Mercado Imobiliário 15/12/2016


Cushman espera que preços se mantenham

Fonte: Valor, 15 dez. 2015

 

Os preços pedidos de locação de galpões tendem a se manter, e os valores fechados terão pequena queda em 2016, na avaliação do diretor­executivo de representação de proprietários da Cushman & Wakefield, Mário Sérgio Gurgueira. Mas, segundo o executivo, a perspectiva poderá mudar conforme “o andar da carruagem política”. “Se houver saída da Dilma [Rousseff, presidente do Brasil] e mudanças para colocar o país nos eixos, será possível iniciar um novo ciclo virtuoso”, afirma Gurgeira.

 

É preciso, segundo o representante da Cushman, definições claras em relação à política e à economia, para que as empresas possam se planejar para “fazer novos investimentos ou parar de encolher”. “Sem mudanças, os preços podem ter queda maior por redução da demanda”, diz o executivo.

 

No terceiro trimestre, o preço médio pedido por metro quadrado locado de galpões, no Brasil, foi de R$ 20,85, de acordo com o levantamento da Cushman, 7% menor do que o registrado um ano antes. A taxa de vacância passou de 18% para 19%. Empresas que desenvolvem galpões têm postergado entregas para tentar ajustar oferta e demanda. Há busca por galpões, principalmente, por parte de empresas que procuram espaços de mais qualidade com o mesmo custo de ocupação.

 

São Paulo, que responde por 70% do mercado de galpões, apresentou a maior absorção líquida de galpões no terceiro trimestre, com 27 mil metros quadrados. A Cushman estima entrega de 316 mil metros quadrados no quarto trimestre, o correspondente a 50% das entregas do ano.

 

Nos cálculos da Colliers International Brasil, a absorção líquida de imóveis classe A do Estado de São Paulo foi de 136 mil metros quadrados no trimestre. A taxa de vacância ficou em 21%, acima da média nacional, de 18%. No período, foi entregue novo estoque de 98 mil metros quadrados. O levantamento apontou que o preço médio por metro quadrado pedido se manteve em R$ 20 em São Paulo.

 

Participação do banco BTG Pactual na BR Properties cai para 18,83%

Fonte: Reuters

 

O banco BTG Pactual passou a deter 56,149 milhões de ações da empresa de compra e venda de imóveis comerciais BR Properties, ou 18,83% dos papéis, após vender parte de sua participação em leilão na leilão na BM&FBovespa na semana passada, informou o banco nesta segunda-feira (15).

No aviso à Agência Bovespa sobre o leilão, a corretora do BTG Pactual informou que leiloaria 59 milhões de ações da BR Properties, ou o equivalente a 19,78% do capital da companhia, a R$ 7,50 por papel, mas não informou qual acionista estava vendendo a participação. Uma fonte a par do assunto disse à agência de notícias Reuters que se trata do próprio BTG Pactual.

No leilão realizado na quinta-feira, a ação da BR Properties saiu a R$ 8,27, em operação que movimentou mais de 60 milhões de papéis e cerca de R$ 530 milhões.

 

HISTÓRICO

 

Em 25 de novembro, o então controlador do BTG André Esteves foi preso sob suspeita de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Receosos, investidores correram para sacar seu dinheiro. Sete dias após a prisão, os fundos do BTG haviam registrado saída de pelo menos R$ 9,2 bilhões.

Para estancar a sangria, os sete principais sócios do banco assumiram o controle no lugar de Esteves e iniciaram uma operação de resgate.

Colocaram à venda participações em diversas empresas e acertaram com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) um empréstimo de R$ 6 bilhões. Com essa linha, o BTG ganhará tempo para negociar a venda de ativos.

O banco já vendeu sua participação na Rede D’Or, maior grupo de hospitais privados do país, por R$ 2,38 bilhões, e está disposto a repassar outras empresas.

Em comunicado na sexta-feira passada (4), o BTG reconheceu que analisa a venda do recém-adquirido banco suíço BSI e de participações na empresa de recuperação de créditos Recovery, na varejista Leader, na rede de academias BodyTech, na empresa de serviços navais Bravante e no UOL, empresa do Grupo Folha. O Pactual tem 5,9% de ações do UOL.

A agência internacional de notícias Bloomberg informou que o BTG planeja vender até R$ 22 bilhões em carteiras de crédito (empréstimos feitos pelo banco). Procurado, o BTG não quis se pronunciar sobre o assunto.

O jornal britânico “Financial Times” também noticiou a venda massiva de créditos do banco. Mas, de acordo com a publicação, o valor é ainda maior: R$ 50 bilhões.

O BTG vem mantendo negociações com diversas instituições bancárias. Segundo a Folha apurou, o Bradesco arrematou créditos por R$ 1,15 bilhão.

O Banco do Brasil é outra instituição que já acertou a compra de um lote de até R$ 1 bilhão e avalia se ampliará a aquisição para até R$ 2,5 bilhões em financiamentos, segundo executivos próximos às conversas ouvidos pela Folha. Itaú e Caixa também estudam adquirir parte da carteira.

 

TCM contesta liberação de ‘megatorre’ na Marginal do Pinheiros

 

A pedido de vereador, técnicos apontam irregularidades na emissão de alvará para edifício de 135 metros entre leito do rio e pistas expressas da zona sul

 

Fonte: Estadão, 14 dez. 2015

 

Um relatório produzido pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) aponta irregularidades na liberação de uma megatorre de 135 metros em uma “ilha” entre a margem do Rio Pinheiros e a pista da Marginal do Pinheiros. Para o TCM, a liberação se valeu de benefícios da Operação Urbana Águas Espraiadas, embora o terreno do prédio não estivesse dentro da área da operação.

 

O , é mais um capítulo na disputa de moradores contrários à megaconstrução, habitantes de Cidade Jardim, e a incorporadora JHSF, dona do projeto, que vem cumprindo etapas para tirar o projeto do papel há quatro anos. O alvará de edificação nova foi emitido pela Prefeitura em setembro.

O ponto central da disputa é uma brecha na lei da Operação Urbana Águas Espraiadas. Nas operações urbanas, incorporadoras podem construir edifícios com metragem acima dos limites máximos previstos no Plano Diretor, dentro da área especificada na lei, desde que comprem títulos emitidos pela Prefeitura que autorizem essas obras, os chamados Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que são negociados na Bolsa de Valores.

Ocorre que essa lei foi malfeita. A área que delimita o perímetro da operação urbana, explicitada no texto da lei, é diferente da área que delimita esse perímetro nos mapas anexos ao texto da lei.

O terreno da JHSF, que foi comprado da estatal Empresa Metropolitana de Água e Energia (EMAE), está no texto da lei. Mas está fora do mapa.

Ao analisar o caso, a Prefeitura encaminhou o pedido de liberação da JHSF para a Comissão Técnica de Legislação de Urbanismo (CTLU), órgão criado por uma lei de 2002 para analisar casos não previstos na legislação e decidir sobre conflitos no cumprimento da lei. A CTLU decidiu que, no caso desse terreno, valeria o texto da lei, não o mapa. E autorizou a emissão do alvará.

Agora, a pedido do vereador Aurélio Nomura (PSBD), que disse ter agido a pedido de moradores, solicitou ao TCM que fizesse uma auditoria sobre a liberação. Para o TCM, “a CTLU não tem competência legal para alterar os limites do perímetro de influência da Operação Urbana por meio de um pronunciamento”.

Os técnicos também questionaram aspectos do projeto, que prevê mudanças no traçado da Marginal do Pinheiros para a acomodação da nova construção — que seriam custeadas pela incorporadora. O parecer diz que mudanças desse tipo só deveriam ser aprovadas por meio de lei específica, ou seja, deveriam passar também pela Câmara Municipal.

 

“O parecer foi enviado à Prefeitura, que tem agora prazo para se manifestar. Vamos aguardar a resposta da Prefeitura para ver que medidas serão adotadas”, disse o vereador Nomura.

 

COM A PALAVRA, A PREFEITURA

Por meio de nota, a Prefeitura contestou o parecer do TCM. Lei a integra:

“A deliberação citada trata­se de pronunciamento de 13 de dezembro de 2012. A Câmara Técnica de Legislação Urbanística (CTLU), constituída pela Lei nº 13.430, de 13 de setembro de 2002 (Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo) e com base no Art. 258 e 270, parágrafo único, da Lei 13.885/04 (Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo), analisa casos não previstos e dirime dúvidas na aplicação das disposições legais da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo.

 

Estas decisões são decorrentes de demandas dos órgãos licenciadores, quer da legislação ordinária (Secretaria de Licenciamento), quer de legislação específica de operações urbanas (São Paulo Urbanismo) e passam por discussão e deliberação no pleno desta Câmara por meio de Resolução (nos casos gerais) ou por meio de Pronunciamento (nos casos específicos).

 

A CTLU é composta por 10 representantes do poder público e 10 representantes da sociedade civil.

 

Todas as informações sobre a Câmara Técnica de Legislação Urbanística estão disponíveis no sítio ”

 

O QUE DIZ A DONA DO TERRENO

 

A incorporadora JHSF também se manifestou por meio de nota. “A JHSF cumpriu todas as exigências legais em relação ao referido projeto, como faz em todos os empreendimentos dos quais participa. Até o momento a empresa não foi comunicada da decisão pelos órgãos competentes”, diz a íntegra da mensagem.

Vereador entra na Justiça contra votação do novo zoneamento

Gilberto Natalini (PV), do bloco de oposição à gestão Haddad, pede a suspensão da proposta por suposta ‘ilegalidade’ no texto

Fonte: Estadão, 14 dez. 2015

 

O vereador Gilberto Natalini (PV) entrou com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça de São Paulo contra a votação da nova lei de zoneamento. Em trâmite na Câmara Municipal, o projeto de lei estabelece as regras para o uso e ocupação do solo de São Paulo.

 

Define, por exemplo, onde terá comércio e indústria, onde o mercado imobiliário poderá erguer torres sem limite de altura ou mesmo quais região deverão ser preservadas. Mas, segundo o parlamentar, o texto é ilegal, pois não descreve, com clareza e precisão, os perímetros e os limites de cada zona”.

