Mercado Imobiliário 15/03/2016


Setor imobiliário intensifica ritmo de promoções antes de final do trimestre

Fonte: DCI, 14 mar. 2016

 

O setor imobiliário intensificou ações promocionais no final do primeiro trimestre e enxerga uma melhora da confiança do mercado após as medidas anunciadas pela Caixa Econômica Federal na semana passada para melhorar a oferta de crédito.

 

Para o copresidente da construtora Even, Dany Muszkat, a notícia dos incentivos da Caixa pode ajudar o setor a recuperar liquidez. “Na cadeia de vendas do setor imobiliário, quanto tem alguém comprando um imóvel novo, tem alguém vendendo um usado”, disse, comentando sobre as iniciativas para estimular o crédito imobiliário. A Caixa anunciou a ampliação da cota de financiamento para imóveis usados da faixa de 40% a 60% para até 80%, com o percentual máximo disponível apenas para funcionários públicos.

 

O anúncio veio depois que o Conselho Curador do FGTS aprovou no final de fevereiro suplementação de R$ 21,7 bilhões para o orçamento de 2016 para reforçar operações de crédito imobiliário. As novas medidas vieram no momento em que as construtoras e imobiliárias realizam feirões e promoções para incentivar as vendas no final do primeiro trimestre.

 

Entre elas, a Even realiza em São Paulo ação em 20 de março que vai oferecer até 50% de desconto em mais de 70 empreendimentos na capital paulista. O estoque pronto da companhia é de R$ 400 milhões – 60% disso na cidade. “O que a gente tem percebido ao longo de janeiro e fevereiro é que o comprador de imóvel voltou. Ele entendeu que os preços chegaram num patamar interessante em unidades de produtos bem localizado.”

 

Para a diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle, as novas medidas deverão impulsionar as vendas e aliviar os estoques das empresas. “50% do nosso estoque é de empreendimentos que estão prontos ou serão entregues em junho”, afirma.

 

O mercado, para ela, pode incentivar outros bancos a tomarem medidas similares e o anúncio do estímulo ao crédito veio em bom momento. A empresa tinha previsto realizar um feirão de vendas em São Paulo no sábado (12) e ofertar 800 imóveis prontos e 500 na planta, sendo estes com valor até 38% menor, conforme a empresa. A expectativa para 2016 é de fechar o ano com resultado superior a 2015.

 

A construtora MRV, em que 90% dos empreendimentos são enquadrados no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, também viu com otimismo as medidas da Caixa para tentar destravar o setor, disse Rodrigo Rezende, diretor de vendas da construtora e incorporadora. Neste mês, a MRV está realizando feirões em diversas cidades do Brasil, ofertando 30 mil unidades. “Os descontos de imóveis populares podem chegar até a R$ 15 mil, mais ou menos 10% do valor”, disse.

Patamar – No Brasil, o setor imobiliário encerrou 2015 com estoque de 109,4 mil imóveis residenciais, pouco abaixo das 110,6 mil de um ano antes, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Mobiliárias (Abrainc). Este patamar precisaria de 14 de meses de vendas para ser zerado.

 

Com crédito mais restrito e vendas em declínio, os lançamentos de imóveis no País despencaram desde 2015. O foco das principais construtoras e incorporadoras do País tem sido a redução de estoques, com ações promocionais e liquidações agressivas frequentes. Segundo o executivo-chefe de operações do portal imobiliário VivaReal, Lucas Vargas, atualmente os maiores descontos acontecem em imóveis específicos, como alguns encalhados em determinados empreendimentos, como é o caso de coberturas ou apartamentos térreos.

 

Na visão de Vargas, ao longo de 2016 pode ser esperada uma oferta de mais unidades nestas promoções. Porém, para o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Eduardo Zylberstajn, o aumento do crédito sem retomada da confiança do consumidor e melhora do desemprego não resolve todos os problemas do setor.

 

Oferta e demanda – “É uma questão muito mais do lado da demanda do que da oferta. Esta [medidas da Caixa] não é a bala de prata que vai fazer o setor voltar a brilhar”, declarou Vargas. Para ele, mudanças muito bruscas nas regras do setor trazem insegurança. A Caixa havia reduzido o percentual de financiamento de imóveis usados há menos de um ano, em meio a um aumento de rigor na concessão de empréstimos.

 

Atualmente, a plataforma VivaReal tem 4 milhões de anúncios de imóveis e em torno de 95% são usados. Conforme Vargas, no Brasil a maioria dos consumidores procura imóveis de 51 a 100m² (49%), com 2 dormitórios (46%) e estão dispostos a pagar de R$ 171 mil a R$ 350 mil, como ressalta o especialista no mercado.

 

Demanda limita o crédito imobiliário

Fonte: O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 12 mar. 2016

 

Como parte das medidas de estímulo ao crédito que o governo vem tomando para tentar reanimar a economia, a Caixa Econômica Federal (CEF) elevou de 60% para 70% a parcela máxima de financiamento para a compra de imóveis usados, financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), bem como reabriu a possibilidade de empréstimo para a aquisição do segundo imóvel. Embora a decisão possa abrir espaço para mais negócios, o setor imobiliário, que amarga uma séria crise, a considera apenas um paliativo, prevendo um efeito limitado no mercado, pelo menos no futuro previsível.

 

A medida é uma reversão das normas contracionistas adotadas pela CEF e outros bancos públicos há cerca de um ano, de acordo com a política fiscal então adotada. O objetivo do governo agora é claramente o de ativar a economia, mas, dada a demanda muito fraca, não se acredita que seja viável o aumento de 13% do volume de contratações de empréstimos imobiliários neste ano previsto pela presidente da CEF, Miriam Belchior.

 

Num ambiente de desemprego em alta e redução da massa salarial, falta confiança para a tomada de crédito, tanto mais para um investimento de vulto, como a compra de imóvel, usado ou novo, até o valor de R$ 750 mil. Acima desse valor, o financiamento deve corresponder a 60% do valor do imóvel para os trabalhadores do setor privado (as porcentagens de empréstimo são mais elevadas para funcionários públicos).

 

Acresce que as famílias de baixa ou média renda, que poderiam beneficiar-se, estão altamente endividadas, cabendo notar que quanto maior for a parcela financiada, maior a prestação a pagar e, portanto, o risco de inadimplência. Pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) constatou que o número de consumidores brasileiros com compromissos em atraso, incluindo pagamento por serviços básicos, como água e energia, atingiu a marca de 58 milhões em fevereiro de 2016, o que representa 39,21% da população acima de 18 anos.

 

Em comparação com o mesmo mês de 2015, houve um aumento de 3,4 milhões no número de inadimplentes, apesar dos controles mais rígidos adotados por bancos e pelo varejo para vendas a crédito.

 

Este é um fator crucial, uma vez que, para a concessão de crédito imobiliário, o interessado deve comprovar que está com a ficha limpa.

 

Construtoras reclamam de reserva de mercado a grandes em edital do Metrô

Fonte: Valor, 15 mar. 2016

 

Construtoras de porte médio interessadas em disputar obras de vulto se queixam do que classificam de barreiras de entrada no edital de licitação para conclusão da segunda fase da Linha 4­Amarela, do Metrô de São Paulo. A Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) pediu ­ sem sucesso ­ que o Metrô suspenda a licitação. A licitação foi lançada em novembro e o recebimento das propostas está marcado para quinta­feira.

 

Pelo edital, a licitante tem de comprovar volume médio anual de construção no patamar de R$ 760 milhões. É permitida a participação em consórcio, mas o edital estipula que a empresa líder tenha sozinha 70% do volume médio nos últimos cinco anos e que as demais atendam, também isoladamente, a pelo menos 30% do mesmo volume. Menos de 3% dos 110 associados da Apeop se enquadram nesta regra.

 

No ofício encaminhado ao Metrô em que pede a suspensão da licitação e a revisão das regras, a Apeop diz que, de tal forma, “as médias empresas estão impossibilitadas de participar da licitação mesmo em consórcio com grandes empresas”.

 

Argumenta ainda que “recentes denúncias e investigações vêm revelando que licitações reservadas a pequenos grupos de empresas criam condições propícias a desvios em contratações públicas”, numa referência à Lava­Jato, que tirou do mercado, ao menos temporariamente, algumas das grandes construtoras, que agora sofrem problemas como escassez de crédito ou pediram recuperação judicial.

 

Segundo a associação, o Metrô foi questionado e disse que as exigências foram determinadas pelo Banco Mundial (Bird), o financiador da obra. Ao Valor, o Banco Mundial confirmou que o volume médio anual de R$ 760 milhões foi exigência do edital padrão da instituição, que determina o valor de acordo com “as especificidades e a realidade de cada país”. Mas o Bird informou que os critérios em caso de consórcio, de que o líder tem de ter 70% desse valor e os demais, cada qual, o equivalente a 30%, foram definidos pelo Metrô.

 

Procurado, a estatal disse apenas que o edital foi elaborado “em consenso entre o Metrô e o Bird”.

 

A Apeop classifica como médias empresas aquelas com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões, o equivalente a cerca de 30% do universo de seus associados. “Elas têm capacidade técnica e gerencial, mas faltam oportunidades. Os governantes dizem que querem mais empresas participando, mas quando soltam editais colocam exigências que só as grandes atendem”, disse ao Valor o presidente da Apeop, Luciano Amadio Filho, para quem é preciso abrir caminho para a atuação de empresas de porte médio no momento em que o modelo de obra pública no país “está sendo repensado”, disse.

 

Também no âmbito das concessões de infraestrutura o setor critica o governo federal. Segundo o presidente da Comissão de Obras Públicas (COP), Carlos Eduardo Lima Jorge, o governo, via ministérios da Fazenda e dos Transportes, não tem ouvido as empresas médias nas discussões para refinar os editais que serão lançados,

sobretudo os das concessões rodoviárias. “O governo continua a ouvir apenas as grandes empresas e os investidores estrangeiros”, diz.

 

O Ministério dos Transportes afirmou que recebe todas as entidades de classe e empresas que o procuram, independentemente do porte. Questionada sobre com quais empresas ou entidades de classe tem mantido conversas para refinar os editais das próximas concessões, a pasta disse apenas que “tem mantido conversas com todas as empresas que se apresentam interessadas no processo”. Também o Ministério da Fazenda limitou­se a afirmar que “sempre recebe todos os interessados em investir nos projetos de infraestrutura no país, desde instituições financeiras, entidades de classe e empresas de todos os portes”.

 

Ramo imobiliário de self storage em foco

 

Fonte: O Estado de S. Paulo, Radar Imobiliário, 13 mar. 2016

 

Diante do desaquecimento nas vendas e lançamentos de imóveis residenciais e comerciais, muitos investidores estão atentos à atividade de self storage. Caracterizada pela locação de espaços para que terceiros armazenem pertences em boxes, o negócio é regulamentado como imobiliário e se enquadra na subclasse de aluguel de imóveis próprios.

 

De acordo com o diretor de Self Storage do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e presidente da Associação Brasileira de Self Storage (Asbrass), Flavio Del Soldato, a função do self storage é oferecer uma área complementar para se guardar qualquer tipo de bem. Segundo ele, com a diminuição na metragem dos apartamentos, a atividade passa a ser uma solução para os grandes centros.

 

No entanto, Soldato adverte que embora fundos de investimento estejam apostando no potencial do setor e na expansão de novos empreendimentos, a oferta está em desequilíbrio em relação à procura. “A demanda efetiva ainda é muito baixa e as margens estão cada vez menores”, afirma.

 

Para ele, em função do desconhecimento, boa parte do público ainda não tem ideia das vantagens e de como pode utilizar o self storage. O tamanho dos boxes oferecidos varia de 1 metro quadrado a 100 m², com aluguel por períodos variáveis e sem custo fixo com contas de consumo, por exemplo.

 

Contudo, antes de investir no setor, Soldato orienta a conhecer o mercado, que “não é apenas transformar um galpão velho em um self storage”. Ele diz que, assim como no mercado imobiliário em geral residenciais e comerciais , até 2013 as empresas cresciam e esse era um mercado sólido, mas hoje faltam recursos inclusive para quem quer usar o serviço.

 

“Quem quiser investir no setor precisa conhecer a realidade do negócio e observar o nicho. Assim como todo o mercado imobiliário, o retorno é de longo prazo. Por isso, analise o potencial do negócio e avalie a localização, o potencial demográfico e a visibilidade do ponto. O setor tem espaço para crescimento, mas o momento de investir não é agora”, defende.

 

Pesquisa – Dados do primeiro trimestre deste ano da assessoria imobiliária Engebanc mostram que no Brasil existem mais de 100 empresas que exploram o serviço em 20 cidades de 5 Estados e somam 170 mil metros quadrados de área.

 

O estudo também mostra que em 2012 eram 60 unidades de self storage, número que aumentou para 83 em 2013, 146 no ano de 2014 e 154 unidades em 2015.

Para o consultor de serviços industriais e logísticos da Engebanc, Rogério Luz, trata-se de uma atividade em crescimento. “A zona sul e a Vila Leopoldina, na zona oeste da capital, são áreas com alto potencial para o mercado de self storage.”

Segundo o estudo da Engebanc, o preço médio de locação no para os menores boxes é de R$ 97,40 e o valor do metro quadrado para os maiores é de R$ 63,40 o m².

“A pesquisa foi feita com uma amostra de 70% das unidades no País e analisamos o tamanho dos boxes, a estrutura e o preço”, diz o gerente sênior de pesquisa e inteligência de mercado da Engebanc, Leandro Angelino, referindo-se ao levantamento a respeito de metragens e valores de aluguel dos boxes.

Na cidade de São Paulo, o preço médio é 10% superior ao da média nacional e 85% dos usuários são pessoas físicas. Para a Engebanc, o uso é consequência da “falta de estoque logístico urbano adequado”, de questões de sazonalidade e de transporte deficiente.

