Mercado Imobiliário 24/02/2015


Centro de SP tem queda de 70% no número de apartamentos vazios

Fonte: Folha

 

Ao mesmo tempo em que a área central mantém alguns de seus problemas —a cracolândia continua espalhada por diversas ruas—, a região se tornou também o centro para onde a cidade converge em plena madrugada nas viradas culturais e esportivas, revitalizou equipamentos culturais poderosos, como a Sala São Paulo, e vem ganhando endereços gastronômicos que rivalizam com casas descoladas de bairros como Pinheiros (foram pelo menos nove desde o final do ano passado).

É dessa segunda face, a de centro das atenções, que uma série de paulistanos está atrás quando resolve fixar residência na área.

Levantamento inédito da Prefeitura de São Paulo, obtido pela sãopaulo, mostra que a porcentagem de imóveis vazios no distrito da Sé (o centro velho) despencou: foi de 39,7% para 11,7% em uma década —queda de cerca de 70%.

Em 2000, aproximadamente quatro em cada dez apartamentos estavam vazios; dez anos depois, só um em dez está desocupado. Na vizinha República (o centro novo), a queda também foi expressiva, e a taxa de habitações sem moradores passou de 33,5% para 11,6%.

O mesmo fenômeno ocorreu nos distritos da região central em geral, como Santa Cecília (de 24,2% para 7,5%), Pari (de 27,9% para 9%) e Brás (de 33,6% para 13,5%).

Atualmente, a proporção de imóveis vagos na região está em patamar semelhante a de bairros tradicionalmente bem procurados, como Vila Mariana (de 16,4% para 9,1%) e Pinheiros (de 14,3% para 10%).

Na cidade como um todo, a chamada taxa de vacância também caiu, embora de forma menos intensa: passou de 14% para 7,5% —isso mesmo com a construção, no período, de 381 mil unidades habitacionais.

Os números são os mais recentes e foram obtidos pela análise dos dados dos dois últimos Censos do IBGE, de 2000 e 2010, e urbanistas e profissionais do mercado imobiliário explicam que a tendência de volta de moradores ao centro continua acentuada, com novos empreendimentos surgindo na região.

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Estudos internacionais indicam que taxas de moradias vagas em torno de 5% são adequadas para o bom funcionamento do mercado habitacional e que porcentagens muito altas acendem o alerta vermelho para especulação imobiliária ou degradação da área.

 

Para urbanistas, a capital paulista perdeu a oportunidade, no início dos anos 2000, com o centro desvalorizado, de ter mais habitações populares na área e atrair moradores.

 

“A região era onde havia mais imóveis desocupados, mas a mudança não aconteceu com moradia popular, mas porque o mercado imobiliário voltou a se interessar pela área”, diz o historiador do urbanismo Renato Cymbalista, da FAU-USP.

 

VALORIZAÇÃO

O médico Bruno Levenhagen, 40, decidiu morar no centro em 2007. Na época, o que o atraiu foram os preços mais baixos em relação a outros bairros e o charme dos amplos apartamentos da região da República.

Ele disse que estava satisfeito no seu espaçoso lar de 140 metros quadrados, com tacos de peroba e banheiros de mármore na avenida São Luís, quando surgiu uma oferta de compra. “Logo no segundo ano, recebi uma proposta. Isso gerou um ciclo, era fácil vender. Cheguei a pagar R$ 1.000 o metro quadrado. Hoje está em até R$ 7.000 [aumento de 600%].” De lá para cá, ele comprou e vendeu sete imóveis.

No geral da capital paulista, entre 2000 e 2010, a alta média no valor dos imóveis foi de 175%.

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MOTIVAÇÃO

Como é comum em zonas de valorização, não há somente uma motivação para a volta ao centro. Com os preços mais altos em outros bairros, parte da população escolheu os valores menores da região central em vez das áreas mais periféricas.

Em 1980, o centro chegou ao seu auge populacional, e os distritos da Sé e da República somavam 94 mil habitantes. Mas, 20 anos depois, em 2000, a região tinha perdido 26 mil moradores (28% de sua população). Uma década depois, o Censo de 2010 já mostrava forte inversão nessa tendência, com 80 mil pessoas na região.

Além dos preços mais acessíveis, a questão da mobilidade urbana é apontada como uma das causas da queda na taxa de vacância.

“O fato de a cidade estar com trânsito cada vez pior faz com que o centro, relativamente, passe a ficar mais atrativo, porque ficou muito ruim morar longe do trabalho”, diz Vanessa Nadalin, pesquisadora do Ipea que estudou a taxa de vacância durante o seu doutorado.

Quem procura o centro costuma dispensar o carro, já que a oferta de vagas nos prédios costuma ser menor do que o número de apartamentos —isso quando há estacionamento no condomínio—, e aproveitar a oferta de transporte público, além das ciclovias na região.

No edifício Viadutos, projetado por Artacho Jurado, a procura por apartamentos aumentou, mesmo as vagas de garagem sendo disputadas.

“Tinha muito mais apartamentos vazios antes, uns sete. Agora são só dois”, diz o síndico do Viadutos, José Marques. Ele comprou um apartamento de dois quartos lá em 2004, por R$ 60 mil. Hoje, devido ao aumento de procura, o mesmo imóvel vale ao menos R$ 500 mil. “Mas eu não vendo o meu nem por R$ 700 mil.”

Segundo Regina Meyer, professora da FAU-USP, há outra explicação para essa reversão. “Ao longo dos anos, a mudança do poder público para a área central trouxe quantidade expressiva de funcionários de órgãos administrativos para essa área. Isso não existia na década de 1990.”

Entre os anos 1970 e 2000, quando a cidade viu a mudança da sede de muitas empresas do centro para a avenida Paulista, e depois para Faria Lima e Berrini, a tendência da região foi o esvaziamento e a degradação.

Uma das estratégias públicas para reverter esse quadro foi a reforma de edifícios antigos para a instalação de equipamentos culturais, a exemplo da Sala São Paulo, da Pinacoteca, do Museu Catavento e do Centro Cultural Banco do Brasil. Também contribuíram a instalação de campi universitários na região.

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Mas essa conta tem mais variáveis, e o fator econômico é uma das mais importantes, afirma o economista Paulo Sandroni, da FGV.

“A partir de 2000, houve melhora do nível de renda das pessoas, com mais empregos, valorização do salário mínimo e todas essas políticas sociais que ajudaram as pessoas a comprar ou a pagar aluguel. Antes, filhos viviam nas casas dos pais, por exemplo. Com a baixa da taxa de juros, mais pessoas conseguiram a solução da casa própria.”

Um outro fator é comportamental, a tendência entre os mais jovens de viver em regiões em que se possa fazer tudo a pé —e hoje há uma valorização da cultura da bicicleta, por exemplo. E uma coisa puxa a outra.

Com o centro mais cheio de jovens adultos, bares e restaurantes descolados estão se instalando ali, especialmente entre as praças da República e Roosevelt.

 

EFEITO REVERSO

 

Além da reocupação, a volta do interesse pelo centro tem uma outra faceta: a dos imóveis que são comprados como investimento e ficam vazios por longos períodos.

 

Para Tomas Weissenbach, responsável pelo novo estudo da prefeitura, os dados indicam que houve uma retenção de imóveis por parte dos proprietários que perceberam que a demanda no centro estava crescendo. Isso explica também a alta nos preços das moradias.

 

Segundo Marcos Senna, gerente da imobiliária Imóveis Vintage, cujo foco é o centro, até 2005 havia muitos imóveis com o que ele chama de “proprietários finais”, pessoas que compram uma segunda propriedade com a finalidade de investir, mas não têm intenção de vendê-la logo. Mas, a partir de 2007, investidores também começaram a comprar, esperando a valorização. Ele cita como exemplo um imóvel de 198 metros quadrados comprado por R$ 300 mil e vendido a R$ 1,5 milhão anos depois.

 

“O centro estava em decadência, chegou a se tornar o lugar mais barato da cidade”, diz Roseli Hernandes, diretora comercial da administradora de imóveis Lello. O que causou um impacto também nos aluguéis.

 

Segundo ela, os valores giravam em torno de R$ 9 por metro quadrado entre 2000 e 2005. De 2005 a 2010, essa média já tinha saltado para R$ 12, e hoje está em cerca de R$ 20.

 

TEM ALGUÉM EM CASA?

 

O edifício Mood, no viaduto Major Quedinho, no centro, teve todos os seus 399 apartamentos vendidos em menos de um mês quando lançado, em 2010. Mas, nove meses depois de ter sido entregue para os proprietários, só cerca de 90 estão ocupados, segundo moradores e funcionários.

A sãopaulo fotografou a fachada do edifício às 21h, por uma semana. O número de janelas acesas nunca passou de 20, das 200 que ficam do lado fotografado do prédio.

“Não foi assim que concebemos o empreendimento [para ficar vazio enquanto valoriza], mas se vai bem para o cliente final, vai bem para o investidor”, diz Piero Sevilla, diretor de incorporação em São Paulo da Cyrela.

O gerente de projetos Rodrigo Montini, 33, conseguiu montar um grupo de WhatsApp com quem já mora no prédio. “É uma turma boa, de cerca de dez pessoas.” O intuito inicial da compra era colocar o apartamento para alugar, conta Montini, que mudou de ideia “depois de ver a estrutura e as áreas de lazer”.

Alguns investidores apostam no aluguel para aumentar o retorno financeiro. Roberto, um médico que pede para ter seu sobrenome preservado, optou por comprar quatro apartamentos no local. Outros três entrevistados somam 12 imóveis no mesmo edifício, que esperam para vender com lucro. Um apartamento de 46 metros quadrados, por exemplo, custa por mês R$ 2.953 (R$ 2.400 de aluguel e R$ 553 de condomínio). A cobertura de 95 metros quadrados está à venda por R$ 997 mil, o equivalente a R$ 10.500 por metro quadrado —no lançamento, o preço era R$ 8.000.

Para João da Rocha Lima Júnior, diretor do Núcleo de Real Estate (mercado imobiliário) da Poli-USP, quanto menor for o apartamento, mais ele atrairá investidores, pois seu preço final é mais baixo, mesmo que o valor do metro quadrado seja maior do que o de outros imóveis.

Fenômeno parecido aconteceu com cidades inteiras em alguns lugares do mundo. Israel é um dos exemplos. O poder público calcula que, só em Tel Aviv, 4.700 apartamentos sejam de estrangeiros ricos que os utilizem menos de 15 dias por ano.

“Além de esvaziar a cidade e tirar dela os benefícios sociais e econômicos de uma vida pulsante, esse fenômeno faz com que seja mais difícil para os moradores fixos acharem uma casa”, avalia o urbanista Yeni Sa’ar, da Universidade de Tel Aviv.

Para especialistas, uma das maneiras de evitar essa situação de esvaziamento é o IPTU progressivo, que começou a ser usado pela prefeitura neste ano, e duplica o imposto a cada ano ocioso, até o limite de cinco anos, quando o imóvel pode ser desapropriado pela administração.

Em janeiro deste ano, 81 imóveis foram notificados, 45 no centro. E a partir do ano que vem, se não forem ocupados, poderão começar a sofrer o aumento de IPTU.

 

MUITO A FAZER

Tanto moradores quanto investidores ainda têm motivos para esperar por melhoras no centro. Promessas de mudanças, como o projeto de revitalização Nova Luz, que custaria R$ 4 bilhões na região da cracolândia, nunca saíram do papel. Agora, a prefeitura aposta na requalificação do Vale do Anhangabaú para irradiar mais transformações na área.

A situação está mudando, mas, segundo especialistas, ainda faltam supermercados, lojas e escolas que tenham como alvo os novos moradores da região.

A sensação de insegurança ainda é um problema. E um dos motivos é justamente o fato de o comércio e os serviços serem focados em um público que vem da cidade toda, sejam eles trabalhadores ou apenas consumidores, mas em geral pessoas que voltam para seus bairros antes do anoitecer, quando então os estabelecimentos fecham as portas.

 

PPP da Habitação atinge só 26% das moradias do centro

 

Edital foi homologado com apenas um vencedor; serão erguidas 3.683 das 14.124 unidades planejadas. Haddad vê ‘revolução’

Fonte: Estadão, 24 fev. 2015

 

A primeira tentativa de construir habitação popular no centro de São Paulo por meio de uma parceria público­privada (PPP) atraiu financiamento para apenas 26% das moradias projetadas. Dividido em quatro lotes, o edital lançado em setembro do ano passado pelo governo do Estado, em parceria com a Prefeitura, foi homologado no dia 18 com um só vencedor, que será responsável pela construção de 3.683 das 14.124 unidades planejadas para a região.

