$ 225 mil em 2016

Fonte: Folha de S. Paulo, 13 jan. 2016

 

Apesar da crise no setor imobiliário, a Caixa prevê que os financiamentos para imóveis de até R$ 225 mil devem crescer 30% em 2016. A expansão é a mesma registrada em 2015 nesse segmento, classificado pelo banco como habitação social. De acordo com o diretor-executivo de Habitação da Caixa, Teotonio Rezende, não houve restrição na oferta de recursos para esses imóveis, que estão dentro das faixas 2 e 3 do programa Minha Casa, Minha Vida e, por isso, contam com recursos do FGTS. A projeção da Caixa inclui a expectativa de demanda com a terceira fase do programa habitacional do governo, que ainda não está fechado e terá subsídios menores que as fases anteriores. Segundo Rezende, o aumento no limite de renda do programa de R$ 5.000 para R$ 6.500 e no valor máximo dos imóveis devem impulsionar as vendas nesse segmento. Os imóveis tiveram o teto reajustado para valores entre R$ 90 mil a R$ 225 mil, dependendo da região do país.

 

Governo confirma parcela mínima de R$ 80 no ‘Minha Casa 3’

Valor é superior à prestação mínima de R$ 25 que os beneficiários pagam na segunda etapa do programa de habitação do governo federal

Fonte: Estadão, 14 jan. 2015

O governo confirmou nesta quarta­feira que a parcela mínima da prestação da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida será de R$ 80. Na segunda etapa, o valor mínimo que os beneficiários pagam nas prestações é de R$ 25.

O anúncio desse valor foi feito em setembro de 2015, quando o governo divulgou as condições da terceira etapa do programa de habitação popular. Hoje, o Ministério das Cidades informou que não houve alteração no valor mínimo que será pago pelas famílias que ganham até R$ 800 por mês.

Famílias com renda entre R$ 800 e R$ 1.2 mil pagarão o correspondente a 10% da renda e as que ganham entre R$ 1.2 mil e R$ 1.8 mil, 15%. Na divulgação em setembro, o governo tinha anunciado que famílias com renda mensal entre R$ 1.6 mil e R$ 1.8, pagariam 20%. Nesta quarta, porém, voltou atrás ao informar que a parcela máxima do faixa 1 será de 15% da renda.

Como mostrou a edição do Estado desta quarta­feira, a terceira etapa do Minha Casa Minha Vida saiu do papel neste mês, um ano depois do início do segundo mandato da petista, mas deixou de fora a população que mais precisa do programa de habitação popular.

As contratações com as novas regras da terceira fase só começaram para as chamadas faixas 2 e 3 do MCMV, famílias com renda mensal de até R$ 3,6 mil e R$ 6,5 mil, respectivamente.

Por causa da frustração de recursos, não há previsão oficial de quando começarão as contratações para as famílias que ganham até R$ 1,8 mil por mês, pertencentes à chamada faixa 1 do programa. Para esse público, o subsídio ­ com recursos do Orçamento Geral da União (OGU) ­ pode chegar até 95% do valor do imóvel. Também está emperrada a faixa 1,5, grande novidade desta terceira etapa, que contempla famílias com renda mensal de até R$ 2.350.

 

A presidente da Caixa, Miriam Belchior, disse, nesta quarta, que as contratações dessas duas faixas sairão “logo, logo”, mas não quis estabelecer um prazo.

Reformas e exportações deverão puxar a demanda por materiais

Fonte: Valor, 14 jan. 2015

 

A demanda por materiais de construção será puxada, neste ano, principalmente, por reformas e pela exportação, consequência da retração do ritmo de novas obras nos últimos anos e o volume de entregas de imóveis será menor do que o de 2015. Considerando­se apenas vendas internas, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) estima queda de 4,5% neste ano, ante retração de 12,6% em 2015. Há expectativa de alta das vendas externas e de redução das importações, em função do câmbio.

Em 2015, as vendas internas de materiais de acabamento caíram 14,9%, em patamar superior à queda dos itens de base, que foi de 11,2%. Nos últimos anos, o desempenho de produtos de acabamento tinha superado o de base devido ao volume acentuado de unidades em fase de conclusão, mas a relação se inverteu em meados de 2015. Para este ano, a expectativa da Abramat é que os dois tenham retração semelhante, de 4,5%.

O presidente da Abramat, Walter Cover, diz esperar que haja melhora da percepção dos indicadores de emprego e renda em relação a 2015 e incremento nas concessões. Segundo Cover, as reformas vão contribuir para que a retração das vendas da indústria para o varejo seja de 2%, patamar menor do que os 8% de encolhimento no ano passado. Na avaliação de fabricantes de materiais, parte de quem tinha a intenção de comprar um imóvel, mas postergou a aquisição por não obter crédito bancário ou por medo de perder o emprego, vai investir em reforma. O presidente da Mexichem Brasil ­ detentora das marcas Amanco, Bidim e Plastubos ­, Maurício Harger, avalia que o mercado de autoconstrução será o “grande motor” da demanda por materiais. “O melhor desempenho virá por parte das reformas”, diz, acrescentando que parte dos consumidores vai esperar que o país volte a crescer para comprar um imóvel. Segundo Harger, a construção formal “ainda vai andar de lado, salvo se houver grandes alterações no gerenciamento da política econômica nos próximos meses”.

A comercialização de materiais da indústria para as construtoras terá queda de 6% em 2016, ante redução de 15% no ano passado, de acordo com a Abramat.

Parte das indústrias do setor aposta no ganho de participação de mercado de itens tradicionais. “Em momentos de crise, há necessidade de o consumidor buscar itens mais práticos e produtivos. Continuaremos a desenvolver produtos para compensar a queda da demanda”, diz o executivo da Mexichem. Segundo ele, existe espaço para elevar vendas em alguns itens, principalmente de acabamento. A Mexichem tem, em curso, plano de investimento de US$ 100 milhões, que abrange entrada em novos segmentos. “Há investimentos não maturados que permitirão crescimento além do orgânico”, afirma Harger.

A fabricante de revestimentos cerâmicos Cecrisa projeta elevar sua receita de 10% a 12% neste ano, com expansão nos mercados interno e externo. A exportação terá alta maior, de 30% a 40%. A Cecrisa embarca seus produtos para mais de 50 países, incluindo os Estados Unidos, a Europa, o Oriente Médio e a América Latina. “No ano passado, a venda total ficou no mesmo nível de 2014. As exportações cresceram muito, e as vendas internas caíram um pouco”, conta o presidente da Cecrisa, José Luis Pano.

No mercado interno, a Cecrisa espera elevar a comercialização para as revendas e tem a expectativa que a demanda das construtoras, aumente no segundo semestre. “Isso dependerá do que o governo fizer. Esperamos que, se o financiamento melhorar, haja mais demanda por imóveis novos”, diz o presidente. Em março, a Cecrisa concluirá plano de investimentos de quase R$ 130 milhões, “muito atrelado à melhoria da produtividade”, segundo Pano.