 

Extra – O gestor da Marelli Móveis, empresa de mobiliário corporativo, Tadeu Fagundes, conta que encontrou no self storage o espaço extra que precisava para armazenar móveis prontos para a entrega. “Tínhamos um contrato de aluguel comercial e chegamos a pagar por meses sem usar. Hoje, temos um espaço (60m²) que atende nossas necessidades”, diz.

Segundo Fagundes, o imóvel alugado anteriormente ficava parte do tempo ócioso e em outras ocasiões não era suficiente parar guardar o mobiliário. Por isso, houve a opção pelos boxes.

Antes de se decidir pelo serviço, a empresa avaliou os custos. “Conseguimos flexibilidade, segurança, atendimento melhor para o cliente, sem a prisão de um longo contrato de locação.”

 

Investidor do mercado imobiliário, o presidente da GoodStorage, Thiago Cordeiro, decidiu investir no setor há dois anos.

 

Hoje, a empresa tem sete unidades em operação e deve inaugurar mais duas até o final do ano. Com 60% de ocupação, Cordeiro conta que apostou em um nicho. “Tenho conhecimento de que este é um investimento de longo prazo.”

 

Compactos – Cordeiro acredita que o aumento do número de apartamentos compactos é um fator que contribuiu para o avanço do self storage. “As pessoas usam os boxes como uma extensão da própria casa, moram um apartamentos pequenos e alugam um espaço para guardar objetos.”

 

Para o cliente, ele destaca a vantagem de ter contrato por diferentes períodos (o mínimo é de um mês) e sem custos com eletricidade, condomínio etc. Na GoodStorage, o tamanho dos boxes varia de 1m² até 100m² – 20 tipologias diferentes. O preço do metro quadrado custa a partir de R$ 70.

 

“É uma solução complementar para as casas. Estamos desenvolvendo unidades cada vez mais dentro dos bairros. A localização é muito importante para o setor”, diz Cordeiro, que administra 30 mil m² de área e tem projetos de atingir 100 mil m² até 2018.

‘Meu material ocupava muito espaço e decidi alugar um box’

 

Coordenadora na empresa de cosméticos Natura, Andrea Ferreira Mantuano Lombardi possui, há dois meses, um box alugado em uma empresa de self storage em Guarulhos. Ela utiliza o espaço para acomodar mercadorias que usa para realizar treinamentos. “Eu tenho uma equipe de consultoras e promovo treinamentos e reuniões mensais. Por isso, preciso de uma quantidade grande de produtos e de outros materiais para o meu trabalho”, diz.

 

“Eu mantinha todo o estoque de produtos e os materiais de palestras e cursos para vendedoras em casa, mas esse material estava ocupando muito espaço e eu decidi alugar um box.”

 

Andrea conta que não conhecia a atividade de self storage. Mas e ao passar em frente a um prédio que oferecia o serviço, anotou o telefone de contato e decidiu ligar para obter informações. “Gostei e aluguei o box”, conta. Segundo ela, o espaço é organizado, seguro, com estacionamento e senha de acesso.

 

Com 80 mil metros quadrados de área, a empresa de self storage GuardeAqui tem 14 unidades próprias – e uma 15ª deve entrar em operação em breve –, em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e boxes de um metro quadrado até 50 metros quadrados, ao custo aproximadamente R$ 75,00 o m².

 

Crescimento – De acordo com o CEO da GuardeAqui, Allan Paiotti, a organização cresceu cerca de 400% em área locável somente no período de janeiro a março deste ano.

 

“Em 2008 também sofremos com o mercado. Estávamos em um momento de consolidação, conquistando público, atraindo clientes, parou o processo de expansão e buscamos potenciais sócios. Em 2011, houve a aquisição da Equity Internacional e o plano de estruturação da aconteceu em 2012 e 2013”, diz.

 

Paiotti conta que o GuardeAqui tem um programa de crescimento acelerado: até oito unidades novas por ano, com foco nas regiões Sul e Sudeste.

 

“Pretendemos comunicar e explicar que oferecemos locação e estar nos grandes centros de consumo”, afirma.

 

Mesmo diante das perspectivas negativas para o mercado imobiliário, Paiotti diz que a GuardeAqui continuará crescendo e os planos de expansão estão mantidos.

 

Oportunidade – “Estamos animados. Temos unidades espalhadas pelo País, mais de 80 mil m² de espaço para locação, alto índice de penetração nas regiões e de área locável por habitante”, diz. “Em um cenário de empresas fechando e pessoas mudando de residência ou indo morar fora do País, aumenta a oportunidade da atividade de self storage”, alega o CEO da GuardeAqui.

 

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Mercado Imobiliário 09/03/2016


Cyrela fecha parceria para incentivar locação de imóveis para investidores

Fonte: Valor, 09 mar. 2016

 

A Cyrela fechou parceria com a start­up de internet QuintoAndar para incentivar a locação de imóveis pelos clientes da incorporadora que compraram ou vão adquirir imóveis residenciais ou comerciais para investimento. A iniciativa pode contribuir para elevar as vendas de imóveis da companhia, segundo o diretor de incorporação da Cyrela São Paulo, Eduardo Leite. A parceria começa, oficialmente, hoje.

 

Na prática, a Cyrela vai recomendar o site aos compradores de suas unidades, possibilitando acesso do QuintoAndar a mais clientes. “As incorporadoras não se envolvem, normalmente, além de sua área de atuação. Mesmo as empresas tradicionais precisam se modernizar”, afirma o diretor­executivo do QuintoAndar, Gabriel Braga.

 

Segundo Braga, o QuintoAndar fará a gestão do processo de locação por meio da cobrança do primeiro aluguel e de 8% dos seguintes como taxa de administração dos proprietários e se responsabilizará pelo pagamento do seguro­fiança. O potencial locatário agenda a visita pelo site em algum dos horários pré­definidos, é acompanhado por um corretor, no local, e faz a proposta, diretamente, ao proprietário.

 

A Cyrela já oferecia a investidores área de revenda de imóveis adquiridos, segundo o diretor de incorporadora.Leite diz que a parceria com o QuintoAndar não é uma tentativa de evitar distratos por uma parcela dos investidores que cancelam a aquisição do imóvel no momento da entrega do empreendimento.

 

“Desde 2010, nos preocupamos com o motivo pelo qual o cliente comprou o imóvel e buscamos apoiá­lo em todas as fases”, afirma Leite.

 

A parceria começa pela capital paulista e por Campinas (SP) e não há exclusividade por parte do QuintoAndar nem da Cyrela.

 

A start­up de internet tem conversado com outras incorporadoras e projeta elevar o número total de contratos fechados por mês em 20 vezes neste ano na comparação com 2014. Em fevereiro, houve expansão de 50%.

 

Aposta no Minha Casa ‘blinda’ MRV de crise do setor imobiliário

 

Empresa liderou lançamentos e vendas de imóveis em 2015; no quarto trimestre, teve lucro de R$ 140 mi

 

Fonte: Estadão, 09 mar. 2016

 

Blindada pelo programa Minha Casa Minha Vida, a construtora MRV é uma das poucas incorporadoras que conseguiram se blindar da crise que afeta o mercado imobiliário. A empresa anunciou, na noite de segunda­feira, os resultados financeiros relativos ao quarto trimestre de 2015. A empresa teve lucro líquido de R$ 140 milhões, montante 36% superior em relação ao mesmo período de 2015.

 

Com base nos dados já divulgados pelas concorrentes, que publicam prévias operacionais com valores de lançamentos e vendas, a MRV também foi a companhia que mais vendeu e lançou imóveis em 2015. Foram mais de 38 mil unidades comercializadas e mais de 33 mil imóveis lançados.

 

Segundo o analista de mercado do JP Morgan, Marcelo Motta, a explicação para o resultado da empresa se justifica por seu posicionamento de mercado. “A MRV atua dentro da terceira faixa do Minha Casa Minha Vida, que é o segmento ‘premium’ do programa e que conta com recursos do FGTS. Por isso, não foi tão afetado pela crise”, explica Motta. “Se você pegar a Eztec, que é uma empresa sempre com bons fundamentos e também deve reportar lucro, ela deverá sofrer mais com a crise do que a MRV. Isso porque a

classe média está com maior dificuldade de obtenção de crédito”, destaca.

 

Terrenos. Outro indicador bem avaliado pelo mercado é o posicionamento agressivo da MRV em relação à compra de terrenos, dado que indica o apetite da incorporadora para crescer.

 

Em 2015, a MRV desembolsou R$ 280 milhões de caixa na aquisição de terrenos, número que deve chegar a R$ 300 milhões em 2016, segundo o diretor­presidente da MRV Rafael Menin, em teleconferência com investidores ontem.

 

No quarto trimestre do ano passado, o banco de terrenos da empresa cresceu 25,9% ante igual período do ano anterior, alcançando R$ 33,3 bilhões.

Governo volta a usar crédito de bancos públicos para tentar reanimar economia

 

Após o BNDES anunciar a redução das taxas dos financiamentos para obras de infraestrutura, foi a vez de a Caixa elevar os limites para a aquisição da casa própria

 

Fonte: Estadão, 09 mar. 2016

 

O governo deu início a uma nova ofensiva para tentar reanimar a economia com o uso de crédito dos bancos públicos. Nesta terça­feira, 8, a Caixa anunciou que o limite para financiamento de imóveis usados passará de 50% para 70%, e que vai voltar a dar crédito para quem quiser comprar um segundo imóvel. Na segunda­feira, o BNDES já havia anunciado a redução das taxas para obras de infraestrutura. Além disso, devem ser aprovadas hoje novas regras para o microcrédito.

 

O aumento do crédito é há tempos uma demanda do Partido dos Trabalhadores, que acredita ser essa uma forma de criar uma “agenda positiva” e fazer a economia avançar. No caso do BNDES, segundo o secretário executivo do Ministério da Fazenda, “as medidas se justificam para dar mais dinamismo aos investimentos do País”. Na casa própria, o argumento é o mesmo: a presidente da Caixa, Miriam Belchior, estima que este ano serão financiadas 64 mil unidades habitacionais a mais que no ano passado.

 

Mas há sérias dúvidas entre os analistas se essas medidas vão realmente surtir algum efeito. “As medidas são bastante limitadas. Aincerteza elevada na economia e na política reduz muito a eficácia de qualquer política pública. Quem vai investir se não sabe para onde  vai o câmbio, os juros? Quem vai comprar casa se há maior medo de perder o emprego?”, afirma Zeina Latif, economista­chefe da XP Investimentos.

 

Mas, a despeito dessas avaliações, as iniciativas devem prosseguir e outras medidas do tipo estão no forno. A negociação com governadores para alongar o prazo de pagamento das dívidas, se concretizada, vai abrir espaço para que eles voltem a tomar  empréstimos voltados ao investimento.

 

Também nesta terça, ao receber integrantes da bancada do PT na Câmara, que pressionaram por medidas para combater o desemprego, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que enviará um projeto de lei expandindo os gastos públicos em R$ 9 bilhões. Os recursos

serão utilizados para bancar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que já estão em andamento. O dinheiro depende, porém, da aprovação, pelo Congresso, do projeto de lei que autorizará a redução da meta fiscal deste ano.

 

Diante do acirramento da crise política, Barbosa orientou a equipe a prosseguir com a elaboração de medidas. Mas se depara com duas muralhas. Na área de estímulo ao crédito, o problema é a falta de confiança. E aquelas que dependem de alteração na lei vão para um  Congresso cuja agenda é cada vez mais dominada pelas discussões em torno do impeachment da presidente Dilma. Na frente legislativa, a Fazenda reconhece que a tramitação das propostas vai ficar mais difícil, e a estratégia é intensificar o diálogo.

 

Caixa aumenta teto do financiamento de imóveis usados para 70% do valor total

Além desta medida, banco também anunciou que vai voltar a financiar a compra de um segundo imóvel, nas mesmas condições utilizadas para financiar o primeiro

 

Fonte: Estadão, 09 mar. 2016

 

Na tentativa de estimular o financiamento imobiliário, a Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça­feira, 8, uma série de medidas voltadas ao crédito. A primeira delas se refere ao aumento do teto do financiamento de imóveis usados de 50% para 70% pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), no caso de clientes do setor privado e imóveis de até R$ 750 mil, segundo explicou o vice­presidente de Habitação da Caixa, Nelson Antônio de Souza. Para o setor público, a cota foi elevada de 60% para 80%.

 

Já os imóveis usados financiados pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) ­ acima de R$ 750 mil em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal; e de R$ 650 mil nos demais Estados ­ passarão a ter teto de 60%, dos atuais 40%, para o setor privado.  Para o setor público, a cota passou de 50% para 70%. Souza disse que dos R$ 16,1 bilhões em fundos aos quais o banco terá acesso em 2016 por meio dos recursos liberados pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), R$ 7 bilhões serão para a linha pro­cotista, R$ 6,7 bilhões para os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e R$ 2,4 bilhões para a linha de operações especiais ­ destinados à construção civil para produção de imóveis de até R$ 500 mil para pessoas físicas.

 

Segundo o executivo, as medidas anunciadas visam fomentar a cadeia da indústria de construção como um todo, e nesse sentido, a retomada do financiamento do segundo imóvel é muito importante. Ele destacou também que as decisões tomadas FGTS voltadas à liberação de recursos para financiamento habitacional vêm ao encontro da necessidade de recursos do sistema e da Caixa, que caíram em consequência da desaceleração da poupança.

 

Souza apontou que, por exemplo, em termos de captação por meio das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), a Caixa já atingiu seu limite. “Acreditamos que as medidas atendem a necessidade de funding da Caixa e, por outro lado, por meio disso, podemos manter a participação no crédito habitacional”, afirmou em São Paulo durante a . Os números mostram que a demanda por crédito no banco, tomando por base as consultas feitas por clientes, caiu 27% no ano passado. Na pessoa física, houve retração de 30%.