Por R$ 82,5 milhões ao ano, a construtora Canopus Holding SA vai assumir os empreendimentos propostos para a Barra Funda, no perímetro entre as Avenidas Rudge, Pacaembu e Marquês de São Vicente. De acordo com o edital feito pela Secretaria Estadual da Habitação, a empresa terá de erguer 2.260 unidades de habitação de interesse social (HIS) e outras 1.423 unidades de habitação de mercado popular (HMP).

O primeiro modelo é destinado a famílias de baixa renda, que recebem por mês um piso salarial do Estado, que é de R$ 905, ou até 6 salários mínimos ­ R$ 5.430. Já o segundo, HMP, abrange também a classe média, uma vez que se destina a famílias com renda entre seis e dez pisos salariais, ou seja, de R$ 5.430 a R$ 9.050.

Na proposta colocada em licitação, a meta era construir 63% das moradias como HIS e as demais, 37%, como HMP, que são viabilizadas sem subsídios do poder público ­ nesse formato, todo o projeto, desde o modelo dos apartamentos à seleção dos interessados, fica a cargo do mercado imobiliário. Os bairros selecionados ficam no entorno da linha férrea do centro, na região da Barra Funda ao Belém.

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Prometida pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) desde 2013 como solução para “repovoar” o centro da capital, a PPP da Habitação passou a ser considerada solução também pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), que entrou como parceiro no projeto. A Prefeitura se propôs a repassar R$ 20 mil por unidade para ajudar a viabilizar o custo de se construir na região, onde os terrenos são caros e cada vez mais escassos.

Haddad chegou a contabilizar as cerca de 9 mil HISs previstas na PPP em sua meta de entregar 55 mil moradias populares até 2016. E, apesar do resultado do primeiro edital, o prefeito defendeu nesta segunda­feira, 23, o modelo. “Isso (a proposta de PPP) é inédito no Brasil. É um feito ter conseguido 4 mil unidades. Se o Estado tornar mais atraente a PPP e transformar esse número em 14 mil, 20 mil, será uma revolução no centro”, disse.

O petista espera agora que o edital seja revisto e relançado pelo Estado, que inicialmente projetava alcançar 20 mil unidades no centro com a PPP, mas reduziu a proposta pela dificuldade de se obter terrenos adequados na área. “Se chegarmos a 20 il, aumentaremos em 50% o total de moradias existentes no centro. Só para se ter ideia, ao longo de 30 anos, foram feitas 30 mil HISs no centro. Esse é um projeto suprapartidário, que poderá funcionar muito bem para a cidade”, afirmou Haddad.

Em nota, a Secretaria Estadual da Habitação afirmou que “será feita avaliação sobre a condução das próximas etapas”.

 

Minha Casa. A Prefeitura informou nesta segunda que negocia com o governo federal três mudanças no programa Minha Casa Minha Vida para viabilizar novas formas de moradia na cidade, especialmente no centro. Nesta segunda, o Estado mostrou que.

De acordo com o secretário municipal de Habitação, José Floriano de Azevedo Marques, a gestão Haddad pleiteia aumento no teto de financiamento, que hoje é de R$ 76 mil, e autorização para construir prédios com elevadores e estabelecimento comercial no térreo.

“Essas alterações devem ser anunciadas na terceira fase do Minha Casa Minha Vida”, disse Marques. Com elas, a Prefeitura espera otimizar os recursos, aumentando o número de unidades produzidas por terreno.

 

Caixa vai tornar financiamento do imóvel mais rápido

Fonte: Exame, 23 fev. 2015

 

A Caixa Econômica Federal começará a utilizar o registro eletrônico de imóveis no estado de São Paulo. De acordo com o banco, a tecnologia irá reduzir o tempo para liberação do financiamento imobiliário na região.

O prazo necessário para registrar a casa ou apartamento é de um mês, em média. A expectativa da Caixa é que esse tempo seja reduzido para cinco dias com a ferramenta.

A maior agilidade na operação será possível por meio de uma parceria realizada entre a instituição financeira e a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (ARISP), que representa os cartórios no estado.

O banco passará agora a enviar o contrato de forma eletrônica para os cartórios, que deverão realizar o registro da unidade no prazo de cinco dias úteis. Ou seja, não será mais necessário que o cliente vá até o cartório realizar a operação e volte para buscar o documento e levá-lo ao banco.

Quem deseja financiar um imóvel deverá apenas entregar toda a documentação exigida para a conclusão do acordo e assinar o documento físico do registro do imóvel na Caixa, que ficará sob a guarda do banco. O comprador terá a cópia física do registro e o PDF do registro eletrônico.

Para visualizar a imagem da assinatura digital do banco e a validade jurídica do documento eletrônico, é necessário apenas fazer o download do Assinador Digital, disponível de forma gratuita no site da Arisp.

O arquivo digital será assinado e enviado ao cartório pela Caixa, que tem a certificação digital necessária para realizar a operação e pode representar seus clientes. A operação não tem custos adicionais para o comprador.

Maior agilidade ajuda comprador de imóvel na planta – O prazo de liberação do financiamento é um dos pontos mais importantes na compra do imóvel, principalmente para quem adquire uma unidade na planta e precisa buscar crédito no banco na hora da entrega das chaves.

As construtoras costumam dar um prazo de 30 a 60 dias a partir da emissão do Habite-se do imóvel para que o cliente consiga obter o financiamento na instituição financeira. Caso não consiga a liberação do crédito nesse período, o comprador pode pagar juros e multas.

Quem busca um imóvel usado também pode perder o negócio caso o proprietário tenha urgência em vender a unidade e o financiamento não for liberado a tempo pelo banco.

A Caixa pretende expandir o registro eletrônico de imóveis para outros Estados ainda esse ano e espera que a tecnologia esteja funcionando em todas as regiões do país até o final de 2016.

Tempo total para liberação do empréstimo é maior – O prazo de cinco dias úteis vale apenas para o registro do imóvel, e não inclui o tempo médio da aprovação de crédito pela Caixa, de mais cinco dias úteis, segundo informações do banco.

Ou seja, se for incluído o prazo médio que o banco precisa para verificar se aprova ou não o crédito, o tempo para liberação do financiamento passará, na verdade, de 35 dias, em média, para cerca de 10 dias úteis.

A Caixa ressalta que esses prazos são válidos apenas se toda a documentação necessária para o financiamento estiver completa e em ordem. Quem deseja financiar o imóvel de forma mais rápida também não pode ter dívidas pendentes registradas em seu CPF.

Segundo a Associação Brasileira das entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), o tempo médio para liberação do financiamento nos bancos é de 40 dias. Mas esse prazo pode atingir até três meses em casos extremos.

 

Mercado Imobiliário 20/02/2015


Canadenses de olho no Brasil

Fonte: IstoÉ Dinheiro, 12 fev. 2015

 

O fundo de pensão canadense CCP-IB contratou o financista Fábio de Araújo Nogueira para dirigir sua área imobiliária na América Latina. Ou seja, está realmente de olho nas oportunidades de longo prazo na região. Nogueira é um dos pioneiros do mercado financeiro imobiliário no País. No grupo Ourinvest, fundou com o banqueiro Moise Politi o Brazilian Finance e Real Estate (BFRE), que foi comprado pelo BTG Pactual por R$ 1,3 bilhão, em 2012, no maior negócio do setor até hoje. Com passagens por bancos como BCN, Citibank, BFB e BankBoston, o executivo é um dos mais criativos e otimistas nomes do mercado financeiro nacional. O CCP-IB tem 18 milhões de pensionistas e ativos de US$ 188 bilhões. No Brasil, já investiu R$ 4,1 bilhões em ativos imobiliários.

 

Aluguel de imóveis residenciais perde para a inflação

Com o desconto da inflação, valor do aluguel caiu 4,65%, em média, no período de 12 meses, aponta índice FipeZap

 

Fonte: Estadão, 19 fev. 2015

 

O preço de novos contratos de locação de apartamentos residenciais está perdendo feio para inflação. Em 12 meses até janeiro deste ano, o valor do aluguel inicial pedido pelos locatários subiu, em média, 2,38% em nove cidade pesquisadas, segundo o Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados. No mesmo período, a inflação acumulada pelo índice oficial, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), foi de 7,14%. Isso significa que o aluguel para os novos contratos registrou queda de 4,65%, descontada a inflação do período. “Quem está alugando um imóvel hoje está gastando menos do que um ano atrás”, afirma Eduardo Zylberstajn, coordenador do novo indicador que, a partir de agora, começará a ser divulgado mensalmente. O índice, levantado em anúncios de locação feitos na internet, leva em conta nove cidades brasileiras: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), Santos (SP), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP) e Curitiba (PR).

No mês passado, o metro quadrado (m²) mais caro para alugar foi o do Rio de Janeiro (R$ 41) e o mais barato, o de Curitiba ( R$ 16). Das nove cidades pesquisadas, exceto Brasília, com alta de 9,61%, nas demais o valor pedido para locação perdeu para a inflação acumulada em 12 meses até janeiro.

Segundo Zylberstajn, a perda de fôlego do mercado de locação residencial reflete o esfriamento da economia em geral, que já apareceu na compra e venda de imóveis e também no mercado de trabalho.

IGP­M. O tombo no valor dos aluguéis novos é nítido quando se compara a sua variação em 12 meses até janeiro (2,38%) com a variação do Índice Geral de preços­ Mercado (IGP­M). Em 12 meses até janeiro deste ano, o IGP­M subiu 3,98%. Zylberstajn observa que, desde 2009, raras vezes a variação do preço do m² para locação de novos contratos perdeu para a inflação medida pelo IGP­M. Uma delas foi no início do ano passado, quando a inflação de alimentos disparou. A outra foi agora.

Geralmente o IGP­M é o indexador escolhido para reajustar os contratos antigos de aluguel. Com o enfraquecimento do mercado para novas locação, Zylberstajn diz que quem está alugando um imóvel hoje está fazendo melhor negócio do que quem tem está num contrato de locação antigo. “O poder de barganha está com o locador, antes não era assim.”

Outro ponto levantado pela pesquisa é a rentabilidade do aluguel para o investidor que opta por locar seu imóvel. Essa medida é importante para avaliar se o mercado imobiliário está mais ou menos atrativo em relação a outras opções de investimento, observa o coordenador do índice. Ele explica que esse indicador é calculado considerando o valor médio das novas locações em 12 meses em relação ao preço de venda do imóvel no mesmo período.

No mês passado, o retorno médio com aluguel nas nove cidades pesquisadas foi de 4,8% ao ano. No mesmo período, a taxa juros projetada para os próximos 12 meses na BM &F e descontada a expectativa de inflação estava em 5,4% ao ano. Isso mostra que neste momento o rendimento obtido com aluguel está perdendo para as aplicações no mercado financeiro.

Zylberstajn destaca que, desde setembro de 2014, a rentabilidade obtida com a locação de imóveis ficou abaixo dos ganhos com as aplicações financeiras, descontada a inflação do período. Esse movimento ocorreu por causa da elevação da taxa real de juros, provocada pelo aperto na política monetária para conter o avanço da inflação. Numa série iniciada em 2008, que compara a evolução da taxa de juros real e a evolução do aluguel, apenas em três momentos o aluguel perdeu para os ganhos do mercado financeiro.

 

Sem alarde, Joseph Safra amplia seu império

Banqueiro fez dois grandes negócios no mesmo dia, em Londres e Nova York

Fonte: Estadão, 20 fev. 2015

 

Em um único dia, no ano passado, duas transações bilionárias atraíram a atenção, de forma inusitada, para uma família de banqueiros que prefere viver longe dos holofotes. Em Londres, a torre de escritórios conhecida como Gherkin, projetada por Norman Foster, estava prestes a mudar de proprietário por US$ 1,1 bilhão. E em Nova York, os acionistas da Chiquita Brands International, produtora de bananas, finalmente aceitaram vender a companhia por US$ 1,3 bilhão. Quem comprou os dois ativos foi o Grupo Safra ­ braço de investimentos de uma família conhecida, mas que luta para manter sua privacidade.

À frente do grupo está Joseph Safra, de 76 anos, o último filho sobrevivente do patriarca que construiu a fortuna inicial da família. Com patrimônio avaliado em cerca de US$ 14,5 bilhões, de acordo com a Forbes, ele é o banqueiro mais rico do mundo. Além do vasto e crescente patrimônio imobiliário da família, sua fortuna é reforçada por uma rede de bancos internacionais, incluindo o Banco Safra, no Brasil, a J. Safra Sarasin Holding, na Suíça, e o Safra National Bank, em Nova York. Juntos, esses bancos administram mais de US$ 200 bilhões.