A fabricante de telhas ecológicas Onduline buscará manter, neste ano, o faturamento de 2015. No ano passado, mesmo com a melhora na prestação de serviços pela empresa, houve queda de 5% no faturamento ante 2014, segundo o diretor­executivo da Onduline para a América Latina, Ricardo Bressiani. “As lojas de varejo diminuíram as vendas e os estoques”, diz. Neste ano, as vendas dos produtos da Onduline serão direcionadas para reformas, segundo Bressiani. A empresa está definindo canais de venda e estados de atuação.

A Assa Abloy Brasil elevou seu faturamento em 12%, em 2015, principalmente com as sinergias das aquisições dos anos anteriores. Em 2014, a empresa comprou a fabricante de fechaduras, dobradiças e ferragens para portas Silvana e a fabricante de portas corta­fogo Metalika. A Assa Abloy já produzia e comercializava fechaduras de alto padrão com a marca La Fonte.

No fim do ano, a Assa Abloy adquiriu a Papaiz ­ fabricante de cadeados, fechaduras residenciais e móveis, dobradiças e acessórios ­ e a Udinese, que produz componentes para esquadrias de alumínio. Essas aquisições agregam R$ 200 milhões ao faturamento da Assa Abloy, que ficou próximo a esse valor no ano passado. Considerando o faturamento combinado, haverá crescimento de pelo menos 10% em 2016, de acordo com o presidente da Assa Abloy Brasil, Luís Augusto Barbosa.

As vendas das portas corta­fogo da Metalika e das esquadrias da Udinese destinam ­se, principalmente, a unidades novas. “Os dois negócios vão sofrer, mas os demais têm grande participação no varejo”, afirma Barbosa. O executivo ressalta que a venda de cadeados não depende somente do setor de construção. A multinacional busca aumento das exportações, por meio de equipes da Assa Abloy em países como México e Colômbia. “Papaiz e Udinese exportam de forma mais relevante do que outras empresas do grupo”, diz.

A fabricante de produtos de PVC Rehau pretende crescer 10% neste ano, mesmo patamar de expansão de 2015. A Rehau projetava aumentar seu faturamento em 15% no ano passado, mas a melhora da economia brasileira esperada pela empresa para o segundo semestre não ocorreu. No segmento moveleiro, as vendas de fitas de borda da Rehau para acabamento de chapas de madeira cresceram 8%. Já a comercialização de perfis de PVC para fabricantes de janelas teve elevação de 40%. Para 2016, a Rehau estima de 5% a 6% de alta nas vendas de fitas de bordas, puxadas pelas exportações, e 15% em perfis, segundo o diretor­geral da Rehau no Brasil, Alexandre Novoselecki.

 

 

Mercado Imobiliário 13/01/2016


Nova fase do Minha Casa inicia sem os mais pobres

Falta de recursos e indefinições travam contratos para as faixas 1 e 1,5 do programa

 

Fonte: Estadão, 13 jan. 2015

 

Promessa de campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, a terceira etapa do Minha Casa Minha Vida saiu do papel neste mês, um ano depois do início do segundo mandato da petista, mas deixou de fora a população que mais precisa do programa de habitação popular. As contratações com as novas regras da terceira fase só começaram para as chamadas faixas 2 e 3 do MCMV, famílias com renda mensal de até R$ 3,6 mil e R$ 6,5 mil, respectivamente.

Por causa da frustração de recursos, não há previsão oficial de quando começarão as contratações para as famílias que ganham até R$ 1,8 mil por mês, pertencentes à chamada faixa 1 do programa. Para esse público, o subsídio – com recursos do Orçamento Geral da União (OGU) – pode chegar até 95% do valor do imóvel.

A promessa de construção de 3 milhões de moradias no segundo mandato foi usada durante a campanha eleitoral, mas o lançamento do programa foi adiado várias vezes, principalmente por causa do ajuste fiscal em curso. O orçamento de 2016 do programa caiu de R$ 15,5 bilhões para R$ 6,9 bilhões.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Presidência da República, estima que, para resolver o problema da falta de habitação digna no País, seria preciso construir 5,24 milhões de residências. Já se admite, nos bastidores, que o governo não cumprirá a promessa de construir 3 milhões de residências até 2018.

Nova faixa. A grande novidade da terceira etapa do MCMV, a criação de uma faixa intermediária, também está emperrada e não apenas pela frustração de receitas. Falta uma regulamentação do Ministério das Cidades, que ainda trabalha na maneira como se dará a seleção das famílias, pelas prefeituras ou construtoras. Segundo as regras do programa, a faixa 1,5 contempla famílias com renda mensal de até R$ 2.350. Esse público terá um desconto de até R$ 45 mil por moradia, de acordo com a localidade e a renda. Além disso, pagará 5% ao ano no financiamento pelas modalidades SAC (Sistema de Amortização Crescente) ou Tabela Price, num prazo de até 360 meses. No faixa 1, as prefeituras controlam a lista dos interessados, que precisam se inscrever de acordo com as regras do governo federal. As administrações municipais usam essa lista como “trunfo político”.

A ideia do Ministério das Cidades era que se criasse um cadastro único para que os próprios beneficiários do programa pudessem se inscrever e acompanhar as etapas de seleção, sem o controle das prefeituras. As famílias que se enquadrassem na faixa 1,5 poderiam obter uma espécie de “carta de crédito” para ser usada. No entanto, esse cadastro ainda não foi criado. Além disso, há preocupação do mercado com a análise de risco dessas famílias, uma vez que elas contratarão um financiamento. No faixa 1, é possível até mesmo que contemplados com nome sujo tenham direito à casa.

Outro empecilho para tirar o faixa 1,5 do papel diz respeito à contrapartida do Tesouro Nacional nesses financiamentos. O FGTS ficaria com 82,5% dos subsídios e o Tesouro com os outros 17,5%. O governo deixava o fundo arcar com a totalidade dos subsídios e saldava a dívida depois. No entanto, a prática, também considerada “pedalada fiscal”, foi condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O governo não quer repetir o mesmo erro.

No MCMV 3, o governo aumentou o valor dos imóveis que podem ser financiados nas faixas 2 e 3 – para o intervalo entre R$ 90 mil e R$ 225 mil, de acordo com a localidade. Também teve aumento nas taxas de juros dos financiamentos das faixas 2 e 3 que são pagos pelas famílias. Beneficiários com renda de até R$ 2,7 mil terão juros de 6% ao ano. Os com renda de até R$ 3,6 mil, 7%. Na faixa 3, até R$ 6,5 mil de renda, os juros anuais serão de 8%.