 

A mudança nas regras ocorre menos de um ano depois de a Caixa ter reduzido o . Em abril de 2015, a Caixa primeiro anunciou a redução do limite de 90% para 80% e depois diminuiu ainda mais, para 50%. Segundo a presidente da Caixa, Miriam Belchior, a cota de financiamento é o fator que mais impacta a demanda de habitação.

 

Segundo imóvel. A Caixa também informou que vai voltar a financiar a compra do segundo imóvel, nas mesmas condições utilizadas para financiar o primeiro. Dessa forma, o cliente poderá ter dois imóveis financiados ou mais tempo para vender o primeiro, destacou a  presidente da Caixa. Em agosto do ano passado, a a clientes que já tinham um imóvel financiado.

Miriam Belchior afirmou que, com todas as medidas anunciadas hoje, deve haver uma elevação de 13% dos recursos destinados ao crédito à habitação, ou R$ 16,1 bilhões. Com isso, a Caixa estima o financiamento de 64 mil unidades adicionais em relação a 2015. Ela comentou ainda que a Caixa está se preparando para ter mais eficiência e que, nesse sentido, o banco tem cortado custos. “Temos o desafio de tornar a Caixa mais rentável e eficiente”, disse.

Crise deve limitar efeito de estímulos da Caixa ao crédito habitacional

Menos de um ano após limitar financiamento de imóveis, banco volta atrás e tenta injetar ânimo ao setor imobiliário, mas deve esbarrar na falta de confiança e de demanda dos consumidores

 

Fonte: Estadão, 09 mar. 2016

 

A Caixa Econômica Federal recompôs parte da cota de financiamento para aquisição de imóveis usados e oferece agora condições iguais para compra da primeira e da segunda residência. A decisão do banco foi vista por representantes do setor como uma “correção” da medida tomada há quase um ano, quando houve redução da fatia que poderia ser financiada. Entretanto, diante da falta de confiança dos consumidores em meio à recessão econômica, especialistas apontam que a mudança pode ter impacto limitado.

 

Para o economista­chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi­SP), Celso Petrucci, as novas regras agem sobre uma “quebra”, de certa forma, do padrão de financiamento. A iniciativa da banco também sinaliza que não faltará recurso no ano de 2016 para financiar imóveis novos ou usados. “Se está ampliando recursos para unidades usadas, o banco indica que tem dinheiro para imóvel novo o ano inteiro”, afirmou o executivo.

 

O vice­presidente executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Renato Ventura, afirmou que a medida deve “oxigenar” o mercado imobiliário como um todo. “Como a cadeia é muito interligada, há uma impacto inicial em usados, que deve se refletir em novos”, afirmou o executivo. Ele lembrou que muitos consumidores usam os recursos obtidos com a venda de uma unidade usada para comprar uma nova.

 

Apesar do ânimo de alguns representantes do setor com as medidas, o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Lúcio Delfino, disse que os impactos das mudanças nos financiamento da Caixa devem ser limitados. Para ele, a medida está  longe de resolver o fôlego do mercado imobiliário e não vai ter impacto relevante a ponto de provocar aumento de preços ou das vendas. Delfino lembrou que, no ano passado, o preço dos imóveis registrou queda real de preços. De acordo com o Índice FipeZap, o valor anunciado do metro quadrado subiu 1,32% em 2015, enquanto a inflação medida pelo IPCA ficou em 10,67%.

 

Para os consumidores, Delfino acredita que isso pode representar uma chance de conseguir condições mais vantajosas. “A Caixa historicamente tem taxas mais competitivas e isso se reflete em um valor da prestação menor”, acrescentou.

 

Já o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci­SP), José Augusto Viana Neto, ressaltou que o efeito disso pode acabar sendo ambíguo, porque um aumento no porcentual de financiamento também significa elevação do valor da prestação. Mas, no fim das contas, ele acredita que os efeitos são mais vantajosos. “Quem possui 30% do valor do imóvel poderá dar uma entrada”, disse.

 

A Caixa anunciou a elevação da cota de financiamento do imóvel usado, de 50% para 70%, no caso de clientes do setor privado pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que envolve unidades de até R$ 750 mil nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, ou R$ 650 mil nas demais localidades. Para o setor público, a cota foi elevada de 60% para 80%.

Já os imóveis usados financiados pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), acima de R$ 750 mil, também em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, ou superior a R$ 650 mil nos demais Estados, passam a ser financiados em 60%, dos atuais 40%, para o setor privado. Para o setor público, a cota passou de 50% para 70%.

 

As mudanças revertem em parte medidas tomadas há menos de um ano. Em maio de 2015, a Caixa informou a redução da cota de 80% para 50%, no caso do SFH, e de 70% para 40% no caso do SFI.

 

Durante o anúncio, a presidente da Caixa, Miriam Belchior, disse que as medidas “têm duplo impacto, uma vez que viabilizam o acesso à moradia para a população e aquecem o segmento da construção civil, gerando mais emprego e renda”. Além da cota de financiamento, a Caixa também vai passar a financiar a compra de um segundo imóvel, nas mesmas condições utilizadas para financiar o primeiro. A ideia é que o cliente poderá ter dois imóveis financiados ou mais tempo para vender o primeiro, destacou a presidente do banco.

 

Falta de confiança. Apesar da intenção da Caixa em estimular o mercado, o problema do setor não está apenas na disponibilidade de crédito, mas também na demanda por unidades residenciais, afirmou o pesquisador da Fipe, Eduardo Zylberstajn. “As pessoas estão com dificuldades no mercado de trabalho e falta confiança para aquisição de um imóvel”, afirmou. “O impacto da medida da Caixa não vai ser completo, pois é preciso resolver a demanda também, embora o banco não tenha grande influência sobre isso”, afirmou.

 

Para Marcelo Tapai, sócio do escritório Tapai Advogados, “o fator mais importante no momento é a questão da confiança, e não a liberação de crédito”. Tapai cita que, em um momento de juros altos e queda do preço de venda e aluguel, os consumidores podem fazer  as contas e acabar optando pelo aluguel.

 

Zylberstajn também criticou a volatilidade “nas regras do jogo”. Essas mudanças prejudicam o mercado, pois “o consumidor não sabe como serão as normas quando comprar um imóvel”, afirmou o especialista. “Isso faz com que o planejamento, de um processo de prazo tão longo, seja bastante afetado”, acrescentou

 

Medidas de estímulo deverão ter efeito limitado, dizem analistas

 

Para economistas, estímulos ao crédito dados pelo governo não se preocupam em melhorar a demanda

 

As recentes medidas anunciadas pelo governo de estímulo ao crédito deverão ter efeito limitado na economia brasileira, segundo analistas.

 

Fonte: Estadão, 09 mar. 2016

 

Para os economistas, o governo busca estimular a oferta em um momento no qual existe problema na demanda. Ou seja, deve haver pouca disposição das empresas e consumidores para a tomada de novos empréstimos, diante das incertezas com o futuro da economia brasileira e do quadro político.

 

“As medidas anunciadas estão longe de resolverem o problema. São paliativas. Há uma redução de demanda de crédito por parte das famílias e das empresas”, afirma Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria.

 

Entre as famílias, o desinteresse em tomar crédito pode ser explicado pela piora do mercado de trabalho e da renda. No caso das empresas, tem pesado o aumento de custos, a queda no lucro e a própria situação das famílias brasileiras.

 

“O ministro (Nelson Barbosa) está levando água para o cavalo e é contestável se o cavalo está com sede ou não”, diz Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Embora o mercado sempre tenha criticado as medidas de estímulo propostas pelo governo, o ministro da Fazenda já disse que é preciso “levar o cavalo à água para ver se ele quer bebê­la”, em referência a uma possível fraca demanda por crédito.

 

Na avaliação dos economistas, as medidas recentes também prejudicam o ajuste fiscal em andamento. “Atalhos via estímulo à demanda tendem a não funcionar, principalmente se podem implicar passivo fiscal futuro”, afirma Zeina Latif, economista­chefe da XP Investimentos.

 

BNDES. No caso da infraestrutura, especialistas dizem que a redução no custo dos empréstimos do BNDES, inclusive para a segunda fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), pode ter efeito no curto prazo, tornando mais atrativo um ou outro projeto ou atraindo empresas que estão apertadas financeiramente. Nada, porém, que destrave os investimentos em estradas, portos e aeroportos. “Os juros serão importantes para melhorar a rentabilidade de projetos que estavam quase inviáveis, mas não vai ser o bastante para destravar os investimentos”, analisa o advogado Pablo Sorj, especialista em infraestrutura e financiamento a projetos e sócio do escritório Mattos Filho. Para o advogado, os investimentos em infraestrutura vivem um cenário de “tempestade perfeita”: em meio à recessão, o setor convive com bancos travando o crédito, juros em alta, demanda em queda, insegurança jurídica e a operação Lava Jato, que atinge as principais empresas do ramo.

 

Regressão. Apesar do efeito de curto prazo, para Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B, o aumento da participação do BNDES como fonte de financiamento à infraestrutura pode sinalizar ao setor privado uma “regressão” à política da primeira fase do PIL, marcada por subsídios. “De um lado, reduz­se o custo de capital e, de outro, reduz­se a confiança. De 2012 a 2014, a confiança (em baixa) foi mais importante. Não foi por falta de subsídios e incentivos que a economia não cresceu”, afirmou Frischtak.

 

Mercado Imobiliário 02/03/2016


“Nova Moema” atrai serviços e apartamentos tamanho-família

Fonte: Folha de São Paulo, Especial Morar, 28 fev. 2016

Com novos moradores e mais opções de restaurantes e comércio, a Vila Leopoldina, distrito conhecido pelos galpões industriais, já começa a ser chamada de “nova Moema” -uma referência à região nobre da zona sul que atrai famílias com serviços e imóveis de alto padrão.

A mudança de perfil aconteceu principalmente de 2003 para cá. Só nos últimos cinco anos foram lançadas 658 unidades, 142 delas com mais de 170 m², segundo a consultoria Geoimovel.

A explicação para o “boom”, de acordo com Maurício Salles, diretor de incorporadora PDG, é simples: “A Vila Leopoldina é a porta de entrada da zona oeste. Atrai tanto a pessoa que quer fazer um upgrade para um apartamento maior, como quem quer se mudar para perto das marginais”, afirma.

A construtora é responsável pelo conjunto Vila Leopoldina 1, que teve 100% das unidades vendidas (com quatro dormitórios e 244 m²).

A vocação da região para imóveis grandes é clara: 40% das unidades lançadas têm quatro dormitórios. Isso explica o crescimento populacional, que nos últimos cinco anos foi quatro vezes maior do que o do resto da cidade.

Moradora da região desde 2006, a empresária Renata Nagai, 37, decidiu sair de perto da rodovia Raposo Tavares e hoje vive em um prédio na rua Nagel com o marido e dois filhos. “Eu já tinha um vínculo com o bairro pois minha sogra veio morar aqui em 2004. É perto das marginais, tem acesso fácil. A minha única reclamação é a falta de equipamentos culturais.”

Outro atrativo é o transporte público. A região reúne três estações de trem: Domingos de Morais e Imperatriz Leopoldina, da linha 8-diamante, e Ceasa, da linha 9-esmeralda da CPTM.

 

Ruas alemãs

 

A exploração imobiliária começou no final do século 19, com empreendedores alemães. Tanto que alguns locais herdaram nomes de origem germânica, como as ruas Frederico Wolff, Baumann, Hayden e Fröben.

 

Essas ruas, além das vias maiores, como as avenidas Imperatriz Leopoldina e Gastão Vidigal, receberam a maioria dos novos edifícios. Na rua Carlos Weber, além de um corredor de prédios, há bares e restaurantes.

O bairro também receberá, ainda neste semestre, um complexo gastronômico de 20 mil metros quadrados com butique de carnes e feira de orgânicos, entre outros serviços.

Apesar das transformações, a Vila Leopoldina ainda sofre com problemas de infraestrutura urbana, como os alagamentos. Uma das áreas sob atenção são a avenidas Mofarrej e as ruas próximas ao rio Tietê e o Ceagesp, segundo a prefeitura.

 

“Há também um problema de saúde pública, que é o do consumo de drogas, principalmente na área da Gastão e das ruas próximas ao Ceagesp”, diz Carlos Alexandre Oliveira, 45, da associação de moradores Viva Leopoldina.

O entreposto, de 700 mil m², deve sair da Vila Leopoldina e ir para um terreno próximo ao Rodoanel. Para a gestão municipal, o local é o principal entrave para o desenvolvimento da região.

Na opinião da associação de moradores, o Ceagesp deveria sofrer uma modernização, mas sem deixar o local.

O arquiteto Marcelo Ferraz, professor da Escola da Cidade, faz um alerta. “A Vila Leopoldina não pode repetir um erro comum a toda a cidade, que construiu sem pensar no entorno, nas pessoas. Quando o Ceagesp sair, uma grande área estará à disposição. Há de se pensar no uso misto desses empreendimentos.”

 

Único parque do bairro, Villas-Bôas está fechado por ordem da Justiça

 

A Vila Leopoldina faz jus ao apelido “selva de pedra” que São Paulo carrega. O bairro só tem um parque público, o Orlando Villas-Bôas, fechado desde março de 2015 por determinação da Justiça.

Há suspeita de contaminação no local porque lá já funcionou uma unidade de tratamento de esgoto da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo).

Além disso, a Sabesp, dona do terreno cedido à prefeitura, exige o ressarcimento do IPTU de 2014 e 2015. Segundo a companhia, o acumulado devido chega a quase R$ 2 milhões.