Com a recente aquisição, o Gherkin tornou­se a face mais notável de um portfólio imobiliário que inclui mais de 100 propriedades ao redor do mundo, como um conjunto de escritórios na Madison Avenue 660 e outros imóveis de luxo no SoHo, em Nova York. “A filosofia da família no ramo imobiliário é bastante similar à que adota em seus negócios financeiros”, disse uma pessoa que trabalhou com os Safra. “Trata­se realmente de preservar a riqueza. Eles compram para conservar e não para vender.” De fato, a família não vendeu nenhum dos seus ativos imobiliários em décadas.

No caso da Chiquita, o Grupo Safra viu uma oportunidade de diversificar suas receitas, com uma compra de longo prazo e pública. A demanda por bananas, fruta popular em todo o mundo, não deve diminuir. E ao se unir, nesse negócio, à fabricante de sucos de laranja Cutrale, o grupo pode se expandir sem correr muito risco.

Sempre tentando manter sua privacidade, Joseph Safra tornou­se um poderoso filantropo no Brasil. É um dos maiores doadores do hospital Albert Einstein e do hospital Sírio­libanês, em São Paulo. Entre seus sócios mais próximos, ele é conhecido como uma pessoa amável e humilde, costuma cozinhar para a família e para os amigos mais chegados. “Ele pensa em suas empresas 24 horas por dia, mas encontrou tempo para me telefonar diariamente quando estive no hospital depois de uma cirurgia cardíaca”, disse Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino­americano. Outras pessoas o descrevem como impaciente e irascível. “Ele quer que os problemas sejam resolvidos imediatamente. Você não pode desapontá­lo ou contrariá­lo”, disse um ex­empregado.

A fortuna familiar que a família Safra vem construindo deve sobreviver por 100 anos ou mais. “Eles têm um horizonte de tempo de muitas gerações”, disse um importante banqueiro. Suas raízes estão em Alepo, na Síria, onde trabalhavam como comerciantes. O pai de Joseph Safra, Jacob, mudou­se para Beirute e abriu um banco após a Primeira Guerra Mundial, aproveitando­se da emergência do Líbano como centro cosmopolita do Oriente Médio. Após a Segunda Guerra, o velho Safra mudou­se com a família para o Brasil e em 1957 criou o Banco Safra, com sete funcionários. Hoje, é a oitava maior instituição bancária do País, com mais de US$ 56 bilhões de ativos.

Discretos. Não obstante a notoriedade da família, Safra e seus parentes são decididamente pessoas muito discretas. Não aparecem em colunas de fofocas e seu nome não está associado ao de políticos ou celebridades. “Para muitos brasileiros ele é um mistério”, disse Paulo Feldmann, professor de economia na Universidade de São Paulo, estudioso da cultura empresarial latino­americana.

O irmão mais velho de Joseph Safra, Edmond, deixou o grupo e fundou novos bancos na Europa e Nova York. Em 1999 ele vendeu o Republic National Bank of New York para o HSBC por US$ 10 bilhões. Edmond morreu num incêndio em circunstâncias suspeitas no final daquele ano. Joseph e seu irmão mais novo, Moise, administraram juntos o Banco Safra até 2006, quando Joseph comprou a participação do irmão e tornou­se o único proprietário do banco. Moise morreu no ano passado aos 79 anos.

Hoje, embora ele permaneça na chefia da família, seus três filhos, Jacob, David e Alberto, vêm assumindo funções mais proeminentes. Jacob, o mais velho, divide seu tempo entre a Suíça e Nova York, supervisionando as operações do J. Safra Sarasin e do Safra National Bank of New York e operações não ligadas a bancos fora do Brasil. David e Alberto, por sua vez, dirigem o Banco Safra no Brasil. O pai viaja constantemente, entre Brasil, Suíça e Nova York.

Para sobreviver no mercado brasileiro, Joseph se concentrou na administração de ativos de clientes ricos e em empréstimos para empresas e indivíduos que oferecessem garantias sólidas, como imóveis. “Ele sempre se empenhou no sentido de um crescimento lento e sustentável para manter o banco sempre com muita solidez”, disse Feldmann.

Ao longo dos anos, ele adquiriu bancos de menor porte e também investiu fora do mercado financeiro. Comprou participações em empresas têxteis e de celulose brasileiras e em 1998, em parceria com a BellSouth, fundou a empresa de telefonia celular BCP que se tornou a segunda maior do setor no Brasil e acabou vendida, por uma pechincha, para a América Móvil em 2003. Agora, ele comprou o Gherkin também por uma pechincha. O prédio foi vendido em vias de falência. A família acredita que pode fazer melhorias e elevar os aluguéis, aumentando os lucros do imóvel.

 

Mercado Imobiliário 09/02/2015


Mercado imobiliário está cheio de oportunidades, diz estudo

Fonte: Exame.com, 06 fev. 2015

 

Um estudo da consultoria Prospecta Inteligência Imobiliária, divulgado com exclusividade para EXAME.com, revela as 100 melhores cidades com menos de 1 milhão de habitantes para investir em imóveis no país.

De acordo com o resultado, São Bernardo do Campo, na região do ABC, no estado de São Paulo, é a cidade com mercado imobiliário mais atrativo do Brasil.

Na segunda posição do ranking está Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul e em terceiro lugar aparece Santo André, também no ABC (veja a lista completa das 100 melhores cidades).

Para mostrar quais são as cidades com maior potencial, a consultoria, que tem base em Maceió, desenvolveu um indicador que analisa a atratividade dos municípios a partir do cruzamento de uma série de variáveis.

O estudo é inovador na medida em que utiliza dados de demanda para observar as oportunidades de investimento, em vez de focar na oferta, como é a praxe na maioria das análises imobiliárias.

A Prospecta analisou 94% das cidades brasileiras para chegar às conclusões do P2i-Lead. “O objetivo do indicador é conduzir os investidores e empresários a lugares que são atrativos, mas ninguém está olhando”, afirma Cristiano Rabelo diretor de Novos Negócios da Prospecta.

Segundo ele, as cidades mais populosas não foram incluídas no ranking justamente porque o indicador visa destacar as cidades que estão com crescimento latente. “Algumas capitais já estão com um certo nível de saturação e o objetivo é entender o que despontaria como oportunidade para investimentos”, diz Rabelo.

O mercado não está em crise – Segundo a empresa, o estudo mostra que o mercado imobiliário não está saturado. A consultoria observa que o aumento de renda da população brasileira provocou um boom imobiliário, decorrente da inclusão das classes menos favorecidas no mercado.

No entanto, quando as condições de crédito, emprego, aumento de renda, juros e inflação controlada se alinharam, e uma camada maior da população passou a comprar imóveis, os agentes do mercado disponibilizaram produtos de forma desordenada.

Assim, a falta de planejamento proporcionou movimentos de oferta concentradas em algumas regiões, gerando superoferta e elevação de estoques.

Nas conclusões do estudo, a consultoria afirma: “As localidades mais aquecidas normalmente são os mesmos alvos dos investidores e com tantos players olhando para o mesmo lugar, com o tempo é natural que as oportunidades na localidade diminuam”.

Conforme defende Cristiano Rabelo, no entanto, o mercado não está em crise, os investidores é que talvez estejam olhando para os lugares errados. “O P2i-Lead mostra que existem muitas regiões com demanda reprimida e que possuem populações com alta capacidade financeira para comprar imóveis”, diz.

De olho na demanda – Enquanto muitos estudos usam o valor médio do metro quadrado para apresentar o potencial de uma determinada região, concentrando as atenções sobre as características dos imóveis ofertados, a Prospecta buscou avaliar a atratividade das cidades a partir da demanda.

A empresa justifica que ao observar a oferta, a análise se debruça sobre dados que já ocorreram. Já ao olhar a demanda é possível observar melhor o que está por vir.

“O mercado está acostumado a olhar atratividade pela oferta, nós queremos dar esse contraponto pela ótica da demanda, uma vez que a demanda é que decide o que comprar, quando comprar, onde comprar”, afirma Cristiano Rabelo.

Ele explica que as cidades que aparecem nas 100 primeiras posições do P2i-Lead atingiram uma nota alta no índice a partir do preenchimento de quesitos como: alta renda per capita, alto número de pessoas economicamente ativas, déficit imobiliário considerado atrativo, nível de instrução elevado, alta capacidade de endividamento, entre outros.

O indicador observa a renda, por exemplo, para mostrar se a população da cidade tem capacidade financeira para comprar imóveis. O nível de instrução, de forma semelhante, mostra se a cidade tem uma população que tende a ter maior nível de renda.

Um dos pontos de destaque ainda é a avaliação dos movimentos migratórios das cidades, que tem forte correlação com o aumento no consumo dos produtos imobiliários.

Como as variáveis trabalhadas são focadas na demanda do ponto de vista das pessoas físicas, O P21-Lead foca principalmente em imóveis residenciais.

Por se tratar de um estudo voltado aos imóveis residenciais, ele pode ser útil tanto para empresas que buscam investir em empreendimentos imobiliários, quanto investidores que buscam as melhores cidades para comprar um imóvel com o objetivo de obter renda.

Cristiano Rabelo ressalta, no entanto, que o indicador não deve ser o único critério usado para a decisão do investimento.

“O P2i Lead sinaliza que ali existe um mercado para que eu possa comercializar, mas é preciso analisar também a oferta. Uma coisa é saber que existe demanda e de qualidade. Depois é preciso analisar se o local já possui oferta para o tipo de produto que a empresa ou o investidor estão buscando oferecer”, diz o diretor.

 

Além de apresentar uma nota sobre a cidade, que indica em qual posição ela está no ranking, o indicador também mostra o potencial da cidade para investimentos em imóveis de alto, médio e baixo padrão.

Para cada um desses três padrões é atribuída uma classificação, que vai de péssimo a ótimo. São Bernardo do Campo, que é a cidade líder do ranking, tem ótimo potencial para os três padrões de imóveis.

No entanto, entre as 100 cidades com melhores notas, algumas podem ter um péssimo potencial para imóveis de alto padrão e ótimo potencial para empreendimentos de baixo padrão, por exemplo.

Metodologia – O estudo incluiu apenas cidades com menos de 1 milhão de habitantes, segundo a projeção de população para 2013 da empresa Onmaps – Geofusion, plataforma de inteligência geográfica que reúne informações sociodemográficas.

A consultoria selecionou em um primeiro momento as variáveis socioeconômicas e demográficas que considera relevantes para indicar a atratividade imobiliária de uma região.

A partir desses critérios, foram realizados testes de correlação estatística para definir a ponderação mais precisa entre os dados levantados.

Como o objetivo do indicador é identificar atratividade imobiliária, traduzida por dados que caracterizam a demanda, só foram consideradas variáveis que se mostraram no mínimo relevante.

As variáveis foram divididas em três diferentes níveis, definidos a partir de cálculos que mostravam a correlação das informações.

No primeiro grupo foram relacionadas as variáveis relevantes, que são: área, densidade demográfica, Índice de Gini, empresas atuantes, nível de instrução fundamental completo e médio incompleto.

As variáveis muito relevantes foram enquadradas no segundo grupo, que inclui: PIB, empregos formais, níveis de instrução – sem instrução e fundamental incompleto; médio mompleto e superior incompleto; e domicílios na condição de próprio e quitado.

E no terceiro grupo foram incluídas as variáveis indispensáveis, que são: taxa de urbanização, renda domiciliar, população com faixa etária entre 20 e 49 anos, migrantes de data fixa, nível de instrução superior completo, domicílios na condição de déficit; IDH-M.

Cada grupo teve um peso diferente no cálculo, de acordo com sua importância.

Em seguida, foi realizada uma análise comparativa embasada na quantidade de domicílios por faixa de renda, para identificar a potencialidade de cada cidade para cada tipo de empreendimento imobiliário: de baixo, médio e alto padrão.

Nessa análise foram considerados domicílios da classe A para alto padrão, domicílios da classe B para médio padrão e domicílios da classe C para baixo padrão.

A empresa avalia que essas diversas variáveis, aparentemente desconectadas, se complementam quando analisadas em conjunto.

As fontes utilizadas para o estudo contemplam instituições como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Ministério do Trabalho, Associação Brasileira de Estudos Populacionais, Data SUS e Onmaps – Geofusion.

 

Preços em queda real no mercado imobiliário

Fonte: Estadão, 08 fev. 2015

 

O Índice FipeZap de preços pedidos pelos imóveis registrou uma elevação nominal de apenas 0,39% entre dezembro e janeiro e de 6,29% em relação a janeiro de 2014. O que vinha sendo mera redução nominal de preços se tornou agora redução real, indicando que o quadro de estagnação que domina a economia chega com mais força ao mercado imobiliário.

 

Em 20 cidades analisadas em todo o País, as variações de preço oscilaram entre ­0,68%, em Porto Alegre, e +1,43%, em Fortaleza. A intensidade da queda foi generalizada, mas o peso foi muito maior em Curitiba, Santos e Niterói, além da capital gaúcha.