No anúncio das condições da terceira fase, em setembro de 2015, o governo também divulgou aumento no valor das prestações que os beneficiários da faixa 1 precisam pagar. Nas outras duas etapas, era de, no mínimo, 5% da renda. Na terceira etapa, as famílias com renda de até R$ 800 pagarão parcela de R$ 80; entre R$ 800 e R$ 1,2 mil, o valor será correspondente a 10% da renda; de R$ 1,2 mil a R$ 1,6 mil, de 15%; e de R$ 1,6 mil a R$ 1,8 mil, de 20%.

 

MTST critica mudanças na terceira etapa do ‘Minha Casa’

Fonte: Valor, 13 jan. 2015

A ideia de permitir que a prestação para faixa mais baixa do programa Minha Casa, Minha Vida aumente conforme a renda do beneficiário ­reivindicação do setor de construção que está sendo estudada pelo governo ­ já desperta contestações. O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, garante que haverá protestos nas principais cidades do país, se o governo federal levar adiante as alterações.

“Uma prestação de 20% [da renda] é quase de mercado, não é subsídio”, diz Boulos. “Desembolsar R$ 360 para alguém que ganha R$ 1.800 é muita coisa”, afirma. “Essas alterações significam uma descaracterização do programa como ele foi criado e serão enfrentadas nas ruas”, diz.

No entanto, apesar de ter apresentado em setembro uma proposta de triplicar o valor da prestação mínima para aquisição da casa própria por famílias com renda de até R$ 1,8 mil no âmbito do Minha Casa, Minha Vida, o governo ainda não tem decisão fechada sobre o assunto e o aumento, segundo fonte, pode ser menor do que o previsto. Uma portaria interministerial deve ser publicada definindo o valor mínimo e a subvenção que será dada pela União. Somente depois disso que as contratações do faixa 1 poderão ser iniciadas.

A presidente Dilma Rousseff quer alavancar o setor da construção civil para melhorar o desempenho da economia e gerar mais postos de trabalho. O início das contratações do “Minha Casa” pode auxiliar o governo neste aspecto. Há quatro meses, Dilma apresentou às centrais sindicais as linhas gerais da terceira etapa do programa. Foi anunciado o aumento do número de faixas, assim como a atualização do valor da renda dos beneficiários e elevação das taxas de juros.

Dentre essas iniciativas estava também a proposta de elevar o valor mínimo das parcelas para atendimento das famílias com renda de até R$ 1,8 mil, ou seja, que fazem parte da faixa 1 do programa. A ideia é que o valor variasse conforme a renda das famílias. Com isso, a prestação mínima subiria de R$ 25 para R$ 80. Mas, segundo fontes ouvidas pelo Valor, ainda não há decisão final sobre o assunto e o reajuste dessa parcela pode ser menor.

Segundo proposta apresentada e setembro, as famílias que tiverem renda entre R$ 800 e R$ 1.200, o valor da prestação corresponderá a 10% da renda; de R$ 1.200 a R$ 1.600 a 15%; e de R$ 1.600 a R$ 1.800, 20%.

Outra regra que daria alívio ao caixa do governo é o fato de o pagamento do subsídio ao imóvel para as famílias do faixa 1 ser dividido entre orçamento público e recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Atualmente, a União entra com 95% dos subsídios para as famílias de menor renda. No faixa 2, a União banca 17,5% do valor do subsídio e o FGTS é responsável por 82,5%. No casa do faixa 1, a participação do FGTS será variável podendo em, alguns locais, se aproximar dos 50%.

Na terceira etapa do programa, as famílias que se enquadrarem no faixa 1 precisarão ter renda mensal de R$ 1,8 mil. Para ser atendido na faixa 2, a renda da família deve variar entre R$ 2,35 mil e R$ 3,6 mil e na faixa 3 entre R$ 3,6 mil e R$ 6,5 mil. No caso da nova faixa criada, a faixa 1,5, será destinada para famílias com renda de até R$ 2,35 mil e terá subsídio de até R$ 45 mil de acordo com a localidade e a renda.

Foi o setor de construção civil que solicitou ao governo a redução do subsídio para a faixa 1, segundo o presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Rubens Menin. “Quanto menor o subsídio, mais moradias podem ser contempladas”, afirma. “Desde o início do programa, nossa avaliação era que não há necessidade de tanto subsídio. ”

A proposta foi apresentada no ano passado ao Ministério do Planejamento, então comandado pelo atual ministroda Fazenda, Nelson Barbosa, e ao Ministério das Cidades, liderado por Gilberto Kassab. O governo foi receptivo à  proposta, de acordo com o presidente da Abrainc.

A mudança na fatia máxima da renda do comprador para pagamento das prestações de imóveis da faixa 1 do programa ­ em avaliação pelo governo ­ não muda nada para as construtoras, mas pode elevar a inadimplência, segundo o diretor de relações institucionais da Cury, Ronaldo Cury. A Cyrela tem 50% de participação na Cury. No segmento, a inadimplência é elevada ­ próxima a 20% ­, diz o representante da Cury, porque não há análise de crédito do comprador, mas apenas é verificado se a renda familiar se enquadra no teto do valor máximo para a faixa. A definição dos compradores ocorre por meio de sorteio.

 

Caso seja aprovado o aumento da fatia da renda que pode ser comprometida com a prestação do imóvel em relação aos atuais 5%, a inadimplência pode crescer, mas é o governo quem terá de arcar com isso. Segundo o executivo, a Cury irá focar sua atuação nas faixas 2 e 3 do programa. A faixa 1 utiliza recursos do Tesouro. “O governo já sinalizou que, em 2016, a prioridade para a faixa 1 é concluir o que já foi contratado”, diz.

 

Boulos, do MTST, afirma que 70% do déficit habitacional no Brasil está entre aqueles que ganham menos de três salários mínimos ­ R$ 2.640. Ou seja, justamente a parcela da população que será afetada, caso as mudanças sejam confirmadas. “É gente que não consegue financiamento para habitação no mercado tradicional”, diz.

Governo estuda elevar prestação da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida

Fonte: Folha

 

O ministro Nelson Barbosa (Fazenda) disse à Folha que o governo vai revisar as condições de financiamento e o valor do subsídio pago pelo Tesouro no programa Minha Casa, Minha Vida.

“Estamos reavaliando as condições do Minha Casa, Minha Vida. Muito provavelmente haverá a revisão das condições de financiamento e de subsídio”, afirmou.

Ele não quis antecipar detalhes das mudanças afirmando que a decisão ainda não foi tomada e pode sofrer alterações. Entre elas, está o aumento das prestações que os beneficiários têm de pagar.

Segundo assessores, a última proposta discutida com o setor da construção civil elevava o valor mínimo das prestações da primeira faixa do programa de R$ 25 para R$ 80, para famílias com renda de até R$ 800,00, e percentuais entre 10% e 20% do ganho mensal quando este ficar entre R$ 800,01 e R$ 1.800,00.

Nessa faixa, o Tesouro banca o valor das construções para as empreiteiras e assume o risco de inadimplência –ela estava em 21,8% dos financiamentos concedidos em março do ano passado.