A prefeitura diz que cumpre a determinação judicial e aguarda os resultados do estudo da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) sobre a contaminação

O impasse fez com que a comunidade perdesse a única opção de lazer, e a moradora do bairro Fernanda Campos Luiz, 34, ficasse sem o emprego. Ex-administradora do parque, ela lamenta o abandono do local. “O mato está com quase dois metros de altura e há focos do mosquito Aedes aegypti.”

O esporte da região também foi prejudicado. O time de futebol americano Cronos treinava no parque desde 2010. Com o fechamento, mais de 150 atletas das equipes masculina e feminina passaram a treinar em Osasco (Grande São Paulo) e numa academia do bairro.

“O parque era um dos poucos da cidade que apoiavam esportes alternativos. A maioria do time era da região. Com a distância, perdemos atletas em todas as categorias. O time infantil praticamente acabou”, afirma o treinador, Marcelo Cabral.

 

Chácaras e galpões

Nos anos 1930, a Vila Leopoldina era cheia de chácaras, com exemplares de mangueiras, jaqueiras, mexeriqueiras e jequitibás.

 

Mais tarde, nos anos 1940, a região foi disputada por grandes indústrias, que tomaram o lugar das chácaras. Hoje, as fábricas estão sendo substituídas por prédios.

 

Segundo dados da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o índice de áreas verdes públicas por habitante na região é de 4,75 m². O recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é de 12 m² por habitante.

 

Estudos com satélites termais feitos pela professora do departamento de planejamento territorial da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Magda Lombardo mostraram que o gradiente de calor -diferença de temperatura nos pontos da cidade- aumentou nos últimos anos. As ilhas de calor se concentram em antigas áreas industriais, como a Vila Leopoldina.

 

“Enquanto na região da serra da Cantareira a temperatura média é de 18ºC, na Vila Leopoldina chega aos 25ºC”, afirma Lombardo.

 

Para o diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, além das poucas áreas verdes, o grande número de prédios da região ajuda a aumentar a temperatura.

 

“Os corredores de prédios limitam a circulação do ar e a dispersão dos poluentes.”

 

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras afirma que 741 plantios de árvores foram realizados em 2015 na região da Subprefeitura Lapa -a qual pertence a Vila Leopoldina e outros cinco distritos da zona oeste, entre eles Perdizes. A secretaria não sabe estimar quantas mudas foram plantadas especificamente no bairro.

 

Perdizes ganha imóveis desenhados para universitários e aposentados

Fonte: Folha de São Paulo, Especial Morar, 28 fev. 2016

 

O distrito de Perdizes, na zona oeste, é uma ilha de solteiros: 23% das residências na região (que também inclui Sumaré, Pompeia e Vila Anglo) têm apenas um morador -bem acima dos 14% registrados na capital, de acordo com dados do IBGE.

 

Essa tendência demográfica é espelhada nos apartamentos que estão surgindo por lá. Imóveis de um e dois quartos representam 74% do total de lançamentos nos últimos cinco anos, sendo que 38% do total têm apenas um quarto, segundo a consultoria imobiliária Geoimovel.

A concentração de faculdades, como PUC-SP e Santa Marcelina, reforçam essa tendência, de acordo com Alexandre Frankel, CEO da incorporadora Vitacon.

A empresa tem quase 500 unidades no distrito -70% têm em média 28 m². “Em geral, os prédios ficam em vias principais, como a rua Turiassu e a avenida Sumaré”, diz.

 

Aluno de Direito da PUCSP, Agnaldo Almeida Júnior, 18, vive sozinho em um apartamento no entorno da faculdade. “É um bairro residencial, mas que também tem de tudo: supermercados, restaurantes, academias e cafés. Além de ser bem localizado.”

 

A chefe de cozinha Nathalia Vergili, 29, há dez anos na capital, sempre viveu nas redondezas, e até seis meses atrás era mais uma na estatística de moradores solitários. “Agora moro com meu namorado na Pompeia. Acho que é o próximo bairro a estourar, estão abrindo vários restaurantes e bares.”

 

Além dos estudantes, aposentados e divorciados encorpam o bloco dos sozinhos e já estão na mira das construtoras. Em maio a Vitacon vai lançar um empreendimento só para pessoas mais velhas: o VN Perdizes, com apartamentos de um dormitório com portas mais espaçosas, barras de apoio nos banheiros e serviço de cuidadores e fisioterapeutas. As obras devem terminar em 2019.

 

Segundo Pedro Cabral, gerente comercial da Even, os imóveis compactos também “têm tido grande adesão por parte de investidores, que veem uma oportunidade na locação para estudantes”.

A incorporadora é responsável pelo Linea Perdizes, que tem apartamentos de 29 m² a 30 m² e facilidades como lavanderia coletiva, home office e três piscinas.

 

Festas

 

Na rua da PUC-SP, a Ministro Godói, quatro bares ficam cheios de jovens à noite.

No meio deles, está a “Vilinha da PUC”, onde uma faixa deseja bom começo de aulas aos alunos e pede que parem de urinar na área.

“Quando tem festa, não dá para entrar ou sair pela rua. O pessoal força o portão, entra e vem fazer xixi na porta da nossa casa”, reclama Marta Perretti, 54, representante dos moradores do local.

 

Moradores abraçam as árvores e as áreas verdes

 

A “grande Perdizes” (que engloba Vila Anglo, Pompeia e Sumaré) é um ótimo lugar para ser orgânico e para quem gosta de abraçar uma árvore.

O distrito conta com pelo menos 46 praças, segundo a consultoria imobiliária Geoimovel, uma feira de orgânicos e já viu brotar quatro hortas urbanas.

 

As áreas verdes da região têm em comum, além da topografia íngreme como as ladeiras do bairro, o apoio da comunidade. São os moradores que, muitas vezes, garantem a sobrevivência dessas áreas.

 

Se for preciso, abraçam a árvore, como fizeram em 2013 para impedir a derrubada de 30 tipuanas nas imediações do Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

 

Os moradores da Pompeia também foram os responsáveis pela revitalização da praça Homero Silva: 12 mil metros quadrados de terra, plantas e nascentes que, por anos, foram tomados pelo mato.

 

Em 2013, o coletivo Ocupe e Abrace começou a recuperação do lugar. A ideia foi da artista Roberta Soares, 42. Ela conta que os vizinhos não a deixavam frequentar o local com a filha, dizendo ser perigoso.

 

Sua resposta foi um projeto de recuperação apresentado no programa de construção colaborativa do bairro, intitulado “A Pompeia que se Quer”, da ONG Cidade Democrática.

 

No processo de revitalização, foram encontradas as nascentes do riacho da Água Preta, um dos córregos da região. A água agora alimenta o lago e é responsável pelo apelido do local: praça da nascente.

 

Para atrair mais moradores e divulgar seu trabalho, o coletivo criou o Festival Praça da Nascente, com atrações culturais como bandas de música e cinema ao ar livre. A última edição, no ano passado, reuniu 2.000 pessoas.

 

Hortas Urbanas

 

Há cerca de três anos, as hortas comunitárias também começaram a vicejar pela região. As primeiras foram as da Pompeia e da Vila Anglo. No início, o entusiasmo da comunidade produziu boas safras.

 

“Já deu maracujá, todo o tipo de tempero”, conta Marisa Teresa Silva, 83, há 45 anos morando ao lado da horta da Vila Pompeia.

 

Maria Teresa, porém, lamenta o estado atual da horta -embora continue relativamente limpa, o mato começa a crescer mais que os canteiros cultivados. A situação é similar na horta da Vila Anglo.

 

Já a horta da praça da Nascente, vai bem, obrigado. Assim como a horta do Condomínio Cultural, espaço colaborativo de criação artística na Vila Anglo.

 

No espaço onde trabalham cerca de 70 artistas, uma horta orgânica garante vegetais frescos para os almoços, servidos diariamente para os frequentadores do local, conta Géssica Arjuna, 33, coordenadora da gestão do Condomínio Cultural.

 

Além de tocar a horta, os condôminos oferecem oficinas aos moradores do bairro para ensinar os princípios da agricultura orgânica e da criação de uma horta urbana.

 

BR Properties vai manter atual portfólio de ativos

Fonte: Valor, 02 mar. 2016

 

A BR Properties deve encerrar o ano com o portfólio de ativos imobiliários do tamanho atual, estimado em R$ 7,5 bilhões, informou o novo presidente da companhia, Martín Jaco, ao Valor, em sua primeira entrevista no cargo, assumido ontem. Não estão previstas vendas de ativos nem aquisições.

 

A companhia reduziu seu tamanho após comercializar seu portfólio de galpões de R$ 3,18 bilhões para a Global Logistic Properties (GLP), em 2014, e vender mais de R$ 3 bilhões em ativos de escritórios para a Blackstone e para a Brookfield no ano passado, operação concluída recentemente.

 

“Já fizemos as vendas que deveríamos e queríamos”, disse o executivo. Novas aquisições só farão sentido se for possível fechar negócio pelo “preço correto e com o financiamento correto”, de acordo com Jaco.

 

Se a companhia continuar, operacionalmente, neste ano e em 2017, da forma em que está, não será necessário nenhum aporte adicional junto a bancos, de acordo com o presidente da BR Properties. “Estaremos preparados para quando um novo ciclo tiver início”, afirmou. No fim de 2015, a companhia tinha dívida bruta de R$ 3,625 bilhões e caixa de R$ 1,23 bilhão.

 

As atenções da BR Properties estão voltadas para a melhora da ocupação das propriedades comerciais e para a diminuição do seu custo da dívida. “Nosso desempenho está muito acima do mercado em termos de vacância e ocupação”, afirmou Jaco.

 

Segundo o executivo, o volume de entrega de edifícios comerciais, no mercado de São Paulo, nos últimos anos, foi elevado, mas inferior ao esperado. “O grande volume de entregas já ocorreu. A vacância começou a ser reduzida em alguns lugares, como a região dos Jardins e da Vila Olímpia”, afirmou.

 

A demanda por escritórios tem sido pautada por busca de melhores espaços e não por expansão. “Enquanto a economia não voltar a crescer, a absorção continuará mais lenta”, disse.

 

Jaco, que faz parte dos quadros da BR Properties há nove anos, reiterou o discurso de continuidade da gestão de Claudio Bruni, que renunciou à presidência executiva na sexta­feira e será indicado para liderar o conselho de administração.

 

No mercado, há quem avalie que os planos da GP Investments de assumir o controle da BR Properties serão dificultados com a ida de Bruni para a presidência do conselho da companhia, mas Jaco discorda. “Não muda nada. As decisões serão dos acionistas se e quando houver uma proposta formal da GP”, disse o novo presidente da BR Properties.

 

A gestora propôs a compra de 37,81% a 62,81% da BR Properties e tem até o dia 28 para publicar o edital da oferta pública de aquisição (OPA). “Claudio já era membro do conselho. No caso de uma eventual OPA, ele tem capacidade de analisar [a operação], fazer as perguntas corretas e defender os interesses dos acionistas.”

 

BB quer ficar com R$ 5 bi do FGTS para aumentar financiamento imobiliário

Fonte: Folha de S. Paulo, 01 mar. 2016

 

O Banco do Brasil vai pedir ao Conselho Curador do FGTS que fique com cerca de R$ 5 bilhões dos R$ 21,7 bilhões liberados na última sexta-feira (26) para incrementar o financiamento imobiliário no país neste ano.

O banco solicitou entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões para incremento na linha Pró-Cotista, de um total de R$ 8,2 bilhões disponíveis. E mais até R$ 3 bilhões para compra de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), de um total de R$ 10 bilhões.

O valor que será direcionado para cada banco depende da demanda das instituições financeiras pelos recursos.

O BB pretende utilizar os recursos para financiamento de imóveis novos e usados no valor de até R$ 400 mil. “É onde tem demanda. Há muito deficit habitacional nesse segmento”, diz Raul Moreira, vice-presidente de Negócios de Varejo do BB.

A linha Pró-Cotista é destinada a trabalhadores que possuem conta no FGTS. A taxa de juros é de 8,66% + TR ao ano. Segundo o Ministério do Trabalho, a maior parte dos recursos deve ir obrigatoriamente para imóveis de até R$ 500 mil.

 

Nessa faixa de valor, segundo o executivo, há muitas pessoas adquirindo o primeiro imóvel, saindo do aluguel, o que faz com que a financiamento não altere significativamente seu comprometimento de renda.

A expectativa do BB é aumentar em 20% a carteira imobiliária neste ano, depois de crescer 27% em 2015, ano em que o mercado cresceu 16%. O banco é hoje o segundo maior banco no segmento e detém 8% do mercado.

A Caixa retomou as contratações de empréstimos com a linha Pró-Cotista. O banco já havia utilizado integralmente a sua parte no orçamento de 2016. Desde o ano passado, essa linha tem sido utilizada para suprir a falta de recursos da poupança para crédito imobiliário.