Mesmo nos mercados mais fortes a alta nominal de preços não bastou para compensar a inflação: supondo um IPCA de 1,2% em janeiro e de 7,1% em 12 meses, houve em São Paulo uma queda real dos preços pedidos pelos imóveis de 0,1% e no Rio de Janeiro, um recuo de 0,4%.

Na média das cidades analisadas, os preços pedidos aumentaram 6,29% em 12 meses, com queda real estimada em 0,8 ponto porcentual.

A queda real de preços ­ ocorrida em 11 das 20 cidades analisadas ­ confirma a tendência verificada nos últimos dois anos: os preços médios pedidos haviam subido 14,74% entre 2012 e 2013 e 6,7% entre 2013 e 2014. Janeiro, portanto, foi o primeiro mês, desde 2011, a registrar diminuição dos preços reais.

A perda de fôlego do segmento imobiliário deve­se ao enfraquecimento do mercado de trabalho e à elevação dos juros, enfatizou Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice FipeZap. “Os juros cobrados no crédito imobiliário subiram na Caixa e em outros bancos”, afirmou. Na Caixa Econômica Federal, a alta foi aplicada a partir de 19 de janeiro.

Cabe notar que nos mercados de São Paulo e do Rio ainda houve altas nominais mensais de 0,46% e 0,33% em janeiro, e de 7,02% e 6,63% em 12 meses. É sinal de que os vendedores resistem, portanto, a reduzir mais expressivamente os preços, ainda que o ritmo de negócios esteja em desaceleração, como confirmam, por exemplo, pelas estatísticas mensais divulgadas pelo sindicato da habitação (Secovi).

O mercado imobiliário continua a beneficiar­se do crescimento populacional e da formação de novas famílias ­ estimada em 1 milhão por ano por Zylberstajn.

Mas isso não basta para sustentar os preços dos imóveis, com a exceção de cidades ou regiões onde a oferta de habitação ainda é menor do que a demanda.

Parque Augusta será aberto em 2016, diz construtora

Pelo projeto, terreno deve abrigar edifícios até 2019; ativistas pedem preservação completa do local

Fonte: Estadão, 07 fev. 2015

 

O Parque Augusta, no centro da capital paulista, será aberto em 2016. Pelo menos é o que prometem as construtoras Cyrela e Setin, proprietárias do terreno. A abertura, entretanto, não será da maneira como os ativistas – que ocupam a área desde o dia 17 – desejam.

O imbróglio que envolve o terreno de 23,7 mil metros quadrados na Rua Augusta, entre a Caio Prado e a Marquês de Paranaguá, é longo. Em 1902, ali foi erguido casarão, projetado por Victor Dubugras (1868­1933). Quatro anos mais tarde, foi vendido. No local, religiosas fundaram o Colégio Des Oiseaux, tradicional escola para meninas que funcionou até 1969.

Desde então, o terreno jamais reencontrou uma vocação. Foi declarado de utilidade pública, comprado por um empresário, foi sede de eventos culturais e abrigou um estacionamento. Em 2004, a área foi tombada pelo Conpresp, o órgão municipal de proteção ao patrimônio, garantindo salvaguarda ao bosque – atualmente com 709 árvores – e aos remanescentes do antigo colégio.

Obra. Em 2008, as construtoras Cyrela e Setin assinaram um compromisso de compra do imóvel, com intenção de erguer um conjunto de edifícios, de uso misto. De lá para cá, manifestações de ativistas em defesa da criação do Parque Augusta só aumentaram. O coro foi engrossado pela autorização, pela Câmara, em 2011, e pela lei municipal, em 2013, de um parque no local. Mas há dez dias, o Conpresp aprovou o projeto das construtoras, que agora tem de passar pelo crivo das Secretarias de Licenciamento e do Verde e do Meio Ambiente.

O plano é que sejam erguidos um prédio de escritórios e hotel, um de pequenos apartamentos (estúdios) e dois de apartamentos convencionais. As alturas devem variar de 36 a 45 metros. Na obra, 46 árvores devem ser removidas. Mas as construtoras se comprometem a plantar dez novas para cada uma que sair. O empreendimento deve deixar impermeável 49,2% do solo; porém, manteria a passagem pública por 60% da área.

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50,8% do solo do terreno será mantido permeável – ou seja, não terá nenhuma construção.

 

A repercussão foi forte. O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU­USP), afirma que, .

Diretora jurídica da Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira César (Samorcc), Célia Marcondes diz que defender o parque é “questão de sobrevivência, já que a região tem apenas 1,2 metro quadrado de área verde por habitante”. Do grupo de ativistas, o advogado Daniel Biral garante que os ocupantes do terreno seguem em “vigília criativa”, confiantes de que conseguirão barrar o projeto.

“Se não houver mais invasões, se ninguém mais nos atrapalhar, vamos entregar o parque em 2016”, diz o presidente da Setin, Antonio Setin. “Só então começaremos os alicerces do empreendimento, cuja conclusão está prevista para 2019.”

Segundo Setin, a entrega do parque é ótimo negócio para a Prefeitura, que não teria de desapropriar a área. As construtoras pagaram R$ 64,2 milhões em janeiro de 2014. Hoje, o valor venal é de R$ 128,8 milhões. Os últimos parques custaram, em média, R$ 3 milhões ao Município. “Apresentamos à Prefeitura alternativas, como permuta com outro imóvel da municipalidade”, diz Célia.

Para o Conpresp, houve vitória no modo como o empreendimento foi aprovado. “O projeto atende à resolução de tombamento e conseguimos garantir a fruição pública no térreo, além de que a área verde seja aberta ao público”, diz Nádia Somekh, presidente do órgão.

 

Mercado Imobiliário 02/02/2015


Centro de SP recebeu 43 lançamentos nos últimos três anos, aponta estudo

Fonte: Fôia, 30 jan. 2015

 

Na mira das construtoras, sobretudo aquelas interessadas em apartamentos compactos, a região central da cidade de São Paulo recebeu 43 lançamentos imobiliários nos últimos três anos, segundo levantamento da imobiliária Lopes.

Entre os bairros considerados pelo estudo estão Bom Retiro, Pari, Brás, Liberdade, Bela Vista, Higienópolis e Santa Cecília.

Ao todo, a região criou 7.290 novas unidades e movimentou R$ 2,9 bilhões de VGV (Valor Geral de Vendas) –calculado pela soma do valor potencial de venda de todas as unidades de um empreendimento a ser lançado.

Das unidades lançadas, 20% encontram-se em estoque. São consideradas unidades em estoque aquelas ainda em comercialização logo após seu lançamento.

O preço médio do metro quadrado no centro de São Paulo ficou em torno de R$ 10.210.

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ENXUTOS

 

O estudo aponta também que 93% dos apartamentos lançados têm até 69 metros quadrados e 7% medem de 70 m² a 109 m².

“Com um ritmo de vida muito dinâmico, diminui a necessidade por área útil ampla e aumenta a procura por serviços e facilidades dentro do condomínio”, explica Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da Lopes.

Os empreendimentos lançados também foram classificados de acordo com o padrão e distribuídos entre os segmentos popular (5%), econômico (46%), médio (39%), alto (5%) e altíssimo (5%).

O levantamento identificou ainda 42 futuros lançamentos na região.

 

Começa a temporada de desconto na venda de imóvel

Fonte: Valor, 02 fev. 2015

 

O mercado imobiliário deu largada, neste mês, à primeira rodada do ano de descontos de preços e facilidade de pagamento de imóveis. Trata­se de tentativa de incentivar, num período sazonalmente fraco, a venda tanto de estoques quanto dos lançamentos feitos no quarto trimestre de 2014. Há quem comente, no mercado, que incorporadoras farão nova leva de abatimentos de preços após o Carnaval.

A necessidade de estimular a tomada de decisão de compra se faz ainda mais necessária diante das incertezas em relação à economia. Vários ajustes macroeconômicos já começaram a ser anunciados, mas o clima ainda é de apreensão nas pontas compradora e vendedora, em função da possibilidade de aumento do desemprego e da preocupação do quanto as esperadas altas da taxa básica de juros Selic terão impacto no financiamento imobiliário.

Em 2014, os lançamentos das incorporadoras de capital aberto caíram pelo terceiro ano consecutivo, mas o nível de estoques continuou elevado. O volume de estoques das incorporadoras foi reforçado por distratos ­ principalmente, de unidades prontas ­ e pela retração da demanda num ano de Copa do Mundo, eleições e Carnaval tardio.

Há expectativa que o conjunto dos lançamentos das incorporadoras listadas em bolsa possa ter nova redução em 2015. Na prática, as incorporadoras tendem a dar prioridade à busca de redução dos volumes de unidades prontas ou em via de serem concluídas em relação a lançamentos.

Desde 2014, a maioria das incorporadoras adotou o discurso de falar de capacidade de lançamentos ao invés de meta de Valor Geral de Vendas (VGV) de projetos a serem apresentados. Em geral, as empresas dizem que o volume efetivo a ser lançado depende das condições de mercado.

Nesse contexto e com mais um ano de entregas expressivas de empreendimentos ­ ainda que em patamar menor do que o volume de obras concluído no ano passado ­, incorporadoras apostam, novamente, em descontos e na melhora das condições de pagamento, para diminuir estoques e reforçar a geração de caixa.

A PDG Realty, por exemplo, oferece até R$ 200 mil em abatimentos para compras à vista até 15 de fevereiro, em 50 empreendimentos de São Paulo e outras cidades do Estado. No fim de 2014, a PDG informou que continuaria a conceder descontos na venda de imóveis.

A Rodobens Negócios imobiliários tem concedido descontos para acelerar vendas nas cidades em que possui unidades residuais enquadradas no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Para os produtos

direcionados para a média e média­alta renda, a Rodobens não oferece abatimentos.

No mercado, nem todos os descontos oferecidos são explícitos. A Gafisa, por exemplo, tem em curso, neste trimestre, campanha de venda de imóveis com parcelas fixas, sem correção e sem ajustes pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC) até o término das obras.

A Trisul fará campanha de descontos depois do Carnaval, com VGV de cerca de R$ 370 milhões em unidades de padrões médio e médio­alto na capital paulista, na Região Metropolitana de São Paulo e outras regiões do Estado

 

Para MRV, custo decorrente de escassez será marginal

Fonte: Valor, 02 fev. 2015

 

O setor de construção terá de se adaptar caso se confirme racionamento de água e de energia elétrica, mas não se espera que aumento de custos em parte das mudanças a serem adotadas terá impacto expressivo em suas margens nem atrasos na entrega de empreendimentos. Quando as obras em execução foram planejadas, o cenário não era de risco de desabastecimento de água e energia elétrica.

“As empresas vão colocar geradores nas obras se houver falta de energia, como já foi feito no passado. Caso haja racionamento de água, é possível utilizar caminhões­pipa”, afirma o vice­presidente de tecnologia, qualidade e meio ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon­SP), Paulo Sanchez.

 

Para a MRV Engenharia, o aumento do custo, caso seja necessária a adaptação a um cenário de escassez de água e energia, seria marginal, de acordo com o co­presidente da incorporadora, Eduardo Fischer, e não implicaria em estouros de orçamento. “Eu me preocupo mais com o impacto do racionamento para o PIB [Produto Interno Bruto] do que para o meu negócio”, afirma o co­presidente da empresa.

 

Segundo Fischer, a MRV não é “grande utilizadora de energia e água”, e a diversificação geográfica de suas obras contribui para que os impactos de eventuais restrições de oferta sejam diluídas. Em 2001, quando houve

racionamento do consumo de energia, a MRV utilizou geradores em momentos de desabastecimento. A companhia tem contratos de fornecimento de energia por meio de geradores. Num ambiente de restrição de oferta, poderá comprar ou alugar esses equipamentos.

Há possibilidade também de substituição, nas obras, de gruas, que consomem muita energia, por manipuladores telescópicos que utilizam diesel como combustível. Antes do início das obras, a MRV já avalia se o mais adequado é usar um ou outro equipamento. Se for necessário substituir o uso de gruas no meio das obras, haverá um custo marginal, diz Fischer.

A MRV tem sistemas de captação e reúso de água, que podem ser ampliados, de acordo com o co­presidente. Boa parte das soluções utilizadas nas obras são secas. “O concreto demanda água, mas vem das usinas”, acrescenta Fischer.

A São Carlos Empreendimentos e Participações, de propriedades comerciais, diz investir constantemente para tornar seus prédios mais eficientes e econômicos, afirma Marcelo Scarabotolo, diretor de operações.