Os calotes, nesse caso, são cobertos pelo Tesouro.

Setores do governo ligados a movimentos sociais querem um aumento menor da prestação para evitar mais desgaste para a imagem da presidente Dilma Rousseff.

Hoje, são atendidos nesta faixa beneficiários com renda de até R$ 1.600. Na fase três do Minha Casa, esse limite subirá para R$ 1.800.

“Vamos adequar o subsídio ao espaço fiscal que a gente tem”, disse Barbosa.

Hoje, o valor máximo do imóvel da faixa 1 do programa varia de R$ 54.000 a R$ 76.000. Pela proposta em estudo, os beneficiários pagariam ao Tesouro entre R$ 9.600 e R$ 43.200 pela aquisição de uma casa.

Ainda não há data definida para o anúncio das novas regras do Minha Casa, Minha Vida, mas a intenção é divulgá-las ainda no primeiro semestre deste ano.

 

PAGAMENTO ATRASADO

Para empresários, a prioridade é o pagamento das obras já entregues e acertar um cronograma para as que estão em andamento no país.

Hoje, mesmo com a reformulação das regras da fase três do programa, o governo não tem recursos para começar sua implementação.

Nelson Barbosa disse à Folha que o governo está avaliando formas de reduzir “o mais rapidamente possível os restos a pagar do governo” para atender à reivindicação da construção civil.

O ministro confirmou que a maior parte dos pagamento do Minha Casa, Minha Vida neste ano “vai ser para obras já contratadas, já em andamento”. Segundo ele, o governo tem hoje mais de 1,5 milhão de casas em construção, o que já estaria previsto no Orçamento da União.

 

Tecnisa muda alvo e visa lançamentos de até R$ 400 mil

Tradicionalmente voltada à construção de empreendimentos de alto padrão, a Tecnisa mudou o alvo para atravessar a crise neste ano

Fonte: Folha

 

A incorporadora vai priorizar imóveis com valor entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, segmento em que a demanda é maior e a compra pode ser financiada com recursos da linha pro-cotista do FGTS.

“Não é o nosso carro-chefe, mas será o foco neste ano”, diz o diretor-executivo técnico da Tecnisa, Fabio Villas Bôas. “O setor está se adaptando à situação atual. Não podemos ficar parados esperando a crise passar. O preço vai diminuir um pouco, mas a demanda continua.”

A empresa já tem os terrenos onde pretende erguer esses projetos, em regiões como Diadema, ABC e zona leste da cidade de São Paulo.

O segmento de altíssimo padrão, considerado mais resiliente à crise, seria outra opção para manter os lançamentos, mas a companhia não possui terrenos nesse perfil, segundo o executivo.

O único lançamento da empresa nesse mercado será um empreendimento de apenas 12 unidades em Pinheiros, com apartamentos de até 600 metros quadrados.

A companhia pretende ainda retomar em 2016 os lançamentos no Jardim das Perdizes, projeto erguido numa área de 250 mil metros quadrados na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

A empresa prepara para oferecer ao mercado três torres residenciais: uma de alto padrão, outra com unidades compactas e um terceiro projeto para a terceira idade.

No ano passado, a Tecnisa fez apenas um lançamento, em Osasco (SP).

Apesar de se preparar para um ano mais agitado, Villas Bôas prevê lentidão na recuperação do mercado, que depende de melhoras nas condições de crédito, do emprego e na confiança do consumidor.

 

ENTREGA

Nesta terça-feira (12), a companhia entrega as três primeiras torres residenciais do Jardim das Perdizes, quatro meses antes do previsto, segundo a empresa. As unidades foram lançadas em abril de 2013.

Na quarta (13), serão entregues mais três prédios, também com quatro meses de antecedência, e em fevereiro será a vez de outros dois empreendimentos, com duas torres cada um.

“A entrega dessas unidades reduz em R$ 1 bilhão a dívida de financiamento de obras da empresa”, diz Villas Bôas. A dívida líquida da companhia, ao final do terceiro trimestre de 2015, era de R$ 1,9 bilhão.

De acordo com o executivo, a entrega antecipada teve a ajuda da desaceleração do mercado imobiliário. Com o aumento na oferta de serviços, a empresa também economizou R$ 70 milhões na construção das unidades que estão sendo entregues, o equivalente a 18% do custo total da obra.

Estão em construção, no mesmo local, uma torre de salas comerciais, um edifício corporativo, um pequeno shopping e mais um prédio residencial.

Segundo o executivo, 85% do que foi lançado no Jardim das Perdizes foi vendido e o percentual de devolução dos imóveis, os distratos, é um dos menores da história da empresa.

Considerando todos os projetos da Tecnisa, os distratos representam de 25% a 30% das vendas brutas, percentual abaixo da média do mercado. Segundo relatório da Fitch Ratings, com dados de nove empresas do setor, o percentual de distratos foi de 41% nos primeiros nove meses de 2015. A devolução de apartamentos comprados na planta, segundo a Fitch, foi equivalente a R$ 4,9 bilhões no período.

Para enfrentar esse problema, que para o executivo foi provocado pela queda na confiança e pelo aperto no crédito, a empresa procurou negociar com os compradores, possibilitando a troca de uma unidade por outra menor. “É melhor do que perder a venda”, diz.

Mercado Imobiliário 12/01/2016


Começam as entregas do Jardim das Perdizes

Fonte: Valor, 12 jan. 2015

 

A Tecnisa começa a entregar, nesta semana, as primeiras unidades do Jardim das Perdizes, bairro planejado desenvolvido na zona Oeste da cidade de São Paulo. O Valor Geral de Vendas (VGV) total dos dois projetos a serem entregues hoje e amanhã soma R$ 1,2 bilhão, dos quais 85% foram comercializados. Os empreendimentos Reserva Manacá e Bosque Jequitibá foram lançados, formalmente, em abril de 2013. A Tecnisa possui 57,5% da Windsor ­ sociedade detentora do Jardim das Perdizes ­ e a Hines, os demais 42,5%.

A entrega dos dois primeiros empreendimentos, com seis torres e 640 unidades no total, ocorre quase três meses antes da data prevista. Essa antecipação e a do cronograma das obras dos empreendimentos que devem ser entregues até o início de março ­ Recanto Jacarandá e Bosque Araucária ­ proporcionam à Tecnisa economia de quase 18% em relação aos orçamentos originais, de 2012 e 2013. O percentual corresponde a R$ 70 milhões de economia de custos.

A economia resulta, segundo o diretor técnico da companhia, Fabio Villas Bôas, de custos menores decorrentes do desaquecimento do mercado imobiliário, além de ganhos de produtividade. “A redução de prazos permite também diminuir custos indiretos, como os administrativos e despesas com água e energia”, diz o executivo.