 

Natalini argumenta que todas as leis de zoneamento aprovadas até agora para a cidade contêm, no texto, a descrição dos perímetros que estipulam os limites das zonas. O projeto em trâmite na Casa não segue essa tradição. Segundo o vereador, não basta publicar mapas.

 

“Ainda mais esses mapas apresentados, que são genéricos e permitem diversas interpretações. Por isso, estamos pedindo ao juiz que suste a tramitação do projeto, enquanto esse vício grave não seja sanado”. E completa: “No Brasil, a primazia é da lei escrita no ordenamento jurídico, com as disposições claramente explicitadas para que o cidadão possa ter acesso à informação a que tem direito.”

 

Elaborada pela gestão Fernando Haddad (PT), a proposta está na pauta de amanhã, dia 15, podendo ser votada em plenário a partir das 15h. Para virar lei será preciso o aval de 37 dos 55 parlamentares.

 

A posição de Natalini é defendida por ao menos 25 associações de bairro, como o Estado mostrou hoje. A lista inclui moradores dos Jardins, Alto da Boa Vista, Pacaembu, Chácara Santo Antônio, Planalto Paulista, Parque Previdência e Jardim das Bandeiras, por exemplo. Apesar de distintos, os grupos têm demandas semelhantes, especialmente no que diz respeito à necessidade de mais debate antes da votação final.

 

Líder da gestão Haddad na Câmara, o vereador Arselino Tatto (PT) afirmou na tarde desta segunda, dia 14, que a orientação do prefeito continua sendo a de votar o projeto ainda neste ano. Na semana passada, no entanto, a base governista não obteve apoio nem sequer para manter a sessão aberta.

 

Nova lei de zoneamento libera comércio em imóvel do prefeito Fernando Haddad

Informação foi repassada pelo próprio prefeito, em comunicado da Prefeitura, ‘para que não pairasse dúvidas’ sobre o processo

Fonte: Estadão, 14 dez. 2015

 

Emenda apresentada ao projeto de revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo altera as funções de um terreno da família do prefeito Fernando Haddad (PT) no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo, transformando seu lote de “zona exclusivamente residencial” para “zona corredor”, o que libera certas atividades econômicas no terreno.

A informação foi repassada pelo próprio prefeito, que publicou nota no site da Prefeitura de São Paulo informando a mudança, na tarde desta segunda­feira, 14, ao tomar conhecimento da alteração. Leia a íntegra da nota:

“Em nome da transparência, que tem pautado minhas ações à frente da Prefeitura de São Paulo, informo, a quem possa interessar, que tomei conhecimento de uma emenda ao projeto de lei de parcelamento, uso e ocupação do solo, em tramitação, que altera trecho da Av. Afonso Mariano Fagundes, afetando diretamente imóvel de propriedade da minha família desde os anos 1960. Pelo interesse público, não me manifestarei sobre o mérito da proposta, defendida em audiências públicas do processo participativo por cidadãos da região e acolhida por vereadores. Mas não tenho como não comunicar o ocorrido para que não paire dúvidas sobre a lisura do processo, antes do início das votações em plenário”.

 

Segundo o relator do projeto de lei na Câmara, vereador Paulo Frange (PTB), os comerciantes da avenida onde o prefeito tem casa “foram os que mais fizeram pressão nas 46 audiências públicas que conduzimos para a discussão do projeto”. Frange afirma que a decisão de alterar o uso da rua ocorreu “após receber comunicação de 40 gabinetes (de outros vereadores)”. “Soube só na manhã de hoje que o prefeito tinha um imóvel nessa rua”, continuou o vereador. “O prefeito conversou comigo duas vezes. Quando apresentou o projeto e depois da aprovação na comissão (de urbanismo), para parabenizar. No mais, não fez nenhuma interferência”, afirma o vereador.

 

Moradores do bairro, entretanto, ainda se mostram contrários à mudança. “É um dos poucos locais verdes que ainda restam na cidade. A chegada de comércio na região vai trazer degradação”, afirma o líder comunitário Carlos Cruzelhes.

 

A Avenida Afonso Mariano Fagundes foi apresentada como uma das novas Zonas Corredor na primeira prévia da nova lei de zoneamento, que foi submetida a consultas públicas entre o ano passado e o começo de 2015. Diante da resistência de parte dos moradores, a mudança foi retirada na minuta do projeto de lei que foi enviada ao Legislativo. Na Câmara, entretanto, depois das audiências públicas, ela voltou a ser Zona Corredor. O texto ainda precisa ser votado pelos vereadores.

 

Outras vias dentro de bairros também tiveram o uso alterado nas discussões do legislativo, como a Rua Abegoaria, em Pinheiros, zona oeste, e a Rua Estados Unidos, nos Jardins, e a Avenida Morumbi, no Morumbi, ambas na zona sul.

Mercado Imobiliário 11/12/2015


Gafisa e Tenda vão ter desafios diferentes em 2016

Fonte: Valor, 11 dez. 2015

 

A Gafisa encerra 2015 e mira 2016 com foco em conciliar venda de estoques com lançamentos que possam dar suporte à composição de receita dos próximos anos, em um cenário de mercado mais agressivo na disputa por clientes de média e alta renda e com menor demanda por imóveis. Já a Tenda, focada na faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida se beneficia de ambiente mais favorável, mas tem desafios, como as incertezas em relação à nova fase do programa e à possibilidade de mudanças nas regras de remuneração do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

 

Neste ano, os lançamentos da Gafisa ficarão próximos de R$ 1 bilhão, segundo o presidente da companhia, Sandro Gamba. A Gafisa tem condições de lançar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em 2016, conforme Gamba, mas o volume dependerá das condições de mercado. A empresa já tem os terrenos necessários. Em relação ao tamanho do mercado no próximo ano, ele diz que o setor aguarda previsibilidade para definir investimentos de médio e longo prazo.

 

No segmento comercial, responsável pela maior parte de seus estoques prontos, a Gafisa vai buscar mais liquidez por meio de descontos. “Estamos analisando toda a carteira de produtos para 2016. No residencial, não vemos impacto de descontos que prejudiquem a margem”, disse Gamba.

 

O presidente da Gafisa afirmou que o aumento de eficiência dá suporte à margem bruta neste momento de menor liquidez do mercado. “Temos conseguido reduzir custos de obras e administrativos.”

 

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Gafisa, André Bergstein, a empresa mantém seu limite de crédito com bancos. “A Gafisa é vista como uma empresa saudável do ponto de vista do balanço”, disse Bergstein. Em setembro, a alavancagem medida por relação entre dívida líquida sobre patrimônio líquido era de 51%. O patamar inclui números consolidados de Gafisa e Tenda e equivalência patrimonial de Alphaville.

 

Para a Tenda, a concorrência na atuação da faixa 2 do Minha Casa tende a aumentar na execução da terceira fase. O impacto líquido do Minha Casa 3 será negativo, na avaliação do presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, pois o cliente perderá capacidade de financiamento na faixa 2, e há indefinições na faixa 1,5. Segundo o executivo, a maior preocupação da Tenda é o cenário macroeconômico. A empresa tem terrenos para lançamentos em 2016 e metade de 2017.

 

Os distratos de imóveis lançados pela Tenda no novo modelo, que tem características como venda atrelada à aprovação do crédito do cliente pelo banco, correspondem a 5% das vendas. Na média, os cancelamentos da Tenda ocorrem três meses depois da venda. Segundo Osmo, a empresa teve economia de custos em “praticamente todas as obras do novo modelo”.

 

A Tenda tem expectativa de elevar as despesas gerais e administrativas, no máximo, em linha com a inflação. A relação entre despesas gerais e administrativas e a receita líquida está em 9,9%. A Tenda estima margem bruta de 28% a 30% para os próximos anos e geração de caixa em 2016. Ela não informa meta de lançamentos, mas se o valor dos nove meses for anualizado, deve superar R$ 1 bilhão em 2015.

 

Crédito com garantia de imóvel sobe, mas esbarra em apego à casa própria

Fonte: DCI – SãO PAULO/SP

 

O crédito que usa o imóvel como garantia (home equity) regista avanço de 90% ao ano no País, chegando a R$ 15 bilhões em 2015, e tem espaço para continuar a crescer, mas esbarra no apego do brasileiro com a casa própria.

A linha funciona como um crédito pessoal, ou seja, pode ser usada para qualquer finalidade. A principal diferença é que, como possui um garantia real em caso de inadimplência (o imóvel), costuma contar com taxa de juros menores – enquanto o crédito pessoal tradicional tem taxa média de 129,1% ao ano, a taxa do home equity gira em torno de 20% ao ano.

A falta de uma cultura de usar bens como garantia, contudo, dificulta o avanço da modalidade no Brasil, avaliam especialistas ouvidos pelo DCI. “O brasileiro passou 50 anos sonhando com a casa própria, dentro de um cenário de inflação crescente. É difícil pedir para ele dar o imóvel como garantia”, observou Ricardo Kalichsztein, CEO da Bom Pra Crédito.

Nos Estados Unidos, onde a linha já está mais amadurecida, o estoque do empréstimo do home equity é US$ 439,7 bilhões – antes do estouro da bolha imobiliária, a modalidade chegou a ter um saldo US$ 610,6 bilhões.

Rodrigo Alexandre, técnico da Proteste, lembra que, diferentemente dos Estados Unidos, no Brasil, para conseguir o empréstimo, o consumidor precisa ter o imóvel quitado. “A pessoa pode ficar receosa de, depois de passar por um processo de alienação fiduciária no financiamento imobiliário, com a possibilidade de ter o imóvel tomado, ter que voltar para isso”, avaliou.

Segundo Kalichsztein, o caminho do home equity no Brasil deve ser parecido com o do crédito consignado, que começou sendo oferecido pelos bancos médios e, após um amadurecimento da carteira, despertou o interesse dos gigantes do mercado e passou a ser incorporado no portfólio. “Atualmente, quem opera com esse produto de forma mais incisiva são essas instituições de menor porte”, disse.

Usos e condições – Diferentemente do empréstimo com desconto em folha, no entanto, o crédito com garantia imobiliária costuma ter volumes e prazos maiores. Normas do Banco Central (BC) definem que as instituições podem oferecer crédito de até 60% do valor do imóvel e prazo de até dez anos.