 

Segundo Scarabotolo, se houver um agravamento do cenário, a empresa vai acelerar as medidas adotadas para reduzir o consumo de água e energia elétrica. “Vamos investir um pouco mais, trocar equipamentos para reduzir o consumo onde entendermos que existe necessidade”, afirma o diretor.

A empresa pretende intensificar o uso de geradores a gás que tornem seus prédios auto­suficientes. “Podemos utilizá­los nos períodos de picos de consumo, tendo inclusive um benefício econômico”, afirma Scarabotolo.

Além dos investimentos em equipamentos para consumir menos água e energia, a São Carlos está reduzindo a limpeza das fachadas dos prédios, praticamente eliminou a rega de jardim e vai implementar campanhas

educativas.

 

Sustentabilidade vence a guerra pela moradia

Por Sabetai Calderoni e José P. Santiago

 

Nossas cidades, sobretudo as áreas metropolitanas, estão se transformando em praça de guerra, no confronto entre polícia e moradores envolvidos em frequentes episódios de invasão de edifícios e até de parques públicos. Conflitos com os sem­teto vão se repetir e as cidades brasileiras vão virar campo de batalha se não for resolvido, com urgência, o problema da falta de moradia.

As maiores dificuldades para eliminar o déficit habitacional brasileiro, de 5,8 milhões de moradias, são a escassez e os elevados custos dos terrenos e da infraestrutura, sobretudo nas grandes cidades. A opção por construções populares de um único andar, sequer geminadas, agrava esse quadro. Por que subutilizar terrenos caros e raros, elevando ainda mais os custos da infraestrutura?

Alternativa promissora para solução do problema é implantar edificações verticalizadas nas próprias favelas. O caminho é promover a permuta de habitações situadas em áreas planas dessas comunidades por apartamentos a serem edificados no mesmo local, em prédios, por exemplo, de dez ou doze andares.

Mas há espaço suficiente nesses territórios para abrigar o número de edifícios necessários para se vencer o déficit habitacional? Segundo o Censo de 2010 do IBGE, a população brasileira que mora em favelas é portentosa. Eram 11,4 milhões de pessoas vivendo em 3,2 milhões de domicílios (média de 3,56 habitantes/domicílio), envolvendo 323 municípios e 6.329 aglomerados subnormais, tendo à frente São Paulo, com 2.715.067 habitantes, e Rio, com 2.023.744.

A surpresa é que 52,5% dessas moradias estão em áreas planas. E do total, 64,6%, isto é, 2.081.977 habitações, contam apenas com um andar, demonstração eloquente do elevado grau de subutilização dos terrenos que ocupam.

É possível eliminar a totalidade do déficit habitacional do país, de 5,8 milhões de moradias, utilizando apenas 15% da área ocupada pelas habitações das favelas, ou 30% da área plana desses territórios, supondo a construção de prédios com cerca de 12 pavimentos.

Os espaços remanescentes, 85% do total, poderiam receber importantes melhorias, como novo traçado viário, iluminação pública, infraestrutura social (creches, escolas, postos de saúde etc.) e obras de saneamento de baixo custo, como mini­estações de tratamento de esgoto.

O ganho ambiental e de segurança seria imenso, oferecendo as novas habitações à população que reside em encostas, nascentes, morros, várzeas e demais áreas de proteção ambiental. Os moradores receberiam títulos de propriedade, importante para o fortalecimento da cidadania e autoestima.

Muitas grandes favelas localizam­se em regiões bem providas de transporte e próximas de áreas com maior oferta de serviços e empregos. Assim, a verticalização reduz o custo da infraestrutura, aumenta as oportunidades de inserção produtiva e de atendimento social.

Além da verticalização, que reduz custos e traz melhor aproveitamento dos terrenos e da infraestrutura, deve­se atentar também para os custos dos materiais de construção, da mão de obra e para o poder aquisitivo dos moradores.

A reciclagem de entulho surge como importante alternativa para reduzir custos e elevar os rendimentos das famílias. Com o entulho podem ser produzidos artefatos pré­moldados, tijolos, telhas, postes, guias e sarjetas.

São elementos de uma tecnologia já dominada de industrialização da construção civil que simplifica, acelera e economiza.

A reciclagem de entulho é atividade que aumenta as oportunidades de trabalho e os rendimentos das famílias residentes, que poderão participar da construção dos novos prédios. Todos esses fatores contribuem para reduzir os custos das moradias.

Esses custos podem ser bem mais baixos. Nos edifícios construídos sob coordenação do MTST em Taboão da Serra, com o mesmo custo de apartamentos de 39 m2 do Programa Minha Casa Minha Vida, foram

concluídos e entregues apartamentos de 63 m2 , com três dormitórios.

É um ganho de 50%! Por esse sistema, em vez de 3,4 milhões de moradias, poderiam ter sido construídas 5,7 milhões, isto é, 2,3 milhões a mais, o que equivale a 40% do déficit habitacional do país.

Parte do sucesso deve­se à doação do terreno pela prefeitura. Isso reforça a ideia de utilizar áreas das favelas permutando habitações lá existentes por apartamentos novos e oferecendo ao morador, como atrativo adicional, o título de propriedade.

O Programa Minha Casa Minha Vida, em cinco anos (desde 2009), viabilizou a contratação de 3,4 milhões de moradias aplicando R$ 216,69 bilhões. Portanto, o déficit habitacional pode ser eliminado aplicando­se o mesmo

volume de recursos se as habitações custarem 40% menos, o que é possível apenas com a eliminação dos custos de obtenção dos terrenos. Com as demais economias mencionadas, a redução de custos será necessariamente maior. Pelas PPP (Parcerias Público Privadas) empresas podem transferir tecnologia e assegurar treinamento para desenvolver esse modelo, garantida a participação de todos os agentes nos processos decisórios e nos frutos do trabalho coletivo.

 

A remuneração dos parceiros privados pelos investimentos que aportarão virá da exploração comercial dos estabelecimentos ou dos espaços a serem instalados nos andares térreos dos novos prédios, da manutenção de vias e da exploração da Central de Reciclagem de Entulho. É conveniente também que o parceiro privado cuide da manutenção das áreas comuns dos prédios.

Movimentos sociais e outras entidades, ligados à questão habitacional, podem ter papel de destaque como protagonistas dessa mudança de paradigma.

É possível, portanto, oferecer moradia digna à população, dentro de seu alcance econômico, mitigando o sofrimento a que se acha submetida.

Em suma, há soluções sustentáveis para vencer o déficit habitacional, em prazo relativamente curto, com grandes ganhos ambientais e sociais. A paz é possível

Sabetai Calderoni é urbanista, economista e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp.

José Pedro Santiago é agrônomo e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp.

 

Prefeitura suspende corte de árvores para construção de prédio em Moema

Construtora já havia iniciado a derrubada de exemplares; moradores pressionam para manter espécies

Fonte: Estadão, 31 jan. 2015

 

A Prefeitura de São Paulo suspendeu neste sábado, 31, o corte de árvores para a construção de um empreendimento imobiliário em Moema, na zona sul da capital paulista, onde funcionava a antiga casa de shows Palace. A derrubada criou um impasse entre moradores da região, a construtora Esser (responsável pela obra) e a Prefeitura de São Paulo.

Um vídeo enviado à reportagem do Estado neste sábado mostra a remoção de alguns exemplares no cruzamento entre a Avenida Jamaris e a Alameda Jurupis. O serviço de corte, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e a Subprefeitura da Vila Mariana, havia sido autorizado.

Cerca de 100 moradores da região se manifestaram contra a retirada das árvores do local, o que motivou a Associação de Moradores e Amigos de Moema (AMAM) a pedir a revogação da autorização. Sob o argumento de que são insuficientes as compensações ambientais com as quais a construtora se comprometeu, a associação tenta impedir a remoção de 14 árvores com cerca de 40 anos. Uma delas, segundo os moradores, é de uma espécie nativa da região.

“Os moradores impediram que uma das árvores fosse inteiramente cortada, apenas alguns galhos foram”, afirmou o presidente da AMAM, José Roosevelt Júnior. Porém, mesmo a poda de alguns galhos colocou as árvores em risco, pois o peso mal distribuído pode levar a queda. “A associação entrará em contato com o Ministério Público e com a construtora para analisar o que pode ser feito”, afirmou.

O procedimento havia sido autorizado no ano passado pela Prefeitura na área interna da propriedade. Como compensação ambiental, foram solicitados o plantio de mudas de espessura menor e a implantação de calçadas verdes (passeios com jardins). Entretanto, com a suspensão do serviço de corte, a liberação será reavaliada na próxima semana, informou a secretaria em nota.

No ano passado, a Prefeitura de São Paulo não aceitou uma denúncia feita pela Promotoria sobre a derrubada irregular na área, onde funcionava um estacionamento. Segundo ofício enviado ao promotor José Roberto Rochel de Oliveira em março de 2014, vistoria no local não encontrou indícios de que alguma árvore teria sido cortada.

O presidente da AMAM admite que não há irregularidades no processo, mas pondera: “Nessas árvores, muitos pássaros podem ser encontrados na parte da manhã e no fim da tarde. A contrapartida não pode repor o valor sentimental, ambiental e histórico das árvores.”

 

Procurada, a construtora Esser não se manifestou.

 

Sem água, mas cheios de alternativas

Condomínios investem em equipamentos para reduzir impacto do racionamento; estudar soluções é essencial, segundo especialistas

Fonte: Estadão, 01 fev. 2015

Com o agravamento da crise hídrica, muitos condomínios passaram a buscar alternativas que atenuassem o problema da seca nas torneiras da região metropolitana, além de aumentarem o esforço de mudança de hábitos. Alguns investimentos são praticamente universais, graças ao baixo custo de aplicação e manutenção. Outros, porém, são bem mais custosos e nem sempre valem a pena para todos os empreendimentos.

A infraestrutura dos prédios e a característica de uso dos projetos determinam limites para a adoção de medidas. Algumas soluções com bons resultados, como a individualização dos registros de água, por exemplo, têm custos inviáveis para alguns empreendimentos mais antigos em função da característica da prumada de água dos prédios – hoje, boa parte dos prédios novos já são entregues preparados para a implantação dos equipamentos necessários à divisão.

Por outro lado, edifícios prontos com um número pequeno de unidades e poucas áreas verdes muitas vezes podem economizar energia de maneira mais eficiente apenas com pequenas adaptações nas áreas comuns e nas unidades. Sistemas mais complexos, como os voltados para reúso da água, podem ter gastos de adaptação elevados demais para a capacidade de pagamento dos proprietários.

“O condomínio deve contratar um engenheiro para inicialmente elaborar um projeto preliminar. Analisar a quantidade de água que se pretende captar e estimar os custos para realização da infraestrutura necessária, para avaliar se os resultados compensarão”, diz o diretor executivo da administradora Manager, Marcelo Mahtuk.

Se algumas intervenções podem ser muito onerosas, apostar na comunicação interna e nas campanhas de conscientização dos moradores são algumas das possibilidades à disposição dos condomínios – e com um baixo custo. O diretor de sustentabilidade condominial do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Geraldo Bernardes, recomenda que os condomínios meçam diariamente o consumo de água e divulguem os dados de uso por habitante nas áreas de circulação. “As pessoas precisam saber qual é a situação de uso e como as ações de economia têm efeito. Em São Paulo, cada pessoa gasta 240 litros por dia. A recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) é de até 110 litros”.