 

Curtas da Construção

 

Aposta dobrada – O empresário Rubens Menin, dono da construtora MRV, decidiu fazer sua aposta mais ousada em meio à brutal crise por que passa o setor. A MRV está nos estágios finais de aprovação de um projeto de 1,6 bilhões de reais na zona norte de São Paulo. Serão construídos 49 prédios num terreno de 170.000 metros quadrados comprado pela MRV há oito anos. No total, a empresa colocará a venda 7.440 unidades. (Exame, 01 mar. 2016)

 

Banco mineiro será o primeiro no varejo sem agência – Controlado por Rubens Menin, presidente da construtora MRV, o banco mineiro Intermedium dá um passo além do crédito imobiliário, modalidade em que cresceu nos últimos anos. Com uma carteira de crédito de mais de R$ 2 bilhões, o Intermedium atuará como um banco completo totalmente digital. Ele também não terá tarifas para o pacote de serviços que as instituições financeiras oferecem, da conta corrente às transferências, segundo afirma o novo CEO, João Vitor Menin, 33. “Vimos espaço lá atrás no crédito imobiliário e hoje já temos mais de 1% do crédito imobiliário do Brasil, excluindo os repasses do FGTS”, afirma Menin. O Intermedium terá conta corrente, pagamento de contas, investimentos, extratos, depósitos, cheques, tudo digitalmente. Mesmo sem tarifas, a conta digital trará crescimento para o banco, diz ele. A ideia foi colocada em prática há seis meses, como experiência. Em abril, os clientes poderão ter cartão de débito e crédito da Mastercard. Nem para abrir conta será necessário ir até uma das agências. “O digital alimenta o nosso crédito imobiliário, seguros, consignados e outros negócios. Mesmo respeitando a governança, há inclusive os clientes da MRV que também podem se interessar”, afirma Menin. A decisão de começar agora, em plena recessão, foi impulsionada pela maior concentração com a saída de bancos estrangeiros do mercado. O investimento no digital foi de R$ 5 milhões. O banco tem 16 mil clientes e espera chegar até o fim deste ano com um total de 100 mil clientes. (Folha de S. Paulo, 29 fev. 2016)

 

Imóveis vão capitalizar infraestrutura, diz secretário da Fazenda – Em busca de reduzir riscos de projetos e destravar investimentos no país, o governo vai usar imóveis da União para capitalizar em R$ 500 milhões o Fundo Garantidor de Infraestrutura, o que deve bancar R$ 5 bilhões em financiamentos de concessões. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, disse à Folha que a ideia é “capitalizar o fundo usando imóveis da União sem uso” e oferecer esses recursos como garantia “para riscos que o mercado não pode cobrir”. O fundo foi criado pelo governo em 2012 para cobrir os riscos dos projetos do plano de concessões, mas até agora não tinha recebido recursos para operar. “São riscos políticos, questões que a empresa não administra, custos extraordinários”, disse Dyogo sobre o foco da medida, que, segundo ele, deve facilitar o acesso a crédito a empresas do setor de infraestrutura. Ele afirmou também que o objetivo do governo com a proposta de teto para os gastos públicos é estabilizá-los num período de três a quatro anos, lembrando que eles cresceram nos últimos anos, atingindo 19,1% do PIB. A Fazenda estima que a renegociação da dívidas dos Estados vá ter um impacto próximo de R$ 6 bilhões neste ano. (Folha de S. Paulo, 01 mar. 2016)

 

Flavio Amary assume presidência do Secovi-SP – O novo presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flavio Amary, tomou posse na noite de ontem, em cerimônia realizada no Clube Atlético Monte Líbano, na capital paulista. Ele havia sido eleito em outubro do ano passado e ocupará o cargo até 2018, no lugar de Claudio Bernardes. O empresário assume o Secovi em um momento de queda nas vendas de imóveis na cidade de São Paulo. No acumulado de janeiro a novembro de 2015, dado mais recente da instituição, foram comercializados 17.283 imóveis novos na capital paulista, recuo de 5,7% em comparação com igual intervalo do ano anterior. Além disso, é o pior resultado para o período desde 2004. O balanço fechado de 2015 será divulgado no próximo dia 9. Em seu discurso, Amary reconheceu o desafio e disse que sua atuação será focada no campo político. Segundo ele, a recuperação da economia passa por soluções políticas. “E o nosso mercado depende disso”, afirmou. Ele destacou que o Secovi “lutará” para que o programa habitacional Minha Casa Minha Vida seja preservado. “Vivemos um momento particularmente complexo do Brasil. Nossa maior preocupação, hoje, é com o futuro. De 2013 até hoje, os episódios que marcam nossa história são estarrecedores, roubaram nossa confiança e abalaram nossa autoestima”, disse, lamentando em seguida que o Brasil esteja sendo “ameaçado” pela volta da CPMF. Amary atua no mercado imobiliário há 23 anos, hoje como sócio-diretor da Renato Amary Empreendimentos Imobiliário. No Secovi, acumulava as funções de vice-presidente do Interior e diretor regional de Sorocaba. (O Estado de S. Paulo, 01 mar. 2016)

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Mercado Imobiliário 01/03/2016


Mudanças em zoneamento são falsas polêmicas, diz secretário de Haddad

 

Fonte: Folha, 01 mar. 2016

 

Responsável pela nova lei de zoneamento da cidade de São Paulo, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, afirma que a discussão sobre as mudanças feitas por vereadores no texto enviado pela gestão Fernando Haddad (PT)são “falsas polêmicas que não levam a lugar nenhum”.

 

A lei, aprovada na semana passada pela Câmara Municipal, define o que pode ser construído e que atividade pode existir em cada quarteirão da cidade. Após quase um ano de discussões, o texto sofreu cerca de 120 emendas.

Para Franco, o resultado foi bastante positivo, e as alterações feitas foram “muito mais um processo de um pacto do que de negociatas”. Uma mudança polêmica foi a que barrou bares e restaurantes nos Jardins, Pacaembu e City Lapa (zona oeste).

 

Outra foi a liberação de apartamentos maiores e com mais vagas de garagem em grandes avenidas, na contramão do Plano Diretor -que prevê imóveis menores e com só uma vaga. O secretário minimiza alegando ser um dispositivo em meio à crise econômica, com duração de três anos. “É quase inócuo.”

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O secretário de Desenvolvimento Urbano da gestão Fernando Haddad (PT), Fernando de Mello Franco

 

Folha – O texto do zoneamento foi “retalhado” pela Câmara? Qual é a sua avaliação?
Fernando de Mello Franco – A avaliação é que o resultado é muito positivo para a cidade. Primeiro porque houve um acompanhamento muito intenso por parte do Executivo no processo legislativo. Não podemos dizer que tivemos surpresas absurdas. A cidade é muito complexa, tem inúmeros interesses legítimos e conflitantes, e o texto resulta desse processo. Evidentemente, têm coisas que discordamos, mas não é nada estruturante. Foi muito mais um processo de um pacto do que de negociatas.

 

Houve uma polêmica com a retirada de áreas comerciais em bairros como Jardins e Pacaembu, após pressão de moradores. Outra foi sobre a permissão para construir apartamentos maiores e com mais vagas de garagem…
Essas polêmicas são, em grande parte, construídas pela mídia. A polêmica da retirada de ruas comerciais de bairros residenciais é absolutamente secundária diante da magnitude de questões ambientais, imobiliárias, de mobilidade, desenvolvimento econômico e patrimônio histórico. Esses temas são muito mais substantivos do que a polêmica em 4% do território da cidade. Ser ou não uma zona comercial no bairro x, y ou z não traz impactos estruturantes. A saída para a crise econômica passa pelo fortalecimento e organização das dinâmicas urbanas. Esse é o substantivo do debate.

 

Como o sr. vê essa resistência dos bairros, que montaram campanha para barrar o comércio, caso dos Jardins?
Exatamente, uma campanha. A gente está num momento de conflagração política no país, e o que está acontecendo é que estão usando o Plano Diretor e o zoneamento como um instrumento dessa disputa política legítima. Só que o zoneamento é muito mais importante do que essa disputa. Se a gente não tiver a generosidade de olhar algo que é um projeto da cidade, e não de partido, vamos continuar alimentando falsas polêmicas que não vão nos levar a lugar nenhum.

 

A questão da liberação de mais garagens e apartamentos maiores nas grandes avenidas, o que contraria em parte o Plano Diretor, não vai ter um impacto negativo?
Esse artigo está no capítulo de disposições transitórias. Durante três anos após a aprovação da lei, em caráter improrrogável, passa a ocorrer uma flexibilização. A demanda ocorre num momento de crise. Era necessário termos uma possibilidade de transição, onde o mercado pudesse oferecer um tipo diferente do produto, permitindo apartamentos um pouco maiores e com flexibilização das vagas [abrindo a possibilidade para uma segunda vaga de garagem sem que o construtor precise pagar a mais por isso].

 

O mercado pediu um dispositivo anticíclico exatamente nos eixos [avenidas com transporte público], aderindo à política urbana traçada pelo município.

 

O mercado imobiliário quer lucrar. Três anos não é um período em que o mercado pode fazer a festa?
Fazer a festa no momento em que a gente está? Você acompanha os cadernos de imóveis dos jornais. Se em três anos o mercado bombar, vou estar muito contente, e vocês também. Esse risco é muito pequeno. Quem acompanha o mercado não acredita que em três anos será possível fazer a festa.

 

Na avenida Santo Amaro, por exemplo, a gente já vê lançamentos de pequenos apartamentos, de cerca de 30 m².
O mercado estava operando assim [em concordância com o Plano Diretor]. Na verdade, acho que esse dispositivo [que aumenta as vagas de garagem] é quase inócuo.

 

A permissão de ‘puxadinhos’ na periferia, com comércio em baixo e residência em cima, não é outra mudança importante no texto original?
Nós temos pesquisas que mostram que 40% das pessoas não saem do Tremembé (zona norte), por exemplo. Elas fazem tudo ali dentro. São territórios muito dinâmicos. Há vários dispositivos no zoneamento que podem fortalecer essas cadeias produtivas nessas áreas periféricas.

 

E sobre as zonas de moradia popular em áreas consideradas nobres?
Se você achar que todos são iguais, habitação de interesse social é tão nobre quanto. Todos deveriam ter as mesmas condições. Se o zoneamento funcionar plenamente nos próximos 13 anos [tempo de vigência da lei], ajudará a resolver o deficit habitacional.

 

Mudança na BR Properties pode afetar plano da GP

 

A ida de Claudio Bruni da presidência executiva da BR Properties para o comando do conselho de administração pode dificultar os planos da GP Investments de assumir o controle da companhia de propriedades comerciais.

 

Fonte: Valor, 01 mar. 2016

 

Não se espera nenhuma mudança significativa na condução da companhia por Martín Jaco, a partir de hoje, mas analistas avaliam que, na nova função, Bruni terá mais chance de influenciar a negociação com a GP Investments. A gestora propôs a compra de 37,81% a 62,81% da companhia de propriedades comerciais e tem até o dia 28 para publicar o edital da oferta pública de aquisição (OPA). A prorrogação do prazo ­ previsto para 11 de fevereiro inicialmente ­ desagradou a BR Properties. Há quase um mês, a companhia avaliou que a mudança resulta em incertezas em relação ao seu rumo, o que afeta a liquidez das ações.

 

Outras críticas já foram feitas pela BR Properties, como a condição apresentada pela GP de obtenção dos recursos necessários. Posteriormente, a gestora informou que negocia acordo para investimento com o fundo soberano de Abu Dhabi na operação.

 

Ontem, Bruni afirmou que a BR Properties monitora a proposta feita pela GP Investments até a carta de intenções se tornar oferta efetiva e que, por enquanto, a postura da companhia é passiva. “O movimento precisa vir do proponente”, disse.

 

Caso a oferta seja concretizada, a BR Properties vai avaliar como isso se encaixa no seu plano estratégicos Segundo Bruni, será possível que os gestores da BR Properties tenham discussões também técnicas com o conselho daqui para frente. “Continuo acionista da companhia, 100% alinhado. Tenho interesse enorme como investidor e, agora, simplesmente conselheiro, em ajudar nos aspectos mais estratégicos”, afirmou. Segundo ele, a relação entre gestão e conselho era boa e “será ainda melhor”.

 

De acordo com Bruni, a “poison pill” (mecanismo de proteção à dispersão acionária) pode ser desmontada, dependendo dos acionistas. “Se acharem que entrada de um controlador é benéfica, vão votar a favor, senão vão votar contra”, ressaltou.

 

Bruni disse que sua saída não se relaciona à oferta feita pela GP e que ele teria informado ao conselho, no início de 2015, sua intenção de deixar a gestão. Pouco depois, a proposta de OPA encabeçada pelo BTG Pactual fez com que ele e o conselho avaliassem que deveria continuar no cargo. Essa OPA foi cancelada, e houve o processo de venda de mais de R$ 3 bilhões em ativos para Blackstone e Brookfield.

 

“No começo deste ano, voltei ao conselho com minha posição de ter vontade de desligamento”, contou. Foi Bruni quem propôs o nome de Jaco ­ executivo da BR Properties desde 2007 ­ para conduzir a empresa de propriedades comerciais. O conselho acatou a indicação por unanimidade. “O processo foi extremamente amistoso. E a decisão foi unânime na condução do Martín”, disse Bruni.

 

A gestão será de continuidade, de acordo com o Jaco. “Claudio continuará a ser uma grande liderança para a companhia. Agradeço pelos nove anos que passamos juntos”, disse o novo presidente. Jaco citou a posição de caixa confortável da BR Properties ­ R$ 1,2 bilhão ­ e o bom nível de vacância em relação ao mercado. O executivo reiterou o discurso de Bruni que a companhia vai reforçar as atenções ao custo de dívida, à eficiência da operação e à geração de receita por meio da manutenção dos inquilinos e da redução da vacância.

 

Ontem, os papéis da BR Properties fecharam cotados a R$ 7,92, com variação de 2,7%. O Ibovespa, principal índice da bolsa, subiu 2,89%.

 

Desconto médio em preço de imóveis é recorde em 2015, aponta FipeZap

Fonte: DCI, 23 fev. 2106

 

O desconto médio praticado nas transações imobiliárias realizadas nos últimos 12 meses atingiu a marca de 8,8% ao fim de 2015, o maior patamar já registrado na série histórica do Raio-X FipeZap. O indicador vem subindo desde março de 2015, quando estava em 6,8%. Já em dezembro de 2014, o desconto médio estava em 6,9%.

 

Desde fevereiro de 2015, também cresceram as transações com desconto. Com isso, em dezembro, apenas 22,1% das compras reportadas nos 12 meses anteriores foram realizadas pelo preço originalmente pedido pelo vendedor. Em outras palavras, o preço de venda foi menor do que o anunciado em 77,9% das transações. Já em igual mês de 2014, o indicador estava em 70,8%.