De acordo com o presidente do Grupo M. Stortti, Maurênio Stortti, há dois principais perfis de tomadores dessa linha de crédito, os “empresários que adquirem para investir em seus negócios e os indivíduos que buscam como forma de quitar altas dívidas”.

Alexandre aponta ainda o uso do home equity para a aquisição de outro imóvel. “A pessoa pode usar o empréstimo com o imóvel antigo para dar entrada em outro”, disse.

Os especialistas alertaram, entretanto, da necessidade de planejamento e mensuração dos riscos para tomar esse empréstimo, principalmente diante do momento econômico vivido pelo País, em que o desemprego chegou a 8,9% no terceiro trimestre e os juros seguem em escalada, chegando a 47,9% ao ano.

Segundo Alexandre, mesmo tendo taxas parecidas e não possuindo destinação específica, as finalidades do crédito consignado e home equity costumam ser diferentes, por terem prazos de pagamento e valores liberados díspares.

“Além disso, o consignado não é para quem quer, é para quem pode. Normalmente, funcionários públicos ou aposentados. No setor privado, só grandes empresas costumam conseguir oferecer o desconto em folha”, disse Kalichsztein.

Tendências – Para os especialistas, a linha de crédito tem espaço para crescer no Brasil e, à medida que for amadurecendo, as carteiras devem começar a ser consolidadas, por meio de compras. O CEO da Bom Pra Crédito aponta o caso das carteiras de consignado: o portfólio do Bonsucesso foi comprado pelo Santander, Itaú incorporou o BMG e o Bradesco, o BMC.

De acordo com ele, embora a procura pelo crédito tenha crescido na plataforma, o público ainda é pequeno e busca para finalidades específicas.

Alexandre, da Proteste, também alerta para as taxas de juros que, apesar de menores que a média do mercado, variam entre as instituições.

 

Estudo feito pela organização, em meados de 2014, apontava que o Citibank tinha a menor taxa entre as instituições pesquisadas, com um Custo Efetivo Total – que já inclui taxas e tarifas -, de 13,45% ao ano para empréstimo de R$ 50 mil, garantia de imóvel de R$ 500 mil e prazo de dez anos. A maior taxa para as mesmas condições era do Banco Intermedium, de 33,1%.

 

Curtas da Construção

 

Tecnisa ajusta foco e será “empresa de R$ 1 bilhão” – A Tecnisa divulgou, ontem, que será uma empresa de R$ 1 bilhão por ano no próximo ciclo de lançamentos. Não se trata de guidance, ou seja, de projeção oficial, e este tamanho não será alcançado em 2016, de acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Vasco Barcellos. Com foco na venda de estoques, a Tecnisa lançou só R$ 22 milhões de janeiro a setembro. (Valor, 09 dez. 2015).

Quer pagar quanto? – A construtora EZtec, companhia com lucro líquido de R$ 474 milhões em 2014, teve seus dias de Casas Bahia, no fim de semana passado. A empresa resolveu queimar o seu estoque de imóveis com preços que caíram pela metade. Apartamentos que antes custavam R$ 1,5 milhão eram vendidos por R$ 760 mil. (IstoÉ Dinheiro, 08 dez. 2015)

Novidade nos fundos imobiliários – A Anbima divulgou uma nova classificação e regulação para os fundos imobiliários. O objetivo é simplificar o entendimento do investidor, com três variáveis: objetivo e finalidade de investimento do fundo, gestão ativa ou passiva e o selo da Anbima quando há combinação desses níveis. “Com a classificação, as pessoas podem em qual tipo de operação imobiliário estão investindo”, diz Reinaldo Lacerda, presidente do Comitê dos Produtos Imobiliários. (IstoÉ Dinheiro, 08 dez. 2015

Mercado Imobiliário 10/12/2015


Even vai anunciar seu plano estratégico, em março, para cinco anos

Fonte: Valor, 10 dez. 2015

 

A Even vai divulgar, em março, seu planejamento estratégico para os próximos cinco anos, com metas para tamanho da empresa, plano de remuneração de executivos, produtos e relação com clientes. A remuneração dos altos executivos será mais atrelada ao longo prazo, segundo o co­presidente da companhia, Dany Muszkat, “mais alinhada com os interesses dos acionistas”.

Em 2015, os lançamentos da Even podem chegar ao patamar de R$ 700 milhões a R$ 800 milhões, ante R$ 2,08 bilhões no ano passado e R$ 2,42 bilhões em 2013. De janeiro a setembro, a incorporadora lançou R$ 345,56 milhões. A companhia fez lançamentos no último fim de semana e pode apresentar novos produtos ainda neste ano.

Em reunião com analistas e investidores, o co­presidente da Even, Dany Muszkat, afirmou que a companhia vaibuscar equilíbrio entre lançamentos e venda de remanescentes, mas que isso ainda não ocorrerá em 2016. Não há  expectativa, na companhia, que o próximo ano seja de recuperação do setor.

O executivo citou que os bancos estão mais cautelosos no momento do repasse dos recebíveis e que “este é um ponto atenção”. “O mercado vai ser dinâmico e tentar achar soluções”, disse.

O foco dos novos projetos da Even são unidades enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH). “Procuramos produtos que são, de fato, muito líquidos”, afirmou Muszkat.

Se forem mantidos os níveis atuais de lançamentos e de compra de terrenos, a Even deverá gerar caixa em 2016, de acordo com o co­presidente. As entregas de unidades vão somar R$ 2,4 bilhões no próximo ano. “Do que será entregue em 2016, 71% está vendido”, disse. Em relação à margem bruta, a expectativa da companhia é que não haja mudanças ante o patamar atual. A Even espera continuidade da economia de custos em obras.

No cargo de co­presidente desde a saída de Carlos Terepins, Muszkat conta que os quatro principais executivos da companhia ­ ele, João Eduardo de Azevedo e Silva, Silvio Gava e Daniela Sasson ­ vão dividir uma sala e lidar com as questões da empresa de forma mais compartilhada do que na gestão anterior.

Quando Terepins deixou a companhia, no fim de outubro, a participação do fundo Melpar ­ do qual Leandro Melnick, da Melnick Even, é um dos cotistas ­ na companhia estava em torno de 25%. Conforme Muszkat, o fundo e Terepins tentaram fazer um acordo, mas o fundador preferiu não continuar na empresa. “O Carlos seria mais um executivo com ações do que o dono”, disse o co­presidente.

Muszkat e Silva passaram a ser co­presidentes da Even, enquanto Melnick tornou­se presidente do conselho de administração. Em meados de novembro, Terepins vendeu seus 5,99% de participação na Even para o Melpar, que tem, atualmente, mais de 30% da companhia.

 

Diante da crise, construtoras mudam foco para manter operação rentável

Fonte: DCI, Economia, 09 dez. 2015

 

A perspectiva negativa para a economia em 2016 – com retração da construção civil estimada em 5% – leva empresários do setor a agir rápido. Para diminuir o impacto da desaceleração, oferecer alternativas como e-commerce de reformas e atividades de locação virou parte da estratégia.

Exemplo desse movimento foi verificado na construtora Alves e Collieri, que atua na região de Bauru, no interior de São Paulo. Tradicional por terceirizar a mão de obra para grandes construtoras, a redução no número de canteiros de obras assustou o diretor-geral da empresa, Antonio Colliri. “Precisamos agir com rapidez para não falir. Nossa alternativa foi investir em um e-commerce para atender pessoas físicas interessadas em pequenas reformas”, contou ao DCI.

Com investimento de R$ 40 mil, e orientações do Sebrae, a empresa vai lançar o portal em janeiro de 2016. “Queremos o público que ia comprar um imóvel, mas com a crise, resolveu melhorar o que já tinha”, diz, lembrando que houve adaptação do quadro de funcionários, mas não redução na folha de pagamentos da empresa.

Estratégia similar foi adotada pelo construtor Danilo Matsuda Filho, que encabeça uma empresa de mesmo nome. Com seis empreendimentos lançados em Hortolândia (SP), o empresário ampliou a atuação para o ramo de locação para enfrentar a alta taxa de vacância registrada.

“Eu tenho seis empreendimentos de quatro andares recém-lançados e com velocidade de venda muito lenta, em função do crédito escasso”, disse o empresário.

Para driblar essa realidade, a estratégia foi abrir um braço de locação dentro da empresa. “Contratei um corretor imobiliário, um documentista e dois assistentes. Agora a gente loca os imóveis que estão parados.”

Para o ano que vem, a estratégia é mais ousada: ampliar a atuação para administração de condomínios. “Vamos reforçar a equipe técnica e oferecer serviços de segurança, limpeza, administração e jardinagem para condomínios da região”, comemora.

Com as novas medidas, a empresa espera faturar R$ 150 milhões ano que vem, em linha com o verificado em 2014. “Este ano, vamos faturar R$ 135 milhões”, detalha.

Cenário nebuloso – A estratégia de agir para enfrentar a crise foi a orientação passada ontem (8) pelo Sindicato da Construção (SindusCon-SP). Com previsão de queda de 8% no PIB do setor este ano, e outros 5% ano que vem, o cenário é de cautela. “As empresas adiaram o plano de investimento”, diz a coordenadora de projetos do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo.

Com queda constante no número de vagas ofertadas pelo setor – 510 mil demissões em 12 meses -, o vice-presidente de economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, afirmou que são necessárias medidas externas para impulsionar o setor. Umas das saídas, diz ele, é que para as grandes obras do governo sejam procurados fundos estrangeiros e recursos autônomos.

Atrasos – Outro fator que afetou as empresas de construção este ano foram as dívidas do governo. O Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) acumulou cerca de R$ 5 bilhões em atraso. “Só não foi maior porque as obras pararam [pequenas e grandes obras]”, afirmou o vice-presidente de habitação popular do SindusCon-SP, Ronaldo Cury. O executivo explicou ainda que muitas dívidas tiveram oito meses de atraso.

De acordo com o executivo, com o ajuste fiscal, o programa perdeu boa parte dos recursos, e uma saída são as Parcerias Público-Privadas (PPP).