O Secovi-SP deve lançar até março o primeiro capítulo – dedicado ao uso da água – de um guia de sustentabilidade para auxiliar os condomínios paulistas a se tornarem mais eficientes. Por enquanto, profissionais do mercado imobiliário dão dicas para os residenciais interessados em economizar:

 

Individualização

 

A separação dos registros de água criam economias de até 38% no consumo de um condomínio, segundo Geraldo Bernardes, do Secovi-SP, e a maior parte dos novos edifícios já tem preparação para a implantação da medida sem grandes custos. O diretor executivo técnico e de sustentabilidade da incorporadora Even, Silvio Gava, explica que, para isso, as instalações são previstas de forma que a água seja enviada para um ponto central em cada andar e, de lá, distribuída aos imóveis. “Além disso, deixamos um espaço, no hall, para a instalação do relógio de cada unidade.” Já em prédios antigos com muitas prumadas nas lajes, o custo para adaptação pode ser inviável

 

Equipamentos

A instalação de arejadores para torneiras e de restritores de vazão, bem como a compra de válvulas de descarga com duplo fluxo, bacias sanitárias com caixa acoplada e chuveiros com baixo consumo são medidas de custo mais baixo e bom resultados: uma torneira de uso geral com redutor de vazão, por exemplo, economiza cerca de 50% em relação a uma convencional. Marcelo Mahtuk, da Manager, diz que, nas áreas comuns, a adoção dessas peças é simples. “Difícil é a implantação nas unidades, pois, com o tempo, as torneiras e chuveiros deixam de ser padronizados. O ideal é uma campanha no condomínio, e cada morador contratar o fornecedor”

 

Captação de chuva

Em geral, esse item tem utilização para a rega de plantas e a lavagem do chão das dependências comuns dos condomínios. Por isso, sua eficácia fica vinculada ao tamanho e às necessidades dessas áreas. O sistema, que oferece água filtrada não potável, é formado por calhas, tubulações, um reservatório, filtro e torneiras específicas – peças que tornam essa uma opção com custo alto, segundo Silvio Gama, da Even. O diretor da empresa especializada Aquastock, Marcos Barros, diz ainda que, para o uso dessa água para vaso sanitário e máquina de lavar roupas, é preciso modificar o sistema hidráulico do condomínio para separar o recurso da água potável do edifício

 

Reúso de água

Segundo o consultor de sustentabilidade Luiz Henrique Ferreira, da Inovatech, os sistemas de reúso dependem da existência de um sistema com prumadas e tubulações independentes para a água potável e não potável. “Os prédios novos já possuem shafts (caixas por onde passam os canos), mas os antigos não.” A necessidade de obras civis em prédios mais velhos para adaptá-los à condição de implantação do sistema torna muito onerosa essa solução no curto prazo. Além disso, nem todos os condomínios, diz Ferreira, têm demanda suficientemente grande para justificar o investimento. “Às vezes, pode ser mais econômico comprar vasos ou chuveiros econômicos”

 

Poço artesiano

Os poços artesianos e semiartesianos podem reduzir, segundo Hubert Gebara, do Grupo Hubert, em até 15% os gastos mensais dos conjuntos. Para adotar essa solução, além da perfuração, o condomínio precisa de uma estrutura com reservatórios, filtros e tanques, respeitando normas da ABNT, além de autorização para a perfuração e de licença de uso pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE).É necessário ainda espaço nas áreas comuns para a instalação dos equipamentos de perfuração, de grande porte. Não há garantia absoluta de que o poço escavado terá água disponível, e a qualidade do recurso varia de acordo com o local de retirada

 

Caixa d’água

Para reduzir o impacto do racionamento, que poderia chegar a cinco dias por semana em um cenário de esgotamento das represas, segundo o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, alguns condomínios estão comprando novas caixas d’água no intuito de aumentar a capacidade de armazenagem. Os síndicos, segundo o consultor e advogado Rodrigo Karpat, devem prever os custos com encanamento, bombeamento dessa água e integração ao sistema hidráulico. “Caso as novas caixas fiquem no topo do prédio, será necessário um cálculo estrutural, uma vez que o sobrepeso em um determinado local poderá comprometer a estrutura do prédio”, diz.

 

Itens sustentáveis ainda são raridade na entrega dos prédios

Embora companhias preparem edifícios para a implantação de sistemas, poucos têm equipamentos desde a implantação desperdício de água

Fonte: Estadão, 01 fev. 2015

 

Um sistema de reaproveitamento de água pode ser mais facilmente implantado em novos empreendimentos, mas esse e outros itens de sustentabilidade raramente são oferecidos desde a implantação dos condomínios. O baixo investimento por parte dos incorporadores, na opinião do consultor em sustentabilidade Luiz Henrique Ferreira, não é por acaso. Faltam, segundo ele, mais incentivos para os empreendedores verdes e mais rigor por parte dos consumidores de imóveis.

Equipamentos eficientes, diz o consultor, podem ter custos iniciais mais elevados e encarecerem os imóveis no estandes, embora reduzam os gastos de operação dos empreendimentos e, portanto, compensem no médio prazo. “A compra de imóveis tem de ser mais qualificada. No estande, não exigimos do construtor saber, por exemplo, quantos vamos gastar com água e energia por mês. E ele não vai oferecer o item se o mercado não consumir porque outra empresa vende um imóvel mais barato, sem nada disso.”

Ferreira acredita que a legislação possa prever compensações para incorporadores dispostos a gastar mais para a implementação de sistemas sustentáveis nos prédios, evitando que o custo inicial dos equipamentos eleve o preço das unidades.

A lei estadual nº 12.526/2007 determina, sem compensações, que é obrigatória a implantação de sistema para a captação e retenção de águas pluviais, coletadas por telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos, em lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500 metros quadrados.

Comportamento. Com ou sem incentivos legais, os investimentos em equipamentos e sistemas mais eficientes são inúteis se desacompanhados do comportamento sustentável por parte dos usuários, segundo Ferreira. “Uma família que mora em um imóvel em que o chuveiro consome 10 litros por minuto, mas que toma banhos de meia hora, pode consumir até mais do que pessoas em um apartamento com chuveiro de 40 litros por minuto, mas que fecham o registro para se ensaboar e tomam banhos curtos.”

Mercado Imobiliário 30/01/2015


Custos e estoques em alta derrubam rentabilidade da construção civil

Fonte: Estadão, 29 jan. 2015

 

A rentabilidade das incorporadoras imobiliárias de capital aberto despencou nos últimos quatro anos e o cenário adverso pode adiar um novo ciclo de investimentos no setor. A mão de obra e os insumos mais caros, além do crescente estoque de imóveis à espera de compradores, empurrou para baixo os indicadores que medem a eficiência dessas empresas e sua capacidade de dar retorno aos acionistas.

 

Um estudo do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) obtido com exclusividade pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, dá uma ideia do que o setor está passando e dos desafios que estão por vir. Entre dezembro de 2010 e setembro de 2014, o retorno sobre patrimônio (ROE) das companhias de construção civil caiu drasticamente, com a média das rentabilidades passando de 15,4%, em 2010, para 0,4% em 2014. O ROE indica quanto a empresa conseguiu extrair de lucro em relação ao que foi investido no negócio.

 

“Percebemos uma queda considerável nesse indicador apesar de a receita estar crescendo na maioria das empresas”, diz Eric Barreto, professor do Insper e coordenador do estudo feito com pós-graduandos. Para cada R$ 1 em ativos, o retorno médio em receita líquida foi de R$ 0,29, em 2014, e de R$ 0,48 em 2010.

 

Segundo Barreto, a conjuntura atual – com um mercado de trabalho menos favorável e a desaceleração no ritmo de concessão de crédito – deve prejudicar ainda mais o setor. O próprio Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) já alertou que o cenário negativo pode adiar para 2016 o início de um novo ciclo de investimentos.

 

O levantamento do Insper inclui informações de 12 das principais companhias de construção civil com ações negociadas na Bovespa: Brookfield, CR2, Cyrela, Even, Eztec, Gafisa, JHSF, MRV, PDG, Rodobens, Rossi e Tecnisa.

 

Além da dificuldade no giro do capital, o estudo também identificou redução na margem operacional – índice que mede a eficiência das vendas de uma empresa e o quanto ela consegue convertê-las em lucro. Houve queda na margem em nove das 12 companhias investigadas. “Isso ocorreu porque os custos aumentaram num ritmo maior do que as receitas”, diz Barreto.

 

Mão de obra. Mesmo com a desaceleração do mercado imobiliário, os gastos com mão de obra seguem aumentando acima da inflação oficial. O Índice Nacional da Construção Civil medido pelo IBGE foi de 7,74% em 2014, enquanto a inflação (IPCA) no mesmo período ficou em 6,41%. Outro indicador que mede o custo do trabalho na construção civil, apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que a mão de obra ficou 8,49% mais cara dentro do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de 2014.

 

“Como o setor está desaquecido, isso diminui a perspectiva de aumentos consideráveis na mão de obra nos próximos meses”, diz André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

 

O SindusCon-SP ressalta que os resultados apontados pelas empresas do setor refletem ciclos de crescimento longos, com maturação média de quatro anos. “Os resultados de 2010 e 2011 refletiram decisões de investimentos tomadas em 2007 e 2008. As condições eram bastante favoráveis”, lembrou Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do sindicato.

 

Ele lembra que os ciclos terminados em 2013/2014 foram resultado de decisões de investimento tomadas quatro anos antes e que pegaram condições de mercado menos favoráveis ao longo do caminho, como terrenos mais caros, escassez de mão de obra e aumento de preços de insumos.

 

Com tantos desafios, as decisões sobre novos empreendimentos podem ser postergadas para 2016. “Estamos no olho do furacão, em meio a uma onda de pessimismo e ajustes. Ninguém investe, as famílias postergam, os empresários também. A taxa de juros e a incerteza são as maiores inimigas do investimento”, avalia Zaidan. O Índice de Confiança da Construção (ICST), apurado pela FGV, recuou 6,1% neste mês em relação a dezembro, para 90,8 pontos, o menor nível da série histórica iniciada em julho de 2010.

 

Caixa afirma que margens estão estáveis e a inadimplência baixa

Fonte: Brasil Econômico, 27 jan. 2015

 

A Caixa Econômica Federal rebateu ontem análises da agência de classificação de risco de crédito Moodys sobre a qualidade de seus ativos e o risco das operações. O relatório foi divulgado na sexta-feira a analistas, investidores e emissores de títulos, e suas principais conclusões foram publicadas na edição de ontem de Brasil Econômico. A instituição foi procurada para comentar o relatório na sexta, mas não havia executivo disponível.

As margens líquidas não caíram, disse ontem Alexsandra Braga, vice-presidente de riscos da Caixa. A nossa política é sempre manter as margens estáveis, não é aumentá-las. O recente aumento das taxas de algumas linhas do crédito imobiliário vieram exatamente para recompor as margens, explicou. Ao mesmo tempo, Alexsandra diz que o conceito de margem líquida é gerencial e estratégico, ou seja, o banco não divulga.

O relatório da Moodys trazia um gráfico mostrando que as as margens líquidas de juros (Net Interest Margin, conhecido como NIM, na sigla em inglês) está abaixo da Selic desde meados de 2013. Desde 2011, as margens líquidas da Caixa tem sido cada vez menores por causa da crescente parcela de empréstimos subsidiados em seu portfólio, em meio a crescentes custos de financiamento, diz o relatório.

Alexsandra discorda. Ela acredita que o cálculo feito pela Moodys simplesmente subtrai o custo dos passivos, o funding, do que rendem os ativos (os empréstimos). Procurada, a analista da Moodys não estava disponível ontem para comentar.

Sobre a qualidade dos ativos, Alexsandra está confiante no volume de garantias. No crédito imobiliário, que é 60% da nossa carteira, o valor das garantias que temos é hoje cerca de 30% maior do que o volume do que temos emprestado. O mesmo ocorre com empréstimos para infraestrutura, que representam outros 7% da carteira. Dos 33% restantes, há 10% em consignado e apenas 22% é crédito comercial de maior risco. O perfil da nossa carteira não mudou no tempo, diz, acrescentando que em duas modalidades que entrou recentemente – veículos e crédito agrícola – não somam juntas nem 2% da carteira total.

Alexsandra admite que a rentabilidade caiu, mas acrescenta que a Caixa agora tem uma posição patrimonial mais sólida. Em agosto do ano passado o Banco Central autorizou a incorporação de R$ 28 bilhões em recursos captados no mercado de dívida ao capital. Ao dividir o lucro por uma base de capital maior, a rentabilidade cai.

Já em relação às taxas de inadimplência, Alexsandra explica que em 2014 elas subiram pelo menor ritmo de concessões. Em 2012 e 2013, os índices haviam melhorado pelo efeito do aumento da base de empréstimos. Com a base crescendo muito menos, mesmo controlando a inadimplência os índices sobem. Ou seja, é matemático. Mas em setembro eles já voltaram a cair e devem ficar entre 2,6% e 2,8% ao ano, para atrasos acima de 90 dias, diz.

Procura do consumidor por crédito cai 7,8% em 2014.

A demanda do consumidor por crédito caiu 7,8% no ano de 2014, segundo o indicador calculado pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). A queda é a mais acentuada apurada na série histórica da instituição, que tem cálculos realizados desde dezembro de 2011.

Em dezembro, a procura por crédito recuou 1,9% na análise mensal, em relação a novembro. Já na comparação de dezembro de 2014 contra dezembro de 2013, a queda alcançou 14,6%.

Considerando os segmentos que compõem o indicador, na análise acumulada do ano, a demanda por crédito nas instituições financeiras caiu 8,3%, enquanto para o segmento não-financeiro houve queda de 7,6%.

Para o economista da Boa Vista SCPC Flavio Calife, o mercado de crédito vivenciou nos últimos meses diversos tipos de medidas de fomento ao crédito, mas mesmo assim, o crédito continuou desacelerando e sinalizando uma maior cautela do consumidor em tempos de incerteza econômica.