O habite­se do Reserva Manacá e o do Bosque Jequitibá, inicialmente esperado para março, foi obtido em dezembro, com a antecipação da conclusão dos prédios. Isso possibilitou repassar os recebíveis dos clientes para os bancos em cerca de quatro meses antes do previsto. “Deixamos de perder R$ 6 milhões por mês com pagamento de juros em comparação a se o habite­se saísse em março”, diz o executivo. A geração de caixa projetada com a entrega dos dois empreendimentos é de R$ 707,3 milhões.

A Tecnisa não divulga o volume de distratos dos dois empreendimentos, mas diz que é o menor índice da sua história. A companhia espera conseguir o habite­se para o Recanto Jacarandá e Bosque Araucária até o fim do mês.

À medida que os empreendimentos são entregues e repassados, a dívida de produção da companhia diminui, o que resulta na redução do endividamento total. No fim de setembro, a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido da Tecnisa era de 111,5%, uma das maiores do setor. O patamar cairia para 50,8% se a redução da participação da companhia na Windsor tivesse ocorrido no terceiro trimestre.

A economia de custos de obras e a aceleração dos repasses contribuem também, positivamente, para a margem bruta do Jardim das Perdizes, assim como o fato de o terreno de 250 mil metros quadrados ter sido comprado há oito anos. Mesmo com descontos médios na venda de unidades prontas entre 10% e 12% em relação aos valores de tabela, há ganho real de 5% a 10%, conforme Villas Bôas.

Os primeiros empreendimentos do bairro de classe média ­alta foram comprados, principalmente, por moradores das regiões de Perdizes, Pacaembu e Higienópolis . Na época dos primeiros lançamentos, o preço médio das unidades era de 30% a 35% menor do que o de outros bairros próximos ao shopping Bourbon, segundo o diretor técnico da Tecnisa.

 

Juntos, os quatro primeiros empreendimentos respondem por dez das 28 torres do projeto. A empresa lançou outras três torres, que estão em construção ­ uma residencial, uma corporativa e uma de saletas ­ todas com previsão de entrega em 2017. O VGV das 13 torres já lançadas soma R$ 2,254 bilhões. Em 2016, a Tecnisa dará início às obras de um hotel ­ cuja bandeira já foi fechada, mas não é divulgada. Existem tratativas sobre a comercialização do hotel.

 

A Tecnisa prevê lançamento, neste ano, de torre com unidades compactas, de até 50 metros quadrados, no bairro planejado. Ainda em 2016, a incorporadora deve lançar empreendimento com torre residencial destinada à terceira idade (sênior living) e prédio residencial de alto padrão. O modelo de vendas da torre com facilidades para pessoas mais velhas está em discussão, com possibilidade de comercialização para algum fundo especializado.

 

Lançamentos dependerão das condições de mercado.

 

Toda a infraestrutura do Jardim das Perdizes está pronta. O bairro é aberto, sem postes, com baixa densidade de prédios e tem parque no centro que será cercado somente pelas torres residenciais.

Villas Bôas ressalta que “o foco da Tecnisa é mais amplo do que o Jardim das Perdizes”. A prioridade, neste ano, em relação a novos produtos, serão unidades com preço em torno de R$ 300 mil. Há três projetos em fase final de aprovação de licença junto aos órgãos reguladores. O primeiro lançamento pode ser feito após o Carnaval.

A companhia pretende ser uma empresa de R$ 1 bilhão por ano no próximo ciclo de lançamentos, conforme divulgado no início de dezembro. Na ocasião, o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Vasco Barcellos, informou que este tamanho não será alcançado em 2016.

 

Novos limites do programa Minha Casa, Minha Vida

Os novos limites de renda e do valor dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida já estão valendo. Agora, o preço da unidade subiu de R$ 190 mil para R$ 225 mil. Já a renda passou de R$ 5 mil para R$6.500 nas regiões metropolitanas do Rio,São Paulo e Distrito Federal.

Fonte: O Dia, 10 jan. 2016

 

Esses valores fazem parte da terceira fase do programa habitacional do governo e beneficiam as faixas dois e três, que usam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os juros variam de 5,5% a 8,16% ao ano mais TR (Taxa Referencial) e o prazo de pagamento pode chegar a 30 anos. Até novembro de 2015, o programa contratou mais de quatro milhões de unidades, beneficiando quase 10 milhões de pessoas. Já foram entregues 2,4 milhões de moradias em todo o país.

 

Vale lembrar que a Caixa informou recentemente que este ano iria priorizar o atendimento à habitação de interesse social, já com novos valores de renda e de avaliação do imóvel. A medida foi adotada porque o segmento representa mais de 90% do déficit habitacional no país e, também, em decorrência da escassez de recursos da caderneta de poupança.

 

“Avaliamos como positivas as novas regras da Caixa para o mercado da construção civil. A partir desta medida será possível impulsionar a venda de estoques de imóveis que não se enquadravam no teto do financiamento e viabilizar lançamentos, por conta da renda ter subido para R$6.500, além de beneficiar mais famílias”, diz Leonardo Mesquita, diretor de Incorporação da Cury Construtora.

 

Ele adianta que como anúncio das novas regras já está projetando para o este trimestre o lançamento do empreendimento Dez Zona Norte.

 

Opções no Rio e em Niterói

 

A MRV Engenharia oferece dois empreendimentos que já se enquadram nas novas regras do Minha Casa, Minha Vida. São apartamentos de dois quartos com opção de suíte em condomínio com lazer completo, nos bairros de Colégio e da Taquara.

E a construtora prevê mais lançamentos para o estado com este perfil. Já a Cury conta com três empreendimentos, dois na Zona Norte do Rio, com preços a partir de R$ 200 mil. São unidades com dois quartos, varanda e lazer. O terceiro empreendimento fica na cidade de Niterói, no bairro Barreto. Os apartamentos são vendidos a partir de R$ 222.300. A Celta Engenharia também tem opções no Rio Vida II e III, que estão localizados nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz.

 

Condições para se ter acesso ao programa

A principal condição para uma família adquirir um imóvel do programa habitacional do governo federal é estar enquadrada nas faixas de renda previstas para modalidade. Famílias com renda mensal de até R$ 1.800 serão selecionadas pelas prefeituras. Os interessados devem se cadastrar na sede administrativa do município. Nas outras duas faixas de renda (R$ 3.600 a R$ 6.500), a contratação é feita diretamente com a construtora, com financiamento pela Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil.

Mercado Imobiliário 11/01/2016


Bom Retiro recebe empreendimentos em áreas de antigos galpões industriais

Fonte: Folha, 10 jan. 2015

 

No ponto de táxi da rua Três Rios, no Bom Retiro, região central de São Paulo, há informações em hebraico, coreano e espanhol. Foram os imigrantes, desde judeus até bolivianos, que ajudaram a erguer ali um dos maiores centros da indústria de confecção paulistana. Agora, o bairro das fábricas e lojas de roupa entrou no radar do mercado imobiliário.

Os motivos são vários: a região possui uma ampla rede de transportes, comércio consolidado e muitos galpões desativados que têm cedido espaço a novos prédios.