 

Os resultados da pesquisa reforçaram a expectativa de queda futura dos preços. Cerca de 58% dos entrevistados que pretendem adquirir um imóvel declararam que aguardam redução nos preços ao longo de 2016. Na pesquisa do terceiro trimestre, o resultado estava em 61%. A variação média esperada dos preços para os próximos 12 meses passou a ser de baixa de 7,3% no quarto trimestre de 2015, frente expectativa de queda de 7,2% nos três meses anteriores.

 

A perspectiva de que os preços devem ficar iguais ficou em 24% dos entrevistados, de 23% na comparação trimestral, enquanto a ideia de que os preços devem aumentar avançou para 18%, de 15%. Vale ressaltar que, nos três meses finais de 2014, 44% apontavam queda de preços, 30% acreditavam numa estabilidade de valores e 26% projetavam elevação.

 

A percepção sobre os preços começa a afetar também as perspectivas de longo prazo do setor, segundo a pesquisa. Quando perguntados sobre as expectativas para os próximos 10 anos, apenas 30% dos que pretendem adquirir um imóvel declararam aguardar um crescimento dos preços acima da inflação. Este foi o menor patamar já verificado no Raio-X FipeZap.

 

Apesar disso, a maior parte ainda qualifica os preços atuais como “altos” ou “muito altos”: 78% dos que responderam pretender adquirir um imóvel nos próximos meses classificaram suas percepções em uma dessas categorias. No terceiro trimestre, o resultado estava em 76%. Entre aqueles que adquiriram imóveis, o porcentual de entrevistados que classificaram os preços nas duas categorias passou para 64% no quarto trimestre, de 58% no terceiro.

 

A intenção de compra de imóveis subiu para 43% no quarto trimestre de 2015, frente a 40% nos três meses até setembro, quando registrou o menor patamar já registrado pela pesquisa Raio-X FipeZap, cuja série histórica teve início no quarto trimestre de 2013. Em igual período do ano passado, o indicador estava em 48%.

 

Mesmo diante desses resultados, cabe notar que o porcentual de investidores no mercado imobiliário residencial permaneceu praticamente constante ao longo do quarto trimestre de 2015, respondendo por cerca de 40% no acumulado em 12 meses. Para a pesquisa foram entrevistados 2.820 pessoas entre os dias 7 e 27 de janeiro.

 

FGTS libera R$ 21,7 bilhões para financiamento da casa própria

O Conselho do Fundo de Garantia (FGTS) liberou R$ 21,7 bilhões a mais para aumentar as linhas de financiamento para a compra da casa própria.

Fonte: Folha de S. Paulo, 26 fev. 2016

 

Os recursos vão para linhas que vão beneficiar principalmente a construção de imóveis novos e para financiar imóveis de trabalhadores com conta no Fundo.

O aumento dos recursos do FGTS para o crédito imobiliário deverá compensar as perdas que essas linhas de financiamento tiveram a partir do ano passado com a redução dos depósitos da caderneta de poupança. Uma parte do que é depositado na poupança é canalizada para financiar a construção e a compra de imóveis.

O ministro do Trabalho e Previdência, Miguel Rossetto, afirmou que o aumento em quase 25% do orçamento total do fundo será “uma contribuição importante” para a oferta de crêdito e a geração de empregos no país, prevendo que os recursos novos nas linhas podem gerar a construção de 140 mil imóveis.

Os novos recursos liberados pelo FGTS são de duas linhas de crédito. Serão R$ 11,7 bilhões para aumentar o financiamento direto aos compradores de imóveis, sendo que a maior parte, R$ 8,2 bilhões, vão ser usados na chamada linha Pró-Cotista.

Essa linha de crédito é para imóveis até R$ 400 mil em todo o país, sendo que o trabalhador tem que ter conta no Fundo. A taxa de juros fica em torno de 8% ao ano mais TR (Taxa Referencial).

Outra parte do dinheiro será usada pelos bancos para comprar as chamadas CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários). Nesse caso, os bancos captam o recurso no Fundo, remunerando-o a 7,5% ao ano, e podem comprar essas certificados, emitidos pelas construtoras, sobre o qual exigem juros maiores.

As construtoras usam esses recursos para construir imóveis novos, mas também podem usá-los para financiar a compra de imóveis já construídos.

Segundo o secretário-executivo do FGTS, Quenio Cerqueira, os R$ 10 bilhões para a compra de CRI é o maior orçamento que essa linha já teve do FTGS e serão distribuídos na medida dos pedidos.

Caso o valor pedido seja maior que o orçamento, ele será distribuído na proporção que os bancos têm de participação no financiamento imobiliário. Bancos privados reclamaram da regra alegando que a Caixa, que tem cerca de 2/3 desse mercado, ficaria com a maior parte.

“Não há benefício para A ou B. Essa é a regra do fundo”, explicou Quenio.

 

CONSIGNADO

 

O Secretário do FGTS explicou também que os conselheiros seriam informados sobre o andamento da Medida Provisória feita pelo governo para permitir que os trabalhadores deem como garantia para empréstimos consignado recursos que estão depositados no Fundo. O Congresso ainda não analisou o pedido.

 

Segundo ele, não caberá ao conselho decidir sobre isso já que é necessária alteração na lei para permitir e que, por isso, os conselheiros foram apenas informados sobre o andamento e os benefícios da medida.

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Mercado Imobiliário 26/02/2016


Câmara aprova novo zoneamento em SP; texto vai para sanção de Haddad

Fonte: Folha, 26 fev. 2016

 

A Câmara de São Paulo aprovou nesta quinta (25) a nova lei de zoneamento. O texto, que deve ser revisto em 13 anos, determina o que pode ser construído e que tipo de atividade pode existir em cada rua da cidade.

Se for sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT), a cidade passará a ter mais áreas mistas (que juntam residência e comércio), prédios mais altos nas grandes avenidas com estrutura de transporte e mais terrenos voltados à construção de moradias para a população de baixa renda –previstas inclusive em áreas verdes da cidade.

O projeto também prevê a liberação de templos religiosos com capacidade para até 500 pessoas em ruas estreitas da cidade, além de permitir cultos a partir das 6h –a permissão hoje é a partir das 7h.

Também libera os chamados puxadinhos na periferia – em lotes de até 250 metros quadrados que misturem residência e comércio, passam a ser permitidos imóveis de até três pisos (comércio no térreo e mais dois andares residenciais).

Embora o conceito urbanístico geral do plano tenha sido mantido, uma série de alterações descaracterizou parte das medidas previstas no texto enviado pelo prefeito, em junho do ano passado.

Pelo menos 120 emendas de vereadores foram incorporadas ao texto. De um total de 250 enviadas ao relator Paulo Frange, após aproximadamente 80 audiências públicas ocorridas do ano passado para cá.

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A segunda votação teve 45 vereadores favoráveis e oito contrários ao projeto.

Agora, ele voltará às mãos de Haddad, que pode sancioná-lo ou vetá-lo. O prefeito ainda terá um prazo de 180 dias para enviar correções ao Legislativo.

Conforme a Folha revelou na semana passada, uma das principais mudanças no texto foi a proibição de bares e restaurantes nas regiões dos Jardins, Pacaembu e City Lapa, que são tombados (protegidos pelos órgãos de patrimônio histórico) por suas características urbanísticas e de vegetação.

A ideia do Executivo de incentivar maior diversidade de estabelecimentos comerciais em áreas residenciais foi o tema que mais gerou protestos desde que Haddad tornou público o projeto.

Diante das reclamações, a administração aceitou retirar o item que previa locais de reunião para até cem pessoas somente nessas áreas.

O benefício foi motivo de novos protestos de outros bairros: como Sumarezinho, Alto de Pinheiros (zona oeste), Jardim Marajoara, Jardim da Saúde, Planalto Paulista (sul) e da região da Cantareira (norte).

Desses, apenas o Marajoara conseguiu a extensão do benefício. Os demais foram parcialmente contemplados.

Por outro lado, no novo texto, ruas comerciais poderão ter prédios residenciais de até 5 andares. Um exemplo disso é a rua Sampaio Vidal, na região dos Jardins, que já tem imóveis com esse perfil.

Em zonas residenciais, escolas já existentes em situação irregular poderão ser legalizadas. Para a construção de novas, porém, será necessário o aval dos moradores.

Outra alteração de última hora permite que sejam construídos apartamentos maiores que os previstos anteriormente e com mais de uma vaga na garagem nas grandes avenidas de São Paulo que tenham estrutura de transporte público. Isso, porém, só será válido num período de três anos após a sanção da lei.

A mudança foi antecipada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” nesta quinta (25).

A novidade derruba uma importante característica do plano original, que previa justamente reduzir o número de garagens para colocar menos carros nas ruas ao longo das vias com corredores de ônibus e estações do metrô.

No texto original, a previsão era de uma vaga na garagem nessas áreas e empreendimentos de tamanhos menores e, por isso, de baixo custo.

No entanto, os vereadores da base aliada de Haddad cederam à pressão do mercado imobiliário, que pedia que os edifícios novos pudessem ser maiores e ter mais de uma vaga de garagem. Com isso, as construtoras poderão vender imóveis mais caros e com maior demanda de clientes.

 

CORINTHIANS

Uma emenda do vereador Milton Leite (DEM), incorporada ao texto, permite que o Corinthians possa construir uma arena multiúso em sua sede social, no Parque São Jorge (zona leste). O mesmo texto também abre brecha para que a área possa ser usada para a construção de torres residenciais.

A oposição diz que o texto suprimiu áreas verdes da cidade e manteve ruas comerciais no miolo de bairros estritamente residenciais.

Também que o projeto foi descaracterizado tamanha a quantidade de emendas apresentadas.

Os vereadores de oposição Andrea Matarazzo (PSDB), Gilberto Natalini (PV) e Ricardo Young (PPS) protestaram contras as mudanças. Eles entraram com uma representação no Ministério Público para tentar barrar a votação.

 

JUSTIÇA

 

Natalini também pediu à Justiça um mandado de segurança para tentar interromper a votação. Até a noite desta quinta, não havia decisão judicial.

“Foram mais de 60 emendas não debatidas. Não podemos fazer uma votação no escuro de um projeto descaracterizado”, disse Matarazzo, líder do PSDB e pré-candidato à prefeitura nas eleições deste ano.

Segundo o líder de Haddad na Câmara, o vereador Arselino Tatto (PT), o debate foi na Câmara foi transparente.

“Mesmo que viesse um projeto do Papa Francisco, eles [oposição] seriam contra. É lamentável. É mentira que não houve transparência. Foram mais de 80 audiências públicas e a cidade vai ganhar um plano ótimo para a cidade crescer ordenadamente”, disse Tatto.

 

Em bairro residencial da zona sul, sobrados disputarão espaço com lojas

Fonte: Folha, 26 fev. 2016

 

Em um sobrado da avenida Ceci, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, o comerciante Nicolau Rabay, 55, espera pelo dia em que poderá regularizar sua loja de telefonia, no bairro há 18 anos.

Tradicionalmente residencial, a região de pouco comércio deve mudar com a nova lei de zoneamento, aprovada pela Câmara Municipal nesta quinta (25).

De acordo com a proposta, a avenida Ceci deve virar um corredor comercial. “Eu trabalho com celular e a tecnologia mudou muito. O bairro também precisa mudar”, afirma o lojista.

Mas nem todos no bairro são favoráveis à mudança. “Aqui é residencial, tem que manter essa característica ou vai virar um Itaim Bibi”, diz Marisa Nakaozi. Ela acredita que o local já tem infraestrutura suficiente, mas precisa ir para outros bairros quando procura por lazer.

No cruzamento entre as avenidas Ceci e Afonso Mariano Fagundes, os moradores encontram poucas lojas. A partir daí, as ruas se tornam uma sucessão de sobrados, alguns deles ostentando placas que refutam a nova lei.

Em uma dessas casas mora Antônio Gutierrez, opositor das mudanças.

“Eu acho que alguns bairros deviam ter densidade baixa, como esse. O zoneamento é prejudicial, porque aumenta o movimento”, diz ele.

Para a advogada Angela Kayatt, as pessoas que se opõem às mudanças têm “cabeça fechada”. “Nós precisamos ter coisas perto de casa. Aqui nós só temos um mercado, então eles cobram o que querem”, desabafa.

De acordo com ela, um dos problemas no bairro é a prostituição. “Aqui existem muitas casas grandes à venda. Como não têm iluminação, servem como ponto de prostituição”.

 

NOVA LEI

 

Com 45 votos favoráveis e oito contrários, os vereadores aprovaram em definitivo a nova lei de zoneamento da cidade. O texto determina o que pode ser construído e que tipo de atividade pode existir em cada rua da cidade.

Se for sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT), a cidade passará a ter mais áreas mistas (que juntam residência e comércio), prédios mais altos nas grandes avenidas com estrutura de transporte e mais terrenos voltados à construção de moradias para a população de baixa renda —previstas inclusive em áreas verdes da cidade.

O projeto também prevê a liberação de templos religiosos em ruas estreitas da cidade, além de liberar os chamados puxadinhos na periferia – em lotes de até 250 metros quadrados que misturem residência e comércio, passam a ser permitidos imóveis de até três pisos (comércio no térreo e mais dois andares residenciais).

 

Com mudanças de última hora, vereadores aprovam zoneamento

Projeto confirma ampliação de corredores de comércio nos bairros e liberação de vagas de garagem em vias com oferta de transporte

Fonte: Estadão, 26 fev. 2016

 

SÃO PAULO ­ Após nove meses de debates, quatro versões do texto e muitas mudanças de última hora, o novo zoneamento de São Paulo foi aprovado nesta quinta­feira, 25, com apoio de 45 dos 55 vereadores. O projeto final confirma a ampliação de corredores de comércio nos bairros e a liberação de apartamentos maiores e com mais de uma vaga de garagem por unidade em vias com oferta de transporte público, na contramão do Plano Diretor. A oposição promete ir à Justiça.

 

A votação ocorreu sob protestos dos parlamentares que fazem oposição à gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) e de moradores de zonas estritamente residenciais (Zers) – um grupo chegou até a ficar nu na frente do Legislativo. A oposição tentou barrar a aprovação  da lei na Justiça, mas não obteve resultado a tempo. Para o vereador Gilberto Natalini (PV), a Casa votou no escuro. Segundo ele, 90% dos parlamentares não sabiam o teor do texto, tantas foram as modificações na versão original.

 

Ao longo do dia, pedidos de correção de mapas, alterações de texto e revisão de parâmetros que contrariam o Plano Diretor, como o aumento de vagas de garagem, foram apresentados mesmo por vereadores que compõem a base aliada. Milton Leite (DEM) só aceitou votar a favor depois de receber o compromisso do governo de acatar suas reivindicações. Entre elas, está uma mudança no zoneamento do Parque São Jorge, na Marginal do Tietê, a fim de permitir ao Corinthians derrubar parte do estádio para construir uma arena multiuso no local.

 

Essas e outras mudanças de última hora foram criticadas por vereadores como Ricardo Young (PPS), que disse faltar transparência ao processo. Ele e Natalini querem agora contestar a lei na Justiça.

 

Já o líder da gestão Haddad, vereador Arselino Tatto, ressaltou que foi dada publicidade a todos os textos, por meio de publicação do Diário Oficial da Cidade. “A oposição, mesmo que viesse um projeto do papa Francisco, seria contra. Mas este plano é muito bom para a cidade.”

 

Segundo o relator, Paulo Frange (PTB), a lei votada contempla as principais demandas recebidas da sociedade e também dos vereadores. Ele afirma que cerca de 120 emendas parlamentares serão incorporadas ao texto final. Fazem parte desse pacote a redução da área passível de verticalização nas Vilas Beatriz e Jataí, por exemplo, e a eliminação das zonas comerciais nos Jardins Marajoara e das Bandeiras, resultado de protestos dos moradores. As queixas ainda fizeram atividades de alto impacto, como baladas e grandes restaurantes, serem vetadas nos bairros tombados de Pacaembu, City Lapa e Jardins.

 

Anistia. Elaborada pela Prefeitura, a lei que revisa os tipos de uso e ocupação do solo permitidos na cidade também regulariza uma série de atividades consideradas hoje irregulares, como igrejas em vias estreitas e com torres altas, indústrias em bairros residenciais e imóveis da periferia usados ao mesmo tempo como comércio e residência. Pressionados pelos setores do comércio e do mercado imobiliário, Prefeitura e Câmara ainda aceitaram criar eixos secundários de verticalização em 8% do território da capital, onde a altura máxima dos prédios dobrará de 8 para 16 andares, e afrouxar as regras da fiscalização de estabelecimentos irregulares. Um bar aberto após 1h, sem isolamento acústico, passará a pagar multa de R$ 8 mil – valor 80% menor que o atual.

 

E os níveis permitidos de ruído ainda foram ampliados na lei votada nesta quinta. Em todas as áreas classificadas como zona mista, que corresponde basicamente ao miolo dos principais bairros, como Vila Madalena e Pinheiros, o limite máximo passa de 40 para 50 decibéis.

 

O mapa final só deverá ser publicado pelo Executivo 180 dias após a sanção do prefeito.

 

Debate: Nova lei de zoneamento vai trazer avanços?

 

Texto foi aprovado na Câmara dos Vereadores após nove meses de debate e muitas mudanças de última hora

 

SIM. Temos a mesma Lei de Zoneamento desde 1972. Uma lei antiga deveria ser uma vantagem, e é. Mas se mostra problemática quando muitas vezes suas revisões são feitas pontualmente ao sabor de interesses e articulações momentâneas. Este é, talvez, o maior mérito desta versão: conseguiu fugir desta armadilha e foi feita por meio de um processo participativo que, se não foi ideal, foi importante o suficiente para se tornar perene. Foi longamente discutida e votada em horário comercial, com a luz acesa. Ela operacionaliza pontos do Plano Diretor como a zona rural, incentivo a construções sustentáveis, valorização de áreas privadas de uso público e a associação entre densidade e infraestrutura, e isso significa avanço. Reconhece parcelas importantes da cidade real e isso também significa avanço. Tenta superar contradições e desequilíbrios dos processos de fiscalização e licenciamento. Mais avanços ainda. Muitos gostariam de ver avanços mais significativos, estruturais. Mas não foi assim. Esta foi a lei possível, fruto de um processo negociado.

 

VALTER CALDANA É COORDENADOR DE URBANISMO DO MACKENZIE

 

NÃO. Em um flagrante retrocesso urbanístico com a eliminação do Planos Regionais introduzidos em 2002, o território do município de 1.500 km² e 11 milhões de habitantes está sendo tratado como se fosse uniforme. São Paulo abriga pelo menos 31 cidades médias em seu território. A Subprefeitura da Sé, por exemplo, tem mais de 500 mil habitantes. Equivale à cidade de Santos, que detém o maior porto do país. Não tem cabimento administrá-­la e planejá-­la centralizadamente a partir do Viaduto do Chá. A população bem sabe a cidade que quer e, certamente, é diferente deste palco de negócios imobiliários que lhe querem impingir. Este projeto de lei tem recebido alterações constantes no seu texto sem que saibamos claramente sua origem e pondo por terra a transparência exigida dos atos dos governantes e, da forma como se encontra, retira o direito do cidadão morador desta metrópole em manter seus bairros com um planejamento adequado e equilibrado, com a devida coesão social e territorial que lhe dá segurança e identidade.

 

LUCILA LACRETA É DIRETORA DO MOVIMENTO DEFENDA SP

Incorporadoras reforçam promoções de estoques

Fonte: Valor, 26 fev. 2016

 

A busca de redução dos estoques de imóveis prontos e a necessidade de as incorporadoras buscarem liquidez neste ambiente de crédito restrito têm resultado no reforço das campanhas de desconto de preços e de facilidades de pagamento neste início de ano. Na avaliação de analistas, as dificuldades de vendas prosseguem, e já se espera que os lançamentos imobiliários tenham nova queda anual ou, no máximo, fiquem em patamar semelhante ao de 2015. Já os distratos vão continuar contribuindo para engrossar estoques.

O reforço de caixa pela venda de estoques se faz necessário, principalmente, por incorporadoras com alavancagem mais elevada, como a PDG Realty. Mas a adoção de iniciativas para acelerar a comercialização tem sido buscada também por parte das que têm endividamento em menor nível, como a Even Construtora e Incorporadora, que oferece desconto de até 50% e aceita o carro do comprador como entrada, ou até mesmo caixa líquido, caso da

EZTec, com campanha focada em oportunidades e condições facilitadas.

Para incentivar vendas de estoques e unidades em construção, a Trisul tem, em curso, campanha de recompra garantida dos imóveis por 90% do valor pago pelo comprador. Segundo o presidente da Trisul, Jorge Cury, as unidades são “produtos finitos”, pela dificuldade de reposição viável nas regiões em que se encontram, as quais passaram a possibilitar menos aproveitamento devido ao novo Plano Diretor de São Paulo.

O momento é de preservar recursos, e a tendência é que as empresas sejam cautelosas na distribuição de caixa. Além de pressionar as margens das incorporadoras, a concessão de descontos na venda de unidades prontas embute o risco da remarcação informal de preços de todo o estoque, segundo um analista. Na prática, o comprador de um imóvel pode desistir do negócio ao se deparar com preços mais baixos, no mesmo empreendimento, do que o valor que fechou a aquisição com a incorporadora. Por isso, parte das empresas prefere não admitir, diretamente, que oferece abatimentos, mas dizer que concede descontos pontuais.

Os distratos voluntários, ou seja, por iniciativa dos compradores, ocorrem também como resultado do medo de perda do emprego ou pela dificuldade de conciliar o que seria o novo valor das prestações após o repasse com um orçamento já apertado.

Nos últimos anos, enquanto o volume de entrega de empreendimentos aumentava, os cancelamentos de vendas cresceram significativamente, com a negação de crédito por bancos para uma parcela dos compradores. Há volume significativo de prédios ficando prontos em 2016, embora menor do que o do ano passado, o que tende a contribuir para que mais unidades prontas retornem aos estoques das incorporadoras.

Não há expectativa de melhora do cenário de crédito, à medida que os recursos da caderneta de poupança ­ principal fonte de financiamento imobiliário ­ continuam em queda. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) estima que os financiamentos com recursos de poupança terão retração de 20,6% neste ano, para R$ 60 bilhões, após o recuo de 33% em 2015.

Há quem diga, no mercado, que como as taxas de juros cobradas pelos bancos já estão próximas do teto permitido para empréstimos com recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ­ originados da poupança ­, pode haver, caso os níveis de inadimplência e atrasos de pagamento se tornem fontes de preocupação, novo corte na fatia máxima do valor do imóvel para a qual o crédito é concedido. Na hipótese de isso ocorrer, haveria mais distratos potenciais e, consequentemente, mais pressão sobre os estoques.

Por enquanto, o que se espera é que bancos sejam mais conservadores na concessão de crédito para as empresas do que para clientes. Um novo ciclo de expansão do mercado imobiliário e, possivelmente, de intenção dos bancos em serem mais agressivos na oferta de crédito tende a começar quando houver redução efetiva dos estoques e retomada do crescimento do país.

O ajuste de oferta, que começou em 2012, continua na ordem do dia das incorporadoras. Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) apontam que, no ano passado, os lançamentos imobiliários tiveram queda de 38,6% na cidade de São Paulo ­ maior mercado imobiliário do país ­, para 20.218 unidades. Não há nenhuma razão para se esperar expansão em 2016.

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Mercado Imobiliário 22/02/2016


Projeto libera prédio em estação de metrô

Alteração no texto da Lei de Zoneamento também afetará terminais de ônibus; ideia da Prefeitura e do Estado é fechar PPPs para construções

Fonte: Estadão, 22 fev. 2016

 

As estações de trem e metrô e os terminais de ônibus da cidade de São Paulo poderão receber grandes prédios residenciais e comerciais, como shoppings, faculdades e hospitais. O novo texto do projeto da Lei de Zoneamento, publicado pela Câmara Municipal sábado no Diário Oficial da Cidade, permite novas construções nesses locais com área até quatro vezes maior do que a do terreno. O projeto volta a ser discutido nesta terça­feira no Legislativo.

A liberação vale tanto para as áreas operacionais, ou seja, sobre as estações e terminais já construídos, como para as áreas que ainda estão ociosas. Segundo o vereador Paulo Frange (PTB), relator do projeto, a medida foi inspirada em um modelo adotado na Espanha e discutida em conjunto com a gestão Fernando Haddad (PT) e a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

A ideia é que Estado e Prefeitura, donos dessas áreas, fechem Parcerias Público ­Privadas (PPP) para que o mercado faça novos empreendimentos nesses locais conforme a necessidade da região. Frange cita como exemplo a construção de 3 mil apartamentos sobre a Estação Bresser­ Mooca, da Linha 3­ Vermelha do Metrô, que já está em discussão, e de prédios comerciais na Estação Itaquera, na mesma linha. Áreas das Estações Jabaquara e Tucuruvi (Linha 1­Azul), Barra Funda (Linha 3), e dos terminais de ônibus Varginha (zona sul) e Vila Nova Cachoeirinha (norte) são consideradas promissoras.

“São espaços nobres onde hoje predomina a insegurança por causa da escuridão que há. Com esse modelo, você consegue levar moradia para áreas de serviços, com grande oferta de empregos, como a região do Brás, e comércio e indústria para regiões onde as vagas de trabalho são insuficientes. Com isso, você estimula a ocupação e aumenta a segurança na região central à noite e diminui os deslocamentos na cidade”, diz Frange.

O texto define ainda que o equivalente a 10% da área construída nesses locais sejam doados para a Prefeitura no próprio empreendimento ou em outro imóvel na mesma região para o programa de habitação de interesse social. O vereador disse ainda que pretende incluir no projeto nesta semana a exigência de que outros 5% da área construída sejam destinados para a instalação de um equipamento público, como creche ou posto de saúde.

Operação urbana. A nova versão do projeto também retirou do mapa do zoneamento a marcação que ampliava em 647,6 mil metros quadrados o perímetro da Operação Urbana Água Espraiada, na zona sul, medida que beneficiaria grandes incorporadoras e estimularia a verticalização da região, com a permissão de construções acima do limite básico.

Na semana passada, o Estado revelou que diversos lotes haviam entrado no perímetro da operação urbana no mapa enviado pela gestão Haddad e aprovado em primeira votação na Câmara em dezembro. Arquitetos e urbanistas disseram que qualquer alteração nessa área  precisa ser feita com um projeto de lei específico. Questionada sobre o fato em outubro, a Prefeitura havia dito que se tratava de “erro de demarcação” que seria corrigido, o que não ocorreu em dezembro. “Agora, nós retiramos isso para não gerar nenhum dúvida”, disse Frange.

 

Alteração na lei de zoneamento prevê casas em áreas vazias do metrô em SP

Fonte: Folha, 21 fev. 2016

 

Espaços vazios de terminais do metrô e de ônibus em São Paulo podem, nos próximos anos, dar vez a prédios residenciais, faculdades e shoppings. Esta é uma das alterações no novo projeto de lei de zoneamento, publicado neste sábado (20), no “Diário Oficial” da capital.

Pelo texto, os novos empreendimentos poderão avançar para cima até quatro vezes mais em relação ao que já está construído nestes locais.

“Hoje só há vazio e escuridão na área operacional do metrô. Então, acho que é uma conquista”, diz o vereador Paulo Frange, relator da lei.