Com relação aos atrasos provenientes do programa Minha Casa Minha Vida, apenas os imóveis Faixa 1 (com renda de até R$ 1.800) contabilizaram atrasos de pagamentos.

Cury ressalta, no entanto, que os empréstimos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) possibilitaram a quitação. “Para o próximo ano está tudo pronto. A terceira fase do programa deve ser lançada na primeira semana de janeiro”.

Outro desafio do setor são os reflexos da Operação Lava Jato, que prendeu presidentes de grandes empreiteiras. Agora, em função das investigações, a previsão é que essas empresas reduzam seus investimentos nos próximos anos.

 

FGTS pagará obras do Minha Casa até 2016

Fonte: O Globo, Economia, 09 dez. 2015

 

O Conselho Curador do FGTS decidiu ontem (08) estender para 2016 uma regra que permite que o Fundo pague unidades do programa Minha Casa Minha Vida que não foram concluídas. Obras com 70% de índice de conclusão são beneficiadas. A decisão para os pagamentos neste ano já tinha sido tomada pelo ministro do Trabalho e da Previdência, Miguel Rossetto, há dois meses e foi referendada pelos conselheiros. Eles resolveram permitir que os pagamentos de obras não concluídas ocorram também no ano que vem.

Os conselheiros alteraram a regra que obrigava o empreendimento ter “habite-se” para que o dinheiro fosse repassado. O argumento do Ministério do Trabalho e da Previdência é que, se o FGTS continuasse a exigir o documento, muitos empreendimentos não poderiam ser pagos neste ano.

Na avaliação dos técnicos do governo, se a exigência continuasse, dos R$ 3,3 bilhões disponíveis, apenas a metade seria gasta. Com a mudança, R$ 2,3 bilhões já foram repassados. E técnicos da Caixa correm para apressar a papelada e vistorias para que o restante seja usado, já que não há como deixar o orçamento para o ano que vem.

– Por isso, a correria – explica o secretário executivo do FGTS, Quênio Cerqueira de França.

Por causa da crise nas contas públicas e da falta de caixa do Tesouro Nacional, o Fundo do trabalhador passou a bancar diretamente até 80% do valor do imóvel para a população de baixa renda. Em 2016, o percentual cairá a 60%. No entanto, os gastos subirão: até R$ 4,8 bilhões no ano que vem.

Essa foi a saída encontrada pelo governo para não paralisar o programa. Já que o Tesouro Nacional não tinha mais recursos para bancar a faixa mais baixa do Minha Casa Minha Vida, por causa da crise, o FGTS assumiu a tarefa de pagar os empreendimentos.

França explicou que o FGTS paga um subsídio máximo de R$ 45 mil por unidade, ou seja, custeia diretamente esse valor, que pode representar até 80% da casa própria do mutuário de baixa renda. O mutuário paga apenas 5%, e o Tesouro Nacional arca com 15%.

No ano que vem, o percentual do Fundo cairá para 60%, e o do Tesouro subirá para 35%.

 

SETOR PREVÊ RETRAÇÃO DE 5%

O setor de construção civil deverá amargar retração de 5% em 2016, após ter sofrido uma queda de 8% este ano, prevê o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). Este ano, houve corte de 557 mil postos de trabalho na construção civil. E, no ano que vem, o setor prevê mais desemprego, com a eliminação de 200 mil vagas na área.

Entre os fatores por trás das projeções negativas estão o aumento expressivo do desemprego, a retração dos investimentos públicos, que tem levado a atrasos nos repasses de recursos de programas como o Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e a falta de confiança de empresários e das famílias.

De acordo com o SindusConSP, somente os atrasos em repasses para o Minha Casa chegaram a mais de 90 dias, e o montante atingiu R$ 3,3 bilhões.

– Esses atrasos acabaram cobertos com dinheiro do FGTS, repactuados e parcelados em negociações com o governo. Mas, infelizmente, muitas empresas quebraram ao longo do ano em decorrência dos atrasos – disse Ronaldo Cury, vice-presidente de Habitação do SindusCon-SP.

 

Mercado Imobiliário 09/12/2015


Prefeitura revê proposta de zoneamento e reduz verticalização no bairro da Vila Madalena

Depois da pressão de moradores, nova proposta de zoneamento exclui 300 mil m² da área de construção sem limite de altura

Fonte: Estadão, 09 dez. 2015

 

A gestão Fernando Haddad (PT) recuou e excluiu 22 quadras do perímetro previsto para verticalização na Vila Madalena e no Sumarezinho, bairros da zona oeste da capital paulista. A nova proposta de zoneamento para a região reduz de 700 mil para 400 mil metros quadrados a área permitida para o mercado imobiliário construir espigões sem limite de altura.

A decisão é resultado da pressão dos moradores, que investiram em estudos técnicos para demonstrar a representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal que os bairros não suportariam o adensamento populacional proposto. Com ladeiras de alta declividade e ruas estreitas, a construção de torres altas poderia provocar novos casos de deslizamentos de terra, com risco aos moradores.

No mês passado, reportagem do Estado mostrou que um hostel na Rua Girassol precisou ser interditado depois de ser atingido pela movimentação de terra no terreno vizinho, aberto com a demolição de 17 lotes antes ocupados por sobrados de alto padrão, avaliados em R$ 2 milhões.

O processo de transformação do bairro teve início após a aprovação, em julho de 2014, do novo Plano Diretor de São Paulo, que incentiva a verticalização ao redor de estações de metrô e corredores de ônibus.

Com a meta de frear a busca das construtoras por novas áreas para construção, diversas associações de bairro foram à luta. Orientados pelo urbanista Francisco Luiz Scagliusi, contratado para mapear os casos de demolição e formular uma proposta de alteração no projeto de lei, os moradores conseguiram modificar o mapa do novo zoneamento, preservando, além das casas, praças, escolas, nascentes d’água e vilas residenciais.

Ficaram de fora da Zona de Estruturação Urbana (ZEU) quadras localizadas, por exemplo, nas Ruas Harmonia, Girassol, Francisco Isoldi, Heitor de Andrade, Monsenhor Passos, Herculano e Caiovás. “Mostramos, com alegações geotécnicas, que o perímetro inicial estava avançando numa área de grande declividade e viário limitado”, diz Scagliusi.

Com a mudança, futuras construções nessas 22 quadras terão de respeitar o limite atual, de 28 metros ou oito andares. Relator do projeto que revisa a Lei de Zoneamento, Paulo Frange (PTB) também determinou que esse limite deverá ser aplicado para todas as obras em terrenos com declividade igual ou acima de 33%. Neste caso, a regra vale para os bairros localizados em ZEUs. Ao todo, 3% do território da cidade recebeu essa classificação.

Especulação. Com a vitória, os moradores esperam que a especulação imobiliária perca fôlego. No último ano, segundo levantamento feito por Scagliusi, ao menos 90 casas foram demolidas somente na Vila Madalena.

“Vivemos um terror psicológico. Os corretores fazem proposta de compra por e­mail, telefone, pessoalmente. Chegam a fazer plantão na nossa porta, até de sábado. É insuportável, uma carga de estresse muito grande”, diz a médica Isabela Bensenor, que vive há nove anos na Vila. Integrante do Movimento de Preservação do Sumarezinho e da Vila Madalena, Isabela conta que os “moradores dividiram as despesas, as tarefas e as angústias” durante o processo de reivindicação pela mudança na ZEU.

A gestão Haddad informou que a revisão da Lei de Zoneamento ainda está em curso, podendo o texto ser readequado a novos estudos e sugestões antes de ser submetido à votação

 

Vilas residenciais vão ganhar faixa de proteção

O texto que pode ser colocado em votação na quinta­feira na Câmara também oficializa a criação de faixas envoltórias para proteção de vilas residenciais situadas em ZEUs ou quaisquer outras zonas da cidade. A proposta é criar um círculo de 20 metros ao redor dos imóveis localizados em vilas fechadas. Nesse perímetro não poderão ser construídos prédios com mais de 28 metros de altura.

Todas as alterações começarão a ser discutidas em plenário, em sessão extraordinária marcada para começar às 10 horas de quinta. A oposição promete obstruir o processo para estender os debates pelo próximo ano.

Se aprovada, a regra valerá, por exemplo, para Perdizes, na zona oeste, e Vila Mariana, na zona sul. “Isso reduz o impacto da verticalização na cidade. É só olhar o mapa para ver como São Paulo tem vilas”, diz o vereador Paulo Frange (PTB), relator do projeto que revisa a lei.

 

Tecnisa ajusta foco e será “empresa de R$ 1 bilhão”

Fonte: Valor, 09 dez. 2015

 

A Tecnisa divulgou, ontem, que será uma empresa de R$ 1 bilhão por ano no próximo ciclo de lançamentos. Não se trata de guidance, ou seja, de projeção oficial, e este tamanho não será alcançado em 2016, de acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Vasco Barcellos. Com foco na venda de estoques, a Tecnisa lançou só R$ 22 milhões de janeiro a setembro.

A incorporadora vai atuar, prioritariamente, em São Paulo, mas terá projetos também em Curitiba (PR) e no Distrito Federal. O foco serão lançamentos de imóveis com valor até R$ 400 mil, segmento no qual ocorre o maior volume de vendas e que pode ser financiado com recursos da linha pro­cotista do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS).

Ainda que a prioridade seja esse segmento, a companhia continuará a lançar projetos no Jardim das Perdizes. “Nada impede também que façamos alguma coisa no Minha Casa, Minha Vida”, disse o presidente da Tecnisa, Meyer Nigri. Segundo ele, a incorporadora só lançará empreendimentos com financiamento contratado e repasses na planta. Assim, mesmo que haja atrasos em obras ou na obtenção do habite­se, o prazo para o repasse não muda.

Nigri ressaltou que, atualmente, o “grande vilão do setor” são os distratos. “Fomos impactados de maneira absurda pelos distratos. Não fosse isso, teríamos um resultado espetacular”, afirmou. O presidente da Tecnisa disse estar menos pessimista e que 2016 deve ser “menos ruim” do que 2015. “Acho que, no meio de 2016, será possível saber o que será a Tecnisa nos próximos anos”, disse Nigri.