Uma sondagem feita pela consultoria Geoimovel mostrou que sete novos empreendimentos devem ser erguidos por lá nos próximos anos. Os projetos, sem data certa, vão de torre residencial a hotel.

Segundo as incorporadoras, a verticalização será concentrada nas margens do Bom Retiro – entre o Brás, a marginal Tietê e a Barra Funda.

“A escassez de terreno no miolo do bairro e a concorrência do comércio fazem com que as novas construções se concentrem na fronteira”, diz Alexandre Frankel, CEO da construtora Vitacon.

Até 2019, a empresa vai desovar no bairro 420 unidades em duas torres. Os imóveis terão entre 14 e 33 m² e custarão a partir de R$ 89 mil.

As incorporadoras Kallas e Gamaro apostam na região da avenida Tiradentes. A primeira estuda instalar um empreendimento multiuso; a segunda, constrói um hotel de 180 apartamentos.

“É uma das únicas artérias da cidade que ainda concentra terrenos com preço em conta [entre R$ 4.000 e R$ 6.000 o m²]”, diz Vinícius Amato, da Gamaro.

Poucos empreendimentos foram lançados por lá na última década – 1.145 imóveis novos foram colocados à venda contra 2.992 na região da vizinha Barra Funda, de acordo com o Seade (órgão de pesquisa do governo paulista).

Apesar disso, a taxa de venda é alta. Dos 1.070 apartamentos de dois e três quartos lançados nos últimos cinco anos, restam apenas 15, segundo a Geoimovel.

“O Bom Retiro tem atraído pessoas que querem fugir do trânsito e morar mais próximas do trabalho”, afirma o demógrafo Valmir Aranha, pesquisador do Seade.

Tanto que, entre 2000 e 2010, o Bom Retiro foi segundo distrito da região que mais registrou crescimento populacional: 2,4% – só perdeu para o Cambuci, com 2,5%

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Quem anda pelo bairro à noite, como fez a reportagem na última terça-feira (5), encontra ruas vazias e cheias de lixo, especialmente as que concentram lojas de roupas, no entorno da José Paulino.

A sujeira é um problema para a costureira boliviana Marta, 52, que vive no local há 13 anos. “Esse lixo virou a marca do bairro”, diz.

Outra característica marcante do lugar são os contrastes: de um lado, estão os museus, como a Pinacoteca; de outro, a cracolândia.

O subprefeito da Sé, Alcides Amazonas (PC do B), responsável pela região, diz que a coleta de resíduos é feita diariamente no local e que aplicou 35 multas por descarte irregular de lixo entre julho e dezembro de 2015.

Quanto à cracolândia, Amazonas afirma que o problema já foi maior. “O local já abrigou 1.000 viciados em drogas. Hoje, não passa de 130”, diz ele, que contou o número de dependentes químicos na última quinta-feira (7).

Amazonas afirmou ainda que não tem, no momento, um projeto de reurbanização da cracolândia e que o futuro do lugar “será decidido junto com a sociedade”. Para ele, a revitalização da região central está acontecendo de forma gradativa. “Há muita coisa a se fazer”, diz.

 

Tendência de microapartamentos embala mercado de guarda-volumes

Fonte: Folha, 10 jan. 2015

 

A onda de microapartamentos nas metrópoles cresce lado a lado com outro tipo de mercado: o de “self storage” –empresas que oferecem o serviço de aluguel de boxes para guardar volumes.

Só na Grande São Paulo, o número de prédios com imóveis menores de 40 m² saltou de dez, em 2005, para cem, em 2014, segundo a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). Num intervalo de tempo bem menor, as unidades de empresas de guarda-volumes foram de 83, em 2013, para 146, em 2014 –um incremento de 75,9%, segundo a Asbrass (associação do setor).

“Os guarda-volumes são uma tendência das cidades modernas, que têm apartamentos cada vez menores com metro quadrado mais caro. A necessidade de espaço é uma constante”, afirma Paola Alambert, diretora de marketing da imobiliária Abyara Brasil Brokers.

No serviço de “self storage”, o cliente pode alugar boxes entre um e cem metros quadrados por, em média, R$ 70/m² por mês. Todo tipo de objeto pode ser armazenado e a empresa oferece segurança 24 horas (leia no quadro).

“Não há mais aquele quartinho da garagem ou de empregada para armazenar as coisas, por isso esse espaço a mais dos boxes virou necessidade”, diz Carlos Barcellos, diretor da Kipit.

Thiago Cordeiro, CEO e sócio da GoodStorage, aposta que o mercado vai crescer ainda mais em 2016. “Esse conceito já é muito difundido e utilizado nos mercados americano, europeu e asiático”, diz ele, que pretende abrir outras duas unidades neste ano (já são sete em dois anos de operação).

 

QUEM GUARDA

Os “self storages” servem tanto pessoas jurídicas quanto físicas. No caso destas, há dois perfis de usuários mais comuns: os de “life event”, quando algum acontecimento da vida, como um divórcio, exige mais espaço para armazenar objetos por tempo determinado; ou de mera necessidade de extensão domiciliar, sem prazo definido.

O empresário Fábio Scarela, 27, se encaixa no último grupo. Ele aluga seis boxes: um para armazenar selos e livros que coleciona, outros para guardar móveis e artigos para sua empresa, uma consultoria de geomarketing.

“Os boxes são uma extensão da minha casa”, diz.

Formada em editoração, Fernanda Rodrigues, 44, aluga um box para armazenar 12 caixas de livros.

“Recebo livros desde a época da faculdade. Com o tempo, minha biblioteca cresceu e não cabia mais em casa. Quando descobri os ‘self storages’, não pensei duas vezes”, conta ela, que, apesar de morar em um apartamento alugado de três quartos, não abre mão de seu armário.

“Enquanto não tiver meu imóvel próprio, essa é a melhor alternativa.”

 

COMO FUNCIONA O SERVIÇO DE GUARDA-VOLUMES

O que é ‘self storage’?

É a locação de unidades autônomas (boxes) para guardar qualquer tipo de bem, desde móveis até documentos.

Como funciona o serviço?

O box é alugado totalmente vazio, e o cliente fica responsável por guardar e organizar seus pertences. Somente o cliente tem acesso ao seu box, que fica trancado com seu cadeado ou senha pessoal.

Quanto custa?

Em média R$ 70 o metro quadrado.

Há boxes de todos os tamanhos?

Sim, pode ir de 1 m² a 100 m².

Por quanto tempo é possível alugar um box?

Não há tempo mínimo nem máximo, e o cliente pode retirar os objetos quando quiser, sem multa.

Quais garantias a empresa oferece?

Segurança 24 horas ao dia. Além disso, o contrato de locação inclui seguro contra extravio, roubo, incêndio e enchentes de acordo com o valor declarado pelo cliente.