As construtoras, segundo a medida, terão que fornecer 10% dos apartamentos para o programa de habitação de interesse social. Na esteira da proposta, o Metrô estuda destinar espaço na estação Bresser-Mooca (linha 3-vermelha) para projetos habitacionais, segundo Frange. A iniciativa estaria sendo formatada nos moldes de uma PPP (parceria público-privada).

Áreas localizadas nas estações Itaquera, Jabaquara e Tucuruvi são as com maior potencial para a instalação de residenciais e comércio.

Outro ajuste no texto atende os novos projetos imobiliários nas zonas de eixo, onde estão as linhas de trem, metrô e corredores de ônibus.

Os apartamentos construídos nessas regiões poderão acrescentar uma vaga de garagem para cada 60 m² da área total do imóvel. Com vantagens: o proprietário não arcará com o adicional de construção e nem com o IPTU da garagem extra durante três anos.

 

POLÊMICA

O novo texto da lei não ampliou para outros bairros a maior polêmica em discussão: o veto a bares, bufês infantis, teatros, restaurantes e casas de show.

O benefício continua restrito a Jardins, City Lapa e Pacaembu (zona oeste) -todos tombados por suas características históricas, arquitetônicas e culturais.

“Novos bairros deverão entrar durante as discussões em plenário na terça-feira (23)”, afirma Frange. “A meta é que o texto final seja levado à prefeitura até março.”

 

Prédio pode substituir comércio em bairros da capital

Vereadores decidirão se liberam construções de até 4 andares em corredores de áreas residenciais

Fonte: Estadão, 21 fev. 2016

 

Um novo tipo de uso para imóveis localizados em Zonas Corredor (ZCor) pode ajudar a reduzir o impacto do comércio em bairros residenciais de São Paulo. Até a votação final da lei de zoneamento, prevista para ocorrer nesta semana, os vereadores vão decidir se liberam a construção de prédios baixos, de três e quatro andares, em trechos de vias comerciais que cortam ou margeiam Zonas Estritamente Residenciais (ZERs), como as Avenidas Bandeirantes, na zona sul, e Rebouças, na zona oeste.

A ideia é misturar os tipos de usos previstos para as ZCors, a fim de apaziguar os ânimos entre moradores e comerciantes, que travamuma batalha na Câmara Municipal contra e a favor da ampliação das atividades comerciais pela cidade. Estima­se que os predinhos  provoquem menos impacto que restaurantes e bares, por exemplo, já que não preveem valets nem ruído.

A proposta, no entanto, depende de uma mudança polêmica no texto em discussão. Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), as construções só se tornam viáveis financeiramente se puderam alcançar ao menos 12 metros de altura, ou quatro andares. É aí que está o impasse: o gabarito máximo nas ZCors é de dez metros.

 

“Estamos estudando essa ideia, que consideramos boa para otimizar os imóveis ociosos dos corredores. O problema é mesmo o limite de gabarito dessas áreas e, de acordo com o bairro por onde passam, a convenção condominial. Há bairros planejados, por exemplo, que não permitem o uso multifamiliar dos lotes. Mas, para os outros, essa solução seria muito interessante”, diz o relator do projeto de lei que revisa o zoneamento, vereador Paulo Frange (PTB).

 

Quem defende a mudança argumenta que o uso residencial ajudaria a revitalizar corredores degradados e sem vida noturna. Na semanapassada, o Estado contou 37 casas para vender ou alugar na Avenida Indianópolis (zona sul), por exemplo. Para o vereador José Police  Neto (PSD), só a atividade comercial não recupera a via, que também sofre com pontos de prostituição.

“A tese dos prédios pode ser uma solução definitiva para esse caso e tantos outros, como a Avenida Washington Luís e a Avenida Dom Pedro I. Ela prevê o aproveitamento muito intenso dos lotes, mas sem atividade comercial. Lotes grandes, com característica unifamiliar, ainda têm um custo muito alto e, com a crise, acabam ficando parados”, afirma.

Police Neto usa como exemplo a Rua Sampaio Vidal, no Jardim Paulistano, zona sul. “Se lá, dentro do bairro, os predinhos funcionaram, por que não podem ser levados para fora dos bairros?” Caso não seja prevista no projeto, o parlamentar pretende propor a ideia como emenda ao texto final.

 

CONSENSO

 

Para o empresário Diogo Ribeiro da Luz, do Movimento Ame seu Bairro, a tese dos predinhos deveria ser mais trabalhada até a votação. “Acho bastante sensata essa proposta. A Avenida Rebouças, por exemplo, poderia ser melhor aproveitada dessa forma. Existe um equívoco em achar que só o comércio pode recuperar os corredores da cidade”, diz.

Segundo Luz, é preciso ouvir os moradores antes de aprovar uma lei que vai afetar o cotidiano dos bairros. “Em São Paulo, uma região é muito diferente da outra. Não dá para pensar que apenas três tipos de ZCors vão atender a cidade como um todo. Nas ZERs, não dá para liberar tudo”, ressalta.

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A tese é defendida também pelo vereador Andrea Matarazzo (PSDB), que tem se posicionado contra os corredores em bairros residenciais.

 

Mercado Imobiliário 19/02/2016


Apartamentos menores ganham cada vez mais destaque na capital paulista

Fonte: G1, 16 fev. 2016

 

Com os valores dos imóveis cada vez mais caros nas grandes cidades, os imóveis compactos, os chamados apertamentos, têm ganhado cada vez mais destaque na estratégia das construtoras. Aliada à demanda, principalmente, de casais ou solteiros fizeram com que a oferta de compactos aumentasse entre os lançamentos na capital. A venda costuma ser rápida e a localização também conta na hora de as construtoras escolherem por esse tipo de projeto.

“As novas gerações mudaram bastante. Antigamente, no mercado imobiliário, você tinha grandes apartamentos, com grandes áreas, sala de jantar para receber muitas pessoas. Hoje isso já não é mais visto como o desejado. Os conceitos mudaram, são mais simples, e geram facilidade na vida cotidiana. Se formos fazer um comparativo, antigamente tínhamos o desktop como item de desejo quando falávamos em tecnologia. Hoje as pessoas querem ter o celular com tudo a mão, querem ter mobilidade. No nosso mercado o que acontece é similar: não mais o conceito de muitas vagas de garagem, plantas enormes de imóveis. Acredito muito em conceitos como mobilidade, simplicidade, otimização de espaços, serviços compartilhados, tornar a vida mais simples e mais moderna. Nossa proposta é reinventar a cidade. Propor às pessoas que moram perto do trabalho, perto do lazer e que possam desfrutar da vida e não ficar desperdiçando o tempo no caos do trânsito, com horas de deslocamento”, diz Alexandre Frankel, CEO da Vitacon Incorporadora e Construtora.

Em média, os apartamentos compactos têm cerca de 30 metros quadrados, mas há casos de unidades com apenas 18 m². “Em geral, são unidades produzidas para atender a novos perfis de consumidores que moram sozinhos ou que estão iniciando a vida a dois, ou à facilitação de deslocamento dentro das cidades, caso de executivos que moram perto do trabalho na semana (em um apartamento menor) e, nos fins de semana, moram com a família. Há, ainda, investidores que se interessam na aquisição desses apartamentos que possuem valores de investimentos pequenos para renda de locação”, diz Nelson Parisi Júnior, presidente da Rede Secovi de Imóveis.

 

Apesar de pequenos, se engana quem pensa que esses imóveis não têm todas as funcionalidades de uma unidade com tamanhos maiores. Há casos, inclusive, de apartamentos compactos com varanda gourmet. “Temos uma planta de 33m² em Osasco, que tem terraço gourmet, sala de jantar, sala de TV, quarto com banheiro. Neste caso, trata-se de um imóvel voltado para o Minha Casa, Minha Vida, porém, o fato é que esses apartamentos compactos podem ter todas as funcionalidades de um outro imóvel. No entanto, com o tamanho menor, mas bem divididos e para atender às necessidades do cliente”, afirma Dante Seferian, CEO da Danpris.

 

“Os compact homes (casas compactas) atraem variados perfis de clientes. Temos desde investidores, que sabem que imóveis são um investimento seguro, até moradores de outras cidades que quando vêm a São Paulo, optam por ter um ponto fixo e bem localizado na cidade. Além disso, temos obviamente solteiros que preferem uma opção de apartamento menor, de alto padrão, mas também mais acessível. Como somos bastante flexíveis em opções de planta e personalização, temos também famílias morando em nossas casas compactas, já que os apartamentos oferecem a flexibilidade de se adequarem a um padrão de studio, 1 ou 2 dormitórios, de acordo com as necessidades do cliente”, diz Flávia Matos, Marketing da Exto Incorporação e Construção.

 

A localização desses imóveis também têm aspecto importante. De acordo com especialistas, muitas vezes o cliente busca um imóvel em uma região de alto padrão, mas só consegue adquirir um apartamento compacto neste local. Por outro lado, têm aqueles que querem imóveis próximos a região mais central, com bom transporte público e com infraestrutura melhor. “É um público muito variado, que vai desde o alto padrão até as pessoas que querem morar perto da faculdade, por exemplo”, considera Seferian.

 

Além disso, há diversos benefícios ao se investir em um imóvel compacto. “O primeiro deles é o tíquete médio mais baixo, o que aumenta muito a quantidade de pessoas que teriam acesso à compra de um apartamento. A praticidade também é um fator relevante, já que um imóvel menor requer menos cuidados e manutenções”, afirma Flávia.

 

Abrainc projeta lançamentos e vendas estáveis

Fonte: Valor, 19 fev. 2015

 

Os lançamentos e as vendas de imóveis devem se manter, em 2016, no mesmo patamar registrado no ano passado, segundo o vice­presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Renato Ventura. Assim como ocorreu em 2015, o setor espera lançamentos inferiores às vendas. “As indefinições

Segundo o representante da Abrainc, durante o ano, pode haver sinais positivos da economia, o que possibilitará o início de retomada do setor.

No ano passado, os lançamentos do setor de incorporação caíram 19,3% ante 2014, para 60.274 unidades, segundo o índice Abrainc­Fipe, que incluiu dados de 19 empresas. “A queda reflete baixa confiança dos compradores e dos empreendedores”, afirma Ventura.

O indicador é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) em parceria com a entidade que representa as incorporadoras.

Em um ano em que as incorporadoras deram prioridade à redução de estoques, as vendas tiveram queda em proporção menor, de 15,1%, para 108.906 unidades. Na avaliação de Ventura, a redução da comercialização em patamar inferior à dos lançamentos indica também que existe certa “resiliência por parte da demanda”.

As entregas de imóveis tiveram redução de 25,3%, para 126.804 unidades. Isso reflete a diminuição do número de lançamentos desde 2012.

O distratos ­ cancelamentos de vendas ­ aumentaram 20,2%, para 12.850 unidades. A partir deste levantamento, a Abrainc passa a divulgar a proporção de distratos em relação a vendas por safra de lançamento desde o primeiro trimestre de 2014. O indicador de distratos considera dados de 13 empresas.

As rescisões em relação às vendas dos lançamentos de janeiro a março de 2014, por exemplo, ficaram em 16,8%, a maior taxa da série histórica. Já a proporção referente à safra de outubro a dezembro de 2015 foi de 0,1%.

 

Ventura diz esperar que os distratos continuem relevantes neste ano, mas tenham redução em número absoluto, considerando que o volume de entregas está menor. “Boa parte dos distratos ocorre em compras efetuadas até 2012 e 2013, quando ainda havia expectativa de crescimento. Depois, o cenário tornou­se mais realista”, diz. Em relação a preços, o representante da Abrainc avalia que haverá manutenção dos valores, com reajustes pela inflação.

 

No quarto trimestre, as incorporadoras lançaram 17.794 unidades, 29,6% a menos do que no intervalo de outubro a dezembro de 2014. As vendas caíram 19,8%, para 25.648 unidades.

 

No fim de dezembro, 109.398 unidades estavam disponíveis para compra. Se considerado o ritmo de venda do quarto trimestre de 2015, a oferta corresponde a 14,4 meses de comercialização.

 

Curtas da Construção

 

Esperança estrangeira – O alto nível de estresse no mercado imobiliário comercial brasileiro acendeu um sinal de alerta aos estrangeiros. Mas não do tipo que avisa a respeito de um perigo. Trata-se, na verdade, da indicação sobre uma rara e, provavelmente, limitada janela de oportunidades. Para os investidores locais, se esse interesse de fora concretizar-se em negócios efetivos, poderia significar uma luz no fim do túnel do atual sofrimento do setor. O estudo “Global Market Outlook 2016”, da EY (antiga Ernst & Young), avalia que “para investidores internacionais que entendem o mercado imobiliário brasileiro agora pode ser a melhor oportunidade de compras em, pelo menos, uma década”. (Valor, 17 fev. 2016).

Valores de locação comercial começam a se acomodar – A diferença entre o preço pedido por metro quadrado locado de escritórios comerciais das classes A e A+ e o valor fechado – que ficou entre 20% e 30% em 2015 – tende a diminuir, na avaliação da presidente da consultoria Newmark Grubb Brasil, Marina Cury. No quarto trimestre, o preço médio pedido por metro quadrado nas regiões pesquisadas pela consultoria foi de R$ 101,90, acima dos R$ 99,90 do fim do terceiro trimestre, devido à entrada de novo estoque. (Valor, 17 fev. 2016).

BR Properties diz que será menor, mas mais rentável –  A BR Properties será, em 2016, uma companhia menor do que nos últimos anos, mas ainda “bastante grande e expressiva”, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, André Berenguer. O portfólio da empresa de propriedades comerciais é avaliado em R$ 7,028 bilhões. A companhia vendeu ativos para a Brookfield e a Blackstone, no valor total de R$ 3 bilhões. (Valor, 17 fev. 2016).