As atenções da Tecnisa estão voltadas, no momento, para a monetização de ativos e não para o resultado contábil. “Como, praticamente, não lançamos nada há um ano e estamos vendendo unidades prontas com descontos, o  resultado vai sofrer. Esse é o preço para monetizar os ativos”, disse o presidente da Tecnisa.

A companhia vendeu R$ 1,5 bilhão em ativos neste ano e vai manter a estratégia em 2016. O potencial de venda de terrenos da Tecnisa é de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões em 2016, conforme Barcellos, mas a comercialização efetiva dependerá das condições de negociação encontradas. A incorporadora poderá vender áreas, por exemplo, de mercados como Brasília e Salvador.

 

A empresa está na expectativa da obtenção do habite­se para as primeiras torres do Jardim das Perdizes. Até o fechamento da edição, ainda não tinha saído.

Se a venda de fatia de 17,5% nesse empreendimento tivesse ocorrido no terceiro trimestre, a alavancagem da incorporadora, medida pela relação entre dívida líquido e patrimônio líquido, cairia de 111,5% para 50,8%. Trata-se de cálculo inicial, sujeito à revisão de auditores independentes.

Os resultados da Windsor, sociedade detentora do Jardim das Perdizes, passarão a ser consolidados pela Tecnisa na forma de equivalência patrimonial a partir deste trimestre. Após a venda, a empresa passou a deter 57,5% da Windsor. O lucro com a venda de parte da sociedade foi de R$ 98 milhões. A avaliação da fatia restante foi de R$ 280 milhões, o que seria um lucro não caixa, diz Barcellos. O total resultante da operação para a Tecnisa é, portanto, de R$ 378 milhões.

 

Sinduscon­SP prevê retomada do setor apenas em 2017

Fonte: Valor, 09 dez. 2015

 

O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon­SP) estima que a retomada do setor ­ incluindo mercado imobiliário e infraestrutura ­ ocorrerá em 2017. Isso depende, porém, que haja estabilidade política, ajuste fiscal “pelo menos, mínimo” e redução da taxa de juros, segundo o presidente do Sinduscon­SP, José Romeu Ferraz Neto.

 

Ao ser questionado sobre a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Ferraz Neto afirmou que o setor espera uma solução. “Queremos solução rápida para a situação política, com ou sem Dilma”, disse o presidente do Sinduscon­SP.

 

Ontem, o Sinduscon­SP divulgou que o setor encolheu 8% neste ano. A estimativa mais recente era de retração de 7% em 2015. O desempenho resulta da piora do cenário político, redução da renda, retirada de recursos da poupança, retração do crédito e de investimentos, queda na confiança do consumidor e das empresas e atrasos nos pagamentos do Minha Casa, Minha Vida e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

O sindicato projeta redução de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2016. Segundo a coordenadora deprojetos da FGV/Ibre, Ana Maria Castelo, o PIB da infraestrutura caiu mais do que o do mercado imobiliário este  ano. Para 2016, a maior retração é esperada no segmento imobiliário. “Não dá pra pensar na retomada do mercado imobiliário em 2016, que será um ano de retração”, disse Ana.

Levantamento do Secovi­SP, o Sindicato da Habitação, aponta que a venda de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo cresceu 15,5% em outubro ante o mesmo período do ano passado, para 1.112 unidades. Em outubro de 2014, o desempenho do setor foi afetado pelas eleições. A retração acumulada de janeiro a outubro é de 3,4%, para 14.810 unidades. O Secovi­SP espera queda de 20% no acumulado do ano, para 17,3 mil unidades.

Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), divulgados pelo Secovi­SP, apontam redução de 29,6% nos lançamentos de outubro ante o mesmo mês de 2014, para 1.769 unidades. Para o ano, a estimativa do Secovi­SP é de queda de 38%, para 21 mil unidades.

Na avaliação do economista­chefe do Secovi­SP, Celso Petrucci, “se não acontecer nada, o próximo ano seráparecido com 2015 em lançamentos e vendas”. “Se houver expectativa de a economia melhorar, haverá reação no  segmento imobiliário de primeira moradia”, diz. A projeção oficial do Secovi­SP será traçada em fevereiro.

Para a representante da FGV/Ibre, o desempenho da infraestrutura dependerá do “plano político”. “Houve grande atraso na programação de obras neste ano. Precisamos ver se o Minha Casa, Minha Vida vai ser retomado”, acrescentou Ana.

De acordo com o vice­presidente de habitação popular do Sinduscon­SP, Ronaldo Cury, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, informou ao setor, na segunda­feira, que as operações da terceira fase do programa habitacional terão início na primeira semana de janeiro. A sinalização feita pelo ministro independe dos rumos da condução do processo de impeachment, conforme Cury.

O setor tem pleiteado junto ao governo também regras claras em relação aos distratos. Segundo o vice­presidentede habitação popular, a questão foi levada à presidente, ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e ao ministro do  Planejamento, Nelson Barbosa. “O Minha Casa, Minha Vida não tem problema de distratos porque permite repasse na planta. Em Portugal, o repasse ocorre no final, mas lá respeitam­se os contratos. No Brasil, não se respeitam contratos”, disse Cury.

 

Mercado Imobiliário 08/12/2015


BR Properties diz que atuação do BTG está restrita ao conselho

Fonte: Valor, 08 dez. 2015

 

A atuação do BTG Pactual na BR Properties restringe­se ao conselho de administração da companhia e não inclui operações de crédito, segundo o presidente da empresa de propriedades comerciais, Claudio Bruni, e o diretor financeiro e de relações com investidores, André Berenguer, informaram, ontem, em evento para analistas e investidores. Segundo o site da empresa, o BTG é o maior acionista da BR Properties, com fatia de 35,87%. O banco já divulgou que pode vender essa participação.

Ainda conforme o site, os fundos Eminence (15,69%) e Petros (10,48%) são, respectivamente, os segundo e terceiro maiores acionistas.

“Como a participação na BR Properties é detida de maneira direta pelo BTG e não por meio de fundos, essa venda pode ser mais importante para o banco do que as demais”, disse Bruni. Segundo ele, interessados estão conversando, diretamente, com o BTG, sem passar pelos gestores.

O banco tornou­se o maior acionista da BR Properties em setembro de 2012, com a operação em que a empresa incorporou a One Properties (na época, WTorre Properties). Com a operação, houve tomada de controle ao contrário, pois o BTG, que controlava a WTorre Properties, passou a ter a maior fatia da BR Properties. Segundo Bruni, o BTG não interfere na condução operacional da companhia. “Não temos nenhuma dependência operacional e financeira com o BTG. Estamos tristes diante da volatilidade associada à companhia por causa do BTG”, disse o presidente.

Conforme o diretor de relações com investidores, o BTG, cuja participação se restringe ao conselho de administração, não influenciou a decisão de pagamento de R$ 599 milhões em dividendos pela companhia. O BTG tem três dos sete assentos do conselho. Na semana passada, o banqueiro André Esteves renunciou à presidência do conselho da BR Properties.

Questionado sobre a influência do atual cenário político sobre os inquilinos dos imóveis da BR Properties, Berenguer disse que a expectativa dos ocupantes é que “a discussão termine de alguma forma”. “Pode até ser a continuidade de Dilma [Rousseff, presidente do Brasil]. Hoje, ninguém sabe o que ‘precifica’. Os últimos 15 dias foram de muita volatilidade”, disse.

Já Bruni afirmou considerar como “a única coisa positiva” do ambiente atual que as instituições financeiras estejam funcionando. “Ninguém imaginava determinadas figuras sendo processadas e transferidas para a cadeia. Limites têm de ser respeitados. Se não for pelo lado ético e moral, que seja pelo criminal. Está tudo subvertido, com senador preso, banqueiro e presidente de empreiteira”, disse.

No fim de setembro, a BR Properties tinha dívida bruta de R$ 4,559 bilhões. O caixa estava em R$ 375 milhões e dívida líquida, em R$ 4,185 bilhões. Ao fim das operações de venda de ativos para a Brookfield e para a Blackstone, com valor bruto total de R$ 3,144 bilhões, e do pagamento de R$ 599 milhões em dividendos, a dívida líquida da BR Properties cairá pela metade, para R$ 2,079 bilhões.

Do valor bruto, serão descontados R$ 850 milhões das dívidas atreladas aos imóveis e R$ 440 milhões de pagamento de impostos, o que resultará em caixa de R$ 1,854 bilhão que, considerando­se o pagamento de dividendos, ficará em R$ 1,63 bilhão. Os dividendos serão pagos no dia 15, e os recursos da comercialização de ativos entrarão no caixa no dia 18.

O caixa será destinado, majoritariamente, segundo Berenguer, à amortização de dívidas que vencem em 2016 e posteriormente. “Estamos avaliando quais são as dívidas mais caras do nosso portfólio”, disse Berenguer. A companhia poderá pré­pagar uma debênture que está no mercado ou seu bônus perpétuo. Os bônus poderão ser recomprados parcialmente ou na totalidade.

Segundo o diretor, a BR Properties espera fechar 2016 com caixa mínimo de R$ 400 milhões a R$ 450 milhões, o suficiente para não precisar refinanciar as dívidas que vencem em 2017. Conforme Berenguer, não faz sentido aumentar dividendos, pois isso reduziria a capacidade de pagamento das dívidas. “O tamanho da empresa diminuiu, os ativos diminuíram. Temos de reduzir a dívida”, disse. A BR Properties tem a intenção de crescer, mas sem pressa, de acordo com Berenguer.

Neste ano e em 2014, a companhia vendeu mais de R$ 6 bilhões em ativos, metade em cada ano. De acordo com Bruni, a postura de atuar de maneira oportunística em compra e venda está mantida, mas, no momento, não interessa à BR Properties adquirir ativos com capital próprio ou com dívida. “O mercado está mais ou menos estagnado. Ninguém compra e ninguém vende”, disse Bruni.

Na avaliação do executivo, o mercado voltará a ser viável quando ocorrer escassez de locação. “Antes de 2018, o quadro atual não melhora”, disse Bruni. Neste ano, a BR Properties obteve aumentos nominais pequenos, mas queda real dos valores de locação.