Fonte: Asbrass (Associação Brasileira de Self Storage)

De cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos às construtoras em 2015

Levantamento da Fitch foi feito com nove companhias do setor entre janeiro e setembro de 2015; aumento dos ‘distratos’ significa que cerca de R$ 5 bilhões voltaram às prateleiras

Fonte: Estadão, 11 jan. 2015

Se o setor imobiliário tivesse de escolher uma palavra para se lembrar de 2015, ela certamente seria “distrato” – jargão usado pelas empresas, e agora também conhecido dos consumidores, para devolução de imóveis comprados na planta. Esse foi o pesadelo de incorporadoras e proprietários de imóveis novos no ano passado, quando o setor registrou recordes históricos no volume de devoluções. O levantamento recente da agência de classificação de riscos Fitch, com nove companhias, mostra que, de cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos de janeiro a setembro de 2015. Isso significa quase R$ 5 bilhões de volta às prateleiras das grandes empresas.

“Historicamente, o porcentual de distratos girava em torno de 10%, um patamar saudável para a indústria”, diz Meyer Nigri, fundador da Tecnisa e vice­presidente da Abrainc, associação que reúne as 18 maiores companhias do setor. Os distratos sempre existiram, mas eram exceção, pois o comprador que decidia se desfazer de uma unidade até a entrega das chaves em geral conseguia negociá­lo com outro interessado por um valor maior do que tinha desembolsado até ali.

Agora, vender “por fora” significa perder dinheiro, já que o preço do imóvel está em queda e as incorporadoras estão cheias de unidades para desovar. “Antes, o consumidor comprava um imóvel por R$ 100 mil na planta, vendia por R$ 150 mil e embolsava a diferença”, diz um executivo de uma grande construtora. “Agora, compra por R$ 100 mil, mas descobre, na entrega das chaves, que a incorporadora está vendendo por R$ 80 mil. É difícil sustentar o mercado assim.”

Essa é apenas uma das faces do problema. A outra, que também se agravou com a deterioração econômica, é a restrição ao crédito. Conseguir um financiamento no banco está cada vez mais difícil. No mercado imobiliário, esse é um momento crucial, porque a venda só se concretiza na entrega das chaves: é quando o cliente da incorporadora passa a ser cliente do banco, ao assumir um financiamento, e a empresa recebe o valor integral do imóvel. A alta da taxa de desemprego, para quase 8,5% no ano passado, atravancou esse processo.

Quem perdeu o emprego ou viu sua renda cair entre a compra do imóvel e a entrega das chaves tem grande chances de ter o financiamento negado pelo banco.

Antes que isso acontecesse, muita gente se antecipou. Foi o caso do aposentado Flávio Atorre de Mello, de 63 anos. Quatro meses depois de comprar um apartamento na planta, em novembro de 2012, ele foi demitido da emissora de TV onde trabalhava como gerente de  operações. De lá para cá, a Selic, taxa básica de juros da economia, passou de 7,25% para 14,25%. “Quando fechei o negócio, minha ideia era pagar o máximo possível até as chaves e depois quitar o restante com meu apartamento antigo”, conta. “Mas deu tudo errado: o valor que faltaria pagar na entrega, em julho deste ano, seria de R$ 700 mil, bem mais do que vale meu apartamento, que não se valorizou e custa hoje R$ 500 mil.”

Sabendo que o financiamento seria inevitável e que sua renda não passaria pelo crivo do banco, Mello decidiu, em julho passado,devolver o imóvel à incorporadora. Foi lhe apresentaram o jargão “distrato” e os transtornos que estão por trás dele. Descontadas as  taxas de corretagem, comercialização e despesas administrativas, a empresa propôs devolver R$ 40 mil dos R$ 200 mil que Mello pagou nos últimos três anos. O caso foi parar na Justiça. Hoje, Mello vende peças de motos pela internet para conseguir uma renda extra, e já convenceu a mulher de que a mudança de apartamento não virá tão cedo. “Difícil é passar todos os dias na frente do prédio, que fica a 500 metros de onde moro hoje, e lembrar que nada do que sonhamos vai se concretizar.”

Disputa. Casos como esse se multiplicaram no escritório do advogado Marcelo Tapai, que se especializou no segmento imobiliário. No ano passado, das 725 ações movidas por ele, 73% eram referentes a distratos. Em 2014, o porcentual foi de 43%. O embate entre clientes e incorporadoras está sendo levado à esfera judicial porque não há uma regulamentação específica sobre a devolução de imóveis no Brasil. De um lado, as empresas se valem do que diz a Lei de Incorporação: “O contrato de compra e venda de uma unidade é irrevogável e irretratável”. Do outro, quem defende o direito ao distrato recorre a uma regra geral do Código de Defesa do Consumidor, que trata como abusivas as cláusulas que colocam o cliente em desvantagem exagerada. “Essa é sem dúvida a hipótese em questão”, diz o Idec, em nota. “Já que o fornecedor, além de ficar com o imóvel, ainda terá em mãos todo o valor pago pelo consumidor, essa situação caracteriza­se um verdadeiro enriquecimento sem causa, proibido pela legislação.”

As decisões, em geral, favorecem o consumidor. A Justiça tem concedido o direito de restituição entre 70% a 90% do que foi pago, com correção monetária. A retenção de 10% a 30% do valor pela companhia é para compensar despesas como publicidade, corretagem e elaboração de contratos. “Ninguém compra um imóvel pensando em devolver”, diz Tapai. “Quem busca essa opção ou está desesperado ou se deu conta de que fez um péssimo negócio.”

As incorporadoras estão em pânico. Principalmente porque as sucessivas perdas nos tribunais coincidem com uma das crises mais graves do setor. Segundo Meyer Nigri, a Tecnisa terminou o ano com uma média de dez devoluções por dia útil. “Chegamos ao ponto de distratar o mesmo imóvel nove vezes, o que é uma aberração.” A empresa teve de destacar uma equipe só para cuidar desses casos. Ainda assim, o número de distratos aumentou 46% no terceiro trimestre do ano passado, na comparação com 2014. As desistências fizeram as vendas líquidas caírem de R$ 306 milhões para R$ 135 milhões no período.

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Na Rossi, o tema é tão sensível que o time criado para combater os distratos foi batizado de Swat, como a divisão de elite da políciaamericana. Em 2015, até setembro, a incorporadora, que é uma das mais endividadas do setor, conseguiu reduzir os distratos para R$  775 milhões, de R$ 990 milhões, em 2014.

Assim como as concorrentes, a Rossi tem se desdobrado para evitar os distratos. Entre as alternativas, as empresas estão oferecendo financiamento direto, troca por um imóvel mais barato e descontos. “Antes, o tema era tratado como exceção. Criamos uma área específica para que não vire regra”, diz Fernando de Mattos Cunha, diretor financeiro da Rossi.