A alta das taxas de juros também contribui para a diminuição da demanda de crédito. Levando em consideração o cenário macroeconômico para 2015, acredito que a reversão do processo somente se concretizará com a melhoria da confiança na economia, cenário factível após a consolidação dos ajustes de política monetária e fiscal, atualmente em curso, explica o especialista.

 

Gestão Haddad vai atrasar para abril entrega do projeto de Lei Zoneamento

A gestão Fernando Haddad (PT) vai atrasar a entrega do projeto de Lei de Zoneamento em três meses. O objetivo é estender o processo de discussão sobre as regras.

Fonte: Folha, 30 jan. 2015

 

Previsto para ser apresentado à Câmara de São Paulo até 31 de janeiro, o projeto define, rua por rua da cidade, os tipos de construções que serão permitidos na cidade.

 

É um dos projetos mais polêmicos da administração, pois mexe diretamente com a vida dos bairros.

 

Na tarde desta quarta-feira (28), porém, o presidente do Legislativo, Antonio Donato (PT), recebeu uma carta do secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, na qual é pedido um prazo de 90 dias para o envio, chegando, portanto, em abril.

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O secretário argumenta afirma que se trata de uma demanda das pessoas que têm ido às audiências públicas. “Se há uma coisa consensual entre os movimentos é a vontade de estender e aprofundar o processo de debate. Numa cidade de 12 milhões habitantes, há 12 milhões de opiniões, muitas vezes divergentes”, disse.

 

O adiamento pode inviabilizar os planos da gestão, que pretende conseguir a aprovação do texto até o final do ano. Tarefa difícil porque serão necessárias audiências públicas convocadas pelos parlamentares, além das que estão sendo realizadas pela própria prefeitura.

 

Associações de moradores já se mobilizam por futuras mudanças previstas nos bairros.

O temor de moradores de bairros com perfil residencial é que passem a ser de uso misto, o que inclui comércio. Ou recebam habitações para pessoas de baixa renda. Nesse último caso, elas podem ser definidas como áreas de Zeis (zonas especiais de interesse social).

O secretário Mello Franco afirma que só haverá mudança nas Zeis em caso de equívocos, já que as zonas foram estabelecidas no Plano Diretor, aprovado no ano passado.

 

Ele ressalta que também tem encontrado várias pessoas satisfeitas com as mudanças. “Tem uma mudança de cultura urbana. Várias pessoas estão satisfeitas com essas mudanças, entre elas de fato uma relativização da importância do automóvel na vida cotidiana e o desejo de conviver em espaços com mais possibilidade de usos, o que acarreta aproximar a casa da padaria, do serviço”, afirmou.

A lei de zoneamento prevê, na prática, a realização das diretrizes que constam do Plano Diretor da cidade. Em linhas gerais, o plano estimula a construção de prédios mais baixos (de até oito andares) no miolo dos bairros e espigões nos grandes corredores de transporte público.

Também prevê a construção de edifícios sem garagem, além de ampliar as área de interesse social no município.

 

 

Mercado Imobiliário 16/01/2015


Caixa sobe juros de parcela da casa própria na próxima segunda

 

Fonte: Folha, 16 jan. 2015

 

A Caixa Econômica Federal vai reajustar as taxas de juros das operações para financiamento de imóveis residenciais contratadas com recursos da poupança na próxima segunda-feira (19).

 

A nova taxa será aplicada somente aos imóveis financiados a partir desse dia. A Caixa afirmou que está elevando as taxas por causa do aumento da taxa básica de juros, a Selic.

 

Nos financiamentos feitos pelo SFH ( Sistema Financeiro Habitacional), a taxa balcão –para clientes sem relacionamento com o banco– foi mantida em 9,15%; para quem já tem relacionamento com o banco (quem é correntista, por exemplo), os juros subiram de 8,75% para 9%.

 

Já para imóveis negociados pelo SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário), a taxa balcão subiu de 9,20% para 11%; para clientes com relacionamento, o juro passou de 9,10% para 10,70% (veja quadro abaixo).

 

  • Imóveis até R$ 750 mil*, pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação)
Taxa anterior, em % Nova taxa, em %
Taxa balcão 9,15 9,15
Relacionamento 8,75 9
Relacionamento + salário 8,25 8,70
Servidor (relacionamento) 8,6 8,70
Servidor (relacionamento + salário) 8 8,50
  • Unidades acima de R$ 750 mil*, pelo SFI (Sistema Financeiro Imobiliário)
Taxa anterior, em % Nova taxa, em %
Taxa balcão 9,20 11
Relacionamento 9,10 10,70
Relacionamento + salário 9 10,50
Servidor (relacionamento) 9 10,50
Servidor (relacionamento + salário) 8,80 10,20

*Valor de até R$ 750 mil pelo SFH vale para SP, RJ, MG e DF; para demais Estados, limite é de R$ 650 mil; Fonte: Caixa

NOVAS REGRAS

 

As novas taxas passam a valer para créditos habitacionais concedidos a partir da próxima segunda-feira. Para as propostas de financiamento aprovadas até esta sexta-feira (16), as taxas continuam nas condições anteriores.

 

Segundo o banco, as taxas dos financiamentos contratados com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que incluem os do programa Minha Casa, Minha Vida, não sofrerão reajuste.

 

Conforme mostrou reportagem publicada nesta quinta-feira (15) pela Folha, a Caixa detém 70% do crédito imobiliário no país e a mudança na taxa de juros praticada pela instituição deverá ter impacto nos juros dos demais bancos e no ritmo de atividade da construção civil.

  • Veja simulação de financiamento de imóvel na Caixa

Financiamento de R$ 500 mil, em 360 parcelas mensais
Cálculos baseados no SAC (Sistema de Amortização Constante), para contratos feitos pelo SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário)

 

  • Clientes com relacionamento (correntistas, por exemplo)
Como era Como fica
Taxa de juros ao ano 9,10% 10,70%
Valor da 1ª mensalidade R$ 5.180,56 R$ 5.847,22
Valor da última mensalidade R$ 1.399,42 R$ 1.401,27
Valor total pago R$ 1.184.395,83 R$ 1.304.729,17
  • Clientes com relacionamento e salário
Como era Como fica
Taxa de juros ao ano 9,00% 10,50%
Valor da 1ª mensalidade R$ 5.138,89 R$ 5.763,89
Valor da última mensalidade R$ 1.399,31 R$ 1.401,04
Valor total pago R$ 1.176.875 R$ 1.289.687,50
  • Servidor com relacionamento (correntistas, por exemplo)
Como era Como fica
Taxa de juros ao ano 9,00% 10,50%
Valor da 1ª mensalidade R$ 5.138,89 R$ 5.763,89
Valor da última mensalidade R$ 1.399,31 R$ 1.401,04
Valor total pago R$ 1.176.875 R$ 1.289.687,50
  • Para servidor com relacionamento e salário
Como era Como fica
Taxa de juros ao ano 8,80% 10,20%
Valor da 1ª mensalidade R$ 5.055,56 R$ 5.638,89
Valor da última mensalidade R$ 1.399,07 R$ 1.400,69
Valor total pago R$ 1.161.833,33 R$ 1.267.125

Fonte: Anefac

 

OUTROS BANCOS

 

O reajuste nos juros da Caixa, que funcionam como um piso do mercado (o banco estatal é reconhecido por cobrar as menores taxas), deve levar as demais instituições a elevarem também os juros do empréstimo habitacional.

Apesar da alta generalizada dos juros nas demais linhas de crédito em 2014, os bancos resistiram em repassar a variação para o empréstimo imobiliário, que conta com recursos da poupança captados com pagamento de 6% ao ano mais TR.

No ano passado, a taxa Selic (juros básicos) subiu de 10% para 11,75% de janeiro a dezembro, enquanto os juros médios do financiamento começaram em janeiro e terminaram em novembro -dado mais recente- em 8,5%.

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Habitação popular é poupada de reajuste dos juros da Caixa

Fonte: Folha, 16 jan. 2015

 

A Caixa Econômica Federal poupou da alta nos juros as linhas voltadas à habitação popular, um dos poucos segmentos da construção preservados da desaceleração econômica.

 

Seguirão com a tabela de 2014 as taxas para os empréstimos do programa Minha Casa Minha Vida (para famílias com renda até R$ 5.000) e aqueles financiados com recursos do FGTS (a Carta de Crédito FGTS, para famílias com renda até R$ 5.400).

 

Segundo Walter Cover, presidente da Abramat (associação da indústria de material de construção), cerca de 7% da receita do setor veio dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida.

 

“Esperamos que a decisão de não subir os juros para esses imóveis se mantenha e que seja aprovada a construção de 600 mil casas neste ano, conforme foi sinalizado pelo governo. O programa é uma maneira de melhorar os resultados das vendas.”

 

“A Caixa está voltando para o segmento dela. Era difícil entender esse apetite por todas as classes de clientes. É um sinal do governo de que vai ser mais responsável com o dinheiro público”, disse Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito.

 

“Poupar o social é compreensível, mas o setor não esperava um aumento assim; a notícia não é positiva, mas o impacto pode ser limitado”, diz Renato Ventura, da Abrainc (associação das incorporadoras).

 

Caixa aumenta taxa de juros de financiamento da casa própria

Juro vai aumentar mais para os imóveis com preço acima de R$ 750 mil; banco diz que o reajuste reflete a elevação da Selic, parâmetro para o custo dos financiamentos

Fonte: Estadão, 15 jan. 2015

Agência da Caixa em São Paulo

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A Caixa Econômica Federal confirmou que elevou os juros efetivos no financiamento imobiliário de imóveis residenciais em até 0,50 ponto porcentual nas linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), para imóveis de até R$ 750 mil e que tem como ‘funding’ (fonte de recursos) principal a poupança. Já para os imóveis de mais de R$ 750 mil, financiados via Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o juro vai aumentar em no máximo 1,80 p.p.. As novas taxas começam a valer, conforme antecipado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a partir da próxima segunda-feira (19).

 

O aumento de juros na maioria das linhas de financiamento imobiliário reflete, conforme confirmou a Caixa, a taxa de juros básicos (Selic) maior. O banco informou ainda que as taxas de juros dos financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofrerão qualquer correção.

 

O maior aumento de juro promovido pela Caixa no âmbito do SFH ocorreu na linha voltada a servidores que além de terem relacionamento com a Caixa, recebem seu salário pelo banco. O juro passou de 8,00% para 8,50%. Já no SFI, subiu de 8,80% para 10,20%. Apesar das elevações, a modalidade servidor (relacionamento + salário) segue com o juro mais atrativo praticado pela Caixa.

 

Já no caso do SFI, as taxas balcão foram as que mais subiram, passando de 9,20% para 11,00%. No SFH, essa modalidade foi mantida em 9,15%. Os novos juros cobrados nos financiamentos habitacionais da Caixa foram comunicadas aos gerentes na semana passada e, imediatamente, já começaram a ser informados aos clientes.

 

Veja abaixo as novas taxas de juros do crédito habitacional:

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Uma fonte próxima ao banco garante que a elevação não é fruto de orientações da nova equipe econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem defendido redução dos benefícios concedidos pelo governo. A Caixa, ao lado do Banco do Brasil, liderou o movimento de redução dos juros em 2012, pressionando as instituições privadas a fazerem o mesmo. Esse caminho, porém, teve ter de ser alterado com o aumento da Selic para controlar a inflação. Hoje, a taxa Selic, que chegou à mínima histórica de 7,25% em 2012, está em 11,75%.

 

Líder no segmento, com participação de mercado de 67,6%, a Caixa encerrou setembro último com saldo de R$ 320,628 bilhões no crédito imobiliário, aumento de 26,1% em um ano e de 5,6% ante junho. Em outubro do ano passado, o diretor executivo de Habitação da Caixa, Teotônio Rezende, havia antecipado, em entrevista ao Broadcast, a possibilidade de o banco elevar os juros nos financiamentos habitacionais. “Não estamos pensando nisso. Mas se houvesse algum movimento, seria para cima. Até 0,5 ponto porcentual para cima. Não há espaço para uma subida brusca”, afirmou ele, na ocasião.

 

Além de taxas mais elevadas, os consumidores que escolherem a Caixa para financiar o seu imóvel residencial também terão novidades quanto ao uso de renda informal, sem origem comprovada da fonte pagadora, para obter o crédito. Agora, o banco vai passar a exigir um valor máximo que, segundo fonte, será de até R$ 2 mil por pessoa. Geralmente, os clientes comprovam sua renda via holerite, extratos bancários e utilizam a renda informal para complementá-la. Com a limitação, a renda total admitida para a concessão de crédito tende a reduzir, consequentemente, o valor máximo de financiamento.

 

Justiça aciona Ibama e Cetesb contra desmate na zona sul de SP

Para derrubar espécies raras, funcionários que trabalhavam sem autorização faziam cavas com 1,5 metro de profundidade ao lado dos troncos, desestabilizando as árvores, que acabavam caindo

 

Fonte: Estadão, 15 jan. 2015

 

Com base em uma investigação do Ministério Público Federal que constatou desmatamento em área remanescente de Mata Atlântica, contígua ao Parque Burle Marx, na Vila Andrade, zona sul da capital paulista, a Justiça Federal determinou que o Ibama e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) tomem providências contra os responsáveis pelo empreendimento chamado Projeto Imobiliário Panamby.

 

A Justiça quer agora que o Fundo Brascan (gerido pela Brookfield) e a Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário sejam acionados por crime ambiental, caso ocorra qualquer nova intervenção na vegetação do terreno localizado na várzea do Rio Pinheiros. A estratégia para derrubar as árvores do terreno e que configura crime ambiental foi constatada pelo MPF, por técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e pela Polícia Militar Ambiental em vistorias realizadas nos meses de setembro e de outubro no terreno de 717 mil metros quadrados, o único da região ainda com mata fechada.

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A Justiça quer agora que o Fundo Brascan (gerido pela Brookfield) e a

Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário sejam acionados por crime ambiental

 

Para derrubar espécies de vegetação raras com mais de 70 anos e 30 metros de altura, funcionários que trabalhavam sem autorização de órgãos públicos faziam cavas com 1,5 metro de profundidade ao lado dos troncos, desestabilizando as árvores, que acabavam caindo em menos de duas semanas.

 

Esses funcionários que faziam o desmatamento abrindo as cavas foram flagrados pelos peritos do MPF e do Ibama na tarde do dia 3 de setembro. Acionada no dia seguinte, a PM também constatou a existência das cavas como estratégia para a derrubada das árvores. Os funcionários pertenciam a uma empresa terceirizada que teria sido contratada pelas proprietárias do terreno.

 

Os pedidos de autorização para obras de um novo condomínio no local, alvo do desmatamento, tramitam desde maio do ano passado na Secretaria Municipal de Licenciamentos e na Cetesb. Acusados de omissão na fiscalização do que estava acontecendo dentro do terreno antes da emissão das licenças, Ibama e Cetesb também se tornaram réus na ação.

 

Agora a Justiça Federal, por meio de liminar, obriga que o Ibama e a Cetesb tomem providências em relação ao desmatamento denunciado. Ambos os órgãos dizem não ter competência para fazer o licenciamento do terreno, que teria de respeitar regras do zoneamento municipal. A Brookfield e a Camargo Corrêa também negam terem sido as responsáveis pelo desmatamento, denunciado no início de 2014 pela associação de moradores SOS Panamby.

 

Devastação. No mês de outubro, peritos do Ministério Público Federal e biólogos observaram 65 espécies de aves em apenas oito dias de visitas ao terreno previsto para virar condomínio ao lado do Parque Burle Marx, na zona sul de São Paulo.

 

Raros até em áreas fechadas de Mata Atlântica dentro da Serra do Mar, o gavião-pomba, o pica-pau verde, a araponga e o pavó foram observados no terreno da Camargo Corrêa, onde teria ocorrido desmatamento ilegal de árvores em área de preservação permanente, na várzea do Rio Pinheiros.

 

Os laudos para o MPF elaborados pelos biólogos Ricardo Cardim e Carlos Gussoni apontaram a existência também de espécies frutíferas com mais de 60 anos dentro do terreno, como jabuticabeiras, palmeiras-juçara, araças e uvaias.

 

Entre as árvores comuns na Mata Atlântica do Estado e na área prevista para virar condomínio estão bromélias ameaçadas de extinção e a rara pimenta-de-macaco.

Outras árvores típicas de remanescentes de Mata Atlântica localizados no terreno são o xaxim, o pau-jacaré, a tapiá, a aroeira, a cajerana, a guaçatonga e o embiruçu.

A assessoria de imprensa da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário informou que a empresa não é proprietária do terreno e não realizou intervenção na área. Procurada no início da noite, a Brookfield não se pronunciou.


Justiça barra obra do Bosque Cidade Jardim

Condomínio está em área com remanescentes de Mata Atlântica; JHSF diz que não foi notificada e já cumpriu as exigências legais

Fonte: Estadão, 14 jan. 2014

 

A Justiça ordenou a paralisação das obras do Condomínio Bosque Cidade Jardim, às margens do Rio Pinheiros, no Morumbi, zona sul da capital. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), autor da ação, o empreendimento está em uma área de proteção ambiental, com remanescente de Mata Atlântica, árvores em extinção e ao redor de duas nascentes de água, canalizadas irregularmente.

A área de 48 mil m², que vale R$ 166 milhões, é da incorporadora JHSF. A empresa diz que “cumpriu todas as exigências feitas pelas autoridades”.

O condomínio fica entre o Shopping Cidade Jardim e o Clube Paineiras do Morumby. Segundo a divulgação de resultados da construtora, o Bosque Cidade Jardim tem 33 terrenos, com preço médio de R$ 9.560 por metro quadrado. Até o fim do terceiro trimestre de 2014, restavam 13 áreas para venda.

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Área de R$ 166 milhões no Morumbi. Lotes ainda estão sendo vendidos e incorporadora diz que vai defender seus direitos

 

Além da localização do condomínio, em região de alto padrão, o residencial também tem como diferencial um bosque com cerca de 12 mil m². É nele que a JHSF promete fazer pistas de cooper, trilhas para caminhada e área de ioga para os futuros moradores. A proteção desse bosque é um dos problemas que preocupam Luís Roberto de Proença, da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente do MPE, autor da denúncia.

Ao todo, o condomínio tem 49 espécies nativas da Mata Atlântica – três em extinção, de acordo com o parecer técnico do Ministério Público. Além de pedir a paralisação da obra, o promotor exigiu que a Justiça obrigasse a JHSF a manter a vegetação.

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A decisão, em caráter liminar e passível de recurso, é do juiz da 13.ª Vara da Fazenda Pública, Alberto Alonso Muñoz, e vale desde o dia 8. O magistrado fixou uma multa diária de R$ 100 mil caso as intervenções continuem e de R$ 1 milhão por árvore do bosque retirada, caso seja constatada a remoção ou transplante das espécies da Mata Atlântica.

 

As associações de moradores do bairro comemoraram a decisão da Justiça. “Isso restaura a confiança da população nas instituições. Existem muitos projetos que contrariam a legislação ambiental”, afirmou Francisca Stella Faga Alves, representante dos moradores do Real Parque, bairro no entorno do condomínio. Ela mora em uma rua paralela ao Bosque Cidade Jardim.

 

Mesmo com a decisão de suspender a construção, o canal de vendas da incorporadora continua fazendo atendimento para interessados em saber mais sobre o projeto. Em consulta feita pela reportagem, a resposta foi que os terrenos com tamanhos que variam entre 530 m² e 1.100 m² podem ser comprados normalmente. No entanto, os futuros donos terão de esperar até o fim de abril deste ano para começar a construir imóveis residenciais nos lotes.

 

Em dezembro, o Estado revelou que uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) constatou que outra reserva de Mata Atlântica nas margens do Rio Pinheiros, no Panamby, também no Morumbi, estava com a preservação ameaçada. Construtoras cavavam em volta das árvores, desestabilizando as plantas e ocasionando a queda delas.

 

Resposta. Procurada, a JHSF disse que “não foi notificada de nenhuma decisão liminar da Justiça” em relação ao empreendimento e cumpriu todas as exigências “feitas pelas autoridades competentes durante o processo de licenciamento”. A empresa afirmou que tem os documentos que comprovam a “legalidade da obra”. Ainda de acordo com a incorporadora, “a empresa adotará as medidas pertinentes” para defender seus direitos, caso seja notificada sobre a decisão.

 

Decisão de paralisar obras do Bosque Cidade Jardim cita crise hídrica

Denúncia do MPE afirma que há duas nascentes e dois córregos canalizados de forma irregular; ‘trata-se de verdadeiro oásis’

 

Fonte: Estadão, 14 jan. 2014

O juiz Alberto Alonso Muñoz usou a severa estiagem que atinge os reservatórios de água da Grande São Paulo para justificar a decisão de paralisar as obras do Bosque Cidade Jardim. “Devo destacar que em épocas de ‘crise hídrica’ (eufemismo para racionamento de água), o descuido com a proteção ambiental é de tal gravidade que não pode ser tolerado. O que está em jogo é a vida de milhões de habitantes que vivem numa metrópole como São Paulo”, alegou o magistrado, na decisão em caráter liminar.

 

A denúncia do MPE afirma que há duas nascentes e dois córregos canalizados de forma irregular no terreno. “Trata-se de um verdadeiro oásis em meio à avassaladora expansão das áreas construídas desta cidade”, afirmou o promotor e autor da denúncia, Luís Roberto de Proença. O laudo do órgão aponta que a água nasce perto do Clube Paineiras do Morumby, desce para um córrego e segue para o Rio Pinheiros.

 

Helena Caldeira, presidente da Associação Morumbi Melhor, também condenou a canalização das nascentes. “São áreas de várzea, ricas em nascentes e isso tem de ser respeitado” disse. “Essa crise de água também é por falta de respeito à legislação e os órgãos públicos deveriam ser os primeiros a preservar isso. Estão secando os lençóis freáticos porque é tudo construído sobre eles.”

 

Ela disse ainda que a margem da Marginal do Pinheiros onde está localizado o empreendimento, que fica no sentido Interlagos da via, é um dos poucos locais que levam oxigenação para dentro do rio. Isso porque, de acordo com ela, há vegetação da Mata Atlântica.

 

Liminar suspende obras de projeto da JHSF em São Paulo

Fonte: Valor, 14 jan. 2014

 

A Capri Administradora de Bens, subsidiária da incorporadora JHSF, terá de suspender as obras do loteamento Bosque Cidade Jardim, por força de liminar obtida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo no Tribunal de Justiça de São Paulo. As multas em caso de não cumprimento das determinações da liminar podem ultrapassar R$ 3,5 milhões. Procurada pelo Valor, a JHSF informou não ter sido notificada.

 

A companhia diz ter “convicção de que o projeto foi feito de maneira correta e, absolutamente, regular”. O loteamento se localiza nas proximidades do Clube Paineiras do Morumby, na zona Sul da cidade de São Paulo, e tem Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 166 milhões. O Bosque Cidade Jardim corresponde a cerca de 5% do VGV dos projetos da JHSF em curso. A entrega está prevista para o segundo trimestre, e as vendas chegam a pouco mais da metade do total até agora.

De acordo com o Tribunal de Justiça, o empreendimento é desenvolvido em áreas de preservação permanente (APPs) e, num momento de crise hídrica, “o descuido com a proteção ambiental é de tal gravidade que não pode ser tolerado”. A JHSF disse ter “preocupação muito grande com o meio ambiente”, que o projeto foi desenvolvido “com muita cautela”, e que todas as licenças foram obtidas. Conforme a companhia, o trabalho, foi feito, “rigorosamente, dentro de todas as normas e exigências”.

Segundo o Tribunal de Justiça, o loteamento foi projetado sobre áreas de preservação permanente ao redor de duas nascentes, mas isso não teria sido informado pela JHSF na planta do projeto ou no memorial descritivo, e a incorporadora obteve então autorização para cortar 26 árvores no entorno de 50 metros. Outras áreas de preservação também foram identificadas no local, de acordo com o Tribunal de Justiça.

A liminar determina multa diária de R$ 100 mil, até o julgamento definitivo da questão, caso as obras do loteamento não sejam suspensas. Há determinação também de interrupção do manejo da vegetação, o que, se não cumprido resultará em multa de R$ 100 mil por árvore cortada ou transplantada.

As maiores sanções serão aplicadas se não forem suspensas a limpeza ou a retirada do material de origem vegetal do bosque – R$ 1 milhão por remoção -, se for feita publicidade do projeto – R$ 1 milhão por “conduta de publicidade ou oferta constatada” e, se houver oferta de venda dos lotes do Bosque Cidade Jardim – R$ 1 milhão por ocorrência.

 

Ainda de acordo com a liminar, a Capri precisa entregar a relação dos “adquirentes ou compromissários” dos lotes e notificá-los, em 30 dias, em relação à ação. Caso essa determinação não for cumprida, a multa diária será de R$ 100 mil.

A Capri precisa entregar, também em 30 dias, a relação das árvores do local, com a indicação de quais das existentes na data do laudo ambiental foram cortadas, transplantadas e quais continuam de pé, sob pena também de R$ 100 mil de multa diária se houver descumprimento.

Outra das determinações da liminar é que sejam colocadas placas nas entradas do imóvel sobre a suspensão das obras e da proibição da oferta e venda de novos lotes. A multa diária caso a determinação não seja seguida será de R$ 100 mil.