Caso ocorra a possibilidade de compra de empresa do setor, Bruni afirmou que isso poderá acontecer por meio de troca de ações e de alavancagem por meio de dívida.

 

Venda de imóveis novos em São Paulo cai 15,5% em outubro

Fonte: Valor, 08 dez. 2015

 

A venda de imóveis novos residenciais em São Paulo caiu 15,5% em outubro em relação ao mesmo período do ano passado, para 1.112 unidades, informou o Secovi­SP, o Sindicato da Habitação. Em nota, o Secovi­SP ressalta que a base de outubro do ano passado foi afetada pelas eleições. Na comparação com setembro, no entanto, houve queda de 20%.

O Secovi­SP esperava queda de 15% a 20% nas vendas este ano mas, com o desempenho de outubro, a projeção foi revista para o patamar de 20%, com comercialização de 17,3 mil unidades em 2016.

Em outubro, o Valor Geral de Vendas (VGV) cresceu 8% em relação ao mesmo mês do ano passado, para R$ 617,1 milhões, mas ficou 27,1% menor que o de setembro. No ano, a comercialização acumula redução de 3,4%, para 14.810 unidades.

Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), divulgados pelo Secovi­SP, apontam queda de 29,6% nos lançamentos de outubro ante o mesmo mês de 2014, para 1.769 unidades e retração de 67,4% em relação a setembro.

Para o ano, a estimativa do Secovi­SP passou a ser de queda de 38%, para 21 mil unidades, ante a projeção anterior de redução de 23% a 25%.

No fim de outubro, a oferta de imóveis na cidade de São Paulo era de 26.396 unidades.

 

Curtas da Construção

Ano bom para São Carlos – O presidente da São Carlos Empreendimento e Participações, Felipe Góes, afirmou ontem que “o ano foi muito bom” para a companhia. “Tivemos alocação de mais de 50 mil metros quadrados em um ano de crise”, disse. Segundo Góes, a torre A do EZ Towers, entregue em janeiro, estava metade locada até setembro. O prédio é um dos ativos mais importantes da companhia. O presidente da São Carlos ressaltou que a companhia tem dívida líquida somente em reais, 93% dela indexada à taxa referencial (TR). “Nossa estrutura de capital possibilita passar por este momento de crise com bastante solidez”, afirmou. A companhia continua a avaliar possibilidades de aquisições de ativos, com foco nos retornos de longo prazo. (Valor, 04 dez. 2015).

CCP, da Cyrela, vende filial por R$ 236 milhões – A Cyrela Commercial Properties Empreendimentos e Participações (CCP) informou ontem que vendeu sua subsidiária Arraial do Cabo Empreendimentos Imobiliários para a Franco da Rocha Empreendimentos Imobiliários, pelo valor bruto de R$ 236 milhões, excluindo o saldo de financiamento da empresa. O fechamento da transação está sujeito ao cumprimento de algumas condições contratuais e à aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). (O Estado de S. Paulo, 04 dez. 2015)

Vinci cria fundo e investe em shopping – Apostando no comportamento cíclico do setor imobiliário, a Vinci Partners está investindo em shopping centers. Deverá fechar 2015 com R$ 600 milhões aplicados em seis aquisições. A casa de investimentos, em pouco mais de um ano, comprou fatias minoritárias em cinco empreendimentos: Ilha Plaza (RJ); Pátio Belém (PA); Center Shopping Rio (RJ); West Shopping (RJ); e Shopping Paralela (BA). Até o fim do mês, deverá fechar a compra do controle de um shopping no Sul. (Valor, 04 dez. 2015).

Even vai recomprar ações – O conselho de administração da Even Construtora e Incorporadora aprovou o programa de recompra de ações da empresa por meio do uso do saldo de lucros acumulados no resultado financeiro referente ao dia 30 de setembro. (Valor, 07 dez. 2015).

Controle da Tecnisa – O grupo controlador da Tecnisa passou a deter 60,1% da companhia, segundo fato relevante divulgado na sexta-­feira. (Valor, 07 dez. 2015).

Gafisa de olho no potencial dos brasileiros no exterior – A Gafisa está de olho no potencial de compra dos brasileiros residentes no exterior, com a desvalorização do real frente ao dólar, se tornou um excelente negócio adquirir imóveis no Brasil. A construtora desenvolveu uma campanha especial, com foco nesse perfil de potenciais clientes. A meta é vender cerca de 50 unidades por ano, que corresponderá a um valor de aproximadamente R$ 30 milhões em vendas. “Diante de um cenário com desvalorização do real e alta do dólar, observamos uma oportunidade ímpar para os brasileiros ou investidores no exterior. Já é possível adquirir um imóvel que custava aproximadamente US$ 350 mil por US$ 175 mil. Este é o melhor momento para quem for comprar em dólar”, destaca Luiz Carlos Siciliano, diretor-executivo da Gafisa. (Jornal do Commercio, 04 dez. 2015)

Lançamentos na Praia Grande somam 1.430 unidades – O mercado da Praia Grande em SP driblou a crise econômica, segundo diretores de construtoras e imobiliárias. Eles afirmam que os preços não caíram, mas congelaram desde o ano passado. “Os preços se estabilizaram depois de passar por uma temporada de alta”, afirma o diretor comercial da Shop House Construtora, Fernando Reobol. “Desde o início do ano, quando a crise ficou mais acentuada, não mexemos mais nos valores, mesmo com o custo do concreto e ferro aumentando.” A cidade tem dez lançamentos, que totalizam 1.430 unidades. A diferença nos valores de apartamentos varia de 10% a 15%. Para o diretor da Factual Negócios Imobiliários, Márcio Campilongo, a Praia Grande se tornou boa opção para quem quer investir. “Os preços estão se aproximando dos praticados no Guarujá”, diz, lembrando que, anos atrás, a diferença era grande. Ele aposta que a construção do futuro aeroporto da cidade vai valorizar ainda mais os imóveis. (O Estado de S.Paulo, 04 dez. 2015)

Empreendimentos dispõem de unidades prontas para morar – A Construtora Miramar possui quatro empreendimentos residenciais com unidades prontas para morar na cidade de Santos em SP. O presidente do grupo Mendes, Armênio Mendes, diz que a temporada de verão não interfere nas vendas por não ser comum, no seu caso, vender imóveis para quem mora em São Paulo. “A alta temporada nos beneficia apenas em relação aos hotéis e shoppings, não em relação à construtora.” Um dos residenciais prontos para morar é o Prime Plaza, localizado na Avenida Presidente Wilson, no bairro Gonzaga, outro edifício fica na Ponta da Praia, na Avenida Senador Cesar Lacerda de Vergueiro, o Praiamar Residence deverá ficar pronto em dezembro de 2016 no bairro Aparecida, em frente ao Praiamar Shopping e, com entrega prevista para 2017, o Brasil Residence será lançado em dezembro, na Avenida Primeiro de Maio,  no bairro Aparecida. (O Estado de S.Paulo, 04 dez. 2015)

Empreendimentos que oferecem serviços pagos ganham espaço – A oferta de uma gama maior de serviços ganha espaço no mercado imobiliário de Santos em SP. É o caso do empreendimento Legend Residence, da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR), situado entre a Rua José Cabellero e a Avenida Ana Costa, e do Mirante 360, no Canal 1, da construtora Kallas. O Legend tem 310 apartamentos de 57m² a 121m². A unidade menor tem preço a partir de R$ 410 mil, mas há também unidades de 80 m² por R$ 580 mil. A Kallas é outra construtora com produtos de alto padrão em Santos, com possibilidade de boas oportunidades. “Para o comprador, este com certeza é um bom momento para adquirir um imóvel. Santos apresenta um alto volume de estoque e muitos incorporadores estão oferecendo descontos que variam de 10% a 40%”, diz o diretor de incorporação da empresa, Thiago Kallas. De acordo com ele, a construtora tem dois empreendimentos na cidade. O Marine Home & Sea fica no Gonzaga e tem as opções de um, dois ou três dormitórios, sendo que há 19 das 48 unidades disponíveis para venda. Os preços variam entre R$ 617 mil e R$ 2 milhões, com entrega prevista para abril. (O Estado de S.Paulo, 04/12/2015)

Leblon é o mais caro – O Índice FipeZap, divulgado na última semana, também calcula a média de preços do metro quadrado de alguns bairros do Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Com base nesse levantamento, o carioca do Leblon tem o preço médio de metro quadrado mais caro da cidade e do país: R$ 22.692. Em seguida, estão os de Ipanema (R$ 20.574), Gávea (R$ 17.997) e Lagoa (R$ 17.796). Para efeito de comparação o bairro mais caro em São Paulo, Vila Nova Conceição, tem um custo médio de R$ 15.400 pela mesma metragem. Na capital mineira, o preço é de R$ 9.420 na região mais nobre, a Savassi. (O Globo, 06 dez. 2015)

A mais valorizada – A Garcia D’Ávila é a rua mais cara do país para a locação de imóveis comerciais. Lá, o metro quadrado custa, em média, R$ 325. Aparece à frente das paulistanas Oscar Freire (R$ 210), Bela Cintra (R$ 130), Alameda Lorena (R$ 125) e Haddock Lobo (R$ 120), no ranking das mais valorizadas. Esses dados fazem parte de um levantamento mundial da consultoria Cushman & Wakefield. A Garcia D’Ávila é a única rua brasileira no top 65 global. Ocupa a 39º colocação. Não é pouco em tempos de crise. Mas, em 2011, uma pesquisa da mesma Cushman & Wakefield mostrou que um imóvel comercial de alto padrão para locação no Centro ou Zona Sul do Rio custava mais que em regiões de Manhattan, como Downtown. (O Globo, 06 dez. 2015)

Um prêmio ao pioneirismo – O Quilombo do Grotão, no Engenho do Mato, em Niterói, recebeu o prêmio Crea-RJ de Meio Ambiente pelo projeto Quilombo Solar, de uso da energia do sol para a produção de eletricidade. O líder da comunidade, Renatão, recebeu o título. A premiação acontece anualmente e é o reconhecimento às personalidades e instituições que tenham se destacado em ações pela preservação, defesa e conservação do meio ambiente nas áreas da engenharia, da agronomia, da geologia, da geografia e da meteorologia. A Associação da Comunidade Tradicional do Engenho do Mato (Acotem), que representa o quilombo, foi premiada pela instalação do primeiro sistema de geração de eletricidade limpa por energia solar em uma comunidade quilombola no Rio. O projeto foi financiado por uma “vaquinha” feita na internet. As doações vieram de diversas fontes e lugares, inclusive da Alemanha e da Suíça. Ao lado de Renatão, a ambientalista Vânia Stolze coordenou a ação. Ela é consultora em energia solar, com experiência no treinamento de jovens no Brasil e no exterior. “Nossa comunidade agradece ao Crea e a todas e todos que nos apoiaram para que esse projeto se tornasse realidade. Nosso sonho hoje é que esse prêmio nos ajude a impulsionar a instalação de placas solares em outras comunidades tradicionais, contribuindo para o meio ambiente” – diz Renatão. (Extra, 07 dez. 2015)

Projeto quer tornar Parque Madureira patrimônio histórico – A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou por unanimidade e em primeira discussão projeto de lei que considera o Parque de Madureira, inaugurado em junho de 2012, Patrimônio Histórico e Cultural do Estado. Pelo texto, de autoria do deputado Dionísio Lins (PP), fica ainda proibido qualquer tipo de alteração ou reforma que possam mudar as características culturais do parque. (Extra, 07 dez. 2015)

Nova cartilha da casa própria – Desemprego, diminuição de renda, morte do principal provedor do lar, problemas de saúde na família e abusos dos bancos ou construtoras podem provocar o não cumprimento das prestações do financiamento imobiliário e, consequentemente, a perda do imóvel. Para auxiliar esses compradores, a Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (Amspa) preparou a “Cartilha do Mutuário – Inadimplência”, com 11 orientações para quem está em débito com as parcelas. O material é gratuito e está disponível no site. Entre as recomendações estão pedir planilha do banco com a projeção de todas as parcelas do financiamento, incluindo as taxas extras e os seguros que compõem a prestação, além de verificar se as parcelas não comprometem mais do que 30% da renda familiar. Se o mutuário estiver prestes a atrasar ou se está inadimplente é válido primeiro tentar acordo com o banco/construtora. Com isso, ambos saem ganhando, porque o questionamento será resolvido amigavelmente e em curto prazo. Se não tiver sucesso no acordo é aconselhável pedir auxílio da Justiça. Comprovado o pagamento, o juiz pode suspender a execução ou leilão. A inadimplência pode levar a perda do imóvel. No Sistema Financeiro da Habitação acontece depois de atrasar três prestações. Já no Sistema Financeiro Imobiliário se atraso for superior a 30 dias, o mutuário é intimado a pagar dívida. Caso não o faça no prazo de 15 dias, o cartório onde o imóvel está registrado efetuará a consolidação da propriedade em favor do banco. (O Dia, 04 dez. 2015)

13º vale o dobro na compra da casa própria – As construtoras pisam no acelerador no último mês do ano e oferecem feirão de imóveis, 13º salário valendo o dobro e descontos de R$ 150 mil, além da casa mobiliada, isenção de Imposto de Transmissão sobre Bens Imóveis (ITBI) e três meses de condomínio grátis. São empreendimentos que vão desde os incluído no ‘Minha Casa, Minha Vida’ até casas tríplex, no Recreio dos Bandeirantes. A Cury Construtora oferece a promoção “O seu 13º salário valeodobro”noFeirãodeimóveis da empresa. O evento será entre os dias 10 e 13 deste mês, no estacionamento do Carioca Shopping, na Vila da Penha. Segundo a empresa, o trabalhador terá que apresentar o contracheque para ter o desconto equivalente ao dobro do abono salarial, que teve a sua primeira parcela paga no dia 30 de novembro e a última será creditada até o dia 20. Se o trabalhador recebe R$ 4 mil de 13º, por exemplo, o desconto será de R$ 8 mil. A construtora vai oferecer vários imóveis nos municípios do Rio, Niterói e Duque de Caxias. São oportunidades dentro e fora do programa habitacional do governo federal. Entre as opções está o Meu Lugar Penha, empreendimento de dois e três quartos, com lazer completo. O Grupo Avanço Aliados também oferece descontos, entrada a partir de R$ 99 mil, 90% da casa mobiliada, isenção de imposto e condomínio grátis por três meses, entre outras facilidades. Essas vantagens valem para quem comprar uma das unidades de três e quatro quartos, além de coberturas dos empreendimentos Versailles e Magnific, que já estão prontos, na Freguesia, em Jacarepaguá. Já a Rubi Engenharia aceita o imóvel como parte de pagamento, financia em até 180 meses o saldo restante e ainda concede R$ 150 mil de desconto para quem comprar uma casa tríplex do condomínio Sunrise House Garden, no Recreio dos Bandeirantes. (O Dia, 06 dez. 2015)

 

/Mercado Imobiliário 07/12/2015


Crise leva fundos árabes a fazer ofensiva para avaliar ativos no Brasil

Com o real fraco e várias empresas brasileiras em dificuldades, fundos soberanos ou de famílias reais prospectam negócios em setores como mercado imobiliário, agronegócio e logística; Frigorífico Minerva e terminal da CSN estariam entre os alvos

Fonte: Estadão, 07 dez. 2015

 

Conhecidos pela fama de cautelosos por seus pares, fundos árabes de investimentos se lançaram, nos últimos meses, em uma ofensiva para avaliar negócios no Brasil. Com a desvalorização do real frente ao dólar e o maior número de ativos mais baratos no País, reflexo direto da crise econômica, esses fundos se encorajaram a prospectar aquisições por aqui, sobretudo, em empresas ligadas a agronegócios, mercado imobiliário e logística.

Segundo fontes, um dos alvos da investida árabe é o Frigorífico Minerva. Segundo maior exportador de carne bovina do País, o frigorífico despertou o interesse da Saudi Agricultural and Livestock Investment (Salic), gestora fundada pelo rei da Arábia Saudita para investir especificamente em agricultura. A empresa saudita busca negócios no País na tentativa de garantir a segurança alimentar a uma região marcada pelas dificuldades na produção agrícola, em função da escassez de água.

Procurado, o Minerva não comenta o assunto, mas fontes afirmam que o frigorífico, que está altamente endividado, busca sócios e negocia a entrada de um investidor.

Menos agressivos que os tradicionais fundos de private equity (que compram participação em empresas para vender depois com lucro), boa parte desses fundos árabes – soberanos (do governo) ou de famílias reais – costuma agir como co­investidor, tem um tíquete alto para compra (que pode variar de US$ 200 milhões a US$ 500 milhões) e pensam a longo prazo.

Tradicionalmente, costumam se aliar a outros fundos globais ou locais para aportes em projetos prontos, sem grandes riscos. É o caso do fundo soberano do Catar, o Qatar Investment Authority (QIA), que investiu na Abril Educação (hoje Somos Educação), com o fundo Tarpon, um dos acionistas da empresa de alimentos BRF.

Em busca de negócios mais resilientes e com valorização no futuro, o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, o Abu Dabi Investment Authority (Adia) tem prospectado ativos no mercado imobiliário. No mês passado, o Adia anunciou associação com a Iron House, do grupo pernambucano Cornélio Brennand, para construir o primeiro hotel da rede canadense Four Seasons.

“O fundo tem investimentos em empresas brasileiras e uma equipe interna de gestores com foco na América Latina. O Brasil tem uma parte considerável dessa carteira”, garante uma fonte próxima ao Adia. Outras fontes afirmam que o fundo está à procura de imóveis sobretudo no eixo São Paulo­Rio.

Nem um histórico conturbado no País fez outro fundo soberano, o Mubadala, também de Abu Dabi, perder o apetite pelo Brasil. Um dos maiores investidores do império X, o fundo chegou a fazer um aporte de US$ 2 bilhões no grupo. Depois da derrocada das empresas criadas por Eike Batista, o Mubadala decidiu reverter o jogo.

O fundo converteu sua dívida em participação nos negócios de Eike e passou a deter ativos como a mineradora de ouro AUX, a empresa de entretenimento IMX, dona da marca Rock in Rio, e participação na Prumo Logística (antiga LLX). Em parceria com a trading Trafigura, o Mubadala tem hoje 65% do Porto do Açu.

Agora, o interesse do fundo soberano teria se voltado para o terminal de contêineres Tecon Sepetiba, que pertence à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário brasileiro Benjamin Steinbruch. Avaliado em cerca de R$ 1 bilhão, o Tecon tem vários interessados e a transação poderá ser definida ainda este ano. A CSN e o Mubadala não comentam.

 

Cartilha. As tomadas de decisões não costumam ser rápidas. Antes de fechar um negócio, eles seguem uma cartilha da lei islâmica – conhecida como Sharia. Por esse conceito, seus investimentos não podem, por exemplo, estar atrelados a empresas que fornecem bens ou serviços considerados contrários aos princípios islâmicos. “Há limites e regras claras. Por isso, esses investidores buscam negócios ligados ao agronegócio, sustentabilidade, logística”, afirmou Aldo De Cresci, sócio do Gasparini, De Cresci e Nogueira de Lima Advogados.

 

“Atividade financeira que gera lucro por mecanismos puramente de natureza especulativa é vetada.”

 

Brasil precisa se ‘vender’ melhor

Governo busca atrair investidores árabes ao País para apostar em fronteiras agrícolas da região do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia

Fonte: Estadão, 07 dez. 2015

 

O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas e de carne do mundo, não sabe “se vender” no mundo árabe. “O País tem um potencial enorme para expandir seus negócios na região, mas não explora essa capacidade”, afirmou ao ‘Estado’ Riad Naim Younes, vicepresidente de marketing da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).

O saldo da balança comercial para os países árabes (Oriente Médio e norte da África) foi positivo em US$ 2 bilhões em 2014, resultado de exportações de US$ 13,4 bilhões e importações de US$ 11,4 bilhões. A expectativa é manter o mesmo superávit este ano.

Entre os principais itens exportados para a região estão açúcar, carne e minério de ferro. Argélia, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são os maiores importadores desses produtos brasileiros.

O fim do embargo à carne brasileira para a Arábia Saudita poderá elevar os negócios para a região. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, participou no início do mês passado de uma missão aos países árabes para negociar a retirada do embargo e tentar atrair investidores árabes para o Brasil.

A ministra articula, para o início de 2016, uma série de visitas de investidores árabes na região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada uma das últimas fronteiras agrícolas brasileiras.

Com escassez de recursos hídricos, os países árabes buscam, sobretudo, fazer investimentos agrícolas em países como o Brasil para garantir segurança alimentar. Diante desse cenário, Kátia Abreu quer atrair esses potenciais investidores interessados em plantio de grãos, irrigação, carne bovina e florestas.

Tradicional exportador de commodities, o Brasil poderia aumentar as exportações de produtos de maior valor agregado. Esse discurso, entoado como um mantra, é recorrente entre os empresários brasileiros há muitos anos, mas o País não consegue reverter essa situação. Pouco marketing. Para Younes, da CCAB, as empresas brasileiras precisam ser mais agressivas para vender melhor o seu “peixe”.

Exemplo disso foi o que ocorreu entre os dias 23 e 26 de novembro, quando o Brasil teve uma participação pálida na feira de construção civil Big 5, o maior evento do setor no Oriente Médio.

Com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), apenas seis empresas participaram do evento, entre elas Deca e Tramontina. “Esse é um evento que reúne todo ano investidores de todo o mundo, uma oportunidade para o País divulgar o seu negócio”, afirmou Younes.

Países europeus que passam por momento econômico turbulento, casos de Espanha e Grécia, por exemplo, tiveram uma participação mais pujante.

Para investidores, o Brasil também poderia rever sua política de tributação para aportes da região. “Como alguns países árabes são considerados paraísos fiscais pela Receita Federal, sofrem bitributação, o que inibe esses investidores ao País”, disse uma fonte.

 

Tributos. A Apex confirma que a bitributação pode ter impacto em certos investimentos no País. Mas, segundo a agência, fundos de venture capital (empresas estabelecidas de pequeno e médio portes) e de private equity (que compram participação em empresas), por exemplo, que possuem recursos alocados em outros mercados (não considerados paraísos fiscais), não sofrem bitributação.

De acordo com a Apex, fundos árabes com investimentos aplicados em Londres, por exemplo, não sofrem bitributação se esses recursos forem deslocados para o Brasil. Atualmente, a Apex­Brasil tem focado sua atuação para atrair Investimento Estrangeiro Direto (IED) nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Não há, contudo, ações específicas voltadas para a região do Oriente Médio e norte da África.

Como os investidores árabes costumam fazer investimentos mais significativos em participação de empresas com outros fundos do que em projetos “greenfield” (a partir do zero), a identificação da fonte do investimento por parte das fontes oficiais é mais difícil de ser feita.

 

Logbras passa por mudança societária

Fonte: Valor, 07 dez. 2015

 

A Maori Holding comprou a fatia que a Property Brasil, do grupo Espírito Santo, tinha na Logbras e passa a deter 55% da empresa especializada em parques logísticos. A Maori é controlada pelo grupo TRX e por Marcos Amaro e Carlos Wizard. Antes do negócio, a Property Brasil e a Caixa Econômica Federal ­ por meio do FI­FGTS ­ tinham 45%, cada uma, de participação na Logbras. A gestora de galpões TRX, os 10% restantes. Após a operação, a fatia da Caixa foi mantida, e a Maori ficou com a participação majoritária de 55%.

 

Na operação, os 10% da Logbras que pertenciam à TRX foram absorvidos pela Maori. A TRX ­ que tem como sócios Luiz Augusto Amaral, José Alves Neto e Marcelo Faria Lima ­ possui 39,6% da holding, Wizard, 30,2% e Amaro, que já investia na TRX, os outros 30,2%. Os valores desembolsados pela TRX e pelos outros sócios da Maori para a aquisição da fatia da Property Brasil não foram divulgados. O desembolso pela fatia comprada já foi feito.

A TRX pretende ser a maior do Brasil no segmento de galpões no prazo dez anos, mas não há pressão de tempo, segundo Alves Neto. O grupo atua no setor por meio da Logbras, criada em 2011, e de outras empresas. Conforme o sócio da TRX, está em avaliação a possibilidade de os ativos de galpões do grupo não incluídos na Logbras serem incorporados pela empresa.

A Logbras possui 900 mil metros quadrados de galpões de área bruta locável (ABL) que, somada à dos demais projetos da TRX, chega a 1,5 milhão de metros quadrados, incluindo empreendimentos prontos e em desenvolvimento. Os seis parques logísticos da Logbras estão localizados no Estado de São Paulo, no Paraná e em Salvador. Há intenção de chegar a cerca de 15 condomínios em cinco anos. “Vamos nos posicionar onde entendemos que haverá demanda no médio prazo”, diz Alves Neto.

A estratégia para a expansão almejada inclui investir em novos projetos e adquirir portfólios prontos ou concorrentes, segundo o executivo, com financiamento por capital próprio e dívida. O desenvolvimento de projetos faz sentido, mesmo neste cenário de menos demanda, devido à redução tanto do preço de terrenos quanto do custo de obras, de acordo com o sócio da TRX. “Nossa visão precisa ser de longo prazo, para termos um portfólio disponível quando a retomada do mercado começar”, afirma Alves Neto.

Antes da reestruturação societária, a Logbras investia em galpões apenas no formato “build to suit”, ou seja, de construção sob medida, e os projetos do segmento em outros modelos eram feitos em outros veículos do grupo. A partir de agora, a Logbras vai desenvolver também galpões especulativos, ou seja, sem contratos prévios com clientes, e os chamados big boxes, grandes áreas para venda em escala por empresas varejistas.

 

Segundo o executivo, há oportunidades, no mercado, de aquisição de galpões como resultado da venda de ativos por parte de empresas da indústria automotiva, de alimentos, de comércio eletrônico, do setor farmacêutico e de indústrias leves. “As conversas para desmobilização de ativos cresceram muito, como parte da busca das empresas por eficiência”, diz Alves Neto.

 

Órgão municipal do patrimônio terá dois anos para avaliar tombamento

Após esse prazo, dono poderá reformar; regra consta da nova lei de zoneamento

 

Fonte: Estadão, 06 dez. 2015

 

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) terá dois anos para definir sobre processos de tombamento. O prazo estará estipulado na nova lei de zoneamento, que pode ser votada até o fim do ano. Defendida por conselheiros do órgão e pela Câmara Municipal, a medida visa a reduzir o tempo de espera para análise dos processos, que chega a durar mais de dez anos.

O descumprimento do prazo vai tirar os imóveis da fila do tombamento, liberando seus proprietários para fazer quaisquer reformas pretendidas nas edificações. Hoje, a abertura de um processo de tombamento já é suficiente para “congelar” a propriedade.

Levantamento feito pelo Estado mostra que somente 11 das 32 resoluções publicadas de janeiro a novembro deste ano tratam de novos tombamentos na cidade. A maioria diz respeito à definição da área envoltória de imóveis já tombados ou à abertura de novos processos.

Entre os bens que foram preservados neste ano está um casarão de 1910 projetado por Ramos de Azevedo para o número 623 da Avenida Angélica, em Higienópolis, no centro. Conhecido como “Casa de Dona Sebastiana de Souza Queiroz”, nome de sua primeira proprietária, o imóvel, que hoje é a sede paulista do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estava congelado desde 2002, quando o Conpresp decidiu pela abertura de seu processo de tombamento.

Além do casarão, foram tombados em definitivo, por exemplo, o conjunto de edificações da PUC, na zona oeste, a Escola Estadual Nossa Senhora da Penha, na zona leste, e a Casa Ranzini, a primeira residência do arquiteto Felisberto Ranzini, colega de Ramos de Azevedo. Na Rua Santa Luzia, Liberdade, o imóvel de 1924 é considerado um dos poucos exemplares florentinos em São Paulo.

Fila. De acordo com a Secretaria Municipal da Cultura, responsável pelo Conpresp, existem hoje 349 indicações de tombamento aguardando a análise do Departamento do Patrimônio Histórico e posterior encaminhamento ao Conpresp. Além desses casos, ambos os órgãos ainda estudam outras 830 indicações de bens.

Autor da proposta, o vereador Paulo Frange (PTB), relator da lei de zoneamento na Câmara Municipal, afirmou que a falta de um prazo para definição do tombamento leva a um resultado oposto do pretendido. “Muitos proprietários deixam de fazer os reparos necessários por causa da dificuldade em obter a aprovação no Conpresp. Com a nova regra, esperamos que todo o trâmite seja mais rápido”, afirma.

Para Marcelo Manhães de Almeida, que representa a OAB no conselho, a definição de um prazo é bom para todos. “Reconhecemos dentro do órgão que não é possível manter bens congelados por tempo indeterminado. Mas, para que a regra funcione é preciso aumentar o número de funcionários do Conpresp. Hoje, são cerca de 16 pessoas para analisar toda a cidade”, diz.

 

Lei. A criação de um prazo para os conselheiros do Conpresp finalizarem processos de tombamento na cidade vai depender da aprovação dos vereadores, que debatem atualmente a nova lei de zoneamento de São Paulo. O projeto de lei está em fase final de discussão e pode ser levado para votação em plenário já nesta semana.

Para ser aprovado serão necessários 37 votos favoráveis – a Câmara Municipal tem 55 representantes –, em duas votações separadas. O texto então segue para sanção do prefeito Fernando Haddad (PT) e só depois vira lei e passa a valer.

O artigo que estabelece dois anos para essa avaliação foi incluído pelo relator Paulo Frange (PTB) na última versão da lei, originalmente elaborada pelo governo. O argumento é que proprietários de imóveis indicados para tombamento ficam por muito tempo impossibilitados de fazer obras ou mesmo negócios de venda enquanto o Conpresp não se manifesta.

Para o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), a proposta é válida. “Isso é importante para definir a vida do proprietário, mas acho que o prazo deve ser determinado de acordo com o tipo de imóvel”, diz. Segundo o tucano, seria preciso estudar prazos distintos para cada tipo de bem.