Em paralelo às soluções caseiras, o setor começou a se articular para definir regras que não afetem suas finanças. “Estamos em contato com o Ministério Público e com órgãos de defesa do consumidor para encontrar uma solução”, diz Nigri. O argumento das empresas é de que, ao devolver uma unidade, o consumidor coloca em risco a conclusão do empreendimento, podendo prejudicar outros compradores. “Não é só a visão do consumidor que está em jogo, mas o contrato de um bem que não está dissociado do resto e compromete outras famílias”, defende Eduardo Fischer, diretor da MRV.

Com as empresas segurando os lançamentos, a tendência é que o número de entregas e, consequentemente, de distratos, caia nos próximos anos. Em 2016, no entanto, vai persistir. O relatório da Fitch estima que, se 35% das unidades vendidas forem canceladas, os distratos chegariam a R$ 6 bilhões entre as principais empresas do setor.

Expectativa. A dificuldade dos consumidores de pagar o imóvel novo também mudou a rotina de antigas conhecidas do mercado imobiliário: as empresas de leilão. Nos últimos dois anos, elas viram o número de unidades retomadas por bancos mais que dobrar, embora as vendas tenham permanecido no mesmo patamar. Pelo menos, por enquanto. Isso porque as instituições financeiras tomaram mais imóveis de clientes inadimplentes, mas ainda estão tentando recuperar a totalidade da dívida. A expectativa dos leiloeiros e dos investidores é que até o fim deste semestre, as instituições financeiras comecem a revisar para baixo os preços mínimos pedidos nos leilões.

Em 2015, a Zukerman, com sede em São Paulo e atuação no País inteiro, colocou 4,4 mil imóveis em leilões extrajudiciais – denominados assim porque são tomados pelo banco depois de um período de atraso no pagamento, sem passar pela Justiça, um detalhe que também torna o negócio mais arriscado. Em 2014, eram 3,8 mil e, em 2013, 1,8 mil. Embora a oferta tenha disparado, o volume de negócios fechados manteve­se estável: entre 930 e 950 nos últimos dois anos. “Como há muita promoção de imóveis novos, o preço do leilão ainda não está atrativo. A tendência é que os bancos comecem a ceder”, diz o leiloeiro Mauro Zukerman.

Ainda assim, os leilões têm chamado a atenção de investidores dispostos a tomar risco e conhecedores dos meandros jurídicos desse negócio. Em 2015, o advogado catarinense Jefferson Santana pagou R$ 112 mil à vista por um imóvel que valia R$ 180 mil e ainda estava ocupado. “É preciso estudar muito a oportunidade para não perder dinheiro”, diz. “Se der certo, pretendo comprar um por ano.”

Na busca pela casa própria, consumidor terá clima de ‘saldão’ e crédito restrito

Preço dos imóveis já apresenta queda em algumas cidades, mas bancos agora exigem entrada maior e juros mais altos para liberar financiamento

 

Fonte: Estadão, 11 jan. 2015

 

O mercado imobiliário fincou o pé num ciclo de baixa. O cenário de queda nas vendas, nos lançamentos e na concessão de crédito abriu espaço para a negociação na compra da casa própria, apesar das restrições impostas pelos bancos nos financiamentos. Para 2016, especialistas ainda recomendam a procura por barganhas, mas é preciso pesar as escolhas diante da incerteza da economia e da política. “A incerteza é elevadíssima e impõe desafios adicionais sobre a escolha de se endividar por 20 ou 30 anos”, diz Luiz Calado, economista e autor do livro Imóveis ­ seu guia para fazer da compra e venda um grande negócio.

 

Na cidade de São Paulo, o principal mercado imobiliário do País, o setor sofreu um forte baque. As estatísticas finais sobre 2015, que ainda serão divulgadas, devem mostrar queda de 20% nas vendas de imóveis novos e recuo de quase 40% nos lançamentos, segundo o Secovi­SP.

 

Em algumas localidades, essa paralisia nos negócios já se reflete nos preços. Em Niterói (­3,0%), Brasília (­1,5%), Rio de Janeiro (­1,4%) e Curitiba (­0,2%) ficou mais barato comprar um imóvel em 2015, segundo o Índice FipeZap, que coleta preços de imóveis anunciados na internet.

 

Já na média das 20 cidades pesquisadas pelo indicador, o metro quadrado subiu 1,32% no ano passado. Para 2016, porém, a projeção é de queda – a primeira desde a criação do indicador, em 2008. A previsão mais atualizada aponta para um recuo de até 6% no valor dos imóveis. “Estamos voltando para níveis de 2011 ou 2010”, destaca Eduardo Zylberstajn, pesquisador e coordenador da pesquisa.

 

Outro levantamento feito pela Fipe e pelo Zap mostra que os descontos médios passaram de 6,8%, no início de 2015, para 8,1% no terceiro trimestre. Na mesma comparação, cada vez menos transações são realizadas sem nenhum tipo de decréscimo no preço de oferta: o porcentual era de quase 30% no início do ano e chegou 23,1%.

 

Usados. Para Lúcio Delfino, presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), outra opção é escolher uma unidade usada. “A restrição e o encarecimento do crédito imobiliário têm influenciado muito a liquidez desses imóveis e facilitado a vida do comprador”, diz.

 

O presidente do Secovi­SP, o sindicato da habitação, Cláudio Bernardes, acredita que essa janela de oportunidade dura até, pelo menos, 2017. “Após o fim da crise, o mercado estará com baixo estoque e com a produção paralisada. Logo, pode haver um aumento de preço, assim como ocorreu nos Estados Unidos na retomada da crise imobiliária”, afirma.

 

O preço dos aluguéis também está em baixa e, num cenário de juro alto, pode ser uma boa aposta a optar pela locação e aplicar na renda fixa. No futuro, os ganhos da aplicação podem ser revertidos para o valor de entrada do imóvel.

 

Apesar das barganhas, conseguir financiamento bancário não será das tarefas mais simples. De acordo com dados da Abecip, entidade que reúne os bancos que captam recursos da poupança para aquisição e construção de imóveis, a liberação de recursos somou R$ 70,8 bilhões em 2015 até novembro e deve cair para a faixa de R$ 60 bilhões neste ano.

 

Gilberto Duarte de Abreu Filho, recém­empossado presidente da Abecip, diz que a forte retirada de recursos da poupança deixou claro que o setor não pode apostar só na caderneta para financiar o crédito.

 

Para ele, o financiamento habitacional deve passar de um cenário baseado em taxas reguladas e crédito direcionado para um leque mais amplo de captação. Entre as opções, ele cita o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e a Letra Imobiliária Garantida (LIG) – essa última já está regulamentada, mas não estreou no mercado.

Consórcio. Quem ganhou espaço em 2015 foi o consórcio de imóveis. As vendas de novas cotas para compra da casa própria cresceram 45,6%, enquanto o crédito da modalidade somou quase R$ 6 bilhões (alta de 8%).

 

“Com as altas taxas de juros e orçamento mais restrito, o consumidor passou a olhar para o consórcio como uma maneira de planejamento”, diz Paulo Rossi, presